I Know
3 I Know
Notas iniciais
– John, querido! – Mrs. Hudson dizia ao abraçar o Watson na porta do 221B – Entre!
A chuva tinha acabado de dar trégua, uma fria tarde. John estava determinado em deixar Londres. Fazia três meses que havia visitado a lápide do único detetive consultor do mundo, pela última vez.
–Então, como vai você e Mary? – A senhoria perguntou a John enquanto ambos começavam a subir as escadas.
–Bem – John limpou sua garganta – Nós vamos nos mudar semana que vem. Hum...Mrs. Hudson- Ele parou no meio do degrau- Eu estou aqui apenas para pegar algumas coisas que esqueci , há um bom tempo atrás. Eu queria se possível, ir até lá sozinho. – John sinalizou a porta a cima com o queixo – Entende...
–Oh, eu entendo querido! Leve o tempo que precisar — Mrs. Hudson disse um pouco ansiosa demais, oque estranhou John. Logo ela entregou as chaves na mão do médico — Se precisar de algo, estou aqui em baixo.
– Obrigado – John deu um meio sorriso, e recomeçou a subir os degraus.
.
Sherlock estava sentado em sua velha poltrona, observava a escuridão da sala de estar que tantas vezes dividira com o amigo. Agora estava tão vazio, mais ainda assim todas as coisas estavam em seus antigos lugares. Era justamente isso que fazia com que Sherlock tivesse certeza de seu plano.
Quando contara a Mrs. Hudson que não estava morto, precisou de um esforço para manter a sua boca fechada. Ela não foi a primeira, a saber, Molly sabia desde o princípio, desde quando tivera que arranjar tudo para forjar sua morte, na verdade ela o tinha ajudado. Mycroft também sabia desde o início. Então ele havia contado para Greg. Eles haviam feito um bom trabalho mantendo isso em segredo.
E não havia mais tempo, a mente de Sherlock dizia. Holmes pensou que agora era a hora para voltar. Tinha acabado com toda a rede de Moriarty, e se pondo em risco, as vezes conseguia ver John, principalmente em suas visitas a lápide. E sempre mantinha seu irmão atento ao médico. John estava se mudando, Sherlock não podia mais adiar sua volta. O detetive estava perdido em pensamentos, com suas duas mãos embaixo do queixo, quando um barulho o fez despertar.
John se deteve alguns segundo antes de girar a chave na maçaneta.
Então quando abriu a porta, seus olhos se depararam com uma silhueta familiar no meio do apartamento, sentado na poltrona de seu melhor amigo. Ele não conseguia acreditar em seus próprios olhos. “Não...”
–Sherl... — Sua voz mau saia. John pressionou seus lábios, oque ele via a sua frente era Sherlock, sentado em sua velha poltrona, de pernas cruzadas, uma imagem tão familiar e que agora deixava sua mente zonza, seu cérebro tentava entender oque via.
Então o Holmes se levantou da poltrona, e começou a andar em direção ao amigo. E parou exatamente a três passos desse- John, Eu — Sherlock fora interrompido por um soco do loiro.
–SEU CRETINO! – John gritou. Sentiu toda dor de volta em suas veias, toda raiva. Ele estava tão, tão bravo. Se sentia traído, sentia que poderia bater no detetive até sentir sua mão dormente.- C-COMO? NÃO, ESPERE...PO-PORQUE?-John piscava inúmeras vezes, com as sobrancelhas franzidas.
–John...me desculpe – Disse Sherlock como alguém que já esperava aquela reação, mas simplesmente deixou ir.
– TRÊS ANOS, SHERLOCK!TRÊS MALDITOS ANOS!- Watson continuava a gritar, parou na frente do detetive enquanto este checava se seu nariz sangrava.- CO-NÃO, PORQUÊ FEZ ISTO, HUM? – John simplesmente agora o encarava.- VOCÊ SABE PELO QUE EU PASSEI?
–John, eu sei que está zangado, ma-
–ZANGADO? PELO AMO DE DEUS SHERLOCK! EU ESTIVE VISITANDO SUA LÁPIDE POR DOIS ANOS.
– Eu sei.
O silêncio então tomara conta do ambiente. John olhava para Sherlock agora com uma expressão de surpresa, e então de dor, desviando o olhar. Ele sabia? Como ?
–Eu estive atrás dos homens de Moriarty e quando podia... vinha lhe observar. E estive lá na primeira vez que me visitou...e nas outras .- Holmes o encarava, mantendo a voz calma.
–Você escutou...
–Cada palavra.
–Porquê diabos não me disse nada? Uma mensagem de texto, qualquer coisa – Sua voz que começara firme morria na garganta .
–Muito arriscado, não podia colocar sua vida em risco, o fato de eu estar lhe observando assim de perto já era arriscado, não podia John...
John tentava não encontrar os olhos do outro. Tomou uma respiração profunda. Balançou a cabeça duas vezes.
–Eu estive lá- Sherlock dizia e a tristeza em sua voz era clara, agora não havia um disfarce, Sherlock mostrava seu lado humano, e John encontrou seu olhar.- É por isso que estou aqui, John.
– Por quê ?- John o encarava ainda balançando a cabeça.
–Não posso deixa-lo ir...-Sherlock começou a se aproximar do loiro – Me desculpe , John, tanto.
O médico bufou, quase um riso de desgosto, ele estava tão cansado – Sherlock, estou saindo de Londres, Eu-
–Eu sei , John – Sherlock agora estava cara a cara do loiro, John podia sentir a respiração quente em seu testa, e o calor do outro emanando. Deus como sentira falta daquele homem, como sentira falta de tudo que viveram juntos, olhava para todo o rosto do Holmes, aqueles olhos, e boca. Umedeceu os lábios.
–É por isso que estou aqui.- Sherlock disse, levando uma mão suavemente ao pescoço de John – Não posso deixa-lo partir- Logo ambos sabiam oque aconteceria. Sherlock deixou seus olhos fecharem e assim fez John, que havia levantado um pouco a cabeça, logo suas mãos desesperadas seguravam as costas do mais alto, o colocando perto. Finalmente seus lábios se encontraram, calmos, macios, mais firmes, em segundos o beijo se torno intenso, forte, apaixonado, como se nunca pudessem ter o suficiente disso. Sherlock tinha as duas mãos no rosto de John, e mantendo mais perto possível, e o mesmo fazia John, que corria suas mãos pelos cachos morenos. Ah aquele cheiro, sentir o Holmes contra seu corpo, sua boca, ouvir sua respiração acelerada. Sherlock logo passava suas mãos pelo dorso de John, sentindo sua musculatura, sua respiração em desespero, seu corpo cada vez mais forte investindo contra o dele. Logo tiveram que se separar para tomar ar. A poucos centímetros tentavam recuperar a respiração. Quando John abriu os olhos, viu os azuis de Sherlock cravados nos seus, como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo, e no momento para ele era.
–Eu te amo John, sempre amei. — Disse Holmes entre uma respiração e outra, nunca movendo seu olhar.- Você não pode ir.
John respirou fundo e tomou o rosto do outro em suas mãos, se sentia tão feliz, ainda digeria tudo, mas , oque sentia em seu peito, era o mais maravilhoso e reconfortante sentimento. Sherlock estava vivo e o amava, ainda sentia um pouco de raiva, mas Cristo, amava aquele homem – Deus, Sherlock...- John o apertava firme para mais perto de si.
Logo um estava no braço do outro, um abraço forte. Sherlock beijou o topo da cabeça do médico, John agarrava em sua mão o fino terno preto que Holmes vestia, com medo de aquilo ser mera ilusão, conseguia ouvir os batimentos cardíacos do amigo, e seu peito se enchia de calma. Nada mais importava , um sorriso surgia em seu rosto – Eu também te amo Sherlock , você é um idiota, sabia? –John deu um pequeno riso, daquele tipo que derretia o coração do detetive.
–Eu sei.- E Sherlock sorria também.
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