I Knew You Were Trouble.
3 No apologies.
Eu amaçava o papel que continha palavras declarando totalmente meu ódio e minha dor por aquele ser desprezível que eu tanto amava, como ele poderia ser tão cruel ao ponto de me machucar por uma carta?
Eu relia aquela carta várias vezes e tentava colocar meus sentimentos em palavras, apenas para demonstrar a minha raiva, eu poderia muito bem ter escrito um "eu te odeio, está tudo acabado, some da minha vida e vai se fuder", mas não, eu deveria usar as palavras certas, eu escolheria as palavras mais simples com os piores significados.
Me afundei na cadeira frustrada, respirei fundo para descarregar toda a tensão e tentar tirar todos os tipos de palavrões que eu poderia escrever, decidi ser firme, objetiva e rápida.
“Querido John,
Espero que você esteja bem em seu serviço, tive poucas notícias de seu pai, e percebi que o mesmo está melhorando a cada dia.
Não é sobre isso que eu quero escrever nessa carta, eu tentei de todas as formas possíveis encontrar as palavras certas para não te magoar ou deixar nervoso, mas percebi que isso será impossível.
A lua cheia, ela te traz lembranças? Acredito que sim, mas algo que me fazia feliz agora faz eu sentir nojo, sinto nojo do meu corpo, sinto nojo de cada canto que você me tocou, sinto nojo de você e também de tudo que te envolva, eu olho para nosso porta retrato que fica do lado da escrivaninha e me pego rindo, rindo da sua cara, e do caminho em que chegamos.
Engraçado que em um relacionamento as pessoas não mudam, elas mostram seu verdadeiro eu, e o seu ‘verdadeiro eu’ é algo repugnante, sujo, e totalmente baixo. Espero que você esteja me entendo e que saiba a onde eu quero chegar, eu quero chegar, mas chegar bem longe de você, você irá pisar nessa pequena casa e ela estará vazia, provavelmente a única coisa que sobrara será sua cama, e suas roupas imundas e seus pacotes de camisinha que fica embaixo da cama que você sempre usa com as putas que come... Eu estou gravida, John, o filho é seu, mas eu não quero que ele tenha um pai como você, iria ser injustiça com o próprio pequeno feto aqui dentro de meu ventre, Tim irá me ajudar, ele insistiu em tomar a posição de pai, e eu o agradeço mais que tudo, porque se dependesse de você... Eu estaria perdida.
Passe Bem.
Savannah”
Dei uma última revisão na carta que dizia tudo — ou boa parte — do que eu sentia diante a ele, Tim estava ao meu lado enquanto eu colocava a carta no envelope.
- Eu não sei mais o que fazer. – Eu suspirei.
- Você irá sair dessa casa, iremos morar juntos, e vamos esquecer agora o que virou passado. – Tim falou e me abraçou por trás e fazendo um carinho em minha nuca com a ponta do nariz.
- Mas, Tim, e se ele vier atrás de nós?
- Ele não irá vim, acredite, sei um lugar perfeito para cuidarmos desse pequeno ai. – ele disse e colocou a mão na minha barriga e eu o sorri, Tim era o meu melhor amigo, e quem sabe, meu futuro marido ou companheiro de casa, eu não sei os sentimentos dele sobre mim, mas eu posso dizer que estou começando a descobrir os meus por ele.
Fale com o autor