I Knew You Were Trouble
46 The cold never bothered me anyway..
Notas iniciais
SUGESTÃO, ELOGIO, CRÍTICA? NÃO DEIXE DE COMENTAR! ESPERO ANSIOSAMENTE O SEU REVIEW ♥
Uma boa leitura!
-Do que você está falando? — Falou confusa.
-Hanna, eu vou embora na próxima semana.
-O que? — Falou chocada.
(...)
P.O.V Charlie
-Não me faça repetir, por favor – A encarei. Ela parecia estar em choque.
-Como assim você vai embora? Pra onde você vai, Charlie? Nós nem acabamos o colégio, ainda falta alguns meses até o verão.
-Eu recebi uma carta há algumas semanas, dizendo que fui aprovada com louvor em Oxford. Eu não dei muita atenção, estava passando por tudo aquilo... bem, você sabe. Depois que voltei, pensei muito sobre isso e percebi que vai ser ótimo pra mim. Em relação ao colégio, eu estou praticamente passada, e tenho certeza que eles vão me deixar receber o diploma antes.
-Nossa, eu fico muito feliz por você, Chars. Sempre foi seu sonho – Ela sorriu – Eu tenho muito orgulho de você – Ela me abraçou – Minha melhor amiga, médica!
-Mas eu vou embora só depois da feira, claro.
-A feira começa essa sexta...
-É, uma semana – Ela me abraçou mais forte, mas ainda não era nossa despedida.
Eu fiquei feliz com as coisas tomando o rumo certo. Fiz as pazes com meus pais, com Hanna e passei um tempo precioso com Vovó. Meu Deus, D. Anna é uma excelente conselheira. Minha barriga estava em queda livre, o nervosismo já me atingia.
Querendo ou não, eu vou deixar minha cidade, meus amigos, minha família, e ir para um lugar estranho, e o pior, outro país. Eu sempre vivi embaixo da saia deles, e agora, vou ter que me virar sozinha.
Talvez eu amadureça mais, não sei, apesar de que tudo que já vivi me dá um certo crédito.
Não é como se eu tivesse roubado o sonho de Luke, é como se eu tivesse seguindo o nosso. Nunca vou esquecer de tudo que ele me ensinou, coisas que nenhuma sala de aula ensina. Amor ao próximo, dedicação, vocação. Ele pode até não ter se formado, mas meu exemplo sempre será ele.
Agora com apenas uma semana restante, tanto para minha partida, quanto para feira, eu teria que organizar bem minha agenda. Tudo tem que sair perfeito.
Acordei bem cedo pela manhã para ir até a escola. O pessoal já tinha voltado de viagem, e não pude deixar de notar o olhar que me lançavam. Allyssa desviou, e não se conteve em ficar a alguns metros de distância. Teve que chegar mais perto.
-Então Charlie, seu namoradinho não vai mais voltar? –Ela sorriu cínica.
-Me espanta você ter voltado depois daquele meu tapa, aliás, tapas. Não foi o suficiente? Se você continuar com esse seu discursinho irritante vamos ter que te dar uma surra completa. – O corredor já estava lotado.
-Vocês me pegaram desprevenidas –Falou tentando ser superior.
-Tudo bem, agora você não está mais. O que acha, quer continuar o que começamos em Los Angeles, Allyssa?
-Eu adoraria dar um tapa nesse sua cara de monga. Eu não sei o que Sebastian viu em você. Chata, sem graça, feia e burra. Ele devia estar cego, não sei como pode sequer encostar em você, sua doente.
– O sangue já estava subindo em minha cabeça.
-E você acha o que? Que ele devia ter ficado com você? – Eu ri – Que eu saiba, a suja aqui é você. Não há garoto nessa cidade que não tenha ficado com você. E agora que acabou as opções? Vai partir para os garotos da faculdade? Opa, espera, você não vai para faculdade, porque você não tem capacidade de passar. Até uma barata é mais inteligente que você, o que prova que beleza não é tudo. – Sorri vitoriosa. Ela pode falar o que quiser, mas não é ela que passou em Medicina em Oxford.
-Eu vou acabar com você... – Falou cuspindo fogo.
-Ninguém vai acabar com ninguém, todo mundo circulando – Diretor
Elliot disse acabando com o bolinho de pessoas que tinha se formado ao nosso redor – Srta. Sonencler, você pode me acompanhar até a direção?
Segui ele, diferente de meus colegas que foram para sala de aula. Entramos em seu escritório e eu me sentei na cadeira verde de veludo.
-Bom, recebi o recado de minha secretária essa manhã. Você queria conversar comigo?
-Diretor Elliot, eu gostaria de fazer um pedido ao senhor. Eu sei que tenho algumas ocorrências, algumas anotações e tudo mais, mas eu queria que o senhor esquecesse tudo isso.
-É só a senhorita me dar um motivo plausível.
-Eu passei em medicina, Oxford e com louvor. – Ele cuspiu o café.
-Isso é excelente, Srta. Sonencler.
-Obrigada, senhor. Bom, eu fui convidada para ingressar antes e participar de um curso para ir me adaptando até que as aulas comecem. E eu teria que ir o mais rápido possível. Só que, eu não terminei tecnicamente o ensino médio e não posso começar a faculdade sem ter terminado.
-Mas isso é fácil de se resolver. Você tem notas excelentes, mocinha, diferente de seu comportamento. Mas ter uma aluna em Oxford dá um prestígio imenso para o colégio. Eu já consigo ver seu rosto estampando o outdoor do colégio. Nossa escola fica muito feliz pela sua aprovação, e sem dúvida nenhuma o conselho vai aprovar seu
diploma mais cedo. – Ele sorriu e pegou o telefone.
Ficou cerca de quinze minutos conversando, até que desligou.
-Parabéns, a senhorita já está apta para cursar a faculdade – Ele estendeu a mão.
-Obrigada! –Apertei a mão dele.
-Só me dê um instante – Ele saiu e foi até sua secretária – Imprima um diploma.
-Mas senhor, eles ainda não estou com o layout pronto.
-Tire do google!
Eu ri baixinho.
-Aqui está – Disse voltando com o diploma – Agora vou assinar, e... pronto! – Ele me entregou o diploma – Sei que vai se tornar uma excelente médica, porque de nada adianta só o estudo, o que serve é o conhecimento que se adquire com a vida – Ele me deu um abraço rápido – Parabéns!
-Muito obrigada, senhor.
Ele abriu a porta e eu saí.
Os corredores vazios, os armários, os bebedouros. Como vou sentir falta disso. Tudo que eu aprendi aqui, vou levar pra vida. Conheci pessoas importantes, me apaixonei, sofri, ah, o colégio transforma nossa vida. E pensar que não vou mais ver essas pessoas todos os dias?
Abri as portas e saí, eu me sentia livre. O sentimento de dever cumprido. Comecei a andar, e não olhei para trás. Agora era só para frente, o futuro estava a alguns metros de distância. Eu conseguia sentir.
Fui até o galpão, queria ver pela última vez antes que tudo se transformasse. Todos os preparativos para feira já estavam terminados, agora era só transportar para o local e montar os estandes. As famílias já tinham dado os nomes, e todos participarão de graça. O proprietário do parque de diversões disponibilizou ele por menos da metade do preço, e a prefeitura ajudaria com isso. Alguns voluntários estavam trabalhando, colando e pregando algumas coisas. O pessoal do transporte veio buscar as peças e tudo começaria a ser montado hoje.
Tudo que passei se resumiu a isso. A quatro dias do início da feira, tudo valeu a pena. A correria, o sacrifício, era por uma boa causa.
-D. Charlie, já podemos carregar? – O motorista veio ao meu encontro. Assenti com a cabeça.
Fiquei até lá até que a última caixa tivesse sido levada ao caminhão. Agora, o galpão estava cheio, e a maioria dos voluntários estavam presentes. Depois que o caminhão foi fechado, todos bateram palmas e algumas senhoras até choraram.
-Bom pessoal, eu queria dizer algumas palavras agora que a primeira etapa foi concluída. – Olhei no olho de cada um deles – Muito obrigada – Falei sincera e emocionada – Muito obrigada pela ajuda de cada um de vocês. Vocês ajudaram a tornar o projeto do meu irmão realidade, e contribuíram para ajudar o hospital. Eu só tenho a agradecer, e palavras não vão ser suficientes. O que eu quero, é que cada um de vocês se divirta lá, e que faça valer a pena todo o esforço. Muito obrigada, mais uma vez.
Aplausos e gritinhos eufóricos, misturados a lágrimas. Eu me despedi de todos e estava saindo quando Rion veio correndo ao meu encontro.
-Charlie, Charlie – Parei – Eu encontrei isso no sofá, estava caída no fundo.
Ela me entregou uma pulseira preta de couro com uma guitarrinha de prata.
-Obrigada, Rion – Sorri e fui embora.
Era dele. Não porque tinha o cheiro dele (Não que eu tenha cheirado), mas porque eu lembro de vê-lo usando. Coloquei-a em meu pulso, assim não corria o risco de perder. Talvez Hanna pudesse entrega-la.
Cheguei em casa e meu pai e minha mãe estavam me esperando.
-Parabéns, filha! – Minha mãe correu me abraçar.
-Estamos muito orgulhos de você! – Papai sorriu.
-O diretor Elliot ligou, disse que você está liberada de frequentar as aulas e que já pode ingressar na faculdade.
-Isso merece uma comemoração – Papai pegou o casaco – Vamos até a sua Avó, vamos jantar lá.
-Claro – Apenas assenti. Tudo bem que eu estava cansada, passei a tarde inteira carregando as coisas, mas eles estavam muito felizes.
Chegamos na Dona´Anna em pouco tempo e Vovó nos arranjou uma mesa. Pedimos uma pizza, frango com catupiry e portuguesa, meus sabores preferidos. Eles queriam me agradar.
A televisão estava ligada, e o programa do Jared Ray estava começando. Papai não perdeu a oportunidade de imitar a vinheta. Estava concentrada em meu pedaço que só parei e encarei a tv quando escutei Jared falando quem eram os convidados. Underground Legends.
-Vamos pedir a sua Avó para desligar.
-Não, tá tudo bem, Pai – Falei sorrindo fraca.
Eu queria não prestar atenção, mas fingir que eles não existem é meio impossível quando eles estão em todos os lugares.
A entrevista estava correndo bem, mas quando escutei a voz dele me senti estranha. Não sei o que era, acho que um misto de saudade e raiva. Não consegui deixar de prestar atenção nos detalhes, o cabelo dele estava enrolado, mas dessa vez penteado. Ele estava um pouco abatido e parecia triste.
Por um momento pensei que pudesse ser porque ele sentia minha falta, mas depois voltei a realidade.
Quando ele começou a cantar a nova música, não consegui esconder que estava desconfortável.
-Eu vou esperar no carro – Falei me levantando e limpando a lágrima que escorria em minha bochecha.
Vovó segurou em meu braço enquanto eu me dirigia a porta.
-Você sabe que ele também está sofrendo, olhe essa música, eu sei que você sabe que é pra você.
-Agora não, Vó.. – Falei fugindo dela.
Saí de lá e do lado de fora estava muito frio, mas o frio nunca me incomodou tanto como isso.
Talvez eu nunca vá me livrar dele.
É difícil tentar esquecer uma coisa que está tão presente na sua vida.
If you're looking for love
Know that love don't live here anymore
He left with my heart
They both walked through that door, without me
If you're trying to find pity then you need to look somewhere else
Cause I surely can't help you
I'm hurting myself
I've turned into someone else....
Notas finais
Muito obrigada por tudo ♥
Uma ótima semana!
Mil beijos,
Ju ♥
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