Notas iniciais
Good night, angels! Mais uma vez quero começar pedindo desculpas pela demora... So sorry! Em segundo, eu quero agradecer pelos comentários lindíssimos e divantes do último capítulo! Adorei cada um deles! Agora... Sem mais delongas... Boa leitura!

Pov. da Lexi

Ficamos naquele abraço pelo que me pareceu uma eternidade. Klaus não parecia disposto a me soltar e eu também não queria afastá-lo. Naquele momento ele não aparentava ser o temível e poderoso Híbrido Original. Ele parecia ser apenas um garotinho assustado precisando de apoio. Do meu apoio. E eu não iria me recusar a dá-lo.

Depois de algum tempo, Klaus afrouxou seu aperto ao meu redor, se afastando completamente. Permaneci parada onde estava apenas o observando. Ele tinha uma expressão determinada no rosto.

— Segure. – Falou estendendo suas mãos em minha direção. Limitei-me a encara-lo sem entender. – Você não quer a verdade? Pois então. Veja por si mesma. – Completou. Arregalei os olhos em espanto, finalmente entendo onde ele queria chegar.

Klaus estava me dando permissão para usar meu “dom” com ele. Estava disposto a expor todo o seu passado para mim e isso era a maior prova de confiança que ele poderia me dar.

Ainda hesitante se deveria ou não fazer aquilo, voltei a ocupar a cadeira em que estava antes. Olhei em seus olhos para me certificar de que ele estava mesmo certo sobre sua decisão. Tendo a confirmação da qual eu precisava, respirei fundo antes de segurar suas mãos entre as minhas. Flashes e mais flashes preencheram minha cabeça.

Tudo o que ele tinha feito até aquele momento passava por meus olhos como se fosse um filme. Sua conversa com Elijah algumas horas antes de eu chegar, nossa visita ao cemitério, sua interação com Hayley pela manhã. Começando de suas ações recentes, seguindo para as mais antigas... Tudo que ele já tinha presenciado ou vivido chegava até mim. E diante das coisas que eu via, talvez fosse realmente melhor ter permanecido na ignorância.

Depois do que me pareceram horas, eu finalmente soltei as mãos de Klaus, completamente aturdida. Todo o sofrimento pelo qual ele tinha passado enquanto era humano, todas as atrocidades que ele tinha cometido ao longo dos séculos, seus amores, seus desafetos, a história da sua família... Absolutamente tudo! Desde o seu nascimento até o dia de hoje, o passado de Klaus agora também me pertencia, de certa forma.

Focalizei meus olhos em seu rosto ainda em choque. Minha cabeça parecia pesar uma tonelada, mas não tinha como ser diferente. Mil anos de memória é muito para se absorver em tão pouco tempo. Klaus encarava-me com o semblante apreensivo, esperando por uma reação minha. Continuei paralisada o encarando, procurando reunir forças para ir embora. Pisquei algumas vezes tentando fazer com que as visões perturbadoras sumissem da minha mente.

— Lexi... – Ouvi a voz dele puxando-me de volta para a realidade.

Desviei meus olhos dos seus, e ainda com as pernas bambas, coloquei-me de pé. Eu precisava sair dali. Virei-me em direção a saída, mas outra vez Klaus interceptou meu caminho segurando meu braço.

— Você prometeu. – Lembrou-me ele com um olhar suplicante.

Abaixei a cabeça por um momento. Eu havia lhe garantido que não iria julgá-lo pelo seu passado, entretanto não tinha mais certeza de que conseguiria manter minha promessa. Ergui a cabeça novamente e suspirei. Soltando meu braço do seu aperto, me afastei alguns passos.

— Eu... Preciso de um tempo. – Foi tudo o que eu consegui dizer antes de lhe dar as costas e antes também que sua expressão desolada me fizesse voltar a abraça-lo.

As descobertas que eu tinha feito eram muito graves. Eu não podia me deixar levar pela emoção, pelo menos não dessa vez. Eu precisava pensar e muito, sobre como eu deveria agir de agora em diante. No entanto, eu já estava certa de uma coisa. Minha relação com Klaus nunca mais seria a mesma.

Saí do casarão ainda atordoada. Peguei a chave do carro no bolso da calça e só então notei que minhas mãos tremiam. Depois de alguns minutos falhando miseravelmente em acertar a chave no buraco certo, finalmente consegui entrar no carro. Bati a porta com um pouco mais de força do que o necessário e segurei o volante, apoiando minha cabeça sobre ele. As lembranças de Klaus ainda me assombravam. Fiz o possível para me recompor e foquei minha atenção em não causar nenhum acidente durante o caminho para casa.

(...)

Larguei minhas chaves sobre a mesinha de centro e segui direto para o meu quarto. Para meu alívio, Cami ainda não tinha chegado. Eu não conseguiria fingir que estava tudo bem, principalmente para ela que é tão observadora. Meu dia hoje tinha sido bastante assustador e confuso. Primeiro, o ataque no cemitério, que se não fosse por Klaus eu provavelmente não estaria aqui agora. Em segundo, o cuidado do mesmo com relação a mim. Nunca me passou pela cabeça que ele se importava tanto comigo. E por último, mas não menos importante, nossa conversa há poucas horas atrás.

O fato de ele ter me mostrado seu passado realmente me impressionava. Até porque, ao que parece, ele não confia nem na própria sombra e mesmo assim se abriu inteiramente comigo. Justo comigo. Entretanto, os atos monstruosos que ele cometeu ao longo da sua existência era algo que eu não podia simplesmente ignorar. Ainda mais quando ele claramente não se arrependia das coisas que tinha feito.

Fiquei sentada na cama, com o olhar fixo em um ponto qualquer. Estava tão perdida nos meus próprios pensamentos que pulei de susto ao ouvir o toque do meu celular. Peguei o aparelho e quase o deixei cair quando vi o nome de Klaus piscando na tela. Sem saber o que fazer, recusei a chamada. Não queria falar com ele agora.

Poucos minutos depois, o celular voltou a tocar. Era Klaus novamente e eu fiz a mesma coisa que tinha feito antes, recusei a ligação. Tirei meu all star e comecei a tirar a roupa que eu vestia, disposta a tomar um belo banho. Talvez isso me ajudasse a me acalmar. Enquanto isso, meu celular continuava tocando. Desisti de recusar as ligações e simplesmente ignorei o som estridente que se repetia com frequência.

Quando retornei ao quarto, ele finalmente estava silencioso. Peguei um livro que Cami tinha me dado na noite anterior e me deitei na cama, jogando meu celular de qualquer jeito ao meu lado. Já tinha lido pelo menos cinco capítulos quando uma figura loira e bastante conhecida por mim surgiu na porta.

— Vejo que gostou do presente. – Comentou Cami apontando o objeto em minhas mãos.

— É. Ele é bem interessante. – Respondi fechando o livro e prestando atenção nela.

— Sabe... Eu só vim ver se você estava bem. Te achei meio assustada mais cedo. – Revelou ainda no mesmo lugar.

— Foi apenas impressão sua. Eu estou ótima. – Menti com o máximo de convicção que eu pude. Só de me lembrar do episódio no cemitério me arrepiava inteira.

Cami me analisou por alguns minutos. Antes que ela pudesse se pronunciar, o toque do meu celular voltou a ecoar pelo quarto.

— Não vai atender? – Perguntou Cami vendo que eu pretendia ignorar a ligação. Olhei rapidamente para tela e suspirei ao ver o nome de Klaus.

— Não. Não é ninguém importante. – Falei dando de ombros.

Apesar de ter estranhado minha atitude, Cami não disse nada e se retirou me desejando boa noite. Assim que ela saiu, desliguei meu celular e voltei a me concentrar no livro. Estava até tendo sucesso em esquecer meus dilemas quando uma frase de um dos parágrafos me fez perder qualquer esperança de ter paz naquela noite.

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Suspirei mais uma vez, assoprando a xícara de cappuccino que tinha em mãos. Por mais que eu tentasse me distrair com a paisagem do lado de fora da cafeteria do Joe, não conseguia deixar de pensar em Klaus. Desde que eu recusei suas ligações, não tive mais notícias dele e isso ao invés de me acalmar, me deixava preocupada. Será que ele está bem?

— Um beijo pelos seus pensamentos. – Gracejou Steve enquanto sentava na cadeira a minha frente, atraindo minha atenção.

— Não sabia que era curioso. – Brinquei esquivando-me do assunto. Meus problemas com Klaus não era algo que eu pudesse discutir com ele.

— Em geral não sou, mas tudo referente a você me interessa. Tem andando bastante pensativa ultimamente. – Observou cruzando os braços sobre a mesa.

— Bobagem minha. Você sabe que eu me distraio com facilidade. – Lembrei ainda evasiva.

— Isso é verdade. Às vezes eu gostaria de saber o que se passa nessa cabecinha linda. – Confessou olhando em meus olhos.

— Com toda certeza você se surpreenderia. – Afirmei com sinceridade. Steve ergueu uma das sobrancelhas, porém não fez nenhum comentário.

— O que você acha de jantar lá em casa qualquer noite dessas? Não tive a oportunidade de demonstrar meus dotes culinários na sua primeira e única visita. – Falou depois de um tempo. Foi a minha vez de encará-lo com incredulidade.

— Dotes culinários? – Questionei em dúvida tentando reprimir um sorriso.

— Exato! E não faça essa cara! Eu sou muito bom na cozinha. – Garantiu fazendo pose, arrancando uma risada minha.

— Okay, Master Chef. Sexta-feira tá bom para você? Acho que vai ser bom ter o final de semana para me recuperar de uma possível intoxicação alimentar. – Zombei em meio a um sorriso.

— Engraçadinha. Sexta está ótimo. – Concordou ele sem se abalar. – Agora, se não se importa, eu tenho que voltar a trabalhar. Meu intervalo acabou. – Informou antes de se inclinar sobre a mesa e me dar um beijo rápido. O observei se afastar e logo voltei ao meu dilema interno.

Depois de três dias inteiros refletindo, eu finalmente tinha tomado uma decisão. Embora tenha feito coisas realmente abomináveis ao longo da sua existência, Klaus também já sofreu muito. E apesar de achar que um erro não justifica o outro, eu não podia ignorar o fato de ele ter se aberto comigo como nunca havia feito antes com ninguém, nem mesmo com Elijah ou Rebekah. Contudo, o que mais pesou no meu julgamento foi a constatação de que a afeição que eu sentia por ele era maior do que qualquer outro sentimento.

E foi com esse pensamento que eu me despedi de Steve com um breve selinho e mandei um beijo no ar para Joe, que para minha felicidade tinha passado boa parte da tarde me fazendo companhia. Saí apressada do estabelecimento e segui direto para o casarão. Queria me acertar logo com o Klaus.

(...)

Diferentemente das minhas últimas visitas ao casarão, dessa vez o pátio não estava vazio. Alguns vampiros se encontravam em grupos espalhados pelo lugar, conversando entre si. Avistei Klaus de costas para mim discutindo algum assunto com Marcel perto da escada. Andei até eles e senti meu coração acelerar quando notei que eu tinha me tornado o centro das atenções. Todos pararam o que faziam para me observar e o burburinho causado pelas conversas cessaram ao mesmo tempo, me fazendo engolir em seco. Klaus e Marcel eram os únicos alheios a minha presença, porém isso não durou muito.

Parecendo ser o primeiro a notar a mudança drástica no ambiente, Marcel interrompeu o que dizia, olhando além de Klaus e fazendo uma expressão espantada e confusa ao me ver. Abri um sorriso envergonhado para ele, mas que sumiu assim que Klaus se virou em minha direção. Seus olhos azuis demonstravam a mais pura surpresa. Não levei nem meio minuto o encarando, apenas ignorei as pessoas ao redor e corri até ele, atirando meu corpo contra o seu e envolvendo meus braços em seu pescoço. Klaus permaneceu estático, aparentemente surpreendido demais para retribuir meu abraço. Somente depois de algum tempo, senti seus braços lentamente rodearem minha cintura. Sorri com isso e me distanciei para fitar seu rosto.

— Desculpe não ter retornado suas ligações. – Pedi recuando um passo.

Klaus desviou os olhos de mim para Marcel, lhe dando um recado silencioso. No instante seguinte, o moreno se afastou de nós, ordenando os demais vampiros a segui-lo.

— Vamos, pessoal! Circulando! Quero todos vocês espalhados pelo Quarter, atentos a tudo, principalmente as bruxas! – Gritou antes de deixar o pátio acompanhado pelos outros.

Os observei sair, entretanto logo voltei minha atenção a Klaus, que no momento me encarava.

— Achei que nunca mais a veria. – Admitiu ainda parecendo surpreso com a minha presença.

— Não vai se livrar tão facilmente de mim. – Garanti com um sorriso, tentando diminuir a tensão da conversa.

— Desculpe... Eu estou realmente impressionado. Não achei que voltaria a me procurar depois das coisas que viu. – Falou, agora também sorrindo, com uma postura mais alegre.

— Era exatamente isso que eu deveria fazer, mas algo que li um dia desses me fez mudar de opinião. “O acolhimento não deve estar ligado ao julgamento. Acolhe-se porque se ama, independente do mérito da pessoa.” – Recitei arrancando dele um lindo sorriso de covinhas. Esforcei-me para parecer séria antes de continuar. – Agora é para valer. Sem mentiras, sem segredos e principalmente sem hipnose. É pegar ou largar. Melhores amigos? – Indaguei estendendo a mão.

Klaus me analisou por alguns segundos antes de se manifestar.

— Melhores amigos. – Repetiu segurando minha mão.

Abri um imenso sorriso para ele e enquanto o encarava tive um forte pressentimento. Agora era oficial. Nada nunca mais seria como antes.

Notas finais
E então? O que acharam? PS: No próximo capítulo veremos o que o nosso King Klaus está achando de tudo isso. Comentem! Kisses!