I Just Wanna Stop
23 Novo Recomeço
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Tomei mais um gole do suco ainda sem acreditar no que estava acontecendo. Eu me encontrava na sala de estar do casarão na companhia de Klaus enquanto ele tirava todas as minhas dúvidas a respeito do sobrenatural e também me contava em detalhes alguns episódios da sua vida que haviam me deixado extremamente curiosa. Era incrível como a conversa, apesar do tema um tanto quanto polêmico, fluía com naturalidade entre nós. Era como se o aperto de mão que trocamos há algumas horas, selando nosso pacto de amizade, tivesse nos aproximado de uma forma inexplicável.
— Então você só saiu de Mystic Falls por causa da suposta conspiração da irmã de Sophie contra você? – Perguntei ajeitando-me no sofá.
No momento falávamos sobre sua marcante passagem por Mystic Falls. Àquela altura já estava mais do que claro para mim a importância daquela cidade na história dele. Afinal, foi lá que ele quebrou a maldição que reprimia seu lado lobisomem, perdeu seus outros dois irmãos, Kol e Finn, reencontrou sua mãe, matou seu pai e maior inimigo, Mikael, conheceu Hayley e sua atual paixão, Caroline.
— Exatamente. E imagine o tamanho da minha surpresa ao chegar aqui e encontrar meu velho conhecido Marcel, que eu acreditava estar morto, como rei da cidade que eu praticamente construí e uma lobisomem com quem eu tinha passado apenas uma noite carregando um filho meu, algo que eu até então achava impossível. Isso sem falar na adorável e intrigante garota que esbarrou em mim no meu segundo dia de volta a New Orleans. – Respondeu ele bebendo seu uísque e me encarando com um sorriso de lado. Tive que rir.
— Acho que ver você pela primeira vez foi um dos maiores sustos que eu já tomei na vida. De repente, o homem com quem eu sonhava há meses estava bem ali, na minha frente. Em carne e osso. Juro que eu achei que fosse desmaiar. – Contei ainda rindo.
— Nunca vou me esquecer. Você parecia estar vendo um fantasma. E apesar de ter estranhado sua reação, eu a teria deixado ir sem problemas se não fosse pelo seu caderno. – Comentou tomando outro gole da bebida.
— Pois é. Você não tem noção do quanto eu fiquei surpresa ao te ver entrando naquele bar. Meu coração só faltou sair pela boca. E apesar de te agradecer imensamente por ter devolvido meu caderno, só faltei morrer de vergonha quando percebi que você tinha visto meus desenhos. – Revelei balançando a cabeça. Foi a vez de ele rir.
— Sua cara quando eu lhe disse que você desenhava muito bem foi de fato impagável, porém veja pelo lado bom. Se não tivesse perdido seu caderno, não estaríamos aqui agora. – Assinalou olhando em meus olhos. Abri um sorriso em resposta.
— E o que te faz pensar que esse é o lado bom? – Inquiri com uma das sobrancelhas erguidas, o provocando.
— Ora, sweetie! Foi você mesma que me falou uma vez que “era difícil achar alguém com um sotaque tão fofo e um sorriso tão bonito, sem falar estiloso, para uma amizade duradoura e sincera”. – Retrucou ele com ironia, repetindo as exatas palavras que eu tinha usado na nossa conversa durante o Festival de Música.
Fiquei bastante surpresa por ele lembrar tão bem daquele dia e acabei rindo por lembrar também do quão inocente eu era naquela época.
— Ah, não! Esqueça isso! Eu ainda não te conhecia de verdade, então sou obrigada a me retratar. – Pedi em um tom divertido, recebendo um olhar curioso dele. Respirei fundo antes de começar. – Não é fácil encontrar um Híbrido Original, extremamente perigoso, complicado, temperamental, com um sotaque e sorriso irresistíveis, incrivelmente fofo em algumas ocasiões e é claro, de excelente bom gosto, para ser seu BFF. – Completei recebendo um sorriso de covinhas seguido por uma gostosa gargalhada como resposta.
— Fofo? BFF? – Questionou ele com uma expressão de dúvida.
— Diga o que quiser, mas você consegue ser bem adorável quando quer e quando não quer também. E BFF significa Best Friends Forever, ou seja, melhores amigos para sempre. – Expliquei colocando o copo, ainda com metade do suco, sobre a mesinha de centro.
— Você faz eu me sentir em um daqueles filmes adolescentes que Rebekah tanto gosta. – Afirmou ainda sorridente, terminando seu uísque. – E por falar nela...
Klaus não precisou concluir sua frase. No minuto seguinte, a figura imponente da Vampira Original surgiu na sala de estar.
— Posso saber qual a razão de tanto bom humor? Por acaso colocou mais algum dos seus planos maquiavélicos em prática hoje? – Indagou a loira com seu costumeiro deboche.
— Olá, irmã. Como sempre, muito agradável. – Devolveu Klaus igualmente irônico.
Rebekah deu um sorriso de escárnio para ele, o desmanchando assim que notou minha presença.
— Lexi? – Pronunciou surpresa.
— Rebekah! – Entoei alegre, levantando para abraça-la. Fazia algum tempo desde a última vez que tínhamos nos visto.
— O que faz aqui? – Perguntou com curiosidade quando a soltei. – Achei que estivessem brigados. – Disse intercalando seu olhar entre mim e o irmão. Abri a boca para responder, porém Klaus foi mais rápido.
— Águas passadas, Rebekah. Lexi não conseguiu ficar afastada de mim por muito tempo. – Explicou ele sorrindo sacana. O encarei completamente chocada com sua cara de pau.
— Mentiroso! – Exclamei acertando um tapa fraco em seu braço. – Me esqueci de acrescentar o adjetivo convencido à minha descrição. – Emendei lhe lançando um olhar atravessado.
Klaus limitou-se a me dar um dos seus típicos sorrisos. Já Rebekah nos observava de olhos arregalados, como se estivesse presenciando algo absurdo.
— Então é verdade... Você o perdoou? – Inquiriu direcionando sua atenção para mim ainda incrédula. Olhei rapidamente para Klaus antes de responder.
— Sim. – Afirmei com convicção. – Mas isso não significa que eu tenha esquecido tudo o que aconteceu, muito pelo contrário. Entretanto, como diz o ditado: o que não te mata, te deixa mais forte. – Concluí mexendo no cabelo fazendo ambos me fitarem impressionados.
Ignorei os olhares sobre mim e peguei meu celular no bolso da minha calça jeans, vendo as horas. Para meu espanto, estava mais tarde do que eu imaginava.
— Nossa! Daqui há pouco eu tenho que ir. – Informei guardando o celular. – Vou dar um oi para Hayley. Vem comigo, Rebekah? – Perguntei a encarando.
— Vou. – Respondeu simplesmente, me fazendo soltar um gritinho animado.
— Estou feliz que esteja aqui! Vai ser muito bom passar um tempo entre garotas! – Comemorei enlaçando meu braço ao dela. Tanto ela quanto Klaus me observavam com expressões de divertimento, certamente por causa da minha empolgação. – Nos vemos depois. – Me despedi do Híbrido com um largo sorriso. Klaus retribuiu meu sorriso, novamente causando estranhamento em Rebekah.
A puxei para fora do cômodo e ficamos em silêncio até chegarmos ao quarto de Hayley. Assim que entramos, Rebekah virou-se para mim com os olhos azuis repletos de incompreensão, curiosidade e incredulidade.
— Será que você pode me explicar o que acabou de acontecer? – Indagou atraindo a atenção da loba que até aquele momento, não tinha percebido nossa invasão.
— Rebekah? Lexi? O que houve? – Perguntou Hayley vindo até nós com o semblante desconfiado.
— É isso que eu quero saber. – Retrucou Rebekah olhando diretamente para mim e sendo acompanhada por Hayley.
— Eu já falei. Eu perdoei o Klaus. Não sei por que está tão surpresa com isso. – Rebati dando de ombros.
— Talvez pelo fato de até poucos dias atrás você dizer que o odiava e que a única coisa que você queria dele era distância? – Retorquiu sarcástica.
— Então é isso? Eu sabia que ia acabar acontecendo. Mais cedo ou mais tarde. – Intrometeu-se Hayley nos fazendo encará-la com as sobrancelhas erguidas. – O que foi? Era só uma questão de tempo até você dar o braço a torcer e deixar seu grande coração mole falar mais alto. – Completou apontando para mim.
Abri a boca completamente chocada com o que ela tinha dito enquanto Rebekah limitou-se a bufar.
— Só espero que tenha consciência do que está fazendo, honey. Envolver-se com os Mikaelson, sobretudo com Klaus, só traz desgraça e morte. – Alertou-me Rebekah.
Assenti tremendo levemente com a verdade implícita em suas palavras. Decidi não entrar em detalhes do porquê eu ter feito as pazes com Klaus. Afinal, não sei se seria uma boa ideia revelar que ele tinha me dado acesso a suas memórias, ainda mais quando boa parte delas envolvia tanto ela quanto o resto de sua família. Não queria causar nenhum desentendimento entre Klaus e ela, ainda mais agora que a relação dos dois parecia não estar tão boa.
— Eu não sei vocês, mas eu sinceramente acho que o ego do Klaus já é grande o bastante para perdemos nosso tempo juntas falando sobre ele. – Interveio Hayley arrancando sorrisos nossos.
— Você tem razão. Temos assuntos mais interessantes para discutir, como, por exemplo, um garçom muito interessante de uma encantadora cafeteria... – Cantarolou Rebekah maliciosa.
Arregalei os olhos em surpresa enquanto Hayley a fitou com cara de desentendida.
— Como sabe sobre o Steve? – Perguntei ainda surpresa.
— Vi vocês juntos um dia desses. Devo dizer que vocês formam um belo casal. – Contou sentando-se na cama.
— Por que não foi falar comigo? – Voltei a perguntar, imitando seu gesto.
— Estava com pressa. – Deu de ombros.
— Quem é Steve? – Inquiriu Hayley em pé a nossa frente, cruzando os braços, ainda por fora do assunto.
— É o namorado gato da Lexi. – Respondeu Rebekah cruzando as pernas e sorrindo para mim logo em seguida. Sorri de volta.
— Ah sim... E por acaso ele sabe sobre toda essa bagunça sobrenatural na qual você está metida? – Questionou Hayley novamente.
— Não. E no que depender de mim vai continuar sem saber. – Afirmei.
— Você está certa. É melhor preservá-lo de tudo isso. Já basta você presa nesse meio. – Concordou Rebekah.
— Para ser sincera, apesar de tudo, eu não me arrependo de estar aqui. Até porque se não fosse assim... Eu não teria conhecido vocês. – Admiti.
Tanto Rebekah quanto Hayley me encararam por alguns segundos antes de sorrir.
— Own, honey! Tem como ser mais fofa? – Indagou Rebekah olhando para Hayley antes de voltar seus olhos para mim com um lindo sorriso no rosto.
Acabei rindo. Sem dúvidas a beleza fazia parte da genética dos Mikaelson. Hayley também se sentou na cama e continuamos conversando besteira até a hora de eu ir embora.
Pov. do Klaus
Eu me encontrava apoiado no muro da varanda do pátio ainda sem acreditar no que tinha acontecido. Já fazia algum tempo que Lexi tinha voltado para casa, no entanto sua presença em meus pensamentos persistia de uma maneira perturbadora. Nada do que eu vivi nesses mil anos me preparou para esse dia. Eu nunca imaginei que fosse me expor tanto para alguém, ainda mais para alguém que eu conhecia há tão pouco tempo. E embora tenha tomado a decisão de permitir que Lexi “visse” o meu passado em um momento de impulsividade, eu não me arrependia. Ter alguém que sabia de todos os meus pecados e mesmo assim se comprometeu a ficar do meu lado por livre e espontânea vontade era no mínimo... Reconfortante. Nem mesmo dos meus irmãos eu esperava uma atitude como essa. Entretanto Alexandra parecia ter surgido para destruir todas as minhas certezas.
Admito que eu cheguei a me sentir decepcionado e até mesmo abandonado quando achei que nunca mais iria vê-la. Ainda que não acreditasse que ela fosse reagir bem ao enxergar de forma tão nítida o verdadeiro Klaus Mikaelson, eu realmente esperava que ela mantivesse sua promessa e não me julgasse. Não que eu não merecesse, mas se ela fizesse isso, sem dúvidas se afastaria completamente de mim ao se dar conta do monstro que eu havia me tornado ao longo dos séculos. E por alguma razão, Lexi era a última pessoa de quem eu queria ficar longe.
Os dias que se passaram desde dessa nossa conversa até hoje foram estranhamente vazios e torturantes. A ideia de não ter mais contato com Alexandra não me deixava nem um pouco satisfeito, porém eu não pretendia força-la a nada. Não depois do que aconteceu quando eu quis obriga-la a deixar a New Orleans. Além do mais, há apenas alguns meses eu vivia perfeitamente bem sem saber da existência dela. Por que seria diferente agora? E eu já estava até começando a me recuperar de mais essa desilusão, focando no que realmente importa: a minha cidade, que precisava mais do que nunca da minha supervisão graças a perca do controle que tínhamos sobre as bruxas, quando Alexandra resolve aparecer e me surpreender completamente ao correr até mim e me abraçar como se sua vida dependesse disso, sem nem ao menos se preocupar com os vampiros ao nosso redor.
Além de chocado, fiquei constrangido com aquela demonstração de afeto em público. Por isso logo tratei de esvaziar o pátio, mesmo tendo retribuído ao abraço pouco tempo depois de recebê-lo. Esse era o efeito que Lexi provocava em mim. Ela conseguia trazer os poucos resquícios da minha humanidade de volta e da forma mais forte possível. Talvez eu realmente devesse me afastar definitivamente dela justamente por esse motivo, mas a sensação que sua companhia me causava era tão boa que eu me permiti abrir uma exceção somente pra ela.
Nunca iria me esquecer das palavras que ela usou para justificar sua decisão, completamente irracional, se analisada de maneira lógica, de voltar a se relacionar comigo. “O acolhimento não deve estar ligado ao julgamento. Acolhe-se porque se ama, independente do mérito da pessoa.” Não fazia ideia de onde ela tinha tirado essa frase, porém seu significado era bastante explícito e se aplicava perfeitamente a nós dois. Sua proposta também foi algo que me impressionou bastante. Melhores amigos... Mesmo com tantos anos de existência, eu podia contar nos dedos o número de pessoas que eu já tinha chamado de “amigo” e ainda assim, não tinha confiado inteiramente em nenhum deles. Eu nunca havia tido um melhor amigo e muito menos uma melhor amiga, mas dada as circunstâncias, Lexi parecia perfeita para esse papel.
E de fato, aceitar sua oferta se mostrou uma das melhores coisas que eu já fiz. Era estranho me portar de maneira tão transparente e descontraída com alguém, mas também não deixava de ser bom. Principalmente se esse alguém fosse Alexandra, uma das pessoas mais extraordinárias que eu já conheci. Sua sinceridade e seu jeito único de ser eram simplesmente fascinantes. Pela primeira vez em muito tempo, eu tinha verdadeiramente esperança. Talvez eu não precisasse me sentir mais tão solitário daqui para frente.
— Refletindo sobre a vida, Niklaus? – Indagou Elijah parando ao meu lado e interrompendo meus pensamentos.
Virei-me para ele. Como sempre, Elijah estava impecavelmente elegante em um dos seus inúmeros ternos e mantinha seu olhar no pátio a nossa frente. Ignorei sua pergunta, voltando a minha posição de antes.
— Alguma novidade? – Questionei referindo-me a situação com as bruxas.
— Infelizmente não. – Ele respondeu com um suspiro. – E por aqui? Alguma novidade? Ouvi uns comentários de alguns ex-seguidores de Marcel no Quarter. – Completou me fazendo olha-lo novamente.
— Que comentários? – Procurei saber mesmo já tendo ideia do que se tratava. Eu sabia que a entrada triunfal de Alexandra não passaria despercebida.
— Algo sobre a estranha aparição de uma garota humana e muito bonita que correu diretamente para seus braços mais cedo. E também sobre sua, mais chocante ainda, reação de retribuí-la. – Contou finalmente desviando seu olhar para mim. – Por mais absurda que pareça essa história, eu tenho o leve pressentimento de que ela é verídica. Inclusive tenho até um palpite de quem é a tal garota. – Emendou em um tom que eu conhecia bem.
Limitei-me a encará-lo. Odiava quando ele agia dessa forma e gostava menos ainda de falar sobre Lexi com ele, porém antes que eu pudesse dizer alguma coisa, o som dos saltos de Rebekah chegou aos nossos ouvidos junto com sua voz.
— Como as fofocas se espalham rápido por aqui... Se bem que essa é realmente das grandes. – Ironizou parando há poucos passos de distância. – Lexi é realmente um amor de pessoa. Não sei o que fez para manipular a pobre garota, mas eu sinceramente espero que ela sobreviva a você. – Concluiu fitando-me com seriedade antes de passar por nós.
A observei sair sem mover um músculo sequer. Por alguma razão, esse aviso de Rebekah me lembrou do episódio de alguns dias atrás no cemitério. Por muito pouco aquelas malditas bruxas não tinham matado Alexandra. Sacudi a cabeça para espantar esse pensamento, não querendo reviver a tensão e o medo que senti naquele momento. Rebekah estava enganada. A partir de agora, Lexi estaria mais do que segura e eu garantiria isso pessoalmente. Afastei-me do muro da varanda e fui em direção à escada.
— Onde você vai? – Perguntou Elijah, que até então se mantinha em silêncio.
— Vou dar uma volta. – Respondi simplesmente, caminhando rumo à saída.
Apesar do que tinha dito a Elijah, eu não pretendia vagar a esmo pelas ruas da cidade. Eu já tinha um lugar bem específico em mente para ir.
(...)
Continuei olhando para cima, agradecendo pelo calor que fazia naquela noite. Aproveitando que não tinha ninguém àquela hora na rua, pulei a janela, ainda surpreso e satisfeito por ela estar aberta. A luz estava apagada e ao contrário do que imaginei, a cama estava vazia. Analisei o cômodo, reparando que tudo estava exatamente igual desde minha última visita. Olhei em direção a escrivaninha e não pude deixar de notar o responsável por tudo que estava acontecendo sobre ela. Movido pela curiosidade, andei até o móvel e peguei o caderno, começando a folheá-lo.
À medida que ia vendo os desenhos, eu ficava ainda mais impressionado com o talento e a criatividade impressos neles. Sorri ao encarar meu rosto retratado em uma das folhas, na verdade em várias delas. Ouvi a aproximação de alguém e coloquei o caderno novamente no lugar, me virando bem até tempo de ver Lexi paralisada próxima a porta com os olhos arregalados.
Em um piscar de olhos, parei a sua frente, tapando sua boca para que ela não gritasse. Ela levou alguns segundos para absorver minha aproximação repentina e quando seus batimentos cardíacos voltaram a se estabilizar, a soltei, me afastando alguns passos.
— Quer me matar do coração? – Perguntou em um sussurro levando uma mão ao peito. Dei um sorriso torto antes de analisa-la.
A roupa de dormir dela se resumia a um minúsculo short preto e uma simples blusa azul clara. Lexi estava descalça e seu cabelo estava solto. Simplesmente linda. Pensei.
— Nunca convide um vampiro para entrar em sua casa. Depois disso ele pode aparecer sempre que quiser. – Respondi irônico.
— Eu nunca te convidei. – Retrucou andando até a cama.
— Você não, mas Cami sim. – Rebati dando um sorriso presunçoso, a fazendo revirar os olhos, porém logo sua expressão tornou-se séria.
— E por falar nela... Ainda tenho que dar um jeito de contar que voltamos a ser amigos. Eu odeio mentir, principalmente para ela. – Comentou com um suspiro enquanto puxava as cobertas.
— Cami não sabe dos nossos últimos encontros? – Indaguei curioso. Fazia um bom tempo que eu não tinha notícias dela.
— Não. Achei melhor não dizer porque toda vez que nos víamos, eu jurava a mim mesma que seria a última. Então não fazia sentido preocupa-la com esse assunto. – Explicou olhando para mim enquanto deitava-se na cama.
— E agora cá estamos nós... – Ironizei aproximando-me dela.
— Exatamente. – Concordou com um sorriso dando-me espaço para eu me sentar ao seu lado e assim eu o fiz. – O que me faz pensar... Por que está aqui? – Questionou curiosa.
— Você me fez falar muito sobre mim hoje. Por que não me fala mais sobre você? – Sugeri realmente interessado.
— E o que quer saber? Não tenho nada de especial além das minhas estranhas habilidades. – Garantiu ajeitando-se na cama de forma que ficasse de frente para mim.
— Está enganada. – Discordei arrumando algumas mechas loiras que recaíam sobre seu rosto. – Conte-me sobre sua vida. Não é isso que melhores amigos fazem? Compartilham segredos? Você já sabe absolutamente tudo sobre mim. – Lembrei recolhendo minha mão.
Lexi me encarou por alguns minutos. Sua expressão pensativa deu lugar a um daqueles seus sorrisos que me desarmavam completamente. Ela apoiou-se sobre o cotovelo antes de começar.
— Tudo bem... Meu nome é Alexandra McCartney, mas prefiro que me chamem de Lexi. Tenho dezessete anos, mas logo vou fazer dezoito. Perdi meus pais em um acidente de carro quando era mais nova e moro com a melhor amiga da minha mãe desde então. Ela é o mais próximo que eu tenho de uma família. Não tenho uma cor favorita porque eu gosto muito de todas. Amo cachorros e gatos e... Hey! Talvez seja por isso que eu gosto tanto de você. – Disse rindo no final e arrancando uma risada minha.
Era incrível como ela fazia com que me sentisse bem. A forma que ela me tratava, com tanta naturalidade e transparência, me fazia apreciar ainda mais sua companhia.
— Acho que vou levar isso como um elogio. – Repliquei com um meio sorriso. – Continue. – Pedi ansioso para saber mais sobre ela.
Lexi voltou a falar sobre si mesma, me deixando cada vez mais fascinado. Até as coisas mais simples tornavam-se interessantes quando se tratava dela. E enquanto estava ali, no meio da madrugada, me divertindo e me comprometendo ainda mais com uma frágil e singular humana, tive certeza de que estava cometendo a maior e provavelmente melhor loucura da minha existência.

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