I Just Wanna Stop
13 Incursão ao Bayou
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Depois da notícia bombástica dada por Klaus, não consegui dormir direito. O enchi de perguntas querendo saber exatamente o que tinha acontecido. Segundo o Híbrido, Marcel havia descoberto a mentira dele com relação ao seu endereço e após uma visita de Marcel, Hayley havia desaparecido. Imediatamente cheguei à conclusão de que o vampiro era o responsável pelo sumiço de Hayley, mas Klaus logo derrubou minha teoria afirmando que tinha ido com Elijah tirar satisfações com Marcel e que tinha certeza absoluta de que ele não havia a sequestrado.
Com a cabeça fervilhando, não pude fazer nada além de me remoer em preocupação até o amanhecer. Até onde eu sabia, Hayley era uma mulher grávida que poderia estar à mercê de inúmeros perigos, boa parte deles letais tanto para ela quanto para o bebê. E embora não a conhecesse direito, eu sentia uma estranha empatia por ela.
Pela manhã, levantei-me cedo e vesti algo que julguei apropriado para uma excursão ao Bayou. Segundo Klaus, era lá que acharíamos Hayley. Depois de praticamente fugir de casa, me juntei aos Originais na busca pela loba desaparecida. Fui obrigada a ir no mesmo carro que eles, uma vez que além de não conhecer a região, eles precisariam de mim para encontra-la. O clima dentro do carro não poderia ser mais tenso. Enquanto Elijah dirigia, Klaus ocupava o assento do carona e eu ia no banco de trás.
— Por que Rebekah não veio com vocês? – Perguntei quebrando o silêncio constrangedor.
— Ela deixou a cidade. – Respondeu Elijah simplesmente sem tirar os olhos da estrada.
— Típico dela. Abandonar a família para viver suas fúteis e desastrosas aventuras. – Completou Klaus também sem me olhar.
Fiquei sem palavras por um momento. A relação entre os três parecia ser bem mais complicada do que eu imaginava. E também havia o fato de eu ter me apegado a loira. Mesmo tendo a conhecido brevemente, eu realmente tinha gostado dela.
— Sinto muito. – Consegui dizer depois de um tempo.
— Não por isso, sweetie. Você não faz nem ideia do histórico de dramas que envolvem nossa família. As idas e vindas de Rebekah são a menor das minhas preocupações no momento. – Afirmou Klaus.
Me senti ainda mais desconfortável. Quanto mais eu convivia com eles, mas eu percebia o quão sombrio parecia ser o passado deles.
— Como têm tanta certeza de que a Hayley está aqui? O pântano não me parece um lugar que inspire visitas de grávidas. – Observei mudando de assunto.
— Marcel nos concedeu uma bruxa para fazer um feitiço de localização. O Bayou é onde os lobisomens que há muito tempo faziam parte de New Orleans estão refugiados. – Disse Elijah.
— Então vocês acreditam que Hayley tenha vindo atrás deles? – Voltei a perguntar.
— Pode ser que sim... Mas também pode ser que não. Só saberemos quando a encontrarmos e por isso que precisamos de você. Creio que seus dons nos darão alguma vantagem. – Explicou Klaus impessoal.
Assenti. Desde ontem, durante a ligação, que eu havia percebido que ele estava diferente comigo. Mais frio e até mesmo agressivo. Apesar de estranhar seu comportamento, imaginei que fosse apenas estresse por causa do sumiço de Hayley e também pela partida repentina de Rebekah.
— Tudo bem, então. Fico feliz em poder ajudar. – Afirmei voltando minha atenção para a janela.
Alguns minutos depois, Elijah parou o carro. Ele foi o primeiro a sair, sendo seguido por mim e pelo irmão. Olhei ao redor e tudo o que vi foram árvores. Talvez achar Hayley aqui não fosse ser uma tarefa tão fácil afinal. Pensei.
— Devemos ir para o sul, em direção ao rio. – Sugeriu Elijah já em movimento.
— Você parece bem determinado a achar à lobinha. – Observou Klaus enquanto o seguia.
— Se estou indo muito rápido, Niklaus, pode esperar no carro. Mas deixe a janela aberta. – Rebateu Elijah.
— Então peguei no ponto fraco. – Deduziu o loiro. – Você começou a gostar dessa garota. Talvez seja por isso que tem latido ordens desde que voltou. Espera impressionar Hayley sendo o chefe da família. – Constatou.
— Se quer trata-la com uma incubadora, é problema seu. – Retrucou o moreno.
Os encarei apreensiva. A discussão entre eles já estava indo longe demais.
— Não é hora para isso, meninos. – Intervi ficando entre os dois. – Hayley pode estar em perigo. É melhor nos separarmos para ter mais chances de encontra-la. Elijah começa pelo sul, Klaus vai para o norte e eu vou para o lado oeste. O ponto de encontro será esse aqui. – Propus me afastando deles, porém antes que fosse muito longe senti uma mão em meu braço.
— Está maluca? Não pode ir sozinha. Aqui está cheio de lobisomens. – Repreendeu-me Klaus.
— Meu irmão tem razão. É perigoso para você, Lexi. – Concordou Elijah.
— E então? Como vamos fazer? – Perguntei mesmo já tendo ideia da resposta.
— Você vem comigo. – Responderam em uníssono.
Olhei para os dois com as sobrancelhas arqueadas enquanto eles se encaravam.
— Creio que seja prudente Lexi me acompanhar. – Disse Elijah.
— Não sei por quê. Eu posso protegê-la tão bem quanto você, na verdade até melhor. Eu sou um Híbrido, lembra? – Retrucou Klaus.
Assisti a discussão calada. Não queria ter que escolher entre eles.
— Por que não deixamos ela escolher com quem quer ir? – Sugeriu o moreno.
— Por mim tudo bem. A escolha é sua, Alexandra. – Intimou o loiro.
Agora a atenção dos dois estava completamente focada em mim. Intercalei meu olhar entre eles sem saber o que fazer. Algo me dizia que a minha escolha significaria muito mais do simplesmente optar entre um ou o outro como companhia na procura por Hayley, principalmente para Klaus.
— Eu... – Comecei, mas antes que pudesse concluir minha frase Klaus inspirou o ar parecendo captar algum cheiro.
— Sentiu o cheiro dela? – Indagou Elijah.
— Não... Mas achei o de outra pessoa. – Informou.
Troquei um olhar confuso com Elijah e seguimos Klaus, que foi em direção ao leste, adentrando ainda mais no pântano. Depois de alguns minutos de caminhada, paramos ao encontrar um carro abandonado.
— Esse veículo fede a alguém que eu pensei ter me livrado. – Disse Klaus enquanto verificava o carro, tirando de lá roupas masculinas. – Tyler Lockwood. – Completou em seguida já dando meia volta.
Não fazia a menor ideia de quem ele estava falando.
— E porque seu híbrido braço direito de Mystic Falls teria interesse em Hayley? – Questionou Elijah.
— Quer vingança porque fui atrás da garota dele. – Respondeu Klaus virando-se novamente para nós.
— Por que tenho a impressão de que esse é o menor dos seus delitos? – Especulou Elijah.
— Quando eu tive meios de gerar um híbrido, ele foi meu primeiro. Embora não tenha lhe dado muita escolha, de fato. – Contou Klaus subindo na traseira do carro e pegando um casaco. – Ele foi leal no começo, mas cresceu indisciplinado. Virou os outros híbridos contra mim, não pude aceitar aquilo. Então massacrei todos. Tyler fugiu como um covarde, antes que eu pudesse destruí-lo. – Prosseguiu como se comentasse sobre a cor da minha camisa.
Arregalei meus olhos em sua direção. Como ele poderia falar esse tipo de coisa com tanta naturalidade?
— Há algo mais que gostaria de compartilhar? – Insistiu Elijah. Ambos pareciam ignorar minha presença.
— Houve um conflito com a mãe dele. – Declarou Klaus simplesmente.
— Você matou a mãe dele. Que maravilha. – Repreendeu Elijah.
— Ele precisava de uma lição. – Defendeu-se Klaus.
Não pude evitar recuar um passo. Estava começando a me assustar verdadeiramente com ele.
— E qual será sua lição, Niklaus, se ele revidar ferindo Hayley? – Inquiriu Elijah.
— Então se importa com ela. – Apontou Klaus sem responder a pergunta. – Vá em frente então. Tente, irmão. Salve-a, fique com os restos que quiser. Provei do que ela oferece e vou te contar, ela é rara. – Alfinetou.
Senti-me ofendida por Hayley. Ele não devia se referir assim à mãe da filha dele. Porém antes que pudesse censurá-lo, Elijah foi mais rápido.
— Niklaus, então me ajude...
— Basta. – Interrompeu Klaus. – Eu mesmo matarei Tyler Lockwood. – Assegurou saindo no instante seguinte em sua velocidade sobrenatural, deixando eu e Elijah sozinhos. Fiquei um tempo observando a direção em que ele havia partido.
— Desculpe-me por isso. Meu irmão é impossível na maior parte do tempo. – Disse Elijah chamando minha atenção.
— Estou começando a perceber isso. – Falei olhando para ele.
— Acha que consegue ter uma pista de onde ela pode estar através dessas coisas? – Procurou saber indicando o carro e as roupas.
— Talvez. – Respondi indo até o veículo.
As roupas apenas me dariam uma visão de quem às havia usado e eu duvidava muito que Hayley tivesse tido algum contato com elas. Já o carro...
Espalmei a mão sobre a lataria e vários flashes vieram a minha cabeça. Depois da cena de Klaus revirando o carro, a que veio em seguida mostrou um rapaz alto, de cabelos e olhos escuros, retirando Hayley do carro. Ele parecia ter no mínimo 19 anos. Seus traços eram bonitos, mas sua expressão trazia uma sombria determinação.
Tirei a mão do veículo sabendo que aquilo era o máximo que eu iria conseguir. Afinal, como ele tinha continuado a pé não havia como ver em qual direção ele tinha ido.
— E então? – Interpelou Elijah ansioso.
— Não ajudou muito. Tudo que sei é que Hayley não veio aqui por conta própria e o cara que a sequestrou me pareceu perigoso. – Expliquei.
— Precisamos ir. Temos que acha-la antes que algo ruim aconteça. – Afirmou preocupado.
— Eu sei. – Concordei esperando seu próximo movimento.
— Vamos por ali. – Ordenou apontando o caminho.
Olhei o lugar que ele havia mostrado e comecei a andar com ele ao meu lado. Tínhamos que encontrar a lobinha o quanto antes. Além de estar bastante preocupada com Hayley, ainda estava preocupada com Klaus. Apesar de tudo o que tinha ouvido poucos minutos atrás, torcia para que o tal Tyler não conseguisse machuca-lo.
Seguimos em direção ao sul como Elijah havia sugerido desde o princípio. Depois do que me pareceu uma hora de caminhada, ele fez sinal para que eu ficasse quieta e eu o obedeci. Ele se aproximou de uma árvore e, para minha surpresa e alegria, uma descabelada e assustada Hayley se revelou com um punhal em mãos. Elijah segurou seu braço antes que ela o atacasse.
— Perdão. Pensei que estivesse em perigo. Parece que me enganei. – Brincou a encarando.
Hayley não disse nada, apenas o abraçou e ele prontamente a correspondeu.
— Você não vai acreditar no dia de merda que estou tendo. – Disse ela aparentando estar mais calma. Elijah a soltou e ela finalmente pareceu notar minha presença.
— Lexi? – Indagou surpresa. Não contive o impulso de abraça-la.
— Hayley! Você está bem! – Exclamei aliviada. Para minha surpresa, ela retribuiu ao meu gesto mesmo parecendo surpreendida por minha atitude.
— Não imaginei que a veria aqui. – Comentou enquanto eu a soltava.
— Vim ajudar a procura-la. – Respondi a fazendo me encarar admirada.
— Agora que finalmente a encontramos, vou leva-la para casa. – Pronunciou-se Elijah virando-se para a mesma direção da qual tínhamos vindo.
— Elijah... – Chamou Hayley segurando seu braço. – Há algo que você precisa saber sobre o bebê. – Completou séria fazendo tanto eu quanto Elijah a fitarmos com o cenho franzido.
Hayley andou até um tronco de árvore caído, sentando-se nele e eu a imitei. Essa excursão pelo Bayou estava sendo mais cansativa do que eu imaginava.
— Pode dizer. – Incentivou Elijah mantendo-se em pé.
Hayley o encarou antes de prosseguir e somente pelo olhar dela, eu pude deduzir que o que ela tinha para falar não era uma notícia boa.
(...)
Eu não conseguia acreditar. Depois de ouvir tudo que Hayley tinha a dizer, a única coisa que eu sentia era incredulidade. Mesmo com tudo que tinha presenciado nesses últimos dias, eu não acreditava que Klaus seria capaz de usar a própria filha para criar outros iguais a ele. Isso era horrível demais. Aproveitar-se de uma criança inocente para conseguir poder. Não disse uma palavra. Mantive-me calada, assim como Elijah, durante o relato de Hayley.
— Klaus deve saber. – Afirmou. – Ele poderia se importar menos. Ele só quer que ela nasça para usá-la para fazer mais híbridos. Embora... O modo como Dwayne estava agindo... Era como se estivesse ligado a mim. – Completou aparentemente intrigada com a última parte.
— Não creio que ele seria capaz de algo assim. – Defendi Klaus me pronunciando pela primeira vez, atraindo a atenção dos dois.
— Como pode ter certeza? – Inquiriu Hayley.
— Porque não acredito que ele usaria a própria filha desse jeito. – Falei.
— Você não o conhece. Klaus é capaz de tudo para conseguir o que quer. Ele já fez coisas terríveis. – Assegurou Hayley.
— Ainda sim... Eu sinto que ele é inocente nessa história. – Insisti.
— Sente? –Questionou Elijah que até então observava em silêncio.
— Sim. Além das “habilidades” que vocês já conhecem, eu também tenho algumas intuições. – Expliquei.
— E é por isso que você tem tanta certeza de que Klaus é inocente? – Retrucou me encarando.
— Também. – Confirmei.
— E qual seria o outro motivo para defendê-lo? – Voltou a perguntar.
— Eu... Eu não acredito que Klaus seja tão mau como parece. Não de verdade. – Admiti. Elijah me avaliou por um minuto enquanto Hayley me olhava como se eu tivesse dito o maior dos absurdos.
— Você é uma criatura extraordinária, Lexi. Ingênua demais para o seu próprio bem. – Disse por fim o Original. Não respondi. Até porque não sabia como responder. – Deveria leva-las para casa. – Alegou Elijah depois de um tempo.
— Está falando sério? Casa para quê? – Indagou Hayley.
— Independentemente das intenções de Klaus, as minhas são as mesmas. Eu disse que iria protegê-la. Até mesmo do próprio Klaus. – Respondeu Elijah.
— Posso cuidar de mim mesma. – Assegurou Hayley levantando. – Faço isso há muito tempo. – Concluiu afastando-se da gente.
Olhei brevemente para Elijah e a segui. As palavras que ele havia me dito ainda martelando em minha cabeça. Poucos segundos depois ouvi seus passos atrás de mim. Mais uma vez caminhávamos pela floresta no mais absoluto silêncio.
(...)
Hayley nos levou até o lugar onde ela disse ter sido aprisionada. Uma cabana simples e rústica de madeira surgiu a nossa frente. Olhei ao redor reparando que o local parecia abandonado. Ao chegar lá, demos de cara com Klaus. Fiquei feliz ao constatar que ele estava bem. Além dele, havia um homem sentado na varanda do casebre. Parei ao lado de Hayley.
— Aí estão vocês. Vejo que encontraram nossa errante perdida. Talvez ela possa clarear a situação. – Disse ao nos ver. – Isto... – Falou chutando o homem, que estava morto, o levando ao chão. – Parece ser o corpo de um híbrido. – Completou em seguida.
— O nome dele era Dwayne. – Informou Hayley.
— Seja quem for, eu não o gerei. – Afirmou Klaus. – Alguma ideia de como isso seria possível? – Perguntou.
— Como se não soubesse. – Acusou Hayley avançando em direção a ele, sendo segurada por Elijah. Klaus abriu um sorriso zombeteiro diante da cena.
— Não é que se tornaram amiguinhos? – Ironizou. – Então me digam. Que tipo de acusação horrível estão conspirando contra mim? – Questionou.
— Tyler Lockwood trouxe Hayley aqui para testar uma teoria. – Quem respondeu foi Elijah. Klaus apenas ergueu as sobrancelhas enquanto mantinha uma expressão de desdém. – Que o sangue do filho dela pode ser usado para criar híbridos. Ele alega que você sabia disso. Além do mais, você pretendia usar esse fato para construir um exército. – Esclareceu o moreno.
— E é claro que você acredita nisso. Digo, por quê mais eu demonstraria interesse na minha própria carne e sangue? Um chorão de coração partido aponta o dedo para mim e o meu próprio irmão entra na fila, ansioso para acreditar. – Rebateu Klaus. A desconfiança de Elijah parecia magoá-lo. – Você assume o pior bem rápido... Especialmente quando vem dela. – Concluiu indicando Hayley.
— Poupe-me da sua indignação. Quando foi que se preocupou com Hayley e o bebê além dos seus próprios interesses egoístas? E o que foi que você me disse uma vez? “Todo rei precisa de um herdeiro”. – Revidou Elijah.
Eu observava os dois temerosa. De todas as discussões que eu havia presenciado entre eles hoje, essa sem dúvidas era a pior. Hayley também os observava com atenção, de braços cruzados.
— Meu grande irmão... Então você duvida das minhas intenções. Não posso dizer que estou surpreso. Estando ao lado do nobre Elijah, como eu posso ser algo além do pior dos irmãos? Um mentiroso... Manipulador... Um bastardo... – Declarou Klaus. Ele desceu da varanda e aproximou-se do irmão. – É tudo o que eu sou para você, não é? E para Rebekah, e julgando pela maneira que Hayley te apoia, com certeza ela se sente do mesmo jeito. – Prosseguiu olhando para Hayley. Seu olhar cruzou-se brevemente com o meu. – A essa altura até mesmo Alexandra já deve acreditar que eu sou um monstro. E sem dúvidas meu filho também irá. – Completou.
Nesse momento eu tive certeza de que tinha razão. Klaus não sabia sobre essa história de híbridos e agora ele me parecia bastante magoado por essa acusação injusta. Elijah também pareceu perceber seu erro.
— Irmão, se eu... – Tentou, porém Klaus não deixou que terminasse.
— Já dissemos o que precisava ser dito, irmão. – Retrucou segurando Elijah pelo ombro. Depois de encará-lo, Klaus o soltou e recuou alguns passos olhando para nós. Ele abriu os braços em rendição. – Desempenharei o papel que me foi dado. – Afirmou nos dando as costas.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele virou-se novamente e avançou em Elijah mordendo seu pescoço. Assisti horrorizada a cena enquanto colocava as mãos sobre a boca para abafar um grito.
— Klaus! – Exclamou Hayley tão chocada quanto eu.
Ele largou Elijah, que caiu no chão. Abaixei junto com Hayley para socorrê-lo enquanto Klaus nos observava limpando a boca com as costas da mão.
— Aproveitem a companhia um do outro. – Disse enquanto Elijah ficava de pé. – Vocês tem muito que unir... Assim que as alucinações e demências aparecerem. – Preveniu, nos encarando.
Eu ainda estava em choque. Já Hayley parecia indignada e Elijah fazia uma careta de dor pressionando o lugar da mordida.
— Considere a mordida um presente de despedida para os dois. – Referiu-se somente a Hayley e Elijah. O Híbrido nos lançou um olhar penetrante e saiu. Corri em direção a Elijah.
— Ai meu Deus! Ele te machucou muito? – Perguntei angustiada.
— Não se preocupe. A mordida de um lobisomem não é letal para mim. Eu ficarei bem. – Garantiu.
— Tem certeza? – Insisti.
— Tenho. – Assegurou.
— Eu vou atrás dele. – Informei virando-me na direção em que Klaus tinha ido.
— Não é uma boa ideia, Lexi. Klaus está chateado e ele desse jeito é duplamente perigoso. – Alertou-me Elijah segurando meu braço.
— Só vou conversar com ele. Eu ficarei bem. – Repeti o que ele havia me dito, soltando meu braço e olhando para Hayley. – Cuide dele. E se cuide. – Pedi antes de me afastar dos dois.
Tinha que ser rápida se quisesse alcançar Klaus. Do jeito que ele havia saído daqui, era provável que ele já estivesse longe.
(...)
Andei em meio ao pântano tendo a sensação de que estava perdida. Já fazia uns quarenta minutos que eu havia deixado Hayley e Elijah e ainda sim nem sinal de Klaus. Minhas botas já estavam cheias de lama e meu cabelo estava começando a me incomodar por causa do calor. O prendi em um coque enquanto seguia com minha busca. Depois do que me pareceu uma eternidade, avistei as costas dele.
— Klaus! – Gritei o chamando, porém ele ignorou e sequer virou para me olhar. – Klaus! – Gritei novamente. Dessa vez ele pelo menos parou de andar. Apressei-me em alcança-lo.
— Por que está aqui? Achei que ficaria fazendo companhia a Elijah e Hayley. Vocês me pareceram tão próximos! – Ironizou ainda de costas.
— Eu sinto muito. – Disse ignorando sua fala anterior, pondo a mão sobre seu ombro. Klaus desviou-se do meu toque de forma brusca, finalmente virando-se para mim. Seu olhar era tempestuoso. – Em nenhum momento eu duvidei que você não soubesse que o sangue da sua filha pudesse criar outros como você. – Completei o encarando. Apesar da leve confusão, sua expressão tornou-se ainda mais agressiva.
— O quê está dizendo? – Inquiriu em tom grave, sustentando meu olhar.
— Que eu sei que você é inocente nessa história toda. – Respondi aproximando-me ainda mais dele. Klaus recuou um passo como se minhas palavras o tivesse atingido.
— Como pode acreditar em mim depois de tudo que viu e ouviu a meu respeito? – Perguntou realmente intrigado.
— Acreditando. – Retruquei dando de ombros. Klaus ainda me analisava. Sua expressão agora, impossível de ser decifrada.
— Você não sabe nem um terço de tudo o que eu já fiz e do que eu sou capaz de fazer. – Declarou de modo sombrio.
— Você está certo. Mas eu sinto que posso confiar em você e eu nunca erro em minhas intuições. – Afirmei dando um passo em sua direção.
Dessa vez Klaus permaneceu parado. Seus olhos fitavam meu rosto de forma intensa.
— Se eu fosse você não confiaria muito nisso, sweetie. Sempre existe uma primeira vez para tudo. – Objetou sério. Continuei o encarando em silêncio. Não sabia como responder aquilo, então achei mais prudente mudar de assunto.
— Temos que voltar. – Falei depois de um tempo, fazendo Klaus erguer as sobrancelhas. – Não podemos deixar Elijah e Hayley aqui. – Esclareci.
— Não só posso como vou. Tenho certeza de que vão adorar passar esse tempo juntos. – Rebateu sarcástico pretendendo recomeçar a andar, porém eu o impedi segurando seu braço.
— Eu sei que está magoado com eles, principalmente com Elijah, por ter desconfiado de você, mas não pode deixa-los aqui. Ainda mais depois de tê-lo mordido. – Tentei novamente sem conter o tom de repreensão ao dizer a última parte. Klaus subiu o olhar da minha mão até o meu rosto, me fazendo soltá-lo.
— Elijah merece esse pequeno castigo. E quanto a Hayley, creio que se sentirá em casa rodeada pelos da sua espécie. – Finalizou irredutível.
Balancei a cabeça em negação. O olhando com a decepção estampada em meu rosto. Sem dizer mais nada, dei as costas a ele, andando na direção da qual eu tinha vindo.
— Onde pensa que vai? – O ouvi perguntar.
— Vou voltar para a cabana. Ficarei aqui com Hayley e Elijah pelo tempo que for necessário. – Respondi sem me virar. Senti uma brisa passar por mim e antes que desse um passo, Klaus se materializou a minha frente.
— Não pode ficar aqui. – Decretou. O encarei em desafio mantendo-me firme em minha decisão. – O que acha que Cami fará quando descobrir que você sumiu? – Questionou com um sorriso arrogante nos lábios.
Abri a boca para rebater, porém a fechei em seguida. Agora ele tinha conseguido me pegar. O sorriso de Klaus se alargou ainda mais ao perceber que havia me deixado sem argumento. Disposta a não ceder, recompus minha expressão assumindo um ar confiante.
— Eu me resolvo com ela depois. – Assegurei pronta para passar por ele e continuar meu caminho. Klaus parou de sorrir imediatamente.
— Você não vai a lugar nenhum. Você voltará comigo para casa agora mesmo. – Ordenou olhando dentro dos meus olhos. O encarei paralisada. Apesar de querer desobedecer, eu simplesmente não conseguia.
Estreitei meus olhos, possessa, para Klaus enquanto um sorriso cínico iluminava seu rosto. Mesmo contra vontade me vi seguindo o caminho inverso do qual fazia antes, me afastando cada vez mais de Elijah e Hayley.

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