I Just Wanna Stop
8 Festival de Música
Notas iniciais
Pov. da Lexi
Depois de andar alguns quarteirões, cheguei ao Rosseau’s. O lugar estava vazio e não demorei a encontrar Cami. Durante o caminho, tinha decidido o que iria fazer. Primeiro falaria sobre o Festival e depois contaria toda a história com Klaus. Cami me viu entrar e pareceu se surpreender com minha presença. Fui até ela.
— Lexi! Que surpresa! O que faz aqui? – Perguntou sorrindo curiosa.
— Estava na praça municipal com Steve. Ele foi trabalhar e eu resolvi passar aqui antes de voltar para casa. – Expliquei.
— Que bom! Fiquei muito feliz com a visita. – Respondeu. Sorri em sua direção.
— Será que tem um minuto? – Perguntei olhando ao redor. A julgar pelo movimento, tinha quase certeza de que sua resposta seria positiva.
— Claro. – Disse prontamente. Cami abraçou-me de lado e me guiou até a mesa mais distante do bar, onde sentamos.
— Algum problema? – Perguntou preocupada.
— Não exatamente. – Respondi evasiva. – Você sabe que o Festival de Música é hoje, não sabe? – Indaguei meio hesitante.
— Sei. Tem cartazes por toda a cidade. – Respondeu do mesmo modo que Steve tinha feito mais cedo. Parecia que eu era a única desinformada do pedaço. – E falando nisso, Marcel ficou de trazer uma garota para o Festival e pediu que eu a acompanhasse. Como ela é quase da sua idade, apenas um ano mais nova, pensei que gostaria de se juntar a nós. – Completou.
Refleti por um momento. Apesar de Cami ter falado como sugestão, eu sabia que era um pedido.
Seria legal fazer uma amiga, ainda mais da mesma idade que eu. Não conhecia quase ninguém na cidade e como eu mesma costumava dizer, um amigo nunca é demais.
— Claro! Por que não? – Dei de ombros. Cami abriu um sorriso.
— Sabia que iria gostar! Sei que ainda não fez muitos amigos. – Falou animada. A última parte carregada de compreensão.
Sorri para confortá-la. Ela tinha essa mania de se preocupar demais comigo. Era por essas e outras, que eu a considerava praticamente uma segunda mãe.
— É... Mas tem um probleminha. – Avisei me lembrando de Klaus e Steve.
— Qual? – Perguntou confusa.
— Eu já tinha marcado com o Steve. – Esclareci.
— Tudo bem. Steve é um bom garoto. Vai ser divertido. – Concordou empolgada.
Fique mais aliviada, porém ainda faltava falar do mais importante: Klaus. Achei melhor começar pelo começo.
— Cami, lembra aqueles sonhos estranhos que eu tenho de vez em quando? – Perguntei diminuindo meu tom de voz.
— Lembro. Aqueles que às vezes se tornam reais, não é? – Questionou no mesmo tom que eu.
— Exato. – Respondi recostando-me na cadeira.
— O que têm eles? – Indagou apreensiva, inclinando-se em minha direção.
Olhei para os lados para me certificar de que não havia ninguém muito próximo e imitei seu gesto, contando tudo desde o princípio. Cami me ouvia com extrema atenção. Desde o incidente com seu irmão, Sean, ela passou a acreditar plenamente nos meus “dons”.
Eu havia sonhado com Sean alguns dias antes da sua morte. Foi um pesadelo horrível. Cheio de sangue e corpos. Sean era seminarista e estudava na mesma igreja em que o tio era padre. No meu sonho a igreja estava coberta de sangue do chão às paredes e haviam corpos espalhados por toda parte. Acordei desesperada no dia seguinte e alertei Cami. Ela não me levou muito a sério, mas por insistência minha acabou ligando para saber noticias. Ela falou com o tio, o padre Kieran, e segundo ele estava tudo bem. Cami relaxou, no entanto eu continuei preocupada. Apesar de querer esquecer o assunto, um mau pressentimento me atormentava.
Alguns dias depois, o padre Kieran ligou para dar a notícia. Sean havia surtado, matado seus colegas de seminário e cometido suicídio logo em seguida. Cami ficou arrasada, pois apesar da distância, ela era muito ligada ao irmão. Já eu me senti assustada e culpada. Assustada por não saber como lidar com essa situação e não querer nada disso. Tudo o que eu queria era ser apenas normal. E culpada porque se eu tivesse insistido mais com Cami, talvez nada daquilo tivesse acontecido. Desde então eu passei a confiar mais nos meus “dons” e Cami fez o mesmo, acreditando em mim independente do quanto tudo parecesse loucura.
(...)
Contei tudo a Cami. Ela ficou bastante impressionada com tudo que lhe falei e prometeu me ajudar a montar esse quebra cabeça assim que chegássemos em casa. Combinamos de nos encontrar aqui mesmo mais tarde. Como não daria tempo de ela voltar para casa, emendaria uma coisa na outra.
Com tudo resolvido, liguei para Steve e confirmei nosso encontro. Depois enviei uma mensagem para Klaus com o endereço e o horário que iríamos nos encontrar. Estava com um pressentimento estranho sobre essa noite, mas agora não tinha volta. Era só cruzar os dedos e rezar para que desse tudo certo. Passei a tarde trancada no quarto ouvindo música. Estava com os nervos à flor da pele e esse foi o único jeito que encontrei para relaxar.
Quando começou a anoitecer, resolvi me arrumar. Depois de tomar banho e me vestir, fiz uma trança lateral no cabelo. Calcei meu tênis e me olhei no espelho. Fiquei satisfeita com o que vi. Peguei algum dinheiro e meu celular e coloquei no bolso. Rezando internamente, peguei as chaves.
Seja o que Deus quiser. Pensei saindo de casa e trancando a porta.
(...)
Não demorei muito para chegar ao meu destino. Cami estava de costas para mim, apreciando o show de uma banda.
— Hey! – Cumprimentou assim que me viu. Aproximei-me dela, ficando ao seu lado no balcão. – Está linda. – Elogiou me olhando da cabeça aos pés. – Tenho certeza que vai agradar o Steve. – Completou cutucando minhas costelas em brincadeira. Sorri sem graça. Ela e sua mania de cupido.
— Steve é só um amigo. – Afirmei sincera olhando para o palco.
Apesar de não rolar nada entre mim e Steve, não tinha certeza de que recusaria caso ele quisesse algo além da amizade.
— Se você diz... – Respondeu deixando a frase morrer de propósito.
Encarei-a com uma sobrancelha erguida, mas achei melhor mudar de assunto.
— Então, onde está Marcel e a garota... Davina, não é? – Indaguei realmente curiosa. Pelo visto, estavam atrasados.
Cami olhou ao redor e seus olhos pararam bem na entrada do bar.
— Bem ali. – Respondeu atraindo minha atenção para o mesmo ponto em que seu olhar se encontrava.
Marcel caminhava em nossa direção com seu belo sorriso. Ele estava acompanhado por uma garota. Concluí que fosse Davina.
Davina era mais baixa do que eu, tinha os cabelos castanhos e olhos azuis. Ela era bonita e possuía um rosto angelical, com traços meio infantis. Apesar de termos idades próximas, eu poderia facilmente ser considerada mais velha do que ela.
— Boa noite. – Cumprimentou Marcel.
— Boa noite. – Respondi junto com Cami.
Davina estava um passo atrás dele e mantinha os olhos fixos no palco. Parecia admirar alguma coisa.
— Davina, quero que conheça minhas amigas Cami e Lexi. – Disse Marcel nos apresentando.
Davina desviou sua atenção para nós e respondeu com um sorriso.
— É um prazer conhece-las. Marcel falou muito de vocês. Especialmente de você, Cami. – Falou simpática criando um clima entre os dois.
Ficou um clima meio esquisito, então resolvi ajudar.
— Adorei seu vestido. – Elogiei Davina, que me olhou surpresa mais logo sorriu.
— Obrigada. – Agradeceu parecendo realmente comovida com o elogio.
Também sorri. Tinha gostado dela, apesar de sentir uma aura diferente ao seu redor.
— E então? Prefere ver o show ou ficar segurando vela? – Brinquei fazendo Cami e Marcel se entreolharem embaraçados e Davina rir.
— Ver o show. – Respondeu sentando no banco mais a frente. Imitei sua ação, sentando ao seu lado.
Apesar de estar mais focadas no show, especialmente Davina, que admirava o garoto com o violino, um gatinho, diga-se de passagem, era possível ouvir a conversa entre o casal a nossa esquerda.
— É bom vê-la. Estava preocupado que pensasse que eu sou esquentado após o ocorrido na festa. – Disse Marcel.
Fiquei sem entender. Mas como tinha ido embora muito cedo da festa, imaginei que se referiam a algum acontecimento posterior a minha saída.
— Todos temos nossos momentos esquentados. – Respondeu Cami dando de ombros. – Enfim... Quase acabei aqui. As garotas podem se divertir se você precisar ir conversar ou algo assim. – Sugeriu.
— Era para ele estar longe há uns dez minutos. – Intrometeu-se Davina virando para eles. Fiz o mesmo.
— Viu o que eu disse? Problemas de autoridade. – Marcel comentou com Cami. Davina revirou os olhos. – Vou conversar com o prefeito. Ele sabe como mostrar algum respeito. – Completou irônico antes de sair.
Assim que Marcel se afastou, Davina voltou sua atenção para o palco e Cami veio para nossa frente.
— Qual o nome dele? O gatinho com o violino. – Perguntou para Davina.
Segurei o riso e o impulso de revirar os olhos. Ela e sua mania alcoviteira. Davina ficou um pouco sem graça, mas respondeu.
— Tim. – Disse meio envergonhada. – Sabia que estaria aqui. Sempre se apresenta nessas coisas. – Confessou.
— Há quanto tempo se conhecem? – Indagou Cami curiosa.
— Desde os meus dez anos. – Respondeu. – Tive que deixar a escola. E eu não consegui me despedir, então esperava falar com ele hoje. – Explicou.
Olhei bem para Davina. Ela era tão meiga! Tinha acabado de conhecê-la, mas minha empatia por ela já era forte.
— Você não é a única com relações mal acabadas por aqui. – Disse Cami olhando em minha direção. – Lexi também tem um rolo mal resolvido com certo amigo. – Completou fazendo com que Davina me olhasse com curiosidade. Foi minha vez de ficar sem graça.
— Não é bem assim. – Contradisse. – Steve é um amigo e nada mais. Ele também é gato, porém acho que entre nós dois é só amizade mesmo. – Concluí. Davina me olhou compreensiva.
— Sei exatamente o que quer dizer. – Falou olhando em direção a Tim.
Conversamos mais um pouco e ficamos assistindo ao show. Eu realmente estava gostando da companhia de Davina. Além de amável, ela parecia ser uma boa amiga. Muito leal às pessoas com quem ela se importava, que pelo o que eu pude perceber, se resumiam a Marcel e Tim. Seus pais também já tinham morrido. E outra coisa que descobri em comum entre nós foi o desenho. Ela também sabia e gostava de desenhar.
Fazia algum tempo que estávamos ali e nem sinal de Steve ou Klaus. Chequei o celular, mas não havia nenhuma mensagem ou ligação perdida. Guardei o aparelho de volta no bolso e resolvi esperar.
Estava rolando uma espécie de desafio no palco. Cada um dos instrumentistas começavam uma música e os demais acompanhavam. Eu assistia super empolgada, assim como Davina. Tim estava mandando ver no violino e ela o encarava mais do que admirada. Estava completamente distraída quando Cami chama minha atenção.
— Finalmente! – Exclamou olhando em direção à entrada.
Segui seu olhar e vi Steve caminhar até nós. Davina também virou para olhar.
— Desculpem-me pela demora. Ainda tive que passar em casa. – Explicou-se ele com um sorriso.
— Sem problemas. Estávamos tendo um momento entre garotas. – Respondeu Cami sorridente. – A propósito... Davina, esse é Steve. E, Steve, essa é Davina. – Disse apresentando os dois.
— É um prazer conhece-la. – Cumprimentou Steve educado.
— O prazer é todo meu. – Respondeu ela meio envergonhada.
Steve sentou no banco do meu outro lado e me cumprimentou com um beijo no rosto.
— Perdi muita coisa? – Perguntou.
— Não. A melhor parte começou agora. – Respondi. Cami encarava a nós dois um sorriso de canto.
Encabulada, desviei meus olhos para o palco. Senti o olhar de Davina em mim e me aproximei mais dela, percebendo que ela queria me dizer alguma coisa.
— Ele é mesmo um gato. – Confidenciou baixinho.
— Eu sei. – Respondi no mesmo tom.
Olhamos de relance para Steve e depois nos entreolhamos cúmplices, rindo em seguida. Cami e Steve nos encararam sem entender. Balancei a cabeça em negação e assim como Davina, voltei minha atenção para o show. Eu estava me divertindo muito, mas não conseguia esquecer Klaus. A cada minuto que passava eu tinha mais certeza de que ele me daria um bolo.
No meio do show, tive a estranha sensação de estar sendo observada. Verifiquei o ambiente e não achei nada de errado. Virei novamente para frente concluindo que devia ser impressão minha.
Senti meu celular vibrar no bolso da minha calça jeans. O peguei. Era uma mensagem do Klaus. Ele já tinha chegado e estava na entrada do bar. Pensei em manda-lo vir até mim, mas desisti. Ao invés disso, o pedi para me esperar onde estava. Guardei o celular de volta no bolso e levantei, atraindo a atenção de todos.
— Ãnh... Eu tenho que sair por um segundo. – Inventei uma desculpa.
Dei um olhar significativo a Cami. Esperava que ela se lembrasse da conversa que tivemos mais cedo. Depois de alguns minutos, ela finalmente pareceu entender.
— Claro. – Respondeu meio nervosa. – Vamos te esperar aqui. – Completou.
— Okay. Já volto. – Falei saindo. Davina e Steve me encararam confusos, entretanto não disseram nada.
Cheguei à frente do bar e vi Klaus. Como sempre ele estava lindo. Seu estilo despojado e ao mesmo tempo elegante lhe dava um charme único. Ele esboçou um meio sorriso ao me ver. Eu reagi mordendo o lábio inferior em nervoso e caminhando até ele.
— Hey! – Cumprimentei sem graça. Quase tudo nele me intimidava da mesma forma que também me tranquilizava.
— Fiquei surpreso com sua ligação e mais ainda com seu convite, no entanto estou contente por ter vindo. – Confessou sorrindo torto.
Não consegui não sorrir também. Por alguma razão desconhecida, eu me sentia extremamente bem em fazê-lo feliz.
— Isso é ótimo. Por um momento achei que não viria. – Admiti.
Klaus não respondeu de imediato. Ele me encarou com um olhar indecifrável por um tempo.
— Jamais falto a um compromisso, sweetie. Ainda mais com alguém tão interessante. – Disse por fim, dando mais um dos seus sorrisos que eu classificava como desconcertante e irresistível. Foi impossível não sorrir em resposta.
— Bom saber que acha isso. Significa que não recusará meus próximos convites. – Falei ainda com o sorriso estampado no rosto. Estava realmente disposta a me aproximar dele.
Klaus piscou algumas vezes parecendo um pouco chocado. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas pareceu desistir e a fechou novamente. Quanto a mim, observava sua reação com divertimento. Klaus é o tipo de homem que exala confiança e poder. Por isso, era no mínimo engraçado vê-lo desarmado por uma resposta tão simples dada por mim.
— Pode contar com isso, sweetie. – Respondeu depois de alguns minutos. – Só espero que mais tarde não se arrependa de fazê-los. – Completou em um tom sombrio. Era como se ele estivesse me dando um aviso. Senti um arrepio percorrer meu corpo, no entanto ignorei.
— Eu duvido muito que isso vá acontecer. Não sei como funciona com você, mas é difícil achar alguém com um sotaque tão fofo e um sorriso tão bonito, sem falar estiloso, para uma amizade duradoura e sincera. – Brinquei.
Se sua intenção era me assustar, estava claro que não conseguira. Mais uma vez eu o deixei sem palavras, pelo menos momentaneamente. Ele pareceu pensar em uma resposta à altura.
— De certa forma acho que posso me identificar com sua situação. Afinal não é toda dia que uma garota bonita, misteriosa e de atitudes surpreendentes resolve se aproximar. Ah, e não esqueçamos seu notável gosto por moda. – Rebateu.
Ergui minhas sobrancelhas em sua direção em dúvida se ele estava brincando ou sendo irônico. Klaus me deu um sorriso de canto como resposta e não consegui não rir. Depois de me encarar por um tempo, Klaus também riu, me deixando maravilhada com o quanto ele conseguia ficar ainda mais bonito assim. Paramos de rir e Klaus me encarou por um minuto, seus olhos analisando os meus.
— Você é uma companhia tão boa que quase me esqueci do verdadeiro motivo de ter vindo aqui. – Disse de forma misteriosa.
Fiquei sem entender. Mas antes que pudesse perguntar, tive um mau pressentimento. Tinha a ver com Davina. Ao chegar a tal conclusão, um tremor percorreu meu corpo e de repente me senti tonta.
— Lexi? – Chamou-me Klaus se aproximando de mim, tocando meu braço. Seu rosto expressava preocupação. Não o respondi de imediato.
— Davina. – Deixei escapar em um sussurro alarmado.
— O quê? – Inquiriu confuso.
Novamente não lhe dei atenção. Precisava chegar até Davina o quanto antes. Não sabia o que iria acontecer, porém me sentia na obrigação de alertá-la de alguma forma.
— Eu tenho que ir. – Falei passando por ele, no entanto sua mão segurou meu braço.
Virei-me para olhá-lo e me surpreendi ao notar o quão perto ele estava. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ele aproximou-se ainda mais de mim e olhou dentro dos meus olhos.
— Invente uma desculpa para Cami e Davina, pegue seu amiguinho e saia daqui. Quero que se esqueça desse meu pequeno pedido. Para todos os efeitos eu apareci, nos divertimos um pouco aproveitando a companhia um do outro e depois eu fui embora. – Ditou.
Minha mente estava em branco no momento e tudo que eu fiz foi obedecer. Voltei para onde Cami, Steve e Davina estavam.
— Lexi! Onde estava? Por que demorou tanto? – Exclamou Cami assim que me viu, me enchendo de perguntas e atraindo a atenção de Steve e Davina.
— Eu... Eu estava por aí. – Respondi de forma vaga. Me sentia confusa e antes que Cami voltasse a perguntar alguma coisa, fui mais rápida. – E então, o show já acabou? – Indaguei especialmente para Davina, por causa de Tim.
— Ainda não, mas está quase. – Disse desviando os olhos de mim para o palco. Assenti com a cabeça.
Precisava sair dali, mas não sabia porquê. Estava com um mau pressentimento, no entanto não sabia a razão. Minha cabeça além de terrivelmente confusa, começava a doer.
— Steve, o que acha de darmos uma volta? A rua inteira está incrível, poderíamos ver as outras atrações. – Sugeri. Tanto ele quanto Davina e Cami me olharam de forma estranha.
— Claro. Por quê não? – Concordou meio incerto. Sorri para ele.
— Não se importa, não é, Cami? – Perguntei voltando minha atenção para ela.
— Não. De forma alguma. Eu e Davina ficaremos aqui, terminando de assistir ao show. Vão e divirtam-se. – Consentiu um pouco hesitante. Dei um sorriso aliviado.
— Vamos? – Chamou-me Steve levantando.
— Vamos. – Respondi, mas em seguida virei-me para Davina. – Adorei te conhecer, de verdade. – Afirmei a abraçando. Davina pareceu um pouco surpresa, mas retribuiu o gesto.
— Eu também gostei muito de conhecer. – Afirmou igualmente sincera. Afastei-me dela e segurei suas mãos.
— Prometo que nos veremos mais vezes. E, por favor, tenha cuidado. – Pedi. Algo me dizia que meu mal estar tinha a ver com Davina.
Ela me encarou um pouco surpresa e antes que perguntasse alguma coisa, soltei suas mãos e me distanciei dela. Soprei um beijo para Cami e agarrei a mão de Steve, o arrastando para longe das duas.
Passei pelo lugar onde estive há pouco com Klaus e um meio sorriso surgiu em meu rosto ao me lembrar da nossa conversa. Era uma pena que ele já tivesse ido embora. Já estávamos fora do Rosseau’s quando soltei a mão de Steve. Sua expressão era preocupada.
— Está tudo bem com você, Lexi? – Perguntou analisando meu rosto.
— Está. – Respondi de forma breve, enlaçando meu braço no seu. – Agora vamos porque os melhores músicos de New Orleans nos esperam. – Completei voltando a andar e o trazendo comigo.
Minhas ideias estavam embaralhadas e eu estava com uma sensação estranha, mas ainda sim me sentia bem. Resolvi ignorar minha loucura e paranóia por um tempo, e aproveitar a agradável companhia de Steve.
(...)
Cheguei em casa relativamente cedo. Meu resto de noite foi incrivelmente divertido e me despedi de Steve com certa resistência. Cada vez mais eu gostava de ficar com ele. Entretanto uma chata dor de cabeça interrompeu meus planos.
Minha dor de cabeça havia começado um pouco antes de eu sair do Rosseau’s, e ao contrário do que pensei, ela só fez piorar. Achei melhor voltar para casa e descansar um pouco. Fiquei surpresa por não encontrar Cami me esperando, afinal fazia tempo que eu a deixei com Davina. Imaginei que ela chegaria antes do que eu.
Fui para meu quarto e após tirar o tênis e desmanchar minha trança, tomei um longo banho, vesti meu pijama e joguei-me na cama. Tentei continuar acordada esperando Cami chegar, mas não consegui. Minha cabeça parecia pesar algumas toneladas e depois de engolir alguns comprimidos, o sono tornou-se insuportável. No entanto, antes de apagar de vez, os rostos de Klaus e Davina preencheram minha mente.

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