Notas iniciais
Hello, my dears! Como vocês estão? Tentei demorar o mínimo possível dessa vez e acho que consegui, em partes =D Primeiramente gostaria de agradecer pelos comentários divos e sensacionais de vocês! *---* Eu sinceramente espero que gostem do capítulo e já aviso as Klexy shippers que teremos muitas emoções... ; P Boa leitura!

Pov. da Lexi

Havia se passado uma semana desde a minha última visita ao casarão. Jurei a mim mesma que nunca mais voltaria lá. Embora não tivesse coragem suficiente para virar as costas completamente para o sobrenatural, esse foi um limite que eu determinei. Me afastar verdadeiramente de tudo que aquele lugar representava era o mínimo que eu podia fazer para o meu próprio bem. Não que passar os dias no Joe e vagando por aí, fingindo que nada tinha acontecido, e as noites encolhida sob as cobertas, remoendo lembranças e chorando a madrugada inteira, pudesse ser considerado um comportamento saudável. Porém tudo parece mais suportável quando temos outras pessoas para culpar. Mas ainda sim, a única coisa que me impedia de desmoronar completamente era o apoio de Cami e Steve.

Como eu havia previsto, Cami não reagiu bem à notícia da morte de Davina. Ela culpou Klaus a princípio, e apesar de eu fazer o mesmo interna e irracionalmente, me senti na obrigação moral de lhe esclarecer a história e frisar bem a parte de que assisti a pobre garota caminhar para morte sem impedi-la. E Cami, sendo a pessoa extraordinária que é, me consolou e ainda conseguiu se manter forte por nós duas. Quanto a Steve... Mesmo sem saber de absolutamente nada, ele era o melhor remédio para minha tristeza e também uma maravilhosa distração para os meus problemas. Desde que ele estivesse comigo, eu conseguiria sobreviver.

Interrompi minha reflexão sobre minha atual realidade ao me deparar com o mesmo bar no qual eu tinha encontrado Klaus no dia posterior a Masquerade Gala. Não fazia a mínima ideia de como tinha ido parar ali. Detive o passo, admirando a fachada do bar. Embora ela permanecesse igual, parecia que tinham se passados anos ao invés de meses, desde que eu estive ali pela primeira vez. As recordações daquele dia me atingiram com força total. Klaus, Josh, minha total ignorância sobre vampiros, híbridos, lobisomens e bruxas... Sem duvidas, minha vida era bem menos complicada naquela época. Lembrar-me da minha relação com Klaus até poucas semanas atrás sempre me causava um aperto no coração. Por mais que não gostasse de admitir, nem para mim mesma, eu me sentia mal por como as coisas haviam terminado entre a gente.

Sacudi a cabeça para espantar esses pensamentos e apressei-me para fora daquela rua. Agora eu sabia a razão daquele bar ser tão sinistro. Certamente só era frequentado por vampiros e humanos desavisados, o que já foi meu caso. Não queria mais problemas, ainda mais com seres imortais e infinitamente superiores as minhas habilidades de defesa.

Assim que cheguei a uma avenida movimentada, e pra variar tomada por um desfile, me vi seguindo na direção oposta da multidão, porém um dos músicos da banda de jazz que comandavam o desfile me puxou, colocando-me no meio da bagunça. Sem muitas alternativas e sem nada a perder, juntei-me eles seguindo a passeata até a próxima avenida, me divertindo durante o caminho. Eu dançava alegremente ao som do trompete quando senti meu celular vibrar em meu bolso. Peguei o aparelho e me surpreendi ao ver o nome de Elijah piscando na tela.

Ainda decidindo se deveria ou não atender, saí do desfile me despedindo brevemente do adorável senhor que estava sendo meu parceiro de dança até então. Parei em um lugar sossegado na calçada e finalmente atendi a chamada.

— Elijah? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei preocupada. Não nos falávamos desde minha última visita ao casarão.

— Não exatamente. Eu preciso da sua ajuda. – Respondeu ele me fazendo ficar alerta.

Depois de refletir se deveria ou não me envolver com os problemas dos Mikaelson, lembrei-me que ele, Rebekah, Hayley e Marcel não tinham nada a ver com minhas diferenças com Klaus. Não tinha porque eu ignorá-los.

— Sou toda ouvidos. – Pronunciei por fim, esperando ele me dizer como eu poderia lhe ser útil.

Eu devia saber. Meu dia estava tranquilo demais para continuar assim por muito tempo.


(...)

Após a ligação de Elijah, me preparei psicologicamente e segui até o local de encontro. Respirei fundo ao avistar Klaus aguardando por mim há poucos metros de distância. Andei até ele e senti meu coração acelerar na medida em que me aproximava.

Klaus, que antes observava as pessoas ao seu redor, virou-se para mim, abrindo seu famoso sorriso torto. Antigamente eu até sorriria em resposta, mas agora tudo que fiz foi revirar os olhos. Ainda não estava acreditando que seria obrigada a passar qualquer tempo que seja com ele, procurando por pistas sobre o paradeiro do poder roubado do ritual da Colheita.

— Bem na hora, sweetie. – Saudou-me com sua costumeira ironia.

Senti um leve sobressalto ao ouvir como ele se referiu a minha pessoa. Fazia um bom tempo que ele não me chamava assim.

— Por onde pretende começar? – Questionei indo direto ao ponto. Quanto mais rápido terminássemos com isso, melhor.

— Que tal uma visita aonde tudo começou? – Retrucou com outra pergunta.

— O cemitério? – Arrisquei.

— Exatamente. – Ele respondeu com outro dos seus típicos sorrisos.

Engoli em seco. Não estava preparada psicologicamente e muito menos emocionalmente para voltar lá. Klaus pareceu perceber meu desconforto.

— Não se preocupe. Dessa vez não vai acontecer nada de ruim. Eu não irei permitir. – Assegurou-me olhando em meus olhos.

O encarei de volta. E por mais que pudesse ser apenas ilusão minha, eu juro que senti sinceridade em suas palavras.

— Tanto faz. Vamos. – Dei de ombros com indiferença sem querer baixar a guarda.

Comecei a andar e Klaus limitou-se a me seguir. Quase uma hora depois, já nos encontrávamos de frente ao cemitério. O caminho até ali tinha sido silencioso. Adentramos o Lafayette* e eu automaticamente olhei para minha roupa, a achando inadequada para ocasião. Dane-se. Pelo menos eu traria um pouco de vida a essa paisagem inóspita. Pensei.

Seguimos em meio às lápides procurando o local exato do ritual. Somente o fato de estar ali novamente me causava calafrios. Eu conseguia sentir uma estranha energia nesse lugar. Afinal, estávamos pisando no solo sagrado das bruxas. Estava tão distraída que pulei de susto quando um pombo levantou voo em um túmulo próximo. Klaus, que permanecia quieto ao meu lado, não conseguiu conter um risinho com a cena ridícula protagonizada por mim.

— Admito que fiquei surpreso por você ter aceitado nos ajudar. – Comentou depois de alguns minutos, puxando assunto.

— Estou aqui apenas a pedido de Elijah. – Fiz questão de esclarecer, olhando na direção oposta a sua.

— Oh, claro! Esqueci que agora vocês são bastante próximos! – Retrucou com sarcasmo.

Virei-me para encará-lo, erguendo uma das sobrancelhas diante da sua expressão fechada.

— Qual o seu problema com isso? – Indaguei em desafio.

Klaus abriu a boca para responder, porém ao dar mais um passo, ele desabou sobre o chão, desacordado. Ajoelhei-me desesperada ao seu lado.

— Klaus?! – Exclamei tentando reanima-lo. – Klaus, por favor! Fala comigo! Klaus? – Insisti já sentido as lágrimas se acumularem em meus olhos.

Apesar de tudo, eu ainda me preocupava com ele. Mais até do que deveria. Mesmo estando brigados, eu nunca quis que ele se machucasse.

— Klaus! Por favor, acorda! – Supliquei novamente com as mãos sobre seu peito.

Depois do que me pareceu uma eternidade, ele piscou algumas vezes, antes de finalmente abrir os olhos. Não resisti ao impulso de abraça-lo.

— Graças a Deus! – Agradeci ainda sem soltá-lo. Klaus continuou do mesmo jeito e quando eu me dei conta do que estava fazendo, me afastei bruscamente.

Coloquei-me de pé, o observando se sentar no chão, encarando-me com seu maldito sorriso de covinhas.

— Eu... Teria reagido assim com qualquer pessoa. – Afirmei na defensiva.

— Não duvido disso, sweetie. – Concordou se levantando sem desmanchar o sorriso.

Desviei meu olhar, amaldiçoando-me por ser tão sentimental. Voltei a fita-lo, verificando discretamente se ele de fato estava bem.

— O que houve afinal de contas? Você simplesmente desmaiou. – Inquiri curiosa e preocupada.

— Eu não sei. Com certeza foi obra das bruxas. Elas... – Ele se interrompeu no meio da frase.

Ele se virou bem a tempo de segurar uma afiada lança de ferro que certamente atravessaria seu coração. Ainda chocada, segui seu olhar e notei uma mulher nos encarando há poucos metros de distância. Em uma fração de segundos, Klaus jogou a lança, que me pareceu ser a mesma usada para cercar o cemitério, de volta na direção da desconhecida, acertando em cheio seu alvo. Levei as mãos a boca, horrorizada, ao ver o corpo da mulher tombar no chão, com a barra de ferro cravada em seu peito. Não tive tempo de me recuperar.

Outra mulher surgiu, acompanhada por um homem. Klaus avançou contra eles, usando sua velocidade sobre-humana para alcança-los em tempo recorde. Ele chegou a erguer o homem pelo pescoço, mas a mulher ergueu uma das mãos proferindo algumas palavras estranhas e Klaus acabou por soltar o homem, curvando-se de dor. Senti-me completamente paralisada e impotente diante daquela cena.

De alguma forma, Klaus conseguiu se recuperar e atacou a mulher, partindo para cima dela e quebrando seu pescoço. O homem, que havia se afastado um pouco, concentrou seu olhar em mim e logo murmurou algo. Meus joelhos fraquejaram e uma dor lancinante me atingiu. Vi algo se mover rapidamente em minha direção, porém não consegui identificar o quê.

— Lexi! – Consegui ouvir Klaus gritar. Sua voz parecia tingida de preocupação.

Fechei os olhos para diminuir a dor e para meu alívio ela cessou quase que instantaneamente. Reabri os olhos bem devagar e a primeira coisa que eu enxerguei foi a figura de Klaus, com uma das mãos suja de sangue, segurando um coração. Desci um pouco o olhar e presumi que ele o tinha arrancando do homem que nos ameaçava há poucos segundos atrás. Notando que eu o encarava, Klaus deixou o órgão cair e antes que eu pudesse piscar, ele estava a minha frente.

— Você está bem? – Perguntou agachando-se para ficar da minha altura.

— Sim. – Respondi ainda em choque.

Ele me analisou por algum tempo, segurando meu rosto em busca de algum ferimento. Após se certificar de que estava tudo bem comigo, ele se levantou me levando junto.

— Vamos embora daqui. – Disse ainda me avaliando.

— Mas ainda não encontramos nada sobre a Colheita. – Contestei automaticamente.

— Não importa. Não irei mais expor você a ataques como esse. – Afirmou sério olhando em meus olhos.

Não discuti. Apenas o segui para fora daquele lugar que cada vez mais me parecia ser amaldiçoado. Só voltei a respirar normalmente depois que atravessei os portões do tenebroso cemitério. Eu ainda me encontrava completamente atordoada pelo que eu tinha acabado de presenciar. Assim que alcançamos a segurança da rua, Klaus virou-se para mim, sua expressão ainda preocupada.

— Como se sente? – Questionou apreensivo. Ao que parecia, ele estava com medo de que eu tivesse algum surto psicológico.

— Tonta e meio enjoada. – Fui sincera. Klaus deixou escapar um suspiro.

— Eu... Realmente não pensei que algo assim pudesse acontecer. – Desculpou-se a sua maneira.

— O que faremos quanto à investigação? – Inquiri tentando focar no que realmente importava.

— Não pense nisso agora. Você precisa descansar. Eu irei leva-la para casa. – Objetou aproximando-se mais.

— Não precisa. – Recusei esquivando-me dele. Klaus me encarou aparentemente decepcionado e surpreso. – Não se preocupe. Eu estou bem. Diga a Elijah que se precisarem da minha ajuda de novo basta me ligar. – Emendei retribuindo seu olhar por alguns instantes antes de me virar na direção oposta a sua.

Mais uma vez eu estava mentindo para mim mesma. Eu não estava nada bem. E não ficaria tão cedo. Tudo o que eu precisava agora era de um abraço apertado e alguns minutos embaixo do chuveiro chorando até me livrar dessa sensação horrível que se instalara em meu peito.

(...)

Depois de passar no Rosseau’s para me consolar com Cami, mesmo sem lhe contar o que tinha acontecido, e passar rapidamente no Joe para dar um beijo em Steve, voltei para casa, caindo no choro assim que passei pela porta. Minha cabeça parecia prestes a explodir a qualquer instante. Eu não sabia o que me abalava mais. O ataque, as mortes ou fato de Klaus e eu termos voltado, mesmo que apenas por alguns momentos, a ser como éramos antes. Lembrar-me de tudo que tínhamos vivido juntos, desde o nosso encontro acidental no desfile à nossa busca no Bayou por Hayley, me fazia perceber algo que eu me recusava a assumir. Eu sentia saudades da nossa amizade.

Mesmo com seu jeito torto de fazer as coisas e de ser, Klaus desde o início sempre importou muito para mim. Acho que minha ligação com ele começou ainda nos sonhos e apesar de todas as suas atitudes questionáveis, o que me magoou mesmo foi a sua falta de confiança em mim e também sua falta de consideração ao me usar e me manipular como um fantoche. A verdade é que eu queria ser alguém especial para ele. Alguém com quem ele pudesse contar e pudesse acreditar que sempre estaria ao seu lado. E foi depois de muito refletir que eu tomei uma decisão.

Após ficar muito tempo embaixo do chuveiro, me arrumei, vestindo uma roupa qualquer. Fiz um rabo de cavalo no cabelo e peguei a chave do meu carro pronta para quebrar minha promessa pela última vez. Eu iria até o casarão, porém dependendo de como as coisas terminassem, eu nunca mais colocaria meus pés lá.

Dirigi sem pressa pelas avenidas movimentadas e não demorei a chegar à rua já tão conhecida. Desci do carro, parando alguns segundos para adquirir coragem e comecei a andar. Adentrei o pátio e assim como na semana passada, ele estava vazio, a não ser por Klaus sentado em uma mesa com um copo de uísque na mão. Aquilo parecia até um déjà vu. Caminhei devagar até ele, que só ergueu os olhos para mim quando eu já estava a sua frente.

— Aconteceu alguma coisa? – Perguntou preocupado.

— Não. Eu... Onde estão Elijah e os outros? – Procurei saber querendo adiar mais um pouco o que estava prestes a fazer.

— Ele saiu, foi investigar por conta própria. Rebekah não pára mais aqui, assim como Marcel. Vivem na rua. Hayley está lá em cima. Pode subir se quiser. – Respondeu voltando sua atenção para o uísque.

— Eu vim conversar com você. – Admiti fazendo com que ele me encarasse. Depois de me analisar por um tempo, ele finalmente se pronunciou.

— Sente-se. – Pediu indicando uma das cadeiras. O obedeci.

— Depois de tudo o que aconteceu hoje, eu... Pensei bastante sobre nós dois. – Disse olhando para ele. Klaus me observava atentamente com uma expressão indecifrável. – Apesar de tudo, eu estou disposta a dar uma última chance para nossa amizade. Isso se... – Completei, porém ele me interrompeu.

— Se? – Inquiriu erguendo uma sobrancelha. Respirei fundo antes de responder.

— Tudo o que eu quero é que você seja sincero comigo. Se estiver disposto a fazer isso, eu prometo que não irei julgá-lo pelo seu passado. Se não quiser, eu vou embora agora e nunca mais teremos qualquer contato um com o outro. – Propus o encarando. Klaus permaneceu calado e desviou os olhos dos meus para suas mãos em cima da mesa.

Assenti resignada, tomando seu silêncio como uma resposta negativa. Por mais que me doesse, não iria demonstrar. Essa foi a escolha dele. Levantei-me pronta para ir embora, mas Klaus me impediu de prosseguir, segurando meu braço e me puxando para ele.

Klaus entrelaçou seus braços ao meu redor de forma tão desesperada, que passado o choque inicial, não tive outra reação a não ser abraça-lo de volta. Nunca o tinha visto tão vulnerável e aflito como estava agora. Estreitei mais o abraço, tentando confortá-lo. Talvez ainda existisse esperança para nós afinal.



Notas finais
* Lafayette, para quem não lembra, é o nome do cemitério. E então, o que acharam? Comentem! Kisses!