I Just Wanna Stop
9 Armações e Visitas Noturnas
Notas iniciais
Pov. do Klaus
Voltei para a mansão. Por hora, não havia mais nada a ser feito. Agora era só uma questão de tempo para eu colocar meus planos em ação. Quando cheguei a sala, encontrei Rebekah debruçada em frente ao notebook.
— Por favor, irmã, diga que não continua a pesquisa na internet. – Disse passando por ela. Sabia que ela procurava o cativeiro de Elijah. – Como começa, aliás? Digitando “sótão anônimo”? – Ironizei enquanto me servia uma dose de uísque.
— Alguém precisa achar o Elijah, nem que pra isso eu precise vasculhar cada sótão na cidade. – Respondeu determinada.
— Parece procurar uma agulha em um palheiro. – Observei virando em sua direção.
— Lembro-me de detalhes do sótão em que Marcel me levou. – Prosseguiu, ignorando minha zombaria. – Haviam persianas nas janelas atrás do caixão do Elijah.
— Deve reduzir bastante as buscas. – Falei fazendo pouco caso, andando até ela e sentando-me na cadeira a sua frente. – Já eu, prefiro estratégia real ao invés de trabalho monótono. – Concluí capturando sua atenção.
Rebekah ergueu os olhos para mim e tomei aquilo como um incentivo para continuar.
— A demora de Marcel em devolver nosso irmão me faz suspeitar que ele não está mais no controle da situação. Se a lealdade de Davina à Marcel está em tensão, talvez a jovem bruxa esteja aberta a discutir uma nova aliança. – Explanei meu brilhante raciocínio. A expressão de Rebekah era contrariada.
— Como sempre, suas apropriações são mais importantes do que resgatar nosso irmão. – Acusou.
— Prefiro pensar nisso como matar dois coelhos com uma cajadada... Roubar a arma secreta do Marcel, trazer nosso irmão para casa. – Rebati sarcástico.
Como resposta Rebekah me deu um falso sorriso. Ela fechou o notebook e levantou, saindo da sala logo em seguida, me deixando sozinho.
Eu sabia que ela prosseguiria com seus próprios planos, mas não fazia diferença. No final, seria eu quem traria Elijah de volta.
Aproveitei o tempo sozinho para confabular minhas tramóias. As horas se passaram rapidamente e bem antes do que eu esperava, já estava na hora de me arrumar para meu encontro com Lexi e, é claro, Davina.
(...)
Cheguei ao local de encontro escolhido por Lexi. Assim como as principais ruas da cidade, o Rosseau’s também estava lotado de pessoas. Atrasei-me propositalmente. Eu sabia que Lexi não estaria sozinha e por isso precisava analisar a situação antes de agir.
Entrei no bar e avistei Alexandra sentada em um dos bancos em frente ao balcão. Como imaginei, ela estava acompanhada. Além de Cami, que estava um pouco mais a frente, uma garota, aparentemente mais nova do que ela, ocupava o banco ao seu lado. Deduzi ser Davina. E para completar, ainda havia um garoto. Olhando de onde estava, ele não parecia ter mais do que 19 anos. A forma como ele sorria e mexia no cabelo dela, brincando com sua trança, dava a entender que eram bem próximos.
Intrigado com a cena, os observei por alguns minutos. Tempo suficiente para confirmar minhas suspeitas com relação à garota, que era mesmo a bruxinha que eu estava procurando, e descobrir o nome do garoto aparentemente tão “íntimo” de Alexandra, que a propósito se chamava Steve. E de brinde, ainda descobri o interesse de Davina por um dos músicos que se apresentava no palco. Agora seria mais do que fácil atraí-la.
Voltei à entrada do bar e enviei uma mensagem para Alexandra avisando que já tinha chegado. Ela não demorou nada para responder e para minha sorte, ela não pediu que eu fosse até ela. Se isso acontecesse, certamente Davina me reconheceria e a última coisa de que eu precisava era de uma cena em público, o que faria todo o meu plano ir por água abaixo. Sem contar que Cami não sabia do meu envolvimento com ela e por hora era melhor que continuasse assim.
Quando finalmente me vi de frente para Alexandra, acabei distraído por sua presença. Ela era tão leve e verdadeira que chegava a ser desconcertante e encantadora ao mesmo tempo. Entretanto, por mais que eu apreciasse sua companhia, estava ali à negócios e por isso a hipnotizei para que se afastasse de Cami e Davina e levasse seu amiguinho junto. Precisava ficar à sós com Cami e a bruxinha.
(...)
Depois de mandar Alexandra embora, demorei um pouco observando o possível amor de Davina. Quando o show terminou e ele deixou o palco, eu o segui. O encontrei no fundo do bar, guardando o violino dentro do carro. Coloquei as mãos atrás das costas.
— Olá, Tim. – O cumprimentei fazendo com que ele virasse em minha direção. – Acredito que conheçamos alguém em comum. – Completei andando até ele.
O garoto me encarava confuso. Pus uma mão em seu ombro e fitei seus olhos.
— Seja um bom rapaz e me ajude a enviar um recado. – O compeli.
Mandei o garoto ir para St. Anne, a igreja que servia de esconderijo para Davina, e voltei ao bar. Encontrei Cami e a jovem bruxa próximas à entrada. Davina se afastou e eu aproveitei para me aproximar de Cami.
— Diga a ela que é de um dos músicos. – Falei entregando-lhe um papel. – Ela vai querer ir embora e você irá ajudá-la a sair sem que Marcel veja. Aconteça o que for, não a perca de vista. – Ditei me afastando logo em seguida.
Saí do bar e ganhei às ruas, que continuavam bastante cheias graças ao Festival. Fui em direção a igreja, afinal era lá que me encontraria com Davina. No caminho, em meio à multidão, avistei Alexandra. Ela estava com o braço entrelaçado com o tal Steve. Ela sorria animada e parecia arrastar o garoto em direção a um grupo de pessoas que assistiam a um show de jazz em plena calçada.
Permaneci parado onde estava admirando o jovem casal. Apesar da pouca idade, Lexi era muito bonita e atraente, e o garoto parecia ter consciência disso tão bem quanto qualquer um. Não era nada difícil perceber seu interesse por ela. Continuei a observá-los, mas logo em seguida virei-me na direção oposta a deles.
Cheguei à igreja poucos minutos depois e encontrei Davina sentada na escadaria do altar, observando Tim tocar violino. Cami estava sentada em um banco próximo a entrada.
— Esse menino tem um dom. Não se pode hipnotizar alguém para tocar assim. – Comentei fazendo com que ela notasse minha presença. Cami não respondeu de imediato.
— Eu sei o que você é. – Disse fazendo me encará-la. Não entendia onde ela queria chegar. – É loucura para mim, mas pelo menos faz sentido. Mas esse massacre foi apenas uma coisa sem sentido. Na sua vida toda já viu algo assim? Um bom homem, aspirante a padre, sair por aí matando. – Prosseguiu parecendo intrigada.
Foi então que percebi que ela falava sobre o massacre que aconteceu alguns meses atrás nessa igreja. Tinha lido por alto algo à respeito do assunto. Sentei-me ao seu lado. Não entedia qual seu interesse nisso, mas não faria mal conversarmos um pouco.
— Já vi muitas coisas na minha vida. – Respondi com um sorriso irônico. – O mundo é um lugar terrível e cruel. É melhor viver nele seguindo as regras. – Completei.
— Não. O mundo não é terrível. As pessoas não são terríveis. Elas querem ser boas. Algo faz elas ficarem más, algo as corrompem, faz a ficha delas caírem. – Contestou fazendo-me voltar a encará-la.
Eu a fitava surpreso e até mesmo um pouco impressionado. Uma das coisas que mais me agradava nela era sua visão de mundo. Voltei meu olhar para Timothy e Davina, esperando ela continuar.
— Sempre há sinais, sintomas antes de se ter um colapso psicológico. A pessoa que fez isso não tinha nenhum. Ele não bebia nem usava drogas. – Disse.
— Você é bem informada no assunto. – Comentei percebendo que certamente ela conhecia a pessoa responsável pelo ocorrido. Ela não respondeu, então virei-me em sua direção. – Você o conhecia, não é? – Perguntei verbalizando minhas suspeitas.
— O nome dele era Sean. Ele era meu irmão. Irmão gêmeo, na verdade. – Confessou deixando uma lágrima escapar.
A encarei surpreso e compreensivo. Eu lembrava-me perfeitamente da dor que senti ao perder meus irmãos caçula. A morte de Henrik era algo, que por vários motivos, eu nunca iria esquecer. Quanto a Kol, apesar de todas as nossas desavenças e seu temperamento inconsequente e mimado, eu nunca havia cogitado a ideia de perdê-lo e foi um grande baque para mim quando isso aconteceu. Cami fungou apoiando os cotovelos nos joelhos, despertando-me dos meus pensamentos.
— Eu não consigo dormir. Sonho com o que aconteceu. E eu odeio. Odeio por não ter conseguido ajudar. – Desabafou.
— Todos nós batalhamos contra nossos demônios. – Falei por experiência própria.
— Você não entendeu, eu podia ter impedido. Lexi me alertou, mas eu... Eu não lhe dei a atenção que deveria. – Completou ainda chorosa. A olhei de forma estranha.
— Como assim Alexandra lhe alertou? Ela sabia o que iria acontecer com seu irmão? – Indaguei curioso. Cami ergueu os olhos para mim.
— Ela teve um sonho algumas semanas antes do massacre e... – Cami interrompeu-se no meio do relato. – Espere. Como sabe o nome dela? Eu só falei sobre Lexi com você uma vez e em momento algum eu a chamei de Alexandra. – Observou. Sua expressão tornando-se inquiridora. Fiquei calado.
— Ai meu Deus! Você a conhece! Quando ela veio falar comigo mais cedo não achei que fosse sobre você! – Exclamou. Continuei em silêncio. A cada minuto tudo se tornava mais estranho. – Olha, eu realmente não sei qual seu interesse nela, mas quero que se afaste. Lexi é mais especial do que pode imaginar e não a quero envolvida nas suas artimanhas.
Encarei Cami com a feição séria. Apesar de querer, não estava com tempo para prolongar essa conversa. Olhei dela para o jovem casal mais a frente.
— Tenho que cuidar de alguns negócios, mas antes que o faça... Você deve ir. Aproveite a música e esqueça isso. – Falei a hipnotizando.
Cami levantou-se e saiu, deixando-me à sós com os garotos. Fiz-me presente após a apresentação de Tim. Davina estava de pé próxima à ele enquanto o mesmo guardava o violino.
— Vocês são tão adoráveis! – Exclamei enquanto andava até eles. – Dói meu coração, mas preciso falar com a mocinha. – Disse sorrindo irônico. Parei com a mão no ombro de Tim.
— Então, Tim, sente-se... E o conte até cem mil. – Disse o compelindo. Ele me encarou por um segundo e logo obedeceu. – Em silêncio. Ele é um bom garoto. – Completei ao vê-lo se afastar e sentar em um banco distante de onde eu e Davina estávamos.
Dirigi minha atenção à bruxinha e ela me encarava com a expressão raivosa. Sorri.
— Então vamos ao que interessa, certo? – Indaguei pondo as mãos para trás. Passei por ela e subi no altar. Virei-me para encará-la.
— Seu dilema me dá alianças fracas. Você é leal ao Marcel, e mesmo assim ele a deixa presa no sótão. Claro que você iria preferir um pouco mais de liberdade. Mesmo assim, Marcel a mantem como prisioneira. – Discursei. Davina me observava com a mesma expressão de antes.
— Ele não me mantém como prisioneira, mas a salvo. – Rebateu dando alguns passos à frente. – Ele é meu amigo. – Acrescentou fulminando-me com o olhar.
— Não tenho dúvidas disso. – Afirmei aproximando-me mais dela. – Mas para uma garota que está no meio de uma guerra entre bruxas e vampiros, eu poderia ser um amigo melhor. – Completei me agachando a sua frente. Davina negou com a cabeça.
— Eu a manteria a salvo. E eu deixaria você ser livre. – Prometi olhando em seus olhos para lhe passar confiança. Ergui-me e passei por ela novamente. — Se Marcel pudesse fazer isso, por que ainda não fez? – Questionei andando pela igreja. – E nos leva a pergunta: Se Marcel não pode protegê-la e aqueles com os quais você se importa? – Falei parado ao lado de Tim e apontando para ele.
— Se alguém tentar machucar quem eu me importo, eu o mato. – Disse confiante.
— Pois bem. Parece que não precisa do Marcel então. – Ironizei. – Talvez você tenha suspeitado o tempo todo. Seu amigo Marcel a engana para fazer o que ele quiser. E você fica apodrecendo em um sótão, sozinha... Enquanto o jovem Timothy segue em frente com a vida. – Completei.
Davina me encarava furiosa. Comecei a sentir um calor estranho pelo corpo. Meu sangue parecia queimar em minhas veias.
— Está sentindo? – Perguntou debochada. – É seu sangue começando a ferver. – Disse satisfeita.
Eu já começava a suar. Era uma sensação muito incomoda e eu precisava acabar logo com isso. Recuperei-me e usei minha super velocidade para chegar a Tim. Segurei-o por trás, prendendo um braço em seu pescoço.
— Seria tão trágico perdê-lo de novo, eu gostei tanto da sua prática com o violino. – Ameacei.
— Não ouse machucá-lo! – Gritou amedrontada.
— Espero que não precise. Mas isso depende de você. – Falei sentindo meu rosto alterar-se.
— Deixe-o ir, agora! – Exigiu firme.
— Devia saber que não me dou bem com ordens. – Respondi irônico.
Davina ergueu a mão e a curvou, fazendo minha perna esquerda se quebrar. Gritei de dor, porém no mesmo instante a coloquei de volta no lugar.
— Impressionante. Mas não quer lutar comigo, querida. Inocentes podem acabar mortos. – Assegurei.
— Por favor, deixe-me ir. – Implorou Tim.
— A decisão é sua, bruxinha. Jure lealdade a mim e o garoto vive. Fique contra mim... – Ameacei.
Davina continuou a me encarar furiosa. Uma forte ventania começou dentro do ambiente. Percebi que as velas que se encontravam no altar um pouco atrás dela estavam acesas. Segurei Tim com mais força. Não estava gostando nem um pouco da situação. Com um grito, Davina lançou as mãos a frente fazendo-me me cair para trás. Todos os vidros espatifaram-se e voaram em minha direção.
Assim que me recuperei do tombo, levantei e subi com o garoto para uma pequena sacada acima da porta da igreja. Davina havia desmaiado, mas não demorou quase nada para acordar. Ela levantou-se e saiu correndo para fora, a procura de Tim. Deixei-a ir. Estava ao telefone com Rebekah e ela me dava uma notícia nada boa.
— Como assim sumiu? – Perguntei me referindo a Hayley. Ela tinha ido a uma consulta no Bayou com uma das bruxas, mas pelo visto tudo não passava de uma emboscada.
— O que acha que isso significa? – Indagou Rebekah do outro lado da linha. – Há corpos e sangue em toda parte, alguém os deixou em pedaços. E não há sinal daquela grávida chatinha. – Relatou. Suspirei irritado.
— Continue procurando. Eu já estou indo. – Informei antes de encerrar a ligação.
Era só o que me faltava. A mãe do meu filho desaparecida em um pântano. Puxei Tim pela camisa. Agora mais do que nunca eu precisava me resolver logo com Davina.
— Não me machuque, por favor. – Pediu.
— Não era a minha intenção. Mas infelizmente estou sem tempo para ser bonzinho. – Falei o jogando da sacada e logo em seguida seu violino. Enquanto eu voltava ao piso principal da igreja, Davina reapareceu.
— Não! Não, por favor! Eu sinto muito, de verdade. Não queria te prejudicar. – Disse chorosa com a cabeça dele em seu colo.
— Uma das trágicas consequências da guerra. Morte de inocentes. – Lamentei andando até eles. – E a culpa que você terá que conviver, tendo o sangue do jovem Timothy nas mãos. – Concluí parando a sua frente.
— Fique longe dele! – Ordenou olhando-me com raiva.
— Não vamos nos precipitar. Afinal eu posso curá-lo – A lembrei. Davina encarou-me surpresa.
— Tudo o que você precisa fazer... É pedir. – Prossegui agachando à sua frente. Ela olhou de mim para o garoto e assentiu.
— Por favor. – Pediu.
— Para você, Davina, será um prazer. – Respondi a encarando. Ajoelhei-me no chão, mordendo meu pulso e o colocando na boca de Tim, o fazendo beber meu sangue para curá-lo. Retirei meu pulso de sua boca e virei seu rosto para mim. — Você se esquecerá de tudo que aconteceu após o concerto. Incluindo o fato de ter visto Davina. – O hipnotizei.
— O quê? Não. – Protestou a menina me encarando.
— Se ele se lembrar de você pode começar a procurar. Se as bruxas souberem dele, que você tem uma fraqueza, então o pobre Tim acabará como uma arma nessa conspiração terrível para te controlar, novamente. – Expliquei. – Tudo bem. Levante-se. – Falei ficando de pé e trazendo Timothy comigo. — Leve o estojo do violino com você. Lembrará de ter perdido o instrumento nos bastidores após a apresentação. Você deveria ser mais cuidadoso. – O compeli. Tim me obedeceu e foi embora logo em seguida.
— Tudo resolvido. – Comemorei pondo as mãos para trás. – Agora você me deve um favor. – Completei com um sorriso satisfeito.
Antes que ela pudesse responder, saí com minha velocidade de vampiro. Agora que tinha em partes conseguido o que eu queria, iria para o Bayou em busca da mãe do meu filho.
(...)
Cheguei ao endereço que Rebekah havia me dado. Entrei no suposto consultório e a encontrei de costas observando o lugar. Havia uma mulher desmaiada no chão. Quando deu por minha presença, ela virou-se para me olhar.
— Nossa! Você abandonou sua busca pelo poder para ajudar a família. Tirando uma folguinha? – Ironizou.
— Quem a raptou, Rebekah? – Perguntei direto, ignorando seu sarcasmo.
— Não sei. – Respondeu. Aproximei-me dela.
— O que isso significa? Quem matou os agressores dela? – Indaguei novamente.
— Não sei. Eu tinha uma flecha no coração. – Rebateu. A encarei contrariado. – Se não foi Hayley que os matou, então... – Ela se interrompeu ao ouvirmos um uivo ao longe. – Que amor. Talvez seus primos saibam onde ela está. – Disse irônica.
Rebekah passou por mim, batendo-se em meu ombro de propósito. A segui descontente, mas assim que abrimos a porta demos de cara com a lobinha.
— Hayley, o que aconteceu? Conte tudo. – Inquiri indo de forma rápida até ela.
— Eu não consigo me lembrar. – Disse de maneira vaga. Toquei seu braço, e percorri meus olhos por seu corpo. Aparentemente estava tudo bem. — Você está totalmente curada. Sem nenhum arranhão. – Constatei surpreso.
— Uma das vantagens de ser lobisomem, lembra? – Indagou.
— Não tão rápido. – Respondi desconfiado.
— Deixe a em paz. – Intrometeu-se Rebekah, abraçando Hayley de lado e a guiando para os degraus da escada que dava acesso ao consultório. – É o bebê. O sangue de vampiro. O sangue de Klaus em seu corpo pode curar qualquer ferimento. – Esclareceu minha irmã.
Eu ouvia tudo estarrecido. Era difícil de acreditar que meu filho, ainda tão pequeno, já fosse capaz de algo assim. As duas sentaram-se.
— Sua própria criança a curou. – Concluiu Rebekah, fazendo um sorriso discreto surgir em meu rosto. – Como fugiu? Você estava sozinha e desarmada. Aqueles homens foram estraçalhados. – Emendou.
— Acho que foi o lobo. – Hayley respondeu olhando para mim e Rebekah fez o mesmo. – Acho que ele quer me proteger.
— As bruxas deveriam te proteger. – Falei irritado aproximando-me delas. – Quando eu encontrar Sophie Deveraux... – Ameacei, mas a lobinha me interrompeu.
— Não foi Sophie. Foi Agnes. – Corrigiu.
— Tudo bem. Agnes, Sophie. Para mim é tudo igual. – Falei dando de ombros. – Farei um massacre.
— Não se Elijah chegar lá antes. – Disse Rebekah.
— Elijah? – Repetiu Hayley olhando para ela e eu fiz o mesmo. Não entendia o que aquilo queria dizer. – Você o encontrou.
— Ele entrou em contato e tem um plano. – Explicou minha irmã. Rebekah olhou para mim, mas logo voltou seu olhar para Hayley. – Tudo que ele pediu foi para protegermos você.
Fiquei perplexo. Como eles haviam se comunicado? Nos entreolhamos por alguns instantes.
— Podemos ir para casa agora? Quero dormir por alguns dias. – Disse Hayley levantando-se. Ela se sentiu tonta e quase caiu, mas a segurei antes, a pegando no colo.
— Eu te peguei, love. – Disse calmo enquanto a carregava para o carro. Rebekah seguiu bem ao meu lado.
As deixei em casa e saí novamente. Ainda tinha uma coisa a resolver.
(...)
Estava na casa de Cami. Não foi nada difícil descobrir onde ela morava. Subi na pequena sacada que tinha no seu quarto. Parei próximo a porta, já que eu não podia entrar sem ser convidado. Ela já estava vestida para dormir e tirava um colar do pescoço quando me viu pelo reflexo no espelho.
— Klaus? – Perguntou deixando o objeto sobre a cômoda, virando-se em minha direção. – O está fazendo aqui? – Indagou se aproximando.
— Tive uma noite bem agitada. Lembro que você falou algo sobre pesadelos e insônia. Acho que posso ajudar. Posso entrar? – Perguntei. Cami pareceu pensar.
— Isso é estranho. Entre. – Permitiu. Fiz o que ela disse. Sua total ignorância sobre vampiros era mesmo conveniente. — Espere. É verdade. Eu te contei o que aconteceu. Nunca tinha contado para mais ninguém antes. – Disse. Ela pareceu pensar em algo. – E você disse algo sobre Sean sozinho com seus demônios. Quando ele matou aqueles homens, achei que estava louco. Mas e se eram demônios? E se um vampiro o hipnotizou? – Indagou.
— E se for verdade, se dedicaria para encontrar o culpado? Sacrificaria tudo para descobrir a verdade? Com que finalidade? – Rebati com outras perguntas, avançando em sua direção.
— Como assim? É por isso que estou em New Orleans. – Atestou recuando.
— Cami, quais quer que sejam as mentiras, no final disso só lhe oferecerão sofrimento. Nada trará seu irmão de volta. Você só terá paz se esquecer isso. – Afirmei.
— Não! – Protestou.
— E seguir em frente. – Continuei.
— Não me hipnotize para esquecer isso. – Pediu.
— Se eu permitir que se lembre, o conhecimento acabará com você. Sua busca pela verdade só lhe colocará em perigo. – Assegurei.
— Você não se importa comigo! Quer que eu me esqueça para me concentrar no Marcel. Assim posso ser uma boa espiã para você. – Exclamou.
— Sim, preciso da sua lealdade. E mesmo que pense que estou sendo egoísta, o objetivo do meu plano vai além de mim. Fora a busca de poder, estou tentando honrar meu irmão. – Falei.
— E quanto ao meu irmão? Meu irmão gêmeo? Nós fomos unidos a vida inteira. E eu sei, simplesmente sei, que ele não enlouqueceu. E eu preciso saber quem fez isso e concertar as coisas. – Alegou. Aproximei-me mais dela. – Não. Não tire isso de mim! — Implorou. Segurei seu rosto, forçando-a me encarar.
— Você não fará nada. Seu irmão estava doente. Ele matou aquelas pessoas e se suicidou. E foi uma tragédia. Tudo o que pode fazer é seguir em frente. – Ditei.
Algumas lágrimas escapavam dos olhos de Cami e me vi com os olhos marejados também. Aquela história mexia comigo, afinal eu me identificava. Ela sentou-se na cama e eu segurei sua mão entre as minhas.
— Saiba que seu irmão encontrou a paz. E que você não precisa se preocupar. – Disse ajoelhando-me em sua frente. – Vou descobrir o que aconteceu. E quando eu o fizer... Garantirei que a pessoa que prejudicou seu irmão... Sofra. – Prometi. Mantive meus olhos nos seus. — E quanto a você... Esta noite, irá dormir... E vai sonhar com um mundo bem melhor do que este. Um mundo onde não existe maldade, demônios. E todas as pessoas desejam... – Toquei seu rosto. – Apenas fazer o bem. – Completei.
Cami fechou os olhos e mais algumas lágrimas desceram. Soltei sua mão e afastei-me dela. Estava pronto para ir embora, mas uma ideia me passou pela cabeça. Saí do quarto de Cami e segui por um pequeno corredor. Havia outra porta e ela estava entreaberta. Não resisti à tentação de entrar. Eu podia ouvir a respiração leve e constante da pessoa dentro do cômodo. Empurrei a porta devagar, para não fazer barulho, e me vi no quarto de Alexandra. Olhei ao redor e um sorriso involuntário surgiu em meu rosto. O quarto era bem a cara da dona, alegre e aconchegante. Aproximei-me da cama.
Lexi dormia como um anjo. Enquanto a observava, lembrei-me da conversa que tive com Cami na igreja. Cada vez ficava mais certo de que havia algo realmente especial nessa garota. Acariciei seu rosto de forma suave. Independente de qualquer coisa, ela já podia ser considerada singular somente pelo fato de conquistado minha simpatia em tão pouco tempo e de forma tão única. Ajeitei uma mecha loira que recaía sobre seu rosto e me distanciei.
Saí do quarto e voltei pelo mesmo caminho que tinha vindo. Ao passar pelo quarto de Cami, vi que ela também já dormia. Fui para a sacada e pulei para o chão. Já estava tarde e as ruas encontravam-se razoavelmente vazias. Coloquei as mãos no bolso da jaqueta e andei de volta para casa, aproveitando a brisa e o silêncio noturno.

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