I Just Wanna Know Her Name
1 Oneshot.
Eu a via todos os dias sentada no mesmo lugar. Seus olhos focados em alguma coisa para fora da janela, os cabelos pretos desgrenhados balançando com o vento, seus lábios finos e rosados mexendo como se quisessem cantar uma música o mais alto que puder, em suas delicadas orelhas, um fone grande e preto as preenchiam, como se quisesse fugir do mundo.
Eu a admirava de longe, observava cada passo, cada detalhe de seu rosto delicado, até o momento em que parávamos na Rua Doze, e então via ela se levantar delicadamente e descer do ônibus, sem olhar para nada mais além da porta do ônibus vermelho abrindo.
Não sabia seu nome, nem a onde ia todos os dias, mas sabia que por mais que meu dia fosse horrível, eu conseguiria vê-la serena, sentada perto da janela e cantarolando músicas aleatórias em silêncio; meu coração se alegrava novamente.
Eu esperava vê-la em todos os lugares que eu ia, esperava vê-la na faculdade, na cafeteria, no bar, em qualquer e em todos os lugares, apenas para sentir novamente o que sinto ao vê-la no ônibus.
Eu a vi sentada numa cafeteria dentro da faculdade, estava com os mesmos fones de ouvido preto nos ouvidos e uma expressão serena lendo um livro. Tive vontade de ir até ela e tentar conversar, porém, não é possível.
Pedi um café e sentei-me próximo à ela, observei-a tomar o seu café e dar leves risadas de algo engraçado que leu no livro.
Meu coração estava calmo novamente.
A partir daquele dia, comecei a vê-la todos os dias na cafeteria, e sempre a observava e ria de seu jeito engraçado de beber seu café descafeinado com muito açúcar.
Todas as noites eu sonhava em abraça-la e dizer a coisa louca que ela faz com meu coração.
Todos os dias eu escrevia as sensações e os desejos que eu sentia por ela, e quem sabe um dia eu iria entrega-la.
Meus amigos achavam isso uma loucura, uma garota apaixonada por outra. O amor é realmente uma loucura, e por ela eu faria todas as loucuras do universo.
Era loucura ser apaixonada por uma menina que eu nem sequer sabia o nome? Claro que era. Mas era tão especial o jeito que ela me fazia sentir.
Eu a vi dançando numa noite de sexta no bar que eu costumava frequentar, pela primeira vez, vi seus cabelos curtos e suas orelhas branquinhas livres de fones. Era tão majestoso o jeito como se deixava levar pela música e como fazia meu coração palpitar ao vê-la balançando a cabeça de um lado pro outro com seus olhos fechados, serena.
Me aproximei para sentir ainda mais sua energia serena. Senti ela se virar para mim, abrir os olhos, sorrir e me segurar pela cintura. Eu não sabia o que sentir, eram tantas energias, tantos sentimentos guardados, apenas a fitei com um sorriso bobo no rosto.
“Eu sei que você fica me olhando. Eu também fico olhando você, todos os dias.”
Ela sussurrou no meu ouvido e beijou minha orelha. Senti sua mão agarrar minhas costas e em fração de segundos o beijo foi indo para o pescoço, subindo, até em fim encontrar meus lábios. Eu estava em êxtase, eu queria tanto que esse dia chegasse, eu queria tanto colar nossos lábios numa ternura, numa vontade do proibido, numa vontade do desconhecido. E assim eu o fiz, colei nossos lábios, e senti seus lábios quentinhos encostarem nos meus, senti sua língua úmida e quentinha pedir passagem em minha boca, senti nossas línguas se acariciarem sem pressa, sem medo, senti que estava entrando em novos mares, conhecendo algo que eu já deveria ter conhecido a muito tempo.
Ela me olhou, sorriu, colou nossos lábios novamente e sussurrou alguma coisa que eu não entendi e voltou a dançar.
Sentei-me perto e observei-a até acabar minha bebida. Queria ter dito alguma coisa a ela. Mas a única coisa que consegui, foi me entregar aos seus beijos maravilhosos. Meu coração aquietou, ele só queria isso, só queria a paz de sentir seu toque e seu beijo quente.
Eu ainda a vejo todos os dias na cafeteria, bebendo seu café e lendo seu livro. Toda vez que eu a vejo, sinto as mesmas sensações que senti quando nossos lábios se tocaram, mesmo que esteja longe e continuando não podendo falar com ela.
Mas no fim, o que importa é que eu posso vê-la de longe, e admirá-la, mas eu só queria saber o nome da menina da Rua Doze...
Fale com o autor