I Just Wanna Be Your Hero
15 Running away.
Notas iniciais
– Eu tenho algo para te pedir, Damon. — Elena falou, interrompendo sua história sobre o que tinha acontecido nos poucos minutos em que eu estive fora do quarto.
– Prossiga. — respondi.
– Por favor, fique longe de mim.
Qual o problema dela? Ela já devia que isso é física, mental e psicologicamente impossível para mim. Nada é a mesma coisa. Tudo parece sem... propósito.
– Nunca. — respondi, pegando suas mãos e as beijando.
– Por favor, Damon. Só fique longe de mim. — ela parecia choramingar, mas sua voz voltou à seriedade e firmeza de quando ela toma uma decisão. — Eu não quero mais que você faça parte da minha vida. Não se isso for um risco para você.
– Elena, se pra ficar com você eu tiver que correr um risco ou outro, não são riscos. São os efeitos colaterais da melhor coisa que já aconteceu comigo: você. De verdade, ficar longe de você é pior do que qualquer risco que a gente vá ter com o Kai.
– Eu não quero que você saia ferido, o que provavelmente vai acontecer se continuar comigo.
– Você não pode ficar sozinha contra ele. Eu sei que você quer ser forte, mas Kai não é pior do que qualquer um que já ameaçou nossa união. E nós enfrentamos todos os outros juntos. — peguei a mão dela e entrelacei nossos dedos.
– Você quer dizer que o fato de você ter sido o maior pegador de todos os tempos e eu ter tido os namorados mais energúmenos da face da Terra era um problema maior do que Kai querendo matar você?
– Kai foi um de seus namorados energúmenos. O maior de todos, na verdade. O que o põe no top 1 da lista de namorados energúmenos. E, dessa vez, eu não tenho uma namorada serial killer ou que me afaste de você.
Ela revirou os olhos.
– Ele ainda pode nos matar.
– A ameaça é só metade do que era na época que eu e você namoramos lunáticos psicopatas ao mesmo tempo.
Elena respirou fundo.
– Você vai continuar por perto e ser o meu herói, ok. Mas o que nós vamos fazer, Damon? Quer dizer, se fugirmos ele vai nos perseguir para sempre. E se ficarmos, ele vai vir sempre que quiser.
Uma ideia começou a se formar na minha cabeça. Não, era loucura. Ela nunca concordaria. Bem, não custava nada tentar.
– Eu tive uma ideia. Não é muito boa, mas...
– Fale.
– É o seguinte. Eu tenho um amigo no FBI. Neal Caffrey. Se eu pedisse a ele para me arranjar uma nova identidade e novos documentos porque estou em perigo, ele provavelmente daria um jeito de arranjar ou me diria com quem eu poderia fazer uma boa falsificação. Talvez fizesse a falsificação ele mesmo. — engoli em seco. — Então nos mudaríamos para outro país. E, quando ele fosse preso, voltaríamos.
Parei de falar e a mão dela continuava entrelaçada à minha. Após alguns segundos em silêncio, ela suspirou e falou.
– Quando e para onde?
– Você gostou mesmo dessa ideia?
– É bem melhor do que a minha ideia de se esconder num cofre à prova de balas até o Kai morrer. — sorri para ela.
– Essa ideia é muito boa. Bem melhor do que a minha.
– Porque, Damon? Sua ideia é brilhante!
– Porque alguém vai saber que estamos dentro do cofre. Se formos embora, ninguém poderá saber. Nem mesmo nossos irmãos.
Ela engoliu em seco.
– Tudo bem.
– Sério? — perguntei, olhando nos olhos dela.
– Sim. Se isso vai fazer com que fiquemos um pouco mais seguros, é um preço baixo a se pagar. Mas como saberemos quando ele for pego?
– Eu vou pedir pro Neal me deixar informado.
– Eu te amo. — ela falou.
– Também te amo. — beijei-a de leve nos lábios.
Nesse momento, uma enfermeira bateu à porta.
– Pode entrar. — falei.
Me afastei de Elena para que a enfermeira pudesse trocar o soro e colocar o remédio. Ela fez uma careta quando a enfermeira injetou o remédio. Isso realmente era desconfortavel. Quando estava de saída, a enfermeira lhe entregou um envelope laranja berrante
– O que é isso? — Elena perguntou.
– É um exame de DNA que o doutor Parker pediu para a senhorita. Ele também pediu que o entregássemos para você logo que ficasse pronto. — a enfermeira respondeu, já saindo do quarto.
Elena ficou em silêncio alguns segundos, apenas observando aquele envelope laranja.
– Eu não acredito que ele fez isso. Como ele fez isso? — ela perguntou, confusa.
– Ele pode ter tirado o sangue na cirurgia.
– Ok, mas porque? Ele foi a única pessoa com quem fiquei por mais de um ano. Eu tenho certeza disso.
– Abra o envelope. Vai estar tudo certo. Você pode até mandar uma cópia pra ele se quiser.
Ela abriu o envelope e começou a me encarar.
– É possível que ele tenha alterado o resultado do exame?
– Com tão pouco tempo? Improvável.
– Então como isso é possível? — ela virou o papel para mim e meu nome estava escrito nele.
Então comecei a me lembrar da festa de aniversário do Tyler. Muitos flashes apareceram na minha frente: eu bebendo pra caralho; Elena bebendo mais ainda; nós dois abraçados como companheiros bêbados; nós dois fugindo pra floresta; os beijos quentes; eu por cima de seu corpo nú e ela gritando por mais; ela vestindo a roupa e eu a puxando de volta; ela por cima de mim; nós dois voltando para casa no fim da festa; a promessa de esquecer que isso tinha acontecido. Essa promessa funcionou bem. Até agora. Ela parecia estar se lembrando também.
– Damon. Aquilo da festa do Tyler. Aconteceu de verdade?
– Se nós dois lembramos, acho que sim.
Ela suspirou.
– Isso me deixa aliviada e preocupada ao mesmo tempo. Não tenho mais nada com o Kai, mas eu acho que isso só piora tudo. Porque ele vai achar que eu já sabia e estava enganando ele.
– Quando partimos?
– Quanto antes melhor. Fale logo com o Neal. Quero estar bem longe quando Kai descobrir.
●●●
E assim eu fiz. Me encontrei com o Neal e pedi os documentos e para que procurassem por Kai Parker, sob acusação de violência, assassinato, tentativa de assassinato e mutilação. Acho que isso dava pro gasto.
Mais ou menos uma semana depois, recebemos os documentos, duas falsificações perfeitas. Meu novo nome era Phill Phelps e o de Elena era Rose Phelps. Ela não pareceu se importar que fingiríamos ser casados. De qualque forma vou sentir falta de chamá-la de Elena. Logo que recebemos os documentos, compramos as passagens para a Austrália. É um pouco mais longe do que gostaríamos, mas vai resolver o problema.
E, para não angustiar nossos irmãos, deixamos uma carta em cima da mesa da cozinha.
"Queridos Stefan e Katherine,
Esse é o nosso adeus. É muito difícil para nós imaginar que estão em perigo por nossa causa, porque fizemos merda. Os bebês são do Damon de verdade e Kai não custaria a pensar que foi enganado desde o princípio. Para garantir que vocês fiquem bem, morreremos hoje. Provavelmente quando lerem esta carta, nós quatro seremos uma pilha de cinzas misturadas com a terra da floresta. Já arranjamos quem fizesse o trabalho e estamos prontos. Saibam que amamos muito vocês e, por isso mesmo, vamos morrer para que vocês vivam suas vidas. Podem dizer aos outros que acham que foi assassinato, mas vocês saberão da verdade. Com amor,
Elena e Damon."
Embarcamos no avião, fingindo não estar nervosos com o que nos espera na Austrália. Fingindo não estar com o coração partido por dizer aos nossos irmãos que somos uma pilha de cinzas e por abandonar nosso país. Mas havia um quê de esperança nisso tudo: ficaríamos juntos.
Elena beijou-me nos lábios, dizendo:
– Eu te amo, Phill. — tive vontade de rir. Phill Phelps era o nome que eu nunca sonhei em ter.
– Eu te amo, Rose.
Então demos nossas mãos e esperamos o avião alçar vôo.
Adeus, Mystic Falls.
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