Notas iniciais
chorei rios no ultimo episódio da season 2 mas estou contentíssima depois do episódio 1 da season 3 então digamos que sou bipolar quando se trata de sherlock, mas afinal, quem não é?

O único pensamento que consigo carregar é o de que não importa o que eu falasse, ele faria aquilo de um jeito ou de outro. Ele não era o tipo de pessoa que tomava decisões por impulso, era calculista pensava e repensava tudo e às vezes até anotava em seu caderno que ficava ao lado da cama.

Respirei fundo. Tomei um gole do café já gelado que eu tinha deixado em cima da mesa da cozinha quando saí apressado para me encontrar com ele.

O ar daquele pequeno apartamento parecia me pressionar, me apertando da maneira mais dolorosa que se pode. Cada poeira daquele lugar me lembrava do que havia ocorrido, cada gota de chá derrubado na mesa do computador, as canetas organizadas ao acaso perto dos blocos de papel, os livros com páginas amareladas.

Ele não era a pessoa mais organizada que eu conhecia, se algum centímetro daquele lugar era organizado a culpa era da Senhora Hudson que mantinha o local o mais arrumado que ela podia ou ele permitia. Ele não gostava de ter os livros limpos, não gostava de ver os móveis sem o pó, dizia que qualquer alteração mudaria toda a logística daquela pequena sala.

Nada que eu dissesse mudaria o que aconteceu, nem no momento que aconteceu.

Meus olhos estavam cansados, caídos no rosto já sem nenhuma expressão. A roupa ainda cheirava a asfalto e sangue. Os músculos pesavam muito e eu nem tentava, ao menos, me mexer. Estava sentado na poltrona, a minha poltrona. A poltrona em minha frente, estava vazia. Só com a poeira, obvio.

Se eu tivesse a mentalidade dele, poderia saber onde ele esteve só pela poeira que carregava nas roupas, mas eu não tenho. Eu não tenho nada a ver com ele. E nem queria. Mas eu o admirava cegamente.

Aquele maldito telefonema, eu poderia ter implorado mais, poderia ter feito qualquer chantagem mas nada que eu falasse ia mudar o que pairava em seu pensamento.

O seu Palácio Mental. Como eu iria sentir falta disso. Passar-se-iam anos e anos e eu ainda me lembraria da maneira como ele colocava a mão na têmporas, fechava os olhos; esse era o momento em que eu ia embora para outro cômodo. Talvez eu, um dia, me esqueça. Afinal não sou bom com lembranças. Ele sim era.

Eu ainda me lembro de todos os pensamentos que cruzaram minha mente quando desci daquele táxi e recebi sua ligação.

Ele disse que tudo foi uma mentira, disse que o plano era a enganação, que ele era o grande vilão. Mas eu não acreditei, não acredito.

Eu não sei o que passou por aquele cérebro mas sei que nada que eu falasse mudaria o curso do plano.

O plano.

Outra coisa que me faria falta: o violino no meio da madrugada. As vezes tão sonoro, outras era um inferno. Ele compunha muito bem mas quando estava entediado errava as notas de propósito apenas para conserta-las ou até mesmo para criar outra maneira de tocar.

Passei a mão nos cabelos. Respirei fundo.

Evitei ao máximo passar por perto da porta de seu quarto, mas fora inútil, segundos depois eu estava em pé parado dentro do aposento. Eu não entrava lá, apenas uma vez ou outra. Mas o quarto tinha o meu perfume. É obvio, até uma pessoa que não sabia deduzir como ele poderia descobrir o porquê. Ele tinha “roubado” meu perfume à uns dias atrás.

Será que ele estava usando-o quando aquilo aconteceu?

Eu poderia ter perguntado isso a ele no telefonema, mas nada que eu falasse mudaria os seus planos.

Minha cabeça pendeu para o chão, onde mais poeira repousava. Como médico, me pergunto como ele conseguiu passar noites dormindo aqui e sem ter nenhuma doença respiratória?

Não importa nada isso agora.

Passei a mão pela escrivaninha perto da janela. Mais pó. E cinzas de cigarro.

Olhei de relance a lixeira perto da mesa e maços de cigarro e mais papéis.

Voltei com os passos meio desconexos para a sala. Respirei fundo. O mesmo ar mas eu não sou o mesmo.

Como o mundo de uma pessoa pode ficar estagnado de uma hora para a outra?

Eu poderia ter dito isso a ele, mas qualquer coisa que eu falasse não o faria mudar de ideia.

O que ele pensava era algo secreto e ao mesmo tempo imutável, a não ser quando ele pensava em uma teoria ainda melhor.

Eu me lembro de um jeito meio distante do dia que nos conhecemos, mas me lembro.

Eu estava estagnado do mesmo jeito que estou agora, estava mancando, com problemas psicológicos. Estar ao lado dele me curou.

Ele ocupava minhas horas de um jeito que nem no exército acontecia. Eu o seguia por todos os lados (quando ele me permitia), eu tomava notas, eu escrevia no blog.

O blog.

Como continua-lo?

Se eu falasse naquele telefonema sobre o blog? Será que ele teria uma crise de consciência em saber que os seguidores do blog não teriam mais noticias dele? Mais é claro que não. Nunca. Nem em um milhão de anos ele pensaria nisso. Que futilidade a minha cogitar isso.

A gravidade estava me esmagando. O ar estava ficando mais pesado e agora, todo o flat tinha o meu perfume, mas isso não me lembrava de mim e sim dele. Ele o usava mais que eu.

Não sei se existem culpados nessa história. Moriarty? Era apenas um louco e ele estava a prova de loucos. Eu? Um possível culpado, talvez, não sei.

De qualquer maneira nada que eu falasse mudaria os pensamentos que percorriam aquela mente que tanto me faria falta.

Notas finais
ui que dor no coração escrever isso, masssss
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!