Anthony’s POV
Mal cheguei ao local combinado e já pude avistar Beth sentava em uma das mesas, bebericando um suco e mexendo no celular. Havia pensado inúmeras vezes o que falar, então respirei fundo e me aproximei.
- Oi Anthony, eu pedi um suco você quer alguma coisa? – começou simpática, acho que está de bom humor, ótimo.
- Não obrigado. Não quero nada. – me sentei.
- Eu sei porque você está aqui. – tomou um gole de seu suco e me encarou. – Você deve ter recebido o mesmo que eu e agora quer o divorcio.
Nem acreditava que estava indo tão bem assim.
- Exatamente.
- É, mas não vai conseguir. – disse calmamente.
- O que?
- Isso que você ouviu, não vou dar divórcio nenhum.
- Por que Beth?
- Quando tudo isso aconteceu, eu tinha a impressão de que não foi só um sonho maluco, estava real de mais nos meus pensamentos, mas acabei deixando quieto. Mas agora que sei que realmente aconteceu, eu mal pude acreditar.
- Mas o que isso tem a ver com o resto?
- Está se esquecendo que você me deixou na igreja?
- Eu não, você que não quis aparecer.
- Mas você foi embora sem nem se importar, teria feito o mesmo se eu tivesse ido.
- Logico que não. – estava difícil de eu manter a calma, diferente dela. – E a gente já conversou sobre isso, ou quer que eu te lembre?
- Não é necessário, sei o que disse. Eu disse que sabia que você gostava lá da aeromoça, mas isso não quer dizer que eu queria que você voltasse com ela, e ainda mais tivesse um filho.
- Mas o que vai te adiantar? Com ou sem divórcio, não vou ficar com você.
- Eu sei disso querido.
- E Então?
- Você me deixou naquele dia, nem ligou para o que iam pensar, foi correndo pra ela. Sei que ela não vai querer ficar com você casado com outra, tenho certeza disso, quem ficaria? Então, se eu não te der o divórcio, acho que isso acabaria um pouco com sua alegria, assim como você fez com a minha.
- Você só pode estar brincando.
- Não eu realmente não estou. – ela se levantou – Tenho que resolver algumas coisas. Boa sorte com a Marina.
- Marisa – murmurei
- Que seja. – saiu de perto da mesa já indo embora.
To frito, não sei nem o que dizer pra Marisa. Fui o caminho inteiro pensando como falar isso a ela, e torcendo para que ela não tivesse feito as malas.
Fim Anthony’s POV


- Essa menina deve ter problema, te larga na igreja e depois diz que a culpa é sua.
- Mas ela que não pense que não vou atrás dela – se levantou falando. – Você sabe que eu sou chato quando quero alguma coisa, e não desisto fácil. – ele andava de um canto a outro, ora me olhava ora continuava andando. – Ela ainda vai ter que me aguentar.
- E se ela continuar na mesma?
- Não sei, mas vou pensar em alguma coisa rápido.
- Hmm – fiz uma cara que ele sabia o que significava, e então ele ficava apavorado e eu segurava para não rir.
Mas eu realmente fiquei preocupada, aquela filha da mãe tem o que na cabeça? Eu espero que seja diferente na próxima vez, por que eu não quero ter que conversar com ela, com certeza coisa boa não vai sair.
Eu não ia ficar mais de cara fechada para o Anthony, mas ainda ia fazer algumas torturas psicológicas, para ele se arrepender bastante do que fez.
Eu percebi que ele passou o dia inteiro pensativo, nem ficar com as crianças mudava a cara dele.
O dia estava passando rápido, depois de dar banho nas crianças eu fui tomar banho. Na hora de me trocar eu tinha colocado uma regata, mas ela se usava com duas e eu não conseguia achar a outra blusa. Anthony entrou no quarto e me viu revirando as roupas e tirando da gaveta.
- O que você está fazendo? – perguntou com um som meio apavorado
- Procurando uma blusa – respondi normalmente.
- Ah. – entrou no quarto
- Fica calmo, eu ainda não vou embora.
- Para Marisa!
- Que foi?
- Ainda – me repetiu – Você não vai e ponto.
Dei de ombros fazendo aquela cara de “quem sabe”. Continuei o que estava fazendo. Depois fui ajuda-lo com o jantar.

- Amanhã eu vou falar com ela, e dessa vez ela vai ter que ceder. – eu estava me trocando e ele escovando os dentes
- Como?
- Ela não deve ter pensado direito, se ela não der o divórcio, como ela vai se casar um dia. Saiu do banheiro e foi para o quarto junto de mim.
- Tem razão. – falei indo me deitar.
Mesmo eu falando com ele, eu ainda estava fazendo isso de um jeito distante, deixando claro que estava magoada e torturando ele.
Me deitei e ele logo acompanhou, não o abracei nem nada do tipo que sempre fazia.
- Não quero acordar e não te ver aqui. – eu estava de costas para ele, mas sentia ele me encarando.
- Eu só vou sair a tarde. – continuei de costas
- Você sabe do que eu estou falando. Não quero que você vá embora. – me fez virar para ele. – Eu vou fazer da vida dessa menina um inferno para conseguir isso, mas preciso de você comigo.
- Eu ainda estou aqui, não estou? – quando eu falava assim, ele ficava assustado, o que me divertia, mas estava começando a dar dó.
- Para de falar assim Marisa. – me abraçou, obrigando-me a ficar de frente com ele- Você sabe que eu não aguentaria ficar sem você.
Como se eu conseguisse.