I Hate You Too!

36 XXXVI- O pior sentimento do mundo


Notas iniciais
Mais um capítulo aqui, guys! — Primeiramente, Feliz Natal a todo mundo! Bem, eu queria que nesse capítulo eu postasse o capítulo do Natal e o próximo o de ano novo, porém, devido a logística de postagem, esses dois capítulos não vão cair especialmente no período que deveriam. Ainda faltam, muito possivelmente, 2 capítulos pro Natal, então... Bem, eu espero que vocês gostem. — Obrigadão aos Reviews dos lindões: Patty, Bruno, Rike, Isa (que engoliu a história em dois dias) e o Adam! Obrigadão mesmo, amores! — COMENTEM E RECOMENDEM.

(POV: HASSAN)

As aulas haviam acabado e eu deveria imaginar que coisas terríveis poderiam acontecer a qualquer momento. Principalmente depois de conversar com Luck. Depois de ele ver tudo o que havia acontecido entre eu e Yuri, ele perguntou o que aquilo significa. Eu e ele estávamos saindo da sala e nos encaminhando para o banco que gostávamos de sentar. Nem Midas e nem Camila haviam vindo para a escola. O que era usual, principalmente no último período do terceiro ano.

Optei por falar tudo, tudo que havia descoberto, que o boato envolvendo Jonathan era mentira, armação de Yuri, o que muitas pessoas poderiam imaginar que fosse de verdade. Contei como havia descoberto tudo, explicando que pedi a ajuda de João e que ele acabou se envolvendo com Yuri e roubando o celular do garoto.

—Uou… -Luck falou ao ouvir toda história. -Você não acha que passou dos limites não, Has? -O loiro colocou alguns fios atrás da orelha. O cabelo de Luck estava bem mais comprido que o usual, talvez fosse uma forma de agradar Midas ou apenas uma tentativa de ver se ficava bom. -Eu não sei, mas acho que isso foi um exagero brutal para conseguir alguma coisa, fora que você envolveu duas pessoas…

—O que você tá querendo dizer?

—Você fazendo o João brincar com o Yuri, até eu acreditei nisso!

—Porque eu não podia te contar! -Expliquei. -Quanto menos pessoas soubessem mais seguro, principalmente pessoas aqui da escola, onde Yuri pudesse descobrir tudo.

—Mas acho que você não pensou direito nas consequências que isso poderia trazer, não acha? Você foi meio egoísta em pensar que João ia arrancar as coisas do Yuri sem se envolver com ele, não acha?

—Luck…

Ele tinha razão, claro que tinha… Eu poderia ter sido egoísta, mas eu havia buscado a minha paz interior e ido atrás daquilo daquele jeito era a única forma que me apareceu naquele momento. Eu poderia não ser a pessoa mais correta, mas eu também não era nenhum tipo de monstro. Quem que sempre é ético na sua vida? Cem por cento do tempo? Aquilo não deveria ser algo que eu iria me orgulhar dali a alguns anos, mas o sentimento de desvendar uma mentira inventada por alguém como Yuri, talvez ficasse comigo pela vida toda.

—Você realmente acha que eu sou uma pessoa terrível por causa disso? -Olhei para Luck que me olhava nos olhos e ele piscou e logo depois olhou para o próprio colo.

—Não… -Suspirou e me olhou novamente. -Você só fez o que achava certo, porém naquele momento o que você achava certo era errado…

—Sério… Eu não quero ser crucificado por isso, entende? -O loiro confirmou meneando a cabeça. -De onde eu fiz isso, venho de um ponto de… Não sei, amor? Justiça? Pensar que Yuri estava ameaçando e amedrontando o Jonathan espalhando esse burburinho… Eu não sei, pra mim era correto descobrir isso.

—Eu não vou mentir… -Luck levantou. -Se fosse o Mid metido nessa história, eu iria fundo para descobrir o que realmente estava por trás disso, entende? Agora é melhor eu ir…

—Ok, Luck! Obrigado! -Agradeci estendendo a mão e ele apertou.

Luck saiu e a maioria das pessoas da escola já haviam feito o mesmo. Eu continuava sentado no mesmo lugar, sozinho, com a mochila e o uniforme e o mesmo sentimento de ter estragado tudo.

Eu estava basicamente brincando de marionete com as pessoas. Pedindo e fazendo com que elas estivessem fazendo para mim tudo o que eu queria. Vinícius havia entrado no meu jogo e Yuri também acabou sendo meu fantoche, mas o principal afetado por essa prática havia sido João.

Eu não poderia negar que eu estava usando a boa vontade e o sentimento que ele tinha por mim, como arma para a minha artilharia em descobrir aquilo. Talvez ele fosse o que mais precisasse de um pedido de desculpas. Saquei o telefone e disquei o número original de João. Yuri já sabia de tudo, não tinha mais o que fingir e nem o que esconder.

—Alô? -O silêncio parecia esquisito. -Alô? -Ouvi um gemido vindo do outro lado, um gemido de dor.

—Has… É você?

—Sim… João, tá tudo bem?

—Ah…—Ele gemeu de novo. —Não… Vo-você… Pode vir aqui em casa?

—Nossa aconteceu algo sério?

A ligação não estava das melhores, mas dava para perceber que talvez ele tivesse sofrido um acidente de moto ou algo assim.

—Olha… Eu vou aí sim, ok? Me espera que eu chego daqui a uns minutos.

—Aham…

—Até já!

Suspirei e era melhor eu correr. Meu estômago estava me atormentando, mas ele poderia esperar. Aquilo não cheirava boa coisa e nossa… Eu odeio sentimentos ruins. A possibilidade de avisar a minha mãe apareceu na minha mente, mas a última coisa que eu precisaria era de mais uma pessoa preocupada.

Guardei o telefone na mochila e me encaminhei para a parada de ônibus. Até a casa de João iria demorar alguns bons minutos de trânsito e distância e eu usaria aquele tempo para pensar e principalmente analisar as coisas que Luck havia dito.

[...]

Depois de quase meia hora de trânsito, havia conseguido chegar a casa de João. Felizmente demorou pouco que o habitual, principalmente pelo fato do horário não ser de pico.

Cheguei até a entrada da casa do moreno e suspirei. Bem… Agora seria a minha segunda batalha do dia e eu não sei se estava preparado para aquela. Toquei a campainha e esperei… Alguns segundos depois e nada acontecia. Toquei novamente e continuava na mesma. Puxei o portão e pude perceber que ele estava destrancando. Bem… Aquilo não parecia nada bem, optei por entrar e não questionar muito.

—João? -Perguntei caminhando portão a dentro.

A sala parecia bem ok, me encaminhei até a cozinha que ficava ali ao lado.Tinha algumas coisas no chão e sangue… Ok, aquilo estava tenso demais.

—João? -Falei mais alto e continuava sem entender nada.

O quarto seria a próxima opção, mas… O medo do que encontrar lá martelava a minha cabeça. Bem, sendo bem positivo, João havia me ligado a pouco tempo e tudo deveria bem. Fui até o quarto e bati na porta. Consegui distinguir João gemendo e abri a porta preocupado.

—Minha nossa!

João estava sentado na cama, a roupa amassada e a cara completamente tomada de hematomas, o olho dele estava tomando de roxo e a bochecha inchada, talvez de algum soco, era possível ver que o supercílio dele estava ensanguentado, talvez tivesse acabado de coagular.

—O que aconteceu? Você foi assaltado? -Corri para ajudá-lo a levantar. O moreno se apoiou sobre meu corpo e gemeu ao ficar completamente de pé. -Minha nossa… Você precisa ir num hospital agora, você tá bem machucado!

—Argh… Calma. -Comentou com a voz baixa. -Hospital não… Me… Me le-leva no banheiro…

—Tá bem!

Ajudei o moreno a caminhar até o banheiro. Além dos roxos era possível perceber alguns filetes de sangue, especialmente nos braços, rosto. Ao entrarmos no banheiro, levei João até o vaso onde o sentei. O moreno seguia apenas como um boneco, tirei sua camisa puxando para cima e ele reclamou um pouco ao sentir dor. Suas costas estavam bem marcadas de roxo, talvez por alguma pancada. Eu ainda nem havia perguntando o que havia acontecido, mas melhor deixá-lo me dizer depois que ele se sentisse melhor. O moreno mesmo levou as mãos até o zíper e o botão da calça, abrindo-os.

Levantei João com a ajuda dele mesmo, é claro e logo desci a calça dele, imaginando que ele não conseguiria se abaixar. Levei o moreno até o box e ele se molhou com o chuveiro, gemendo pela temperatura da água que batia nos seus ferimentos. Fui até seu quarto e abri o guarda-roupas. Talvez encontrasse alguma toalha por ali e encontrei. Voltei ao banheiro e entreguei a mesma para o moreno que prontamente recebeu. João tirou sua própria cueca ainda com a toalha no corpo e se encaminhou para o quarto. O segui para o ajudar e evitando que ele caísse e se machucasse mais.

—Has… -O olhei. -Você pode pegar uma cueca e um moletom nas gavetas ali?

—Claro. -Fiz o que ele me pediu e logo o entreguei, João se vestiu ali mesmo na minha frente, porém aquilo não havia sido nada demais.

Talvez a preocupação e o seu estado tirassem qualquer situação esquisita que aquele ato poderia causar em algum momento diferente. O moreno deitou-se na cama novamente e fechou os olhos. Ele parecia exausto e eu nem sabia se ele havia comido algo. Minha barriga reclamava, porém eu estava tão preocupado que aquilo poderia esperar.

—Ei… Eu tenho um comprimido para dor, você quer? -Abri minha bolsa sem que ele pudesse falar nada e fui procurando pelos bolsos a pequena cartela de comprimidos que minha mãe existia que eu levasse para a escola.

Fui até a cozinha rapidamente. Aquilo estava uma bagunça, porém consegui ver na geladeira uma garrafa com suco e fiz um sanduíche rápido de alguns pães que estavam sobre a mesa. Voltei ao quarto e o moreno se encontrava na mesma posição.

—João… -O chamei, e ele me olhou, abrindo os olhos. -Toma. -Coloquei a pílula na sua boca e logo lhe entreguei um copo com água e ele tomou. -Fiz esse sanduíche e trouxe suco também.

—Aham… -Gemeu baixinho. -Coloca no criado-mudo… -Fiz o que ele pediu e sentei-me ali perto.

—Me fala… O que houve?

João fechou os olhos novamente… Será que ele estava evitando falar aquilo? E logo abriu novamente, direcionando para mim. Era possível ver mágoa no seu olhar e no fim… Eu já sabia o que havia ocorrido. Yuri…

—Você… Quebrou nosso combinado…

—Olha, eu sei que parece estranho, eu sei que eu combinei contigo que não ia dizer nada, mas hoje tá sendo um dia de cão pra mim, o Yuri veio todo vitorioso passar coisas na minha cara e eu acabei soltando tudo de forma bem agressiva, foi a única vez na vida que eu vi ele recuar…

—Has…

—João… Me desculpa, eu errei muito, mas o Yuri…

—Has…

—Eu só não queria que ele ficasse sempre numa postura vencedora sobre mim, eu não preciso que ele seja o perfeito…

—Has… Me deixa falar!

Me calei depois da frase do maior. Mesmo fraco ele queria falar e talvez eu estivesse precisando ouvir.

—Você… Ter quebrado nosso combinado… Isso não deveria ser feito, ok? -Confirmei. -Nós somos amigos, certo? Amigos não… Amigos não fazem isso uns com os outros. Nós… Tínhamos acertado que você já tinha descoberto tudo e que agora as coisas iriam morrer nisso, mas você disse tudo pra Yuri e ele veio aqui, tirar satisfação…

—Foi o Yuri que fez isso com você? -Interrompi, enquanto o moreno respirava cansado. -Nós não deveríamos estar discutindo isso agora, você tem que descansar…

—Não, não foi o Yuri… Foi o tal Bruno… E sim, nós deveríamos estar discutindo isso agora! Eu confiei na sua palavra…

—Me deixa explicar, por favor…

—Has… -Respirou outra vez. -Não tem muito o que explicar, não é? Você errou comigo e bem… O que você fez resultou nisso que você está vendo, mas esse nem é o maior problema.

—Eu sei que você tá puto comigo e tem razão tá! -Levantei e me aproximei do moreno, segurando sua mão. -Mas eu não fiz por mal! Eu não fui meticulosamente atrás do Yuri para dizer tudo o que eu queria e sair feliz com isso, por eu sabia que isso iria te afetar, tá bem? É só… Aquele garoto me irrita!

—Mas você deveria ter analisado as consequências, não? Você esqueceu que eu e o Yuri estávamos começando a namorar.

—Mas… Era brincadeira, não era? -João baixou a cabeça, demonstrando que realmente não era brincadeira. -Espera… Mas você tinha me dito que se eu quisesse ficar com você, você acabaria com ele… Eu entendi como se você estivesse apenas brincando com ele, você não estava?

—Não é tão simples assim…

—Como não é? Pareceu bem simples no Shopping!

—Olha… Eu gosto de você, o problema está que eu também gosto do Yuri.

—O quê? -Aquilo não podia ser real.

—Eu me envolvi com ele e bem, as coisas foram acontecendo… Ninguém poderia evitar que alguma coisa como essas acontecesse?

Era verdade, ninguém poderia evitar. Porém não deixava de ser uma revelação chocante. Então um novo casal poderia estar se formando na minha frente. Poderia, mas pouco provavelmente iria se formar de verdade. João continuava deitado na cama, bem menos acabado do que há alguns minutos atrás. Ele fingir se envolver com o Yuri era algo completamente pensando, agora ele realmente se envolver não estava dentro do que eu achava que iria acontecer.

Mas eu devia ter imaginado. João não tinha os sentimentos de nojo e raiva para Yuri, como eu tenho e como várias outras pessoas tem, ele conhecer um Yuri, talvez até um melhor Yuri era possível e nesse aspecto eu não estava acreditando.

—O ponto principal está… -Ele continuou. -Você fez algo que combinamos não fazer e isso não se faz…

—Justo! É realmente justo. É admissível que eu recaia com toda a culpa de algo que nós dois fizemos.

—Você não está entendendo…

—Você que não está vendo, que tudo isso que aconteceu, iria acontecer mais cedo ou mais tarde. Ele não é alguém que é facilmente contrariado. Você sempre soube disso, eu deixei tudo bem claro. Eu posso ter dito culpa em ter dito para ele, porém a reação dele seria algo igual, tanto faz se fosse hoje ou amanhã ou daqui a um ano!

—Pouco importa a reação, Has! O que importa é o que você fez… Você traiu a minha confiança, ao fazer algo que você me disse que não iria fazer…

—EU SOU HUMANO, TÁ BEM!

—E EU TAMBÉM!

Silêncio.

Estávamos nós dois ali, juntos e parados, sem olhar um para o outro. Já devia estar perto de uma da tarde, meu estômago estava borbulhando de sentimentos ruins e fome. Não sabia se João estava da mesma forma. Aquele era o pior sentimento do mundo. Desapontar alguém com que você contou tanto. João foi solícito comigo desde o primeiro dia que lhe conheci no clube. E a única coisa que eu fiz foi me aproveitar da boa vontade dele e dos sentimentos bons que ele tinha por mim. Como uma sanguesuga se aproveita do hospedeiro e porra, eu odiava ter que estar sendo a pior versão de mim para fazer algo justo. Ser a pior versão de nós mesmos.

Quem nunca chegou nesse estágio não é mesmo? Onde tudo parece desandar, onde você apresenta aquilo de pior que sempre esteve contigo ou quando uma situação acaba por parecer tão extrema e você tem que ser isso.

—Acho… Acho que chega pra mim!

—Como assim? Chega pra você?

—Has. -Suspirou. -Acho que a gente não pode mais ser amigo. Você está, aliás, sempre esteve em outra. Eu estava na sua, mas sinceramente não sei mais se eu estou na sua ou não. Acho que eu não estou mais e isso pode…

—Pode acabar com a nossa amizade? O fato de você não estar na minha?

—Não. O fato de você ter contado pro Yuri isso tudo que nós fizemos, faz com que a nossa amizade seja insustentável. Eu não...

—Você não acha que pode passar por cima disso. Não acha que tudo que a gente viveu como amigos não vale a pena.

—O que nós vivemos como amigos? Quais as coisas únicas que nós fizemos um com o outro? Has… Eu não quero viver numa grande cama de mentiras.

—Olha… -Aquilo estava mais tenso que eu gostaria.

Eu estava me sentindo mal, as lágrimas já estavam quase descendo e eu sabia que por mais que eu quisesse fazer tudo correto, eu iria estragar as coisas, as pessoas são feitas para estragar tudo. Respirei tentando engolir o choro iminente, eu não deveria chorar. Suspirei e engoli.

—Não deve ter nada que eu possa fazer para que você mude de ideia, certo? -Antes que ele pudesse responder, continuei. -Eu não vou vilanizar você e nem me fazer de vítima nessa história toda. Agora… -Levantei-me e me encaminhei para a saída. -Eu nunca vou esquecer o melhor cachorro-quente do lado leste da cidade…

E saí de lá… Ele não iria me ver chorar. Ele sabia do que eu estava falando, era óbvio. Talvez fosse até melhor assim. João longe de mim e eu longe de João. A vida sempre fazia essas maldades conosco e nós dois juntos, sofreríamos muitas dessas maldades. Aquele sim, era o pior sentimento do mundo. O sentimento de perder alguém. João é importante pra mim, e não só pelas coisas que ele pode fazer por mim, mas pelas boas coisas que vivemos nisso tudo. Que por favez podem ser minimizadas pelas ações dele em relação a Yuri, mas no fim, sempre fomos cúmplices um do outro e agora… Talvez nunca mais fossemos. Ao chegar na sala, eu não sabia o que fazer. Se eu fosse para a parada de ônibus sozinho, mais alguma merda poderia acontecer. Afinal, aquela zona da cidade, eu não conhecia e poderia ser uma presa fácil de um assalto. Saquei meu celular e resolvi chamar um táxi, logo talvez eu pudesse chegar em casa e… Eu não iria pensar mais nessa briga atual.

O táxi chegou com dez minutos. Ao sair me certifiquei de que o portão de João estaria trancado. Ele estava muito debilitado para sair e seria melhor evitar que alguém entrasse. Ao entrar no carro, avisei ao motorista onde iria. O senhor de meia idade me sorriu e perguntou se eu estava bem. Talvez por ver minhas lágrimas nos olhos e minha expressão de calamidade, confirmei que sim e perguntei se poderíamos ir.

O caminho mostrava como João e eu morávamos em zonas diferentes da cidade. A maioria das casas de onde ele morava eram coladas umas nas outras, muito pequenas e quase não tinham calçadas. As ruas eram bem esburacadas e a única lagoa da região estava tomada por mal cheiro e lixo. Poucas casas eram um pouco melhores, como a de João.

A conversa ainda zanzava pela minha cabeça e eu queria mesmo era ter paz e não mais problemas. O motorista do carro não parecia querer conversar e talvez pela primeira vez eu gostaria de um taxista que fosse sociável. Voltar ao passado não é uma coisa real na humanidade, mas bem que poderia ser… Quem não iria querer voltar em algum ponto da sua vida e mudar tudo aquilo. O vira-tempo da Hermione só deve existir nos livros do Harry Potter mesmo.

Ao me aproximar de casa, era perceptível a diferença. As casas eram maiores, nenhuma era colada na casa vizinha e existiam alguns prédios altos, as ruas eram mais largas e a lagoa que existia era bem preservada e rodeada por uma grande praça. Talvez aquela diferença não significasse nada, apenas que nós não tínhamos tido a mesma sorte, ou significasse, o caso era que não importava.

Ao chegar em casa, paguei o taxista e agradeci a viagem. A primeira coisa que eu percebi foi os carros estacionados na garagem. Mamãe e Paulo já estavam em casa? Quando um dia era ruim, ele deveria vir ruim certeza.

Entrei em casa e nenhum dos dois estavam na sala.

—Mãe?

—Filho! -Minha mãe veio correndo da cozinha e me deu um abraço forte. -Onde você estava? Achei que estava em casa essa hora? Porque demorou, fiquei preocupada!

—Calma, mãe… Tá tudo bem! Eu só passei no shopping e fiquei lendo um livro numa livraria, quando vi já era quase duas da tarde, peguei um táxi e vim para casa. Por que vocês estão em casa tão cedo? -Caminhei até a cozinha e vi Paulo. O homem loiro e alto estava quase deitado sobre a mesa de jantar, chorando copiosamente e aquele choro… Não era um choro de boas notícias. -Mãe…

—Has.

—O que houve? -A olhei com os olhos lacrimejando.

Será que havia acontecido algo com Jonathan? O loiro estava alguns dias sem falar com o pai e Paulo havia reclamado disso num dos nossos cafés da manhã. Ele poderia ter sofrido um acidente, talvez? Será?

—Amor. -Minha mãe me abraçou. -A mãe de Paulo morreu.

Virei rapidamente para Paulo que continuava a chorar. Parecia que ele não estava esperando aquela notícia, mas pra mim não era algo que chegasse a machucar. Claro que ver Paulo mal daquele jeito, era algo que afetava, mas algo estava na minha cabeça.

Alguém.

Jonathan iria voltar!

Notas finais
E aí, curtiram? O que acharam do Has nesse capítulo? Parece que as coisas que a gente faz, trás outras coisas pra gente né? Ele e João desataram hein, será que tem volta? O que esperar dos nossos casais agora. Só Luck e Mid continuam juntos e eles tem pouquíssima visibilidade na fic, porque eu não quero meter mais um casal e ficar muitos casais. Já tá me bastando os que tem! kkk E finalmente alguém vai voltar, hein? Hm... Quais seus pensamentos sobre a volta do nosso loiro? Espero que vocês tenham gostado e comentem, please! — COMENTEM E RECOMENDEM