I Hate You Too!

61 LXI - Ameaças


Notas iniciais
Demorei um cadim, mas tá aqui o capitulozim... kkk — Obrigado a Kit Kat e Mey Torres... Vocês são ótimas por ainda insistirem em mim! kkk — Hoje inclusive eu estava bem saudosista e dei uma lida nos primeiros comentários da fic. Lá dos primeiros 5 capítulos e minha nossa! Fazem 6 anos já, MUITO TEMPO! — COMENTEM E RECOMENDEM!

(POV: Yuri)

Depois do feriado maravilhoso de Carnaval, lá estava eu novamente na empresa. Era quase o final de tarde já. Hoje à noite o professor tinha cancelado a aula de Introdução à Economia e eu não havia avisado meu pai, afinal ele iria querer que eu ficasse ali até umas dezenove horas com certeza. Meu pai era a pessoa mais fanática por trabalho. Por ele eu seria igual.

Estava parado na cadeira batendo a caneta na mesa enquanto esperava dar minimamente o horário para ir até a sala dele e dizer que iria para a Universidade. Quando na verdade, eu queria chegar lá e dizer, obrigado por me manter nessa empresa por seis horas sem fazer absolutamente quase nada, a não ser, ler papéis esdrúxulos que você pode pedir pra qualquer estagiário fazer.

Pelo menos, eu iria a casa do João, ele havia tido uma sessão de fotos num estúdio e disse que tinha ganhado alguns presentes dos designers. Aquilo me incomodava um pouco no começo, parecia que eles sempre estavam tentando tomar o meu namorado com presentes, mas depois descobri que era algo do meio e que os designers gostavam que os modelos andassem com suas roupas para que assim pudessem ser fotografados quase como se apenas usassem coisas de uma marca específica.

Saquei o celular para matar o tempo e vi que Bruno havia mandando uma mensagem. Ok, aquilo certeza iria me estressar, mas eu tinha que tá preparado para isso, afinal… Era Bruno e se aquele encosto tava no meu pé, foi porque eu deixei ele ficar…

“Oi, Yurizinho…”

“Oi, o que tu quer?”

“Temos negócios a tratar, não?”

“Não que eu me lembre… Achei que já tinha deixado claro que queria você longe da minha vida.”

Era óbvio que seria daquele jeito.

“Como tá seu namorado? Já deve tá pronto pra outra surra, não?”

Ok. Bruno estava pedindo.

“Vai ser a base de ameaça agora?”

“Você sabe que eu consigo mais do que só bater nele, né?”

Na real eu sabia.

Bruno era sem medo pra tudo. Tanto que topou todo tipo de sujeira que eu já sugeri para ele. Era óbvio que ele não deveria estar brincando. Bruno não era de brincar e talvez fosse esse o motivo que tenha feito eu me dar tão bem com ele.

“Que negócio temos a tratar?”

“Hoje, aqui em casa a noite. Pode vir…”

“Eu não posso…”

Antes de Bruno responder ele mandou uma foto. Era de um revólver, bem enferrujado com muita cara de real, aqui não era bom. Eu sempre soube que ele estava traficando droga na Universidade e que isso era um facilitador para que ele tivesse esse tipo de coisa. Eu tinha certas dúvidas se Bruno conseguiria chegar a esse nível. Se aquilo vazasse com certeza ele seria preso e isso ia estragar muitas coisas da vida dele, que querendo ou não ainda era bem confortável. Afinal ele morava num apartamento meu, fazia faculdade e pagava com o dinheiro das drogas e da prostituição, que eram coisas que ele gostava muito de fazer.

Meus planos de hoje à noite estavam indo por água abaixo.

“Vai vir?”

“Vou!”

“Bom garoto.”

Bati na mesa.

Maldito!

Eu deveria ter sido mais cuidadoso. Olhei e vi que já era a hora de sair. Peguei minha bolsa e saí da sala. Pensei em passar na sala do meu pai, mas com a raiva que já estava instalada em mim, aquilo só seria um potencializador da raiva e não me faria bem de nenhuma forma. Peguei o elevador e ao chegar lá embaixo peguei meu telefone e liguei para João.

E tinha que pensar logo na desculpa, afinal ele sabia que eu não teria aula.

—Oi… Oi, amor. -Respirei. -Tá sim, eu tô saindo do trabalho… Deixa eu te falar… É… Sim, hoje é aniversário da irmã da minha mãe… Sim… Vai ter aqueles jantares chatos, sabe?... Isso… É, eu esqueci… Desculpa, baby… -João se calou e logo disse que tava tudo bem. Na real, eu sabia que ele estava chateado, afinal eu também ficaria. -Eu te amo…

Eu deveria estar mentindo pro meu namorado? Óbvio que não, mas não acho que ele aceitaria tão bem o fato de que Bruno estava me chamando para ir dar uma visitinha na casa dele. Poderia ser meio doido, ir sozinho na casa de um cara armado e sem avisar para ninguém que você está indo, não? Eu sabia que sim, mas Bruno jamais faria alguma coisa comigo, ele sabia que a probabilidade dele se safar era quase nenhuma. Meu pai iria até o inferno, pagaria propina a polícia e mesmo que Bruno fizesse o crime perfeito ainda sim, meu pai conseguiria descobrir a realidade. Dinheiro consegue descobrir qualquer coisa.

Antes de ir direto para o apartamento dele, eu preferi passar na Universidade. Aquilo me daria um certo álibi com o meu pai e também seria um último lugar que eu fui visto publicamente quase as coisas se aquecem demais. A quem eu tava querendo enganar não é mesmo? Eu estava me borrando de medo. Meu pai era endinheirado, mas Bruno era um lunático. Fora que ele sabia que se me perdesse ia perder muito da boa vida que ele possui e ele não vai querer isso jamais.

Estacionei o carro em frente a biblioteca principal da Universidade. Iria entrar e pegar dois livros. Aquilo indicaria que eu fui na Universidade no sistema e poderia facilitar um pouco as buscas. Desci com as mãos tremendo e caminhei para dentro do grande bloco. Já estava no começo da noite, o movimento de carros ali era até grande. Muitos alunos indo embora em seus próprios carros. Segui pela entrada da biblioteca e logo já estava na divisão interna, buscando a área de administração financeira e direito administrativo, busquei dois títulos interessantes e logo passei no caixa principal onde a bibliotecária iria fazer o recibo de empréstimo.

—Boa noite, querido. A devolução é dada daqui há um mês, certo? Caso queira pode fazer o pedido de renovação online no sistema integrado. -Ela sorriu e me entregou os livros e eu os peguei com as mãos tremendo.

Saí da biblioteca enfiando os livros dentro da minha bolsa e voltando para meu carro. Sentei no lugar do motorista, colocando a bolsa no banco ao lado e respirei.

Eu estava muito assustado. Bruno iria realmente fazer algo comigo? Talvez não, mas com o João ele não seria tão complacente. Eu estava com medo por nós dois... Se Bruno já estivesse com tudo arquitetado e o plano consistisse em matar João na minha frente? Eu não iria saber como reverter a isso.

Bati com força no volante e logo respirei fundo. Se eu ia fazer isso era melhor eu fazer logo. Era loucura, sim era. Mas era por amor. Liguei e motor e segui o caminho até a parte dos prédios altos, mais próximo do Centro da cidade, onde Bruno morava no meu apartamento.

Aquilo era uma droga enorme. Como eu estava sendo manipulado pelo monstro que eu mesmo criei? Era quase como se fosse um castigo pelas falcatruas que fiz Bruno fazer por mim. Pensei nas coisas ruins que ele já havia feito para vários colegas da antiga escola, Jonathan principalmente. Se carma existe com certeza ele veio com vontade pra cima de mim. Agora ele estava ali, brincando comigo e fazendo tudo que eu fiz com outros. Chantagens... Ameaças e só conseguia sentir uma agonia enorme e uma impotência filha da puta.

Bati de novo no volante e logo o barulho alto da buzina tocou fazendo o motorista da frente quase frear o carro no susto. Ok, eu estava irritado demais e a última coisa que eu estava precisando agora era de um acidente. Respirei fundo e liguei o rádio em qualquer estação só para tentar fazer alguma música infiltrar na minha mente e não me deixar permanecer com esses pensamentos péssimos. Logo depois de quase duas músicas eu cheguei no edifício e fui entrando e estacionando. Eu possuía livre circulação no prédio, afinal o apartamento estava no meu nome. Desci no subsolo e logo fui colocando os óculos escuros, mesmo já sendo noite. A última coisa que queria era olhares e perguntas e minha expressão de pouquíssimos amigos aliado aos óculos escuros era a perfeita combinação para isso.

Fui ao elevador e apertei o botão do décimo andar e logo ele começou a subir. Felizmente fiz todo o trajeto sozinho, o que me deu certa paz. Ao entrar no corredor me deparei com as 2 portas dos apartamentos daquele andar. Logo toquei a campainha e ele abriu a porta sorrindo.

—Óculos escuros... -Comentou, eu sabia que ele implicaria. -Está bonito.

Fui entrando sem falar nada. Eu sabia que ele iria forçar a intimidade apenas pra me irritar. Bruno era a pessoa mais previsível do mundo. Ele estava com uma bermuda leve e percebi pela forma como ele estava andando que usava apenas ela, o peito estava nu e ele estava com o celular na mão.

—Vai falar algo?

—Você que me chamou aqui. Imagino que seja você que tenha algo a dizer.

—Arrisco. -Se aproximou e eu fui dando passos pra trás. -O motoqueiro tá comendo direito? -Tirei os óculos e o olhei nos olhos.

—Melhor do que você já fez... -Ele sorriu.

—Imaginei... -Ele colocou a mão atrás e sacou a arma.

Respirei fundo. Ok, aquela era a primeira vez que eu via uma arma na minha frente. Ela não era tão grande quanto eu pensava e estava realmente bem enferrujada, devia ser bem velha também. Estendi as mãos para cima em sinal de rendição. A última coisa que eu queria era que ele sentisse que eu reagiria.

—Bonita, né? -Seguiu me olhando. -Felizmente ela já tem um alvo específico e jamais seria você, meu loirinho. -Bruno se aproximou e eu permaneci estático.

O que eu poderia fazer? Dar um piti por ele estar a três passos de mim e eu tomar um tiro de supetão? Não né? Bruno já estava colado com o corpo no meu. O seu peito batia quase no meu ombro, ele era bem maior que eu.

—Eu estava com saudades desse corpinho. -Ele me abraçou passando os braços para trás de mim e eu fiquei sem encarar aquele objeto enferrujado. -Fica comigo, loirinho...

—Não, Bruno!

Logo senti seus braços saírem das minhas costas e ele me empurrou com força, fazendo com que eu caísse no chão e apontou a arma pra mim. Minha cabeça só conseguiu pensar na Nicole e em João. Depois do meu pai e na minha mãe... Levantei uma das mãos e coloquei na frente e fechei os olhos. Eu só queria sair dali... O medo estava começando a me tomar, na minha cabeça só rolavam dois pensamentos. Um que ele iria me matar ali mesmo e dar um jeito no meu corpo, lidar com a prisão e seria o fim das nossas duas vidas o outro que eu tinha que reagir, se não fisicamente, psicologicamente... E era nisso que eu era bom, em jogar jogos mentais.

—Vai me deixar no chão assim? -E logo um estalo deu na mente dele e ele se abaixou colocando uma das mãos para me ajudar.

Eu sabia que Bruno sentia algo por mim, algo forte, talvez uma gratidão eterna por eu ter tirado ele da vida de merda dele ou um amor meio deturpado pelo nosso rolo amoroso. No fundo por certo tempo nós dois fomos a salvação um do outro. Eu da minha eterna carência por ter zero atenção dos meus pais e ser apenas tratado como uma pessoa que só precisa de uma boa alimentação, boas roupas e boas escolas e ele da família completamente desestruturada e também sem carinho, onde o fato dele ser inteligente e estudioso não valia de nada pelo simples fato de que isso não coloca dinheiro na mesa, pelo menos não a curto prazo.

—Porque você tá fazendo isso, hein? Onde tu conseguiu essa arma?

—Comprei com o dinheiro dos programas.

Essa era a realidade, por mais que eu tivesse basicamente dado o apartamento para ele, eu raramente pagava alguma conta, exceto a taxa do condomínio, o que meu pai quase não notava que saia do bolso dele. Bruno se sustentava com o dinheiro de um estágio que fazia num órgão governamental da cidade e com os programas que ele fazia noite a fora nos sites de relacionamentos.

—Bruno... -Falei me aproximando e ele estava com a arma abaixada e permaneceu. -Tu não acha isso louco? Já pensou... -Levei a mão até a mão que ele segurava a arma e pude sentir o frio do metal em contato com meus dedos. -Guarda isso... -Sussurrei na orelha dele e percebi que ele se arrepiou. -O que você quer fazer comigo, hum?

E ele soltou a arma em cima da mesa que tinha ali perto e segurou meus dois braços com as mãos, levantando e me fazendo bater com as coisas na parede mais próxima, ficando com os lábios bem próximo dos meus.

Certo, os jogos mentais estavam acontecendo, mas aquilo poderia ir longe demais, mais longe do que eu queria ir.

—Você sabe que eu te adoro, não sabe? -Ele falou enfiando a cara no meu pescoço e eu virei o rosto. -Teu corpo… -Bruno segurou meus pulsos com uma só mão e desceu a outra passando pelo meu peito e indo até a minha cintura. -Você é muito gostoso, Yuri…

Ele mordiscou o meu pescoço e eu acabei tentando me desvincular daquele contato. Aquela mordida ia ser um problema depois.

—Bruno… -Joguei charme. -Isso é errado… Eu tenho namorado!

Eu sabia que aquilo iria deixar ele louco. Bruno amava coisas proibidas, desde quando nos conhecemos. Rapidamente o negro me virou com força e fez eu encostar meu rosto contra a parede e colocou seu corpo atrás de mim, me deixando quase imobilizado.

—E isso não me impede de te fuder gostoso…

Bruno pegou a mão e foi até o meu jeans, fazendo com que ele fosse desabotoado com rapidez e logo puxou ele pra baixo, me deixando apenas de cueca e dando um tapa na minha bunda.

Eu sabia que aquilo era errado nas mais variadas formas. Era errado comigo. Errado com Bruno e principalmente errado com João. Porém, eu sabia que certas coisas tem de ser feitas para que você alcance seus objetivos e eu não ia deixar Bruno estragar a minha vida ou meu namoro. Mesmo que eu tivesse que fazer esse tipo de coisa.

—Vamo fuder aqui mesmo? -O estudante de direito me perguntou roçando a sua bermuda contra a minha cueca. Eu já podia sentir a sua ereção. -Yuri… Tu me deixa louco…

E aquilo estava me deixando enojado. Se eu tinha que fazer aquilo, era melhor que eu começasse logo para que terminasse tão rápido quanto começou. Peguei com a mão direita a cintura da bermuda do negro e puxei caminhando para o sofá. Nada de cama, nada de conforto. Quanto mais desconfortável mais rápido acabaria e pronto.

Sexo faria Bruno pensar duas vezes antes de fazer qualquer coisa contra mim e contra João e também me daria tempo o suficiente pra ser criativo o bastante para me livrar dele. Joguei Bruno no sofá e sentei sobre ele. Ele tentou invadir a minha boca mais eu virei o rosto. Ok, eu sabia que ele iria reclamar do não beijo, mas eu não iria fazer isso. Mesmo que ao fechar os olhos o único ser vivo que eu pensaria seria em João.

Na realidade, o ideal era que eu não ficasse pensando em João nessa história toda, porque aquilo só iria me fazer perder esse momento de insanidade e desistisse de continuar com aquela loucura.

—Hoje quem vai mandar sou eu! -Falei empurrando o corpo dele contra o sofá e fazendo suas mãos saírem do meu corpo. -Depois disso você vai deixar de me azucrinar…

—Uhum… -Concordou meio extasiado.

Eu não estava acreditando nisso.

Bruno só estava falando aquilo para fazer o negócio caminhar mais rápido.

Baixei meu rosto e comecei a beijar o pescoço de Bruno que permanecia parado e gemendo com meus toques. Fechei os olhos. Fazer aquilo de olhos fechados seria minimamente mais fácil.

—Yuri…

—Shh! -Falei alto enquanto estava quase no seu umbigo.

Será que eu teria coragem de fazer aquilo?

—Loiro… -Ele falou colocando as duas mãos sobre a minha cabeça e eu levantei o mais rápido que eu pude.

Sinceramente, aquilo era loucura.

Bruno me olhou com raiva.

Ele estava longe da arma, mas ainda assim poderia fazer alguma coisa. O que eu faria? Aquela era uma das poucas vezes que eu me sentia tão impotente… Logo eu, a pessoa que sempre brincou de Deus e que montou todos os cenários possíveis para conseguir tudo que queria.

—Vai desistir? -Ele perguntou e logo olhou para a arma que estava ali perto, mas não o suficiente para que ele a pegasse.

E se eu fosse lá? Corresse e pegasse aquilo? Fugisse e fizesse com que Bruno nunca mais visse?

Aquilo era ridículo demais. Bruno iria se irritar ainda mais e faria a merda maior ainda. Eu estava preso. Eu não poderia fugir do que eu mesmo comecei. Era hora de ser homem, Yuri Grambell. Lidar com as merdas que você mesmo criou ao transformar o Bruno nesse monstro que você sempre desejou controlar.

Era fora pensar que agora a criatura estava comandando o criador. Comandando principalmente pelo fato do criador estar apaixonado e da criatura estar armada.

Bruno levantou e eu já imaginava o que ele iria fazer. Peguei no seu pulso e novamente fiquei de frente a ele.

—O quê?

—Nós não vamos continuar não? -Falei e ele me encarou sério demais.

—Você acha que eu sou algum idiota?

Achava…

Me aproximei dele e eu sabia que eu só poderia fazer uma coisa para fazer ele continuar naquilo. Coloquei minhas mãos sobre o seus ombros largos e puxei contra meu corpo com força.

—Eu quero você… E quero forte!

Bruno me pegou pela cintura e me jogou de novo contra o sofá. Eu caí meio de quatro e meio deitado em cima do móvel e logo ele estava atrás de mim e puxando a sua roupa pra baixo.

E eu sabia que ia me arrepender de ter falado isso...

Notas finais
Eitan... — Espero que tenham gostado e vamos ver agora o que vai acontecer daqui pra frente, né? Estamos nos encaminhando para a reta final da fic. FINALLY! — Próximo capítulo voltamos a programação normal e seguimos na vida do Hassanzito! — COMENTEM E RECOMENDEM!