Notas iniciais
Oi... — Eu demorei horrores, mas lá embaixo eu vou explicar direito o que houve. — Obrigadão aos três comentários. Rike,Patty e Zephtx, vocês são incríveis demais, beijos. — COMENTEM E RECOMENDEM.

Chovia forte naquela tarde. Eu havia acabado de sair da maldita prova de Biologia Celular e por mais que eu soubesse que eu havia ido bem, eu ainda estava receoso. Eu estava percebendo que aquela era a minha primeira prova na Universidade, talvez aquele medo de um lugar novo fosse o que tivesse me atormentando tanto durante os últimos dias.

A maioria dos estudantes de Medicina de semestres diferentes se encontravam dentro do prédio didático naquele intervalo, por causa da chuva ninguém iria sair daquele bloco. Eu esperei pouco tempo até Felipe e Isa saíram, a menina estava bem confiante e Felipe sempre muito calado pouco comentou sobre a prova. A maioria das pessoas da minha turma estavam todas juntas numa rodinha rindo e conversando sobre a prova recente.

—Caralho, eu achei que estaria bem mais difícil. -Falou algum garoto super inteligente que eu não havia me importado de manter o menor contato. Algumas pessoas quiseram comentar algo, mas a maioria apenas quis evitar conflitos e concordaram.

A prova na real nem tinha sido difícil, a apreensão e o medo é que tinham sido a parte mais puxada daquela prova.

—A próxima é de Aparelho Locomotor, né? -Outro garoto perguntou.

—A de Aparelho vai ser foda… -Mais um comentário.

Saquei meu celular e antes que começasse a me debruçar sobre o mundo virtual, Isa chegou e se jogou no banco que eu estava, tirando minha visão do aparelho e me fazendo olhar para ela.

—Nossa… Ainda bem que o Felipe existe! Finalmente consegui entender alguma coisa de Biologia Celular. -Comentou e me abraçou de lado. -Você tá bem calado, aconteceu algo?

Sabe presságio? Às vezes parece que a gente sente que coisas ruins estão para vir e é como se seu corpo meio que sentisse toda a coisa ruim que iria surgir antes e meio que já se preparasse para aquilo e eu poderia dizer que aquela chuva de verão, forte e cheia de ventania, num dia de prova, não era uma coisa boa.

—Sei lá… O dia tá estranho, não?

—Diz isso, por causa da chuva? -Isa perguntou cruzando as pernas e me olhando atenta.

—Nem sei…

—Vai ver é só um sentimento pós prova, apesar de que eu acho que você deve ter ido super bem.

—Concordo. -Felipe sentou ao lado dela e se inclinou para frente, para me olhar. -Você deveria se preocupar menos.

Sorri em resposta. Era ótimo saber que existia pessoas com quem eu poderia contar. Aqueles dois haviam sido as melhores aquisições do meu ano, muito embora ele ainda estivesse começando.

—E pensar que vamos ter que ficar por aqui até essa chuva diminuir.

O que parecia que não aconteceria tão cedo. Já era quase cinco da tarde e o céu estava no mais perfeito nublado, com a chuva caindo nos vidros da porta do bloco didático de Medicina. O pior não era nem tanto a chuvarada, era o calor que começava a fazer ali dentro. Estávamos no verão, então não deveria estar fazendo menos de 27 graus lá fora e olha que já estava bem tarde para ser tão quente.

Uma tarde chuvosa como essa poderia trazer notícias boas? A minha cabeça já estava falando que não, sentimentos negativos… Aquilo era uma desgraça.

—Bem que a gente podia ir comprar um café, não? -Isa falou já ficando de pé. -Vamo, Has? Fêh?

—Tô de boa…

—Bem, eu vou. -Felipe levantou e caminhou junto com Isa para a cantina.

Fiquei sozinho novamente e logo comecei a mexer no meu celular. Bom seria se essa chuva diminuísse ou até parasse, eu poderia ir pra casa, tomar um banho e descansar depois dessa prova maldita. Caraca, eu tava muito negativo. Isso certeza deveria trazer mais negatividade pra mim.

Cruzei a perna e entrei no Instagram. Não era lá minha rede social favorita, mas às vezes tinham umas boas fotos de coisas legais que eu curtia. Enquanto eu me perdia nas fotos daquele mundinho virtual, percebi que alguém sentou do meu lado, mas nem olhei quem poderia ser. Deveria ser Isa ou Felipe que tinham comprado café ou desistido de vez. Levantei meu olhar e percebi Iasmin. A morena de cabelos cacheados estavam com eles presos, usava uma calça meio solta e bonita, era branca, uma sandália sem salto e que parecia confortável e uma camisa com uma estampa também bonita. Os cabelos estavam presos num rabo de cavalo bagunçado e algumas mechas caíam no rosto dela, logo ela colocou uma delas atrás da orelha. Lembrei que algumas semanas atrás, Felipe havia me dito que ela tinha parado ele e perguntado por mim, será que era isso? Deveria ser, porque outro motivo Iasmin sentaria do meu lado?

—Oi…

—Oi, Has… -Ela sorriu. -Como foi a prova de Biologia? -Puxando conversa fiada, o que será que essa garota quer?

—Tranquila, na verdade. -Informei meio indiferente. -Eu tava mais assustado do que deveria. -Fui sincero. -E você? Como vai?

—Eu tô indo bem… -Respondeu e deu um pigarro. Estávamos ali, lado a lado, conversando e isso era estranho pra mim.

Iasmin era uma garota regular da Medicina, família abastada, carro do ano, roupas caras, situações ridículas chamadas de problemas. Nós não tínhamos nada a ver entre si. A primeira semana de aula, onde os veteranos passam um bom tempo com os calouros, eu consegui perceber como ela e boa parte dos amigos dela, só conseguiam falar sobre viagens e futilidades e como era ótimo ter o status de futuro médico que eu só conseguia sentir asco. Saber que ela queria falar comigo era uma surpresa e uma grande curiosidade minha para saber o motivo.

—Felipe me falou que você estava me procurando… -Fui direto ao ponto, eu não iria enrolar isso, não com essa garota.

—Ahh sim… -Ela sorriu. -Queria o contato do seu meio-irmão… Como ele se chama mesmo?

—Jonathan? -Meu coração palpitou e ela sorriu de novo.

—Isso! -Falou empolgada. -Conheci ele muito rápido numa calourada e nós ficamos, mas não deu pra eu pegar o número dele.

—Pera… -Era isso mesmo que eu estava ouvindo? -Vocês ficaram numa calourada?

—Na calourada de Medicina…

—Dia 12? -Ela sorriu e confirmou.

Filho da mãe… Jonathan havia saído com os amigos e ficado com Iasmin no dia do aniversário, no dia que eu planejei passar um dia incrível com ele e era assim que ele me retribuia de uma forma bem suja e completamente às escondidas.

Abri meu caderno e rasguei um pedaço da última folha. Escrevi os nove números que correspondiam ao número do telefone de Jonathan e entreguei na mão de Iasmin, que apenas agradeceu e já saiu. Eu não estava apenas com raiva…

Eu estava decepcionado.

Era errado esperar grandes coisas de Jonathan… Era o maior erro que eu poderia cometer, mas como eu poderia explicar isso para os meus sentimentos? Como eu deixaria claro que Jonathan era algo que não deveria tomar tanto espaço.

Eu continuava parado, com o caderno no meu colo e olhando para nada, pensando naquele loiro de mais de um metro e oitenta, com cabelos bagunçados, olhos azuis e um sorriso perfeito… Se eu pudesse eu bateria nele… Para que? Quem merecia umas porradas era eu… Isso sim!

Era melhor eu ir pra casa… Lá eu conseguiria lidar com essa negatividade jogada por Iasmin… Aliás, que filha da putagem a minha, jogar na garota uma negatividade, que na verdade é apenas culpa exclusiva dos meus sentimentos e da filha da putagem de Jonathan.

Levantei e me encaminhei para a saída…

—Has… Tá chovendo…

Uma voz atrás de mim avisou, mas eu sinceramente não estava ligando muito. Caminhei no meio das calçadas que conectavam os blocos dos cursos de saúde. Eu só queria ir embora da Universidade mesmo. O céu ainda estava bem nublado, possivelmente choveria o restante do dia e no começo da noite sem parar… Um ótimo clima para ficar na fossa, não é mesmo?

Eu já estava encharcado, na real… Talvez até colocassem cara feia no ônibus, mas eu estava querendo explodir de tanta coisa ruim que rondava minha cabeça. Sinceramente, eu era patético… Jonathan havia me tornado num tremendo pateta que poderia ter a história tornada uma grande piada contada por todos os comediantes que almejam algum sucesso atualmente. O sentimento de impotência era o que me deixava revoltado. Saquei meu celular do bolso e ele começou a molhar com a chuva… Abri a conversa e eu poderia simplesmente explodir para ele agora, não era?

Abri a nossa conversa e a última mensagem era: “boa noite, beijo”. Mandado por mim, numa das poucas conversas que nós tivemos por aquele aplicativo. Eu poderia explodir agora e falar todos os sentimentos ruins que eu estava sentido, mas isso seria só ridículo pra mim. O simples fato de não termos nada concreto só em torna um idiota e ele um ser humano comum com vida sexual agitada.

Eu já estava começando a chorar, na real… A impotência era um sentimento horrível. Era quase como se eu quissesse gritar e não tivesse mais voz… Gritar talvez fosse a única coisa que eu poderia fazer com que eu parasse de me sentir impotente, mas de que isso ia me adiantar? No máximo iria me fazer ficar rouco e com dor… Bater em Jonathan era ineficaz, bater em mim mesmo era torpe. Eu parei num dos blocos já longe do bloco didático de Medicina, sentei-me num dos bancos daquele bloco e eu desabei…

Desabei como se não tivesse nunca chorado antes. Se eu pudesse sumir, eu sumiria… Me sentir assim era terrível. Era vergonhoso e eu não queria estar passando por isso, pelo menos não na Universidade.

—Ei… -Olhei e vi Felipe em pé, tão molhado quanto eu, perto da entrada desse bloco.

Ele deveria ter me seguido e agora estava me vendo ali pateticamente chorando. Os cabelos caiam nas costas dele completamente molhados e a camisa justa ao corpo dele de tão encharcada. Fui até ele e o abracei, ambos com as mochilas nas costas e completamente molhados. Meus braços se fecharam no pescoço de Felipe e eu senti seus cabelos completamente molhados. Eu já não tinha mais nenhuma vergonha, estava chorando ali no abraço dele.

—O que foi? Isa te viu saindo no meio da chuva e eu te segui e te encontrei assim… Alguma notícia ruim, tá tudo bem contigo? Tá se sentindo bem?

—Hm… Eu só… Quero ir pra… Casa… -Minha respiração estava completamente entrecortada e eu continuava soluçando de tanta lágrimas.

—Vamos então…

Felipe se encaminhou comigo pela chuva e fomos juntos até a parte de fora do campus, onde poderíamos pegar algum ônibus até a minha casa. O clima já era parecido com o início da noite, porém ainda estava de dia. As chuvas de verão eram as piores coisas, continuava quente e tudo ficava molhado.

Nós seguimos o caminho calados e logo pegamos o ônibus. Era um caminho rápido, em poucas paradas, nós chegaríamos em casa. Felipe sentou do meu lado, mas eu não estava com vontade de falar. Coloquei óculos escuros, apenas para esconder os olhos avermelhados. Eu deveria estar fazendo uma cena terrível nesse momento, mas eu não estava me aguentando. Coloquei um dos dedos por debaixo do óculos e tirei uma das lágrimas que descia. Felipe percebeu e passou o braço por detrás do assento e apertou meu ombro. Estávamos os dois, lado a lado, com as mochilas no colo e aguardando a ida para a casa.

Eu não queria falar… Pelo menos não agora. Talvez, chegando em casa eu conseguisse me acalmar e explicar toda a situação para Felipe, mas será que ele precisava ouvir aquilo? Não estaria sendo ridículo demais jogando toda essa parte da minha vida em alguém que eu conhecia a pouco tempo, mas sendo bem sincero, quem eu poderia dizer?

Luck basicamente havia desaparecido e eu entendia completamente o porquê. João não queria me ver nem pintado de ouro. Camila nem minha amiga era. Isa e Felipe eram quem eu estava mais próximo e mesmo que eu conhecesse eles a pouco tempo. Era quase certo que com eles eu poderia contar.

Já estávamos nos aproximando da parada que iríamos descer e eu levantei. Felipe fez o mesmo e nos encaminhamos para a saída do ônibus. Ao descer ainda pegamos muita chuva, porém já nem estava me importando mais. Caminhamos por pouco mais de trezentos metros e chegamos no meu prédio. O porteiro foi gentil e perguntou se estávamos bem e eu confirmei e logo subimos.

—A gente vai molhar tudo… -Felipe falou ao ver a porta do elevador abrindo e nos encaminhando para o corredor de acesso ao apartamento.

—Sem problema, logo mais seca. -Respondi frio e logo fomos entrando.

Joguei a bolsa no canto da porta e Felipe fez o mesmo. Com sorte, conseguiríamos salvar o conteúdo das mochilas intactos.

—Você tem duas toalhas? -Felipe perguntou e eu levei ele até o quarto.

Lá eu peguei duas toalhas limpas no armário, uma cueca minha e um moletom meu, era a única coisa minha que caberia nele.

—Toma… Eu posso te dar uma das camisas de Jonathan, elas caberiam em você…

—Não. Tudo bem. É por causa dele que você está assim, né? -Perguntou já com confirmação.

—Tá tão na cara assim? -Joguei os óculos escuros sobre a cama e meus olhos deveriam estar terrivelmente vermelhos.

—Já já conversaremos… -Falou saindo do quarto e se encaminhando para o banheiro do corredor.

Fui até o meu banheiro e me olhei no espelho. Eu não estava mais me aguentando com aquela cara e aquela raiva misturada com decepção e sentimento de traição. Bati forte contra a pia e desabei em lágrimas.

A minha cabeça estava uma merda e meu peito apertava como se pedisse pra sair fora e sei lá… Respirar fora do meu corpo. Talvez eu só fizesse parte do jogo doente de Jonathan de envolver as pessoas nas teias dele e depois que elas estão enroladas o suficiente para morrerem, ele disse. “você está livre!”

Sendo que você não conseguiria mais sair.

Sentei-me no vaso com a visão embaçada e continuei pensando no que Iasmin havia falado. Dia doze de fevereiro. Dia do aniversário dele… Dia que eu fiz um dia legal para nós dois, talvez havia sido bom apenas para mim. Dia que eu entreguei o bendito relógio para ele. Eu só conseguia me sentir mal, na verdade.

Fui até o box e deixei a água cair sobre mim, aqueles bons minutos eu evitei pensar em Jonathan ou nos acontecimentos mais recentes, eu só queria tomar banho e descansar minha cabeça cheia. No outro dia, eu ainda iria cedo para a Universidade e era melhor eu ter uma boa noite.

Depois que saí do banho, me vesti e fui até a cozinha. Felipe estava lá, com uma toalha no topo da cabeça, com todo o cabelo sob ela e pondo duas xícaras sobre a bancada.

—Me dei o direito de te fazer um café…

—Obrigado. -Agradeci sentando no banco alto dali e tomando um gole da xícara. Felipe usava o meu moletom, que era largo em mim e um pouco mais ajustado no corpo dele. Estava sem camisa, mostrando o corpo pouco malhado e um pouco molhado dos resquícios do banho. Eu estava com uma camiseta de dormir e outro moletom. Olhei para fora e já dava para ver que estava à noite. Saquei o celular e dava para ver que já era quase sete da noite, por causa da chuva o sol pareceu ter se posto mais cedo.

—Quer falar o que houve? -Felipe perguntou sentando ao meu lado e tomando um gole do café. -Não precisa se…

—Eu falo. -Respirei fundo.

Eu não estava esperando que ele fosse quem levantasse esse assunto.

—Mas… Você não vai pra casa?

—Enquanto eu estava no banheiro eu liguei dizendo que dormiria aqui. -Ele me sorriu e eu devolvi o sorriso abaixando a cabeça. -Eu não perguntei se podia, mas você não parece estar no estágio de dormir sozinho… -Ele levou a mão até a minha perna e apertou próximo do joelho.

—Obrigado.

Respirei fundo e tomei mais café. Estavamos sentados nos dois únicos bancos altos daquela bancada. A luz da cozinha iluminava ali, embora a iluminação estivesse um pouco baixa, afinal a luz da sala é a que ilumina melhor. A melhor coisa daquele dia era ver a chuva batendo no vidro da porta da varanda, deveria estar ventando frio e eu ia adorar sentir esse vento.

—Não vai dar problema tu ficar aqui?

—Não…

—Eu conversei com Iasmin… -Ele me olhou sem entender. -Você lembra do meu meio-irmão?

—Ahh… O loiro? -Acenei que sim. -Lembro.

—Ele ficou com Iasmin e o que ela queria comigo era o número de celular dele.

—Tá… -Ele parecia não ter entendido ainda.

—Eu e ele temos um rolo, sabe? -Felipe arregalou os olhos. A surpresa deveria ser por Jonathan, afinal ele já sabia que eu era gay. -Uma história bem enrolada.

Para que Felipe pudesse entender tive que voltar desde o dia em que conheci o Jonathan, lá na casa de Paulo, quando chegamos. Falei sobre nossas primeiras interações problemas, como discutimos por tudo e das poucas vezes que JOnathan foi agressivo, inclusive fisicamente. Expliquei sobre Camila e Luck. Como os dois entraram na minha vida e como eles também estavam na vida de Jonathan.

A parte que começou a doer era agora. Falei sobre meus primeiros contatos mais íntimos com Jonathan, como foi nosso primeiro beijo roubado e nosso primeiro beijo de verdade. Como transamos depois de uma situação chata envolvendo Luck e como ele me fez dançar pra ele, mesmo eu sendo completamente desengonçado. Como vivemos um tempo de paz até Yuri aparecer e começar a atazanar as nossas vidas. Falei como tentei me ver livre de Yuri e como conheci João e como ele passou de amigo, para cúmplice, indo até o posto de possível romance e finalizando como um estranho com qual não falo mais.

Depois veio a viagem de Jonathan e nosso período mais afastado desde que passamos a morar juntos. Comentei sobre todo o processo que eu passei de ter que lidar com as coisas sozinhos e de não falar com Jonathan, já que estávamos brigados na época e de como me aproximei de João e planejei contra o Yuri e de como atualmente João e Yuri estão felizes.

Depois teve a volta de Jonathan e como nós passamos por problemas até finalmente ficarmos de boa. Comentei sobre nossos bons momentos recentes, a descoberta de Paulo e a minha mudança e agora a situação atual. Falei sobre o dia do aniversário dele e essa minha atual descoberta.

Eu já estava lacrimejando. Felipe me confortava apertando minha perna, mas eu já estava um caco. Falar sobre Jonathan estava me fazendo subir uma raiva e uma tristeza muito grande.

—Eu não sabia que vocês tinham esse envolvimento e nossa… O que ele fez foi realmente muito péssimo.

—Porque eu tô sentindo um mas…

—É… -Felipe coçou a cabeça. -Eu entendi tudo o que tu me disse, eu me sentiria tão mal quanto, porém… Vocês não tem coisas sérias, né? E tem gente que não sossega enquanto não tiver acordo de seriedade…

—Pode até ser, mas eu acho que as mentiras são o pior.

—Bem… -Eu olhei pra Felipe, ele colocou uma das mechas de cabelo para trás da orelha. -Eu acho que ele tem vergonha de você…

—Vergonha?

—Ou vergonha ou medo de assumir algo. Sempre pareceu que vocês tão sozinhos e juntos, nunca parece algo público. Isso não te é estranho? Eu não acho que vocês deveriam ser abertos a tudo e todos, óbvio que não, mas não parece como se você tivesse muito dentro da vida de Jonathan, exceto a vida que ele te fala. Tipo, a família de vocês já sabe, qual seria os empecilhos dele em assumir pelo menos algumas coisas contigo. Tu acha que eu tô viajando?

Como eu nunca tinha pensado nisso? Como eu nunca tinha levantado essa hipótese?

Notas finais
Gente. Eu passei por muita coisa nesses dois meses (acho que foi mais ou menos o tempo que eu não postei) Fui pra um congresso e conheci uma cidade linda chamada Florianopólis. Fiquei muito feliz de ter feito essa viagem. A faculdade me apertou e com isso eu tive que ficar focada nela, mas o foco principal foi outro. Eu me apaixonei por um menino e eu tava bem feliz, papeando com ele e querendo ver ele e tal. Vocês leram e viram que o capítulo é triste e eu não conseguia entrar nesse estágio triste e escrever como Has, sem parecer completamente patético. Até que... Ele simplesmente voltou com o ex-namorado e nós não nos falamos mais atualmente. Eu fiquei devastado e isso me fez ter como escrever (eu até chorei escrevendo). Então foi isso que aconteceu nesses dois meses. — OBRIGADO! Eu as vezes não mereço a insistência, mas cada comentário eu fico feliz e acho que devo continuar. Obrigado mesmo, beijão e comentem por favor.