I Hate You
3 Tá me testando?
Notas iniciais
- Oi. — Era o Turner.
- Oi. — Ele olhou pra mim de cima a baixo e eu corei. Eu tava só de moletom gigante e de shorts. Alias, nem dava pra ver meu shorts direito. — Veio fazer o que aqui?
- Você esqueceu isso no carro. — Ele disse me entregando meu caderno. Como eu vou de bolsa, carrego na mão. — Tá meio molhado, mas…
- Ah, obrigada. Sua jaqueta tá secando ainda.
- Não precisava ter lavado. — Dei de ombros. — Ér… a gente vai fazer que dia o trabalho?
- Que trabalho?
- De biologia. É em dupla.
- Pra quando é?
- Quarta. — Como ele passa um trabalho no primeiro dia de aula e pra dois dias? Bufei.
- Pode ser hoje.
- Eu to com o meu caderno e o livro no carro. Pode ser agora? — Assenti e ele foi lá pegar. Enquanto ele ia até o carro, fiquei reparando nele. Ele “evoluiu” bastante. E que bunda gigante. OMG. Ele virou e eu balancei a cabeça dispensando esses pensamentos horrorosos.
Sentamos no tapete da sala apoiando tudo na mesinha de centro, e começamos o trabalho e só falávamos sobre isso. A gente tava quase terminando quando ouço o barulho da garagem. Se minha mãe ver ele aqui, ela vai me infernizar!
- A gente pode terminar outro dia? To cansada.
- Amanhã você quer dizer né? E pode sim. To cansado também. — Ele disse se sentando no sofá. Não querido, é pra você ir embora!
- Querida, cheguei! — Minha mãe disse entrando na sala. — Ah, oi. — Ela disse pra ele.
- Oi. — Ele respondeu e ela olhou pra mim.
- Ele veio fazer um trabalho comigo.
- Jason Tuner. — Ele disse estendendo a mão pra ela e ficando de costas pra mim. Fiz uma careta e ela reprimiu um riso. — Prazer. — Ele disse.
- Prazer, querido. Jenny, você deu comida pra esse menino? Ele tá com uma cara de fome…
- Não, mãe. Ele já tava de saída.
- Magina. Vou fazer um lanche. — Ela tá me testando?
- Já volto. — Disse pra ele e segui ela até a cozinha. — Você tá brincando comigo né?
- E por que não? E você tem razão. Uau. Ele é lindo!
- É, mas não esqueça que eu odeio ele.
- Ele não odeia você.
- Agora, você quer dizer.
- Mesmo assim. Dá uma chance pro garoto. Para de ser chata. E leva esse suco pro menino. Eu já to indo com os lanches. — Bufei e peguei dois copos e a jarra.
- Gosta de suco de laranja? — Perguntei pra ele entrando na sala.
- Aham. Obrigado. — Sorri sem mostrar os dentes. — Sua mãe gostou de mim. — Ele disse se achando.
- Qualquer menino que apareça em casa ela já adora. — Ele riu.
- Minha mãe é o contrário. Com garotas, óbvio. — Não falei nada. — Vai ser aqui de novo?
- O que?
- A gente precisa terminar. — Ele apontou pro trabalho em cima da mesinha. — Esqueceu?
- Ah sim. Tanto faz.
- Amanhã não dá. — Minha mãe entrou falando na sala com uma bandeja com os lanches. — A mulher vai vim pra arrumar a casa.
- Ah… — Disse. Minha mãe não me falou de mulher nenhuma.
- Bom, então posso passar pra te pegar as duas?
- Pode.
- Eu vou subir. To cansada. Aparece mais vezes, Jason. — Ele sorriu e assentiu. Fuzilei ela com os olhos.
- Não liga pra minha mãe.
- Ela é legal. — Oh! Muito! Compreenderam a ironia? Ele começou a comer. — Não tá com fome? — Fiz que não com a cabeça. — Tá muito bom! — Ele disse de boca cheia.
- Come e depois fala, por favor. — Ele riu fraco.
- Parece minha mãe. — Revirei os olhos.
- Essa bagaça é pra apresentar? — Ele fez que não com a cabeça.
- Vi que você tá amiguinha do Tyler.
- Vocês se falam?
- Ele não vai com a minha cara. Sei lá porque. — Olha. Eu e o bonitinho temos algo em comum.
- Hm.
- Bom, to indo. — Ele pegou as coisas dele e eu o levei até a porta.
- Peraí. – Eu disse e fui até a lavanderia pegar a jaqueta dele. – Antes que eu esqueça. – Disse entregando pra ele.
- Obrigado. Até amanhã, Jenny.
- Até amanhã. E é Jennifer! — Ele riu e entrou no carro. Entrei em casa de novo.
- “Até amanhã, Jenny” — Minha mãe disse imitando o imprestável. Olhei com cara feia pra ela. — Dá uma chance pro garoto.
- Lógico que não. E que história é essa de que alguém vai vim limpar aqui?
- Eu não menti, ok? Realmente a mulher vai vim aqui amanhã.
- Ah…
- Ele é bonito… rico…
- E eu odeio ele…
- Bom, você sabe o ditado, quem muito odeia, ama. — Taquei uma almofada nela.
- O dia que eu cogitar em gostar dele, me interna! — Berrei e subi pro meu quarto ouvindo a risada dela. Fiquei lá o resto da noite pra ela não encher a minha paciência e depois dormi.
Acordei sendo chacolhada.
- Acorda que você tá atrasada, garota.
- Que horas são?
- 06h30. — Levantei num pulo. Entro 07h00 no colégio.
- Você vai me levar né?
- A sua sorte é que hoje você tem carona. E não, não é comigo. — Olhei confusa pra ela. — Vai logo se arrumar! — Levantei e tomei o banho mais rápido da minha vida. Prendi o cabelo num coque e vesti o primeiro jeans e a primeira blusa que eu vi na minha frente. Olhei no relógio “06h45”. Peguei minha bolsa e coloquei tudo que eu ia precisar hoje. Ou o que eu achava que ia precisar. Peguei meu all star e fui descendo as escadas o vestindo.
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