I Hate You
35 Desde quando você me esconde alguma coisa?
Notas iniciais
- Eu preciso da sua ajuda. – Pausa. – Para de reclamar, Charles. É uma ajudinha! E você tá me devendo uma. – Pausa de novo. – Eu não to querendo me foder. – Pausa. – Para de berrar que eu vou me estressar, berrar de volta e ela não pode ouvir caralho! – Pausa. – Para de ser chato. Vai me ajudar ou não? – Pausa. – Obrigado então. Tenho que desligar. – Voltei correndo pra sala. Estava na casa do Jason. Eu sei que escutar atrás da porta é feio, mas o Jason nunca saiu pra atender o telefone e agora ele fez isso. Mas se era o Charles, qual o problema então? E o que eu não posso saber?
- Tá mó silêncio aqui. – Ele disse entrando na sala.
- É...
- Você tá bem?
- To sim. Vamos fazer o que?
- Eu... Preciso resolver umas coisas.
- Que coisas?
- Coisa minha, Jenny.
- Desde quando você me esconde alguma coisa?
- É do time.
- Mas você nem é o capitão.
- Mas me pediram ajuda.
- Posso ir junto?
- Vão tá alguns meninos do time lá... O treinador também... – Ele disse coçando a nuca.
- Hm. Ok, então. Você vai demorar?
- Acho que não. É coisa rápida.
- To na minha vó, então.
- Ok. – Saímos da casa dele. Jason me deu um selinho e eu entrei na minha “segunda” casa. Com a pulga atrás da orelha, lógico. Eles estavam aprontando algo.
- Mãe? – Perguntei surpresa entrando na cozinha. Não sabia que ela vinha. – E oi vó. – Dei um beijo na bochecha dela.
- Oi querida.
- Oi Jenny. Que cara é essa? – Minha mãe perguntou.
- Jason tá aprontando.
- Aprontando o que?
- Ele tá estranho. Ele disse que ia ver algo do time agora. Mas ele não é o capitão. E antes de sair ele tava falando no telefone com o Charles, mas escondido.
- E se for do time mesmo? – Minha vó perguntou.
- Mas não era. Se fosse, eu teria ido junto.
- Tu é muito burra. Ele não disse que queria fazer outra surpresa pra você? – Minha mãe perguntou e eu assenti. – Então! Ele tá preparando sua surpresa.
- Ai Deus. – Botei a mão na testa. – Pra que ele ia precisar da ajuda do Charles?
- O que tem?
- O menino é quase uma versão masculina de você, mãe!
- Mas qual o problema?
- Exatamente esse! – Minha vó riu.
- Relaxa, Jenny.
- Preferia o Big Mac. – Disse com uma careta.
(...)
- Você reclama demais. – Olhei pro Charles sentado no outro sofá. Eu estava com a cabeça no colo do Jason, enquanto ele fazia cafuné na minha cabeça.
- Mas eu não falei nada. – Disse com bico.
- “Ai, mas esse é muito feio", "Você vai ficar parecendo uma bolha ambulante com isso" "Nossa, que coisa horrorosa.” – Ele disse me imitando. Charles tinha uma festa social pra ir com os pais e precisava comprar roupa pra ir. Pediu pro Jason ir junto e eu acabei indo também. Agora já tínhamos chego, mas pra achar algo que preste foi um desafio.
- Eu tava sendo sincera. E dê graças a Deus por eu ajudar você. Ah, e aquela roupa que tu queria levar, deixava você parecendo um pinguim. – Jason riu.
- Tá, tá. Mas mudando de assunto, é verdade que vocês vão viajar juntos? Sua mãe não falou nada, Jenny?
- Pra que? Ela que falou pra eu chamar o Jason. Ela vai junto.
- Ah... Vão pra onde?
- Pra um sitio dos meus avós. Apesar que meu tio mora lá.
- É legal lá?
- Deve ser. – Jason disse e eu olhei pra ele.
- Não é legal, não! Se continuar assim, vai ficar. – Ele ergueu os braços pra cima, em forma de rendição, rindo.
- Eu falo que você reclama demais. – Charles disse.
- É que minha prima é uma vadia.
- Ela é mais velha?
- Um ano mais nova que a gente.
- Ela é gata?
- Charles!
- Ué, vai saber... – Bufei.
- Pior que aquela vaca é bonita.
- Posso ir junto? – Ele perguntou e eu lhe mostrei o dedo. – Credo, quanta agressividade. – Pensei um pouco. Até que não seria má ideia. Ela não ia focar tanto no Jason. Mas nem rola. Não ia ter lugar pra ele no carro.
- Pensando bem, até que seria legal, mas não tem lugar no carro. – Jason olhou pra mim e riu fraco.
(...)
- Seria mais fácil se você dormisse em casa. – Disse pro Jason. Amanhã iriamos viajar.
- Minhas coisas tão lá já mesmo. Tá animada?
- Um pouco. Nunca vi um noivado. Vai ser estranho ver um anel no dedo da minha mãe.
- Ele que vai pra sua casa depois do casamento?
- Sabe que eu não sei. Mas é capaz de nós duas irmos morar na casa dele.
- Espero que seja mais perto da minha. – Sorri.
- Quero jogar. – Disse me levantando e ligando o vídeo game dele.
- Que jogo?
- Aquele que jogamos ontem.
- O de futebol?
- É. Você vai perder de novo. – Disse rindo.
- Eu deixei você ganhar, Jenny.
- Duvido! – Disse ainda rindo e ele me mostrou o dedo do meio.
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