I Hate You
62 Acho que eu me ****
Notas iniciais
Como dito, vim com a minha mãe na despedida de solteiro dela. Mesmo que isso me dê um problema gigantesco depois. A música estava mega alta e minha mãe já estava completamente doidinha. Eu estava sentada no balcão bebendo. Já que a minha mãe fechou o lugar, eles fizeram uma bebida especial sem álcool pra mim. Como se eu não bebesse... Acho que pelo fato de eu ser menor de idade, os dançarinos passavam por ali e só davam um sorrisinho. Não faziam nada, só isso. Alguém avisa pra eles que já que to aqui quero aproveitar também?
- Jenny! Vem cá. — Minha mãe berrou me chamou e eu fui até lá. — Ó, ela é menor de idade, mas não tem nada de santa. — Socorro! Alguém me esconde! O dançarino riu e veio desfilando até mim. Ri nervosa enquanto ele fazia um stripe tease na minha frente. Senti minhas bochechas esquentarem e um calor subir pelo meu corpo. Não me julguem! O cara é um Deus Grego.
Ele pegou nas minhas mãos e passou pelo abdómen e pelo peitoral dele. Olhei pra minha mãe chocada e ela riu da minha cara. O carinha fez o mesmo. Sim, ele riu de mim. Vadio. Minha mãe me deu um copo com bebida e eu peguei. As amigas dela já estavam completamente loucas. Já viam pássaros de desenho animado de tão bêbadas que estavam. A única sóbria daqui sou eu. O dançarino saiu rindo de mim e eu ainda envergonhada. Uma rodinha se formou na frente do palco e eu já sabia que as taradas estavam vendo outro dançarino tirar a roupa. Voltei pra frente do balcão e o menino que trabalhava lá ficou olhando pra mim.
- Você não é muito nova pra tá aqui?
- Coisa da minha mãe. Não me pergunte. — Ele riu fraco.
- Ela é a noiva? — Fiz que sim com a cabeça terminando de tomar a bebida. — Eu não devia deixar você beber isso.
- Você devia ficar quieto. — Ele deu de ombros.
(...)
- To achando que você vai ter problemas com o Robert. — Disse dirigindo e minha mãe riu. Eu tive que pegar o carro. Nem fudendo que ia deixar ela dirigir assim. Eu tenho amor a minha vida e a dela também.
- Ele também saiu pra putaria. — Ri fraco estacionando o carro na frente de casa. O carro do Jason estava ali. Acho que eu me fudi. Só acho. Abri a porta do passageiro e ajudei a bêbada a descer do carro. Pelo menos eu não preciso carregar minha mãe. Abri a porta de casa e quando passei pela sala vi o Jason sentado no sofá com uma cara não muito boa.
- Eu só vou levar minha mãe pro quarto. — Ele olhou pra mim e não falou nada. Mas eu não disse pra ele onde iria. Muito menos que eu saí de casa.
Coloquei minha mãe embaixo do chuveiro e o resto ela se virava. Desci e ele ainda estava sentado no sofá.
- Oi. — Disse com a melhor voz de anjinho que consegui.
- Não acredito que você foi pra um clube de mulheres, Jenny.
- Eu fui obrigada a ir. — Ele riu irônico. — Não faz assim. — Disse com bico.
- Como foi obrigada, Jenny?
- Sabe como é minha mãe né. E como você sabe que eu fui?
- Robert me contou antes de sair. — Ele falava tão seco, que era pior que o deserto do Saara. — Quero saber o que aconteceu lá.
- Mas, Jason...
- Qual o problema de falar? — Ele perguntou seco de novo me interrompendo. Odeio quando ele fala assim comigo.
- Os carinhas ficaram dançando e eu fiquei sentada lá no bar bebendo e comendo. Foi isso. — Não exatamente só isso, mas ele não precisa saber.
- Hm.
- Tira esse bico da cara porque não foi nada demais.
- Ah, claro que não. Você só tava com um bando de taradas vendo uns caras tirar a roupa.
- Tecnicamente, sim. Na verdade, eu estava sentada no balcão. Para de ciúmes.
- É que... Você não tem que ir pra esses lugares.
- Eu não queria ir. Juro. — Ele fez uma careta.
- Sua mãe vai sobreviver pra amanhã?
- Com uma caixa de aspirina, ela vai. — Ele riu fraco. — Amanhã eu vou passar o dia no salão. — Disse me jogando de costas em cima do Jason. Bom, eu entendi que já tá tudo bem né. Ele me olhou com cara de sério e uma sobrancelha arqueada. Fingi que nem percebi. — Nem sei o que fazer no cabelo amanhã. Alguma ideia?
- Sou um menino se você não percebeu. — Fiz uma careta. Quanto mal humor. Pensei. — Vou embora, Jenny.
- Mas já? Você nem me viu direito. — Ele me olhou de cima a baixo e deu um sorriso irônico, como se dissesse "agora vi". Bufei. — Tchau, Jason. — Ele não me respondeu e foi em direção a porta. Fui atrás dele e abri a porta, que ele já tinha fechado. — Pelo menos eu não dei esse chilique todo quando a vadia da Sarah tava atrás de você! — Fechei com tudo a porta e subi pro meu quarto.
(...)
- Jenny, abre essa porta! — Jason berrou pela décima vez do lado de fora.
- Mas quem foi que te deixou subir hein? Guri chato!
- Sua mãe. — Ouvi ele respirar fundo. — Agora abre essa porta!
- Era você que não queria falar comigo.
- Você ouviu o que você disse pra mim lá embaixo? — Não respondi. — Você tá parecendo uma criança mimada. — Respirei fundo e não respondi. — Eu to perdendo a paciência!
- Tchau, Jason. — Ouvi ele dar um murro na porta e depois não escutei mais nada.
(...)
- Não acredito que vocês brigaram justo hoje de noite. E amanhã? E a culpa é minha ainda. — Minha mãe disse depois de ela ter tirado um cochilo. Ela já estava um pouco sóbria.
- Não foi por sua causa. Ele ficou puto mesmo depois que eu falei da Sarah.
- O que você falou dela?
- Disse que quando a vadia da Sarah tava atrás dele, eu não fiquei com aquela frescura toda.
- Tu também chama a menina de vadia...
- E daí? Ela não é nada dele.
- Ele tá lá na frente ainda. — Minha mãe disse olhando pela janela do quarto dela, já que estávamos lá.
- Jura? — Me levantei e fiquei do lado dela. Jason estava do lado de fora do carro com o celular no ouvido. Ele olhou pra cima e viu nós duas na janela. Dei uma bundada de lado na minha mãe pra ela sair dali.
- Olha a violência, menina. — Dei de ombros. Ouvi a porta do quarto ser fechada.
- Achei que tinha ido embora. — Disse me apoiando no parapeito da janela.
- Eu tava tentando te ligar.
- Meu celular tá no meu quarto.
- Posso entrar? — Dei de ombros e ele bufou. — Posso ou não?! — Ele perguntou seco.
- Se for pra ficar de grosseria, nem pela janela vou falar contigo! — Vi o Jason bufar e ir em direção a porta. Bufei saindo da janela. Desci as escadas e vi que o Tyler estava na sala vendo TV.
- Jason tá lá fora. — Ele disse quando me viu.
- Eu sei. — Abri a porta e ele ainda estava com a cara de cu da hora que eu cheguei do clube com a minha mãe. Não falei nada e fui em direção as escadas de novo.
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