I Hate Myself For Loving You
2 And The Hell Begins
Notas iniciais
Então, esse é meu nome. Katherine. E eu não gosto nem um pouco dele. Aliás, eu não gosto de quase nada nessa minha droga de vida. Tenho 17 anos e estou prestes a completar 18, mas a maioria das pessoas acha que eu tenho mais de 20. Por que? Bem, porque minha mentalidade não é como a das garotas normais de 17 anos, que só pensam em garotos, sexo, maquiagem, garotos, moda, sexo, garotos e todas as coisas de adolescentes retardadas e sem coisas pra fazer. Minha opinião é essa. E também por eu não aparentar ter essa idade. Mas enfim, sou brasileira, infelizmente, mas moro em Londres desde os 14 anos por causa do emprego do meu pai. Eu amo esse lugar, é simplesmente o melhor e mais incrível que alguém poderia escolher para morar. E sim, eu moro com meu pai. Minha mãe ficou no Brasil com o idiota do meu padrasto. Sim, ela me abandonou com meu pai por causa de outro homem. Triste, eu sei. Minha família aqui se resume ao meu pai, Matthew Harrison. Ele trabalha em uma empresa de softwares de vídeo games. E é óbvio que eu amo vídeo games, principalmente se tiver coisas sobrenaturais e muito sangue. Tenho um vicio por coisas sobrenaturais, principalmente vampiros. Tento ler e pesquisar sobre todas as histórias já contadas sobre esses seres da noite. Eu acho um máximo. Sou estranha, eu sei. Pelo menos para a maioria das pessoas que não entendem meu senso de humor negro. Não gosto de romance, de coisas melosas, de casais apaixonados nem nada. Mais um motivo pras pessoas me acharem mais velha pois as meninas da minha idade amam. E se você está pensando que eu sou assim só porque nunca amei alguém ou não tive um namorado, está totalmente errado. Já namorei e quase realmente amei um garoto escroto e ridículo, que me fez de idiota, me machucou muito e me deixou sangrando no chão como uma ninguém. Não é drama, mas sim a pura verdade. Seu nome é Jason Buller, ou apenas Jay. Ele é brasileiro e felizmente ficou no Brasil junto com o meu passado. Hoje sou uma nova pessoa e não mais a velha e iludida Kat. Com o passar do tempo adquiri manias estranhas, como por exemplo, desde que vim para Inglaterra não fiz nenhum amigo de verdade. Ninguém mesmo. Não gosto de amigos, eu não preciso deles. Ainda mais que um dia quando você mais precisar eles não vão estar lá pra te ajudar. Isso aconteceu a minha vida toda. Então de algum modo no meio da minha vinda pra cá eu decidi que queria mudar de vida, não ser quem eu sempre fui. Deixar de ser otária. Então passei esses quase 5 anos sozinha, a não ser na companhia de meu pai. Mas talvez isso mude — e eu tenho certeza que não vai mudar- quando eu for para o meu primeiro dia de aula na Claremont High School, o que é daqui a 2 dias. Mas aposto que ninguém vai ter coragem pra falar comigo por causa da minha aparência e do meu jeito idiota e grosseiro de ser. Nunca fui boa para fazer amizades, ainda mais aqui, em outro pais com costumes e uma educação totalmente diferente da minha terra natal. Por andar, me vestir e agir como um garoto quase sempre, as pessoas devem realmente achar que eu sou lésbica ou algo do tipo. Mas você está errado, novamente. Nada contra, óbvio que não sou esse tipo de pessoa homofóbica. Acho isso uma falta de respeito com as pessoas. Mas eu tenho evitado qualquer contato físico com a espécie masculina, já que todos os garotos são, e sempre serão iguais. Uns idiotas e aparentemente sem sentimentos, que só ligam para o beneficio próprio. Mas chega de falar de mim, o resto vocês saberão ao longo da minha vida.
“Today is gonna be the day that they’re gonna throw it back to you...”
– Droga, droga droga! Odeio primeiro dia de aula, argh! – Desliguei o despertador e levantei irritada, cambaleando em direção ao banheiro. – É sempre a mesma coisa, Kat chega, todos olham pra ela com cara de nojo, Kat morre de vergonha e fica com raiva de todos e de si mesma, e quase chora. Sempre a mesma coisa. Inferno! – Resmunguei enquanto jogava as roupas de dentro do armário pelos ares.
— Pai! Pai! Pai? Pai?? PAAAAAAI!!! – Merda, esqueci totalmente que hoje é segunda e ele sai todas as manhãs para dar sua corrida matinal. Coisa chata.
Fiz minha higiene matinal, escolhi um par de all star totalmente surrado, uma calça jeans escura, uma camisa do The Who velha e um casaco se por acaso esfriasse. Passei uma maquiagem pesada, como de costume e deixei os cabelos soltos, porque não gosto de amarrá-lo. E ah, a maioria das pessoas achavam meus snakebites estranhos. Qual é, é a coisa mais legal do mundo! Tá, não é, mas eu achava realmente foda. Meu pai não se importava com pircings e tatuagens. Ele é legal, eu sei. No meu último colégio aqui eu era intitulada como “a estranha” por causa do modo como eu me visto e porque com a minha idade quase ninguém tinha tantos pircings e tatuagens. Tenho minhas costas serpenteadas por rosas e suas folhagens. Realmente uma obra de arte. Mas infelizmente ainda não está acabada. Uma coisa estranha é que eu não sinto dor quando algo perfura a minha pele. Devo ser uma experiência mal sucedida pela ciência, ou eu só sou uma alienígina. Fico com a opção dois. Espero que nesse colégio tenha alguém que chame mais atenção do que eu por ser estranha.
Desci as escadas deslizando pelo corrimão, infantil, eu sei. Procurei algo para comer por que, meu deus, eu estava com muita fome! Mas isso é normal. Achei um pacote de cereal escondido atrás de umas coisas. Rá papai, jura que vai esconder o Count Chocula de mim. Sim, eu amo Count Chocula. Não por ser uma sátira ao Conde Drácula – eu já disse que amo vampiros? -, mas cara, era realmente gostoso.
Comi com muita calma, afinal, eram só 07:20 da manhã. A escola começava as 08:00, então eu teria tempo, já que é só a 4 quadras daqui. Moleza. Chequei minha mochila para ver se não estava esquecendo nada, e fui dar comida pro Larry. Não, não é um cachorro, e sim, uma cobra piton. Eu era apaixonada por cobras e répteis em geral.
— Olha Larry, ratinhos no café da manhã meu amor, nham nham – Falei como uma retardada, ou se você preferir, como uma mãe falando com seu filho. Mas eu dava mais carinho para os animais do que os humanos, por que esses bichinhos tem realmente almas boas e nada de ruim dentro deles. Diferente dos humanos.
Depois do Larry foi a vez da Duquesa, minha linda labradora de apenas 1 ano e meio. Uma cadela realmente travessa. Depois de ser derrubada duas vezes por aquela pestinha, fui dar uma última olhada no espelho antes de enfim, sair de casa.
O dia estava realmente lindo, tenho que admitir. Sol brilhando não muito forte, poucas nuvens no céu e um vento fresco bagunçando meus cabelos, que já eram bagunçados naturalmente. Fui andando tranquilamente pela rua, que estava vazia. Estranho. Eu, como uma pessoa curiosa, passava pelas casas tentando olhar ao máximo suas cores e pessoas que habitavam. Nada de interessante. A maioria eram idosos recolhendo o jornal na porta de casa, e algumas criancinhas sendo levadas para o seu primeiro dia de aula pelos pais. Saudade da minha infância. Tudo era muito mais fácil. A cada passo que eu dava, mais eu podia ver a enorme Claremont High School. Merda, sempre tenho essa droga de frio na barriga. Respira, Kat. Tudo vai ficar bem, é só esquecer que tem milhões de pessoas estranhas a sua volta e que você não conhece ninguém e vai ficar sozinha. Ta, isso não tá ajudando Katherine. Dei um longo suspiro, levantei a cabeça, e passei pelo portão da escola.
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