I Hate Loving You
41 Vencer ou vencer
Notas iniciais
O passado está sempre conosco, apenas esperando para bagunçar o presente.
–Gossip Girl
Pov Percy
Minhas mãos tremiam. Eu estava claramente nervoso, e com razão. O ginásio estava completamente lotado de gente e todos estavam contando comigo. A torcida, meus amigos, minha namorada, meu treinador...
Todos eles.
Eu não podia decepciona-los de modo algum. Como capitão, eu tinha que 'guiar' meu time pra vitória, do contrário o peso cairia sobre meus ombros.
Tomei mais um gole da minha água, enquanto esperava a apresentação das líderes de torcida do time adversário acabar.
Outro motivo pra mim estar nervoso: diversos olheiros de faculdades diferente. Eu tinha que estar completamente focado no jogo hoje.
Completamente.
–Ei cara, vamos- senti o toque de Nico em meu ombro e respirei fundo, tentando me acalmar.
–Vamos- levantei-me do banco retirando o casaco do time.
–Relaxa Percy. Confiamos em você- sorri para Nico, enquanto trocava um soquinho com ele.
Aquele podia ser definido como o jogo da minha vida. Se eu não desse o meu melhor, bem tchau faculdade e olá um ano de cursinho.
Basquete é uma das únicas coisas que eu tenho prazer de fazer e que rende uma bolça de estudos.
Depois disso, eu não faço a menor ideia. Mas não importa, meu foco é entrar para uma faculdade com ou sem a bolsa de estudos.
O grito estridente do meu treinador tirou-me de meus pensamentos e me fez prestar atenção no que ele dizia:
–Tudo bem. Eu quero o foco de vocês hoje, quero que deem o melhor de vocês. Não porque é a decisão do campeonato, mas sim porque eu sei o quanto cada um se dedicou pra chegar aqui, não joguem tanto esforço fora desse jeito- o treinador parou os olhos inquietos em mim- Percy, capitão, receio que queria dizer algumas palavras.
Assenti, respirando fundo. Tomei meu lugar no centro da roda de rapazes ofegantes e apavorados.
–Galera. Eu sei que estão todos nervosos. Mas esse não é jogo qualquer, pode ser sim a final do campeonato e isso é muito importante, mas pensem em quantos olheiros estão aqui pra analisarem cada um de vocês. Esse jogo vai decidir o futuro de cada um de vocês, então não temos tempo a perder. Vamos ganhar esse jogo, como um time- todos gritaram junto comigo e assim, fomos nos posicionar.
–Percy!- virei-me rapidamente dando tempo de ver Annabeth correndo em minha direção. Sorri de lado enquanto ela parava na minha frente. Ele estava linda naquele uniforme, mas ainda sim eu não gostava que ela usasse em público.
–Boa sorte, capitão- eu sorri mais ainda e a puxei pela cintura dando-lhe um beijo calmo e apaixonado- faça algumas cestas pra mim.
–Pode deixar- dei um último selinho nela e corri para o centro da quadra.
Ouvi o apito do juiz soar por todo o ginásio e o sangue correr ainda mais rápido em minha veias.
Eu não sei, exatamente o que aconteceu naqueles 12 minutos do primeiro período. Sei que levamos uma surra feia, bem feia. O placar marcava 19 a 6 para os visitantes e eu não sabia o que tinha acontecido comigo, eu não jogava daquele jeito, na verdade, nenhum daqueles caras jogavam daquele jeito.
O treinador deu a típica bronca que nós já esperávamos, o que nos deixou ainda mais sobrecarregados e tensos.
Voltei para quadra mais ligado, tomei uma bronca particular e um puxão de orelha da minha namorada. Eu tinha que colocar esses caras pra cima, esse era meu papel como capitão.
O segundo período finalmente começou, e assim o jogo ficou disputado. Conseguimos recuperar algumas cestas, mas não foi o suficiente pra alcançar o time adversário.
O terceiro período começou 36 a 28 pra eles, mas isso mudou rapidamente. O segundo período tinha animado a todos, e assim nós jogamos exatamente como deveríamos jogar.
E tudo estava certo para fazermos um ótimo quarto e último período. Certo?
Errado.
Eu não sei o que diabos aconteceu, mas eu acabei torcendo meu tornozelo, e bem, fiquei fora do quarto período.
Ah como eu tenho sorte.
Agora imaginem o meu estado, eu estava péssimo, queria jogar até o fim, dar o meu melhor até o fim e isso me enfezou.
–Amor, calma. Você foi ótimo- bufei enquanto olhava pro meu tornozelo querendo o arrancar fora.
–Não, eu não fui. Queria jogar até o final- Annabeth parou na minha frente e espalmou ambas as mãos na minha bochecha.
–Olha aqui, Perseu, sua namorada está dizendo que você foi incrível e que não precisa fazer mais porra nenhuma de cesta. Será que isso não vale nada?
–É claro que vale, meu amor- peguei a sua cintura firmemente e a sentei em meu colo. Beijei seus lábios voraz e apaixonadamente, enquanto ela bagunçava meus cabelos e eu apertava sua cintura possessivamente.
Seus beijos desceram para o meu pescoço, deixando uma marca dos dentinhos afiados da minha namorada.
–Isso é pra manter as vadias longe. E pra todas elas saber que você já tem dona.
Mordi o pescoço dela com a mesma força, deixando a mesma marca e a fazendo gemer.
–Cretino.
–Agora nós temos marcas iguais, amorzinho. Também não quer nenhum marmanjo mexendo com o que é meu. Não te divido com ninguém.
–E você acha que eu divido?
Rimos e voltamos a nos beijar com ainda mais voracidade. Eu realmente estava pensando que iríamos passar pra parte da transa.
Mas aquilo estava tão bom, que nenhum de nós dois queríamos parar pra tirar roupas e cansar.
–Eu te amo, capitão- ela sussurrou com os lábios colados aos meus. Sorri em meio aos pequenos selinhos que trocávamos.
–Eu te amo, minha princesa- respondi envolvendo sua cintura com meu braço direito e a puxando para mais perto.
Aquilo me fez esquecer do jogo que acontecia a alguns metros dali e a dor no meu tornozelo. Os beijos dela sempre me faziam esquecer as coisas que aconteciam, era como se nós entrássemos em uma bolha só nossa.
E nós acabamos ganhando o campeonato, depois de tudo. Com ou sem minha ajuda, aqueles caras tinham potencial e me deixava triste pensar que aquilo acabava ali.
Mas coisas boas acabam para outras melhores ainda começarem e era isso que me consolava.
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