I Hate Loving You
30 Que seja eterno enquanto dure
Notas iniciais
“A única forma de chegar ao impossível, é acreditar que é possível.”
–Alice no Pais das Maravilhas
Pov Annie
Acordei com a luz solar que entrava pelo quarto através das cortinas. Minha cabeça doía um pouco, de fome provavelmente, virei a cabeça para a direita e apreciei a visão na minha frente.
Percy dormia calmamente. Sua respiração era calma e serena, seus fios negros apontavam para todos os lados e uma fina camada de baba escorria da sua boca até seu queixo.
Segurei o riso para não acorda-lo, ele nunca muda. Mas acho que foi por esse motivo que eu acabei me apaixonado por ele, não pela baba, que isso fique bem claro.
Mas sim pelo seu jeito de ser. Ele é impulsivo, fiel, coloca as necessidades dos outros na frente das dele, é palhaço, lerdo...Antes eu achava sua lerdeza uma coisa desprezível, repugnante, agora acho que é o que o diferencia dos outros caras. E por mais lerdo que ele seja, sei que no fundo ele é inteligente.
–Por que está me olhando assim?- assustei-me quando encarei seus olhos verdes recentemente abertos.
–Assim como?- perguntei confusa.
–Tão intensamente.
–Estou apenas pensando...
–Sobre...- Percy pousou a mão na minha cintura.
–Você- só fui parar para pensar no que falei quando já era tarde demais. Arregalei os olhos enquanto Percy abriu um sorriso malicioso.
–Eu?- tenho certeza que um tomate sentiria inveja de mim nesse momento- relaxa, você não é a única que está perdida em pensamentos.
–Ah, então você também pensa em mim?- ele gargalhou.
–Claro que não. Você não é única que fica pensando no gostosão aqui.
–Palhaço- dei um tapa estalado no braço dele e tirei a mão dele da minha cintura rudemente. Levantei-me da cama e caminhei em direção ao banheiro.
–Ah Annie para. Eu estou brincando- apoiei minhas mãos na pia enquanto escutava ele dizer do quarto.
–Toda brincadeira tem um fundo de verdade- encarei seus olhos pelo espelho.
–O que isso agora, Annabeth?- Percy parou atrás de mim e me virou de frente para ele.
–Por que eu?- perguntei baixinho.
–Como assim?
–Por que você me escolheu?- o moreno encarou meus olhos intensamente.
–Eu não te escolhi Annie, meu coração escolheu e eu não controlo os meus sentimentos- ele acariciou minha cintura de leve.
–Mas você pode ter qualquer garota que quiser, por que eu?
–Eu não estou nem ai para nenhuma garota, eu quero você, só você.
Puxei-o em minha direção e ataquei seus lábios com calma. Foi um beijo apaixonado, nossas línguas brincavam calmamente uma com a outra.
–Nunca mais duvide do que eu sinto por você, entendeu?- assenti mordendo o lábio inferior.
–Estou com dor de cabeça- sussurrei, ele riu.
–Venha cá minha princesa, vou cuidar de você- ele sorriu de lado e piscou pra mim.
Eu ri e o acompanhei. Eu amava essa Cabeça de Algas mesmo.
***
–Percy, para- reclamei.
–Não.
–Tira esse pé daqui, tá achando o que? Que aqui é a casa da mãe Joana?- tirei o pé dele de cima do meu colo e me levantei.
–Não e você não vai a lugar nenhum- fui puxada com tudo para trás e cai em cima dele. Eu gargalhei.
Ele me colocou ao lado dele, fazendo com que eu ficasse de frente para ele. Nós nos calamos por um tempo, apenas conversando com os olhos. Levei minha mão até seu rosto, apreciando a bela imagem que se encontrava na minha frente.
–Onde vai passar o Natal?- Percy perguntou, finalmente quebrando o silencio.
–Acho que aqui mesmo. Por que?
–Perguntando. E o ano novo?
–Sei lá. Estou querendo viajar para algum lugar, sabe? Mudar um pouco de paisagem.
–Sabe que eu também estava pensando nisso. Acho que podíamos viajar com a galera, para alguma praia. Seria divertido.
–É uma boa. Estou querendo sair da mesmice mesmo.
Ele sorriu de lado e me deu um selinho, que acabou virando um amasso por causa da minha língua atrevida.
Minha língua brincava com a dele sensualmente, eu me encontrava em cima dele com as pernas uma de cada lado do seu corpo.
Meu celular apitou estragando o delicioso momento.
–Quem foi o infeliz...?- perguntou Percy tentando ler a mensagem que eu tinha recebido.
–Sua prima.
–Ah, tinha que ser. Manda ela ir se fuder com o Nico e volta pra cá.
Ignorei-o e li a mensagem: ‘Não sai mais da toca não, piranha. Topa um sorvete com a galera hoje?’. Digitei rapidamente uma resposta, desviando das investidas que o Percy dava para tentar pegar meu celular.
–Levanta dai. Nós vamos sair- Percy gemeu frustrado.
–Você vai mesmo me deixar na mão de novo? Eu tenho necessidades, okay?!- me levantei, arrumando o cabelo e caminhei em direção a porta.
–Eu também, Percy, eu também- mandei um beijo para ele- passa lá em casa daqui a uma hora, entendeu?
Ele assentiu antes de cair na cama e eu fechar a porta de quarto do moreno.
***
Vinte minutos. Era o tempo em que eu estava sentada em frente a minha casa, esperando idiota do Percy aparecer.
Thalia já tinha me ligado umas 3 vezes para saber onde eu estava. E nada do Percy, nenhuma mensagem dizendo que não poderia ir por causa daquilo, ou por causa disso ou por que do atraso.
Toda a galera já estava reunida na sorveteria. Como eu sabia disso? Bom, parece que eles querem me provocar, já que todos, sem exceção, tinham postados algumas fotos no Snap.
Uma buzina tocou me tirando a concentração do celular. E lá estava a noiva.
Levantei-me do degrau onde estava sentada e segui com raiva até o carro do moreno. Abri a porta de maneira rude e a fechei do mesmo modo. Percy me olhou espantado.
–Vinte e cinco minutos Percy. Vinte e cinco.
–Desculpe Annie.
–Posso saber o porquê da demora?
–Minha mãe me pediu ajuda com as compras.
–Você mente muito mal, Perseu- exclamei, claramente irritada.
–Vamos esquecer isso e curtir um pouco, tá legal?!- dei de ombros.
–Tanto faz.
–Adoro quando você fica irritada, você faz um biquinho tão lindo- olhei pra ele com uma sobrancelha arqueada- é sério.
–Hum...
–Ah não, se você não melhorar essa cara eu vou te sequestrar- agora que eu não melhoro mesmo, pensei.
–Só dirija Percy.
Ele, finalmente se deu por vencido e começou a fazer o trajeto para a sorveteria. Agora era ele quem estava chateado.
Esperei pararmos em um semáforo, quando o carro parou peguei a nuca dele de surpresa e lhe tasquei um beijo. Percy ficou um pouco assustado no começo, mas correspondeu de bom grado.
Não importa o que aconteça, eu nunca me cansaria daquele beijo.
Várias buzinas raivosas e alguns xingamentos fizeram-nos acordar e Percy acelerar. Nós riamos da cena acontecida e eu tinha certeza que também nunca me cansaria de ter Percy do meu lado, talvez não fosse para sempre.
Mas que seja eterno enquanto dure.
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