I Hate Loving You
39 Novo ano, novas metas- Parte 1
Notas iniciais
"Nós escolhemos o nosso próprio caminho. Nossos valores e nossas ações, eles definem quem nós somos."
–The Vampire Diaries
Pov Annie
–Quero fazer uma tatuagem- falei enquanto fazia desenhos invisíveis no peito desnudo de Percy.
–Você o que?
–Eu quero fazer uma tattoo- Percy levantou o tronco, fazendo-me sentar igualmente.
–Mas...de onde você tirou essa ideia?-o moreno me encarou sério.
–Da minha cabeça ué. Fiquei com vontade, e qual é, novo ano, novas metas- aproximei meu rosto do dele- novos fetiches. Tudo novo.
Percy encarou meus lábios com desejo, o mordi somente para provocar.
–E, você vai me contar o que vai tatuar- senti a respiração de Percy fazer cócegas nas minhas bochechas- e onde vai tatuar?
–Não.
–Você tá de sacanagem comigo?
–Não. Você sabe que eu te amo- soltei uma risada gostosa.
–Ama nada- o moreno fechou a cara, fazendo um lindo bico.
–Claro que amo. Se não, não te aturaria todo santo dia- dei um beijo na sua bochecha, observando a cara estática dele.
Fechei a porta do banheiro enquanto um sorriso sacana rasgava meu rosto.
***
–Tem certeza que quer fazer isso, Annie?- Bianca questionou, enquanto via os inúmeros desenhos que existiam na revista de tattoos que estava folheando.
–Tenho Bi- Thalia suspirou e parou ao meu lado, observando comigo.
–Já tem uma ideia do que vai fazer?- perguntou Rach.
–Tenho. Quero algo com um significado, e eu já sei exatamente o que vou fazer- fechei a revista e a joguei em cima da mesa.
–Não vai tatuar o nome do Percy do pulso, não é?!- Clarisse zombou.
–Obvio que não. Não sou burra- bufei, andando calmamente até a moça que se encontrava atrás do balcão da recepção.
–Acho que vou fazer uma também- todas as garotas olharam para Thalia espantada.
–Você também?- Bianca perguntou incrédula.
–Sim, acho que seria legal. Sabe, tatuar alguma coisa que significa muito pra você- sorri para Thalia, que piscou pra mim.
–Então vamos fazer essas tattoos.
Pov Percy
Annabeth realmente queria me torturar, aquela loira diabólica fez aquela tatuagem à dois dias e ainda não me contou o que é e onde estava aquela merda.
Eu sabia até o que Thalia tinha tatuado- um símbolo do infinito com as palavras: 'faith, hope and freedom', na nuca- e da minha namorada não.
Já disse o quanto eu odeio ela?
–Cara, Annabeth está me torturando com isso- suspirei enquanto levava a garrafa de cerveja até os lábios.
–Ela não te contou?- Luke perguntou dando risada.
–Não- virei-me para olha-la no meio da pista de dança. Ela se encontrava com as garota enquanto nós, rapazes, estávamos nos afogando em bebidas no bar.
–Por que estamos aqui mesmo?- Nico questionou seguindo meu olhar.
–Não faço ideia- levei a garrafa novamente aos meus lábios.
–Acho que é porque a gente não dança- soltei a garrafa em cima do balcão ao lado e olhei pra Luke desafiador.
Me infiltrei entre as pessoas até chegar onde minha loira mexia os quadris sensualmente. Não gostei nada da plateia olhando o traseiro que me pertencia.
Encostei seu corpo ao meu, a abraçando por trás e depositando meu queixo em cima de sua cabeça.
Ela pareceu ficar um pouco assustada, mas logo percebeu que era eu e deu um tapinha de leve na minha coxa direita.
–Quando é que vai me contar onde fez a tatuagem?- sussurrei em seu ouvido. Apesar da música estar alta, ela pareceu entender o que eu quis dizer.
Ela não me respondeu. Mas mesmo assim continuei a dançar com o corpo dela colado ao meu por um longo tempo.
Virei-a de frente pra mim e beijei seus lábios calmamente. Ela retribuiu o beijo, quase arrancando meu lábio inferior fora quando nos separamos.
–Ai, cadela- gemi levando a mão ao meu lábio.
–Larga de ser bichinha Percy- ela sorriu provocante e lhe lancei um sorriso sarcástico.
–Você sabe muito bem que a última coisa que eu sou é bichinha- Annabeth lambeu os lábios e meu sorriso aumentou- e você não respondeu minha pergunta.
–Um dia, Cabeça de Algas, um dia- e assim ela voltou a me ignorar pelo resto da festa.
E eu voltei pro bar, pra beber mais um pouco.
***
–Acorda, Cabeça de Algas, é dia 31- sorri ainda com os olhos fechados, quando ouvi a voz doce de Annabeth adentrar meus ouvidos.
–Bom dia- respondi manhoso e abracei a cintura da minha loirinha.
Abri meus olhos devagar para me acostumar com a claridade do quarto e me deparei com lindos olhos cinzas, quase azuis, brincalhões.
–Bom dia amor- sorri com o apelido e lhe dei um selinho- credo, você tá com um bafo horrível. Vai escovar esses dentes Perseu.
–O que aconteceu com o amor?- questionei enquanto assistia minha namorada se levantar e ir para o banheiro com uma troca de roupas na mão.
Exato.
Por causa daquela maldita tatuagem eu nem podia ver ela nua, muito menos fazer sexo.
Odeio tatuagens.
Fechei os olhos novamente, escutando o som do chuveiro ligado e relaxei na cama. Hoje é o ultimo dia do ano, e sinceramente, eu não sei como 2015 vai ser.
Só sei que esse é o nosso ano. O ano da nossa formatura.
As respostas das faculdades ainda não tinham chegado pra mim, e isso realmente me incomoda. Todos os meus amigos já tiveram pelo menos uma resposta.
Eu ainda não sabia o que fazer da minha vida ainda, também. É tudo tão confuso, tão novo.
–No que tá pensando Cabeça de Algas?- balancei minha cabeça, me recuperando do susto que Annabeth havia me dado.
–Na vida- me sentei acariciando minha barba rala. Seus olhos cinzas me encaravam com preocupação, ela andou até mim lentamente e colocou a mão no meu ombro.
–Isso é assustador, você não é muito de pensar- encarei-a com desdém, ela sorriu e eu revirei os olhos- tá, sobre o que, exatamente, você estava pensando?
–Faculdade.
Disse simplesmente. Ela me encarou ainda mais séria, e eu logo me arrependi de ter falado aquilo pra ela.
Qual é. Nós estamos cientes de que vamos para faculdades diferentes. Ela vai pra Stanford e bem, eu, ainda não sei. Não era uma assunto muito de legal de se falar em uma viagem de descontração e 'renovação'.
–Você ainda não recebeu nenhuma resposta, não é?!- assenti coçando o queixo pensativo- Pers, você sabe que vai conseguir entrar. Tenho certeza que vai.
–Que os Deuses ouçam suas palavras. Mas vamos mudar de assunto- sorri maliciosamente, abraçando-a pela cintura.
–Hoje não, amor- fechei minha cara e soltei a cintura dela.
Droga de tatuagem.
***
A lua iluminava o maravilhoso céu de San José. Não havia nuvens, nada que poderia atrapalhar a luz do luar.
Eu e Annabeth andávamos de mãos dadas até o pequeno luau onde comemoraríamos a passagem do ano junto com nossos amigos.
Tenho que dizer que é um momento muito especial, é o primeiro ano novo em que eu me sinto eu mesmo, que me sinto livre, não finjo ser ninguém além de mim mesmo.
Annabeth se encontrava deslumbrante. Ela já era linda por natureza, mas hoje ela irradiava felicidade e isso a deixava ainda mais linda.
Ela usava uma saia rodada branca e um top bege. Quanto a mim, eu estava com uma calça branca e uma blusa social com os primeiros botões abertos, também branca.
–A lua está linda, não?- olhei para a pequena loira ao meu lado. Ela batia mais ou menos na altura do meu queixo, então eu tinha que abaixar minha cabeça para olha-lá.
–Está- assisti seu imenso e magnifico sorriso se abrir. Aquilo me fez sorrir também, afinal ela estava feliz.
E tudo o que quero é a felicidade dela. Mesmo que isso signifique deixa-la ir, mas no fundo eu sabia que a razão de ela estar tão feliz é porque eu faço feliz.
E não há sensação melhor que essa, porque a razão de eu estar me sentindo livre, é ela.
Sempre foi, eu só não tinha percebido.
Fale com o autor