I Hate How Much I Love You
12 Capítulo 10
Notas iniciais
- Eu vou buscar o secador que vi no banheiro. – murmurou Hanna assim que Emily terminou de tomar seus comprimidos e guardou sua caixinha de remédios cuidadosamente na mala. – Você vai pegar um resfriado se dormir com o cabelo molhado.
A morena apenas concordou com a cabeça e se deitou novamente quando a amiga deixou o quarto. Não demorou muito para Hanna voltar com o secador, uma escova e um pote de creme para pentear. Depois de convencer que era realmente necessário, a loira conseguiu fazer com que Emily se sentasse novamente para que ela pudesse realizar a tarefa. Começou passando o creme nas pontas do cabelo da amiga, para depois desembaraça-lo passando delicadamente a escova por entre os fios molhados. Aquele ato, apesar de tão simples, para ela era extremamente sensual.
Antes que pensamentos pecaminosos invadissem sua mente, a loira ligou o secador e passou então a secar o cabelo da amiga. Passava os dedos entre os fios, enquanto direcionava o jato de ar para o couro cabeludo da morena quando Spencer e Aria entraram no quarto. Ambas trocaram rápidas palavras com Emily para se certificarem de que ela se sentia melhor. A pequena pegou seus pertences de higiene pessoal e se dirigiu ao banheiro, enquanto Spencer trocou de roupa, sem deixar de observar cada movimento da loira, que estava alheia aos olhares atentos da amiga.
Aria voltou do banheiro, cedendo o lugar para Spencer. A pequena se trocou e, depois de fazer uma última ligação para Ezra, se deitou na outra cama disponível. O cansaço era tanto, que mesmo com o barulho do secador, rapidamente caiu no sono.
Quando Spencer retornou ao quarto, encontrou Hanna cobrindo Emily com um edredom. A morena dormia em uma das camas auxiliares que saíam debaixo das outras duas camas, e juntas formavam uma espécie de cama de casal. Desde a adolescência, quando iam à casa do lago, Hanna e Emily dormiam nas camas auxiliares, enquanto Aria e Spencer nas camas superiores. Sendo assim, ver a loira se deitando ao lado de Emily seria completamente normal. SERIA, se desde que se reencontraram não estivesse sentindo uma vibe diferente entre as duas. Talvez ela sempre tivesse existido e simplesmente na turbulência em que se encontravam suas vidas, não fora capaz de perceber. Mas agora via claramente que algo acontecia ali, pelo menos por parte de Hanna.
Spencer se deitou em sua cama e apagou a luz do abajur que existia em cima do criado-mudo. Voltou a meditar sobre os acontecimentos desse dia e, quanto mais pensava, mais suas suspeitas aumentavam. Analisando o comportamento de Hanna nessas últimas horas, se deu conta do quão cegas haviam estado para não ter percebido antes. Os ciúmes, os cuidados excessivos, as brigas bobas, os olhares que Hanna dirigia à morena quando pensava que ninguém estava prestando atenção... Todos os sinais estavam ali, bem diante dela. Logo ela, com sua notória inteligência, não foi capaz de perceber que sua amiga cultivava por Emily um sentimento que ia além da amizade. Possivelmente Hanna havia mantido esse sentimento em segredo há anos, agora que parava para analisar, e nenhuma de suas melhores amigas (Emily, inclusive) teve sensibilidade suficiente para perceber. Não pôde evitar sentir-se culpada imaginando o quanto a amiga deveria ter sofrido calada, sem ter com quem compartilhar o que sentia.
Depois de muito pensar, Spencer chegou à conclusão de que: 1- teria que conversar com Hanna sobra sua descoberta, por mais doloroso ou constrangedor que isso fosse para a loira. Sabia que colocar para fora o que guardava somente para ela durante anos faria bem para a amiga; 2- teria que tentar descobrir se Emily correspondia aos sentimentos de Hanna, o que, dependendo do resultado, a levaria ao ítem número três; 3- ajudar às amigas a revelarem o que sentiam uma pela outra. Com isso em mente, Spencer adormeceu, já imaginando como daria o primeiro passo em sua missão.
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Hanna acordou com dificuldade de respirar. Abriu os olhos e rapidamente voltou a fechá-los, devido à claridade. Porém, a falta de ar a fez voltar a abri-los. Piscou algumas vezes, adaptando-se à luminosidade, e o primeiro que avistou foi o rosto de Emily colado ao seu. Estavam tão próximas uma da outra que podia sentir sua respiração. Aquilo conseguia ser erótico e asfixiante ao mesmo tempo. Aquela proximidade, ao mesmo tempo em que a excitava, a sufocava, por saber que apesar de tê-la ao seu alcance, Emily não poderia estar mais distante dela.
Ou talvez essa asfixia se devesse à perna da amiga, que descansava pesadamente sobre seu estômago. Colocou a mão por debaixo de seu joelho e tentou movê-lo, inutilmente. Ao sentir o contato Emily se movimentou levemente, mas permaneceu na mesma posição. Hanna, que agora tinha a mão posicionada na coxa morena, inconscientemente, acariciou aquela região exposta. Manteve-se assim, desfrutando do contato com a pele macia, até que sentiu que a perna, que até então dificultava sua respiração, se movia rapidamente, rompendo a carícia.
Levantou a cabeça e deparou-se com um par de olhos castanhos aveludados. Emily a encarava fixamente e nenhuma das duas fez movimento algum por vários segundos. Hanna sentiu que se instalou uma tensão no ambiente que ela ainda não havia conseguido decifrar, então, optou por descontrair.
- Você sempre querendo me matar por asfixia durante a noite, não é? – disse, com um sorriso brincalhão.
- Certas coisas nunca mudam... – foi a resposta da morena que também lhe dedicou um sorriso que fez com que o dia de Hanna já valesse a pena.
- Bom dia! – disse então. – Como você se sente?
- Como se nada tivesse acontecido. – respondeu com um sorriso de satisfação. — E graças a você. – Emily passou o dedo na ponta de seu nariz, e Hanna sentiu um leve arrepio, apesar de brevidade do contato. – Eu te dei muito trabalho? – perguntou sem graça.
- Claro que não, Em. Amigas são para isso, não é? E eu sei que você faria o mesmo por mim.
- Hmmm, não sei, acho que eu pularia a parte do banho... – brincou.
Hanna imediatamente sentiu-se tensa. Emily se lembraria de tudo? Será que ela havia percebido seus olhares totalmente inapropriados? E quando, em um ato de impulso, havia provado o mel que escorrera por seus lábios? Oh Deus, isso não poderia estar acontecendo. Seria essa sua punição por ter se aproveitado, em certo ponto, de sua melhor amiga enquanto ela estava inconsciente?
- V...vo...você se lembra de... tudo? – perguntou nervosa.
- Claro! Digo, não exatamente TUDO, mas tenho pequenos flashes. E também não me recordo a ordem em que aconteceram, mas sim, eu me lembro de quase tudo. De maneira um tanto confusa, mas me lembro. Por quê? – arqueou a sobrancelha. – Eu fiz alguma coisa da qual poderia me constranger? Não me diga que eu pulei no lago, seminua de novo?!
- Não! – respondeu Hanna, rindo ao se lembrar daquela ocasião, anos atrás. – Você não fez nada de constrangedor, é só porque... bom, você estava muito chapada e apagou completamente, achei que não iria se lembrar de nada. – disse, se sentando na cama e preparando-se para se levantar, tentando dar por encerrada a conversa, antes que Emily se lembrasse de alguma coisa que poderia constranger A ELA.
- Menos mal... – suspirou Emily aliviada. – Espera, Han. – segurou a amiga pelo braço, antes que ela pudesse se levantar da cama. – Eu... posso te perguntar uma coisa?
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