I Hate How Much I Love You
9 Capítulo 07
Notas iniciais
As quatro amigas estavam reunidas à mesa conversando descontraidamente. Hanna notou que Emily se encontrava um pouco ausente, fazendo comentários monosilábicos ou simplesmente assentindo com a cabeça. A loira se perguntava o que poderia estar acontecendo com a amiga.
- E você, Hanna, como vai o emprego em Nova York? – perguntou Spencer.
- Indo... Eu sempre gostei de moda, mas não sei... Sinto que lá não é meu lugar. Vestidos de noiva não fazem muito o meu estilo, sabe? E o salário também não é grande coisa... – suspirou, apoiando o queixo na mão. – O custo de vida em Nova York é muito caro, então praticamente tenho que escolher quais contas pagar a cada mês.
- E você nunca pensou em voltar para Rosewood? – indagou Aria, observando atentamente a reação da amiga.
Depois de meditar alguns segundos, Hanna respondeu.
- Em alguns momentos sim, mas depois eu me lembro do porquê de ter deixado a cidade e então... – disse a loira.
- A propósito, você nunca nos disse que motivo foi esse... – sinalizou Emily.
- Já f-faz tant-to tempo... – gaguejou Hanna nervosa, desviando o olhar, sabendo que talvez a morena pudesse ler em seus olhos seus sentimentos, como fazia sempre. – Isso não... – suspirou. — Já não importa...
- Claro que importa, Han! – exclamou Emily. – Você não só se mudou para Nova York, como também se afastou de todas nós, que supostamente somos suas melhores amigas.
- Em, eu já disse que algum dia contarei! Vocês não podem me pressionar dessa forma, não tem esse direito! – gritou a loira, entre irritada e indignada.
- Calma, Han... Nós não queremos pressionar. – disse Aria, tentando acalmar os ânimos. Tudo o que não precisava nesse momento era outra briga entre Hanna e Emily. Supostamente essa era pra ser uma noite divertida. – É só que... Durante todo esse tempo ficamos sem entender. Você foi embora tão de repente... Mas enfim, quando você estiver pronta, nós estaremos aqui para te ouvir. – passou a mão sobre a da amiga.
- Então, agora que já jantamos, podemos começar a festa? – perguntou Spencer animada, tentando quebrar a tensão.
- Sim, Hanna e eu já lavamos e cortamos as frutas. – disse Aria. — É só colocar na coqueteleira e bater com a vodca.
O celular de Emily tocou, e após pedir para Aria preparar uma caipivodca de morango, Emily foi à varanda da casa atender a ligação. Hanna imediatamente foi tomada por um ataque de ciúmes, se perguntando se tratava-se de Sam ou talvez Paige.
– Será que é o tal do Sam? – perguntou às amigas, quando Emily se afastou.
– Provavelmente sim, pelo que a Em disse eles são bem próximos, já que dividem apartamento. – disse Aria, com a maior naturalidade do mundo.
– O QUE? COMO ASSIM? – Hanna soou mais agressiva do que pretendia e, quando se deu conta, tentou disfarçar. – Digo... Ela havia dito que eles não têm nada sério e agora você diz que eles já até moram juntos. – disse, tentando parecer casual, quando na verdade queria indagar quão profunda era a relação dos dois.
– Na verdade eles não moram juntos, Han, eles dividem apartamento. — disse Aria sorrindo, aparentemente divertida com a situação.
– E por acaso não é a mesma coisa, Aria? – perguntou a loira impaciente, se apoiando no balcão enquanto observava a pequena preparar os drinks.
– O que eu quero dizer é que primeiro eles dividiram apartamento para depois terem um... relacionamento, rolo ou o que quer que seja isso que eles tem. – explicou a pequena. – A princípio foi só amizade, entende?
Não deu tempo de Hanna responder, já que nesse momento Emily voltou para a sala. As amigas então colocaram músicas mais dançantes e começaram a beber os drinks preparados por Aria e Hanna. Dançaram, cantaram, gravaram vídeos engraçados e lembraram-se de momentos engraçados vividos na adolescência.
Continuaram entre risadas até que Spencer sugeriu que jogassem Jogo da Verdade. Aria rodou a garrafa de vodca que já haviam esvaziado, de maneira que Emily faria uma pergunta para Spencer.
– Spencer, é verdade que o presidente Obama usa perfume feminino? – perguntou Emily, enrolando um pouco a língua ao falar, devido ao teor alcoólico em seu sangue.
– Claro que não! – respondeu Spencer indignada. – Fique sabendo que ele é um dos homens mais cheirosos e másculos que eu já conheci.
– Em, você não sabe jogar? A ideia é que você faça perguntas comprometedoras e/ou constrangedoras. – disse Aria, rindo.
– Isso é constrangedor, ok? Eu sempre admirei o presidente e a ideia de que ele usasse perfume feminino me perturbava... – explicou a morena, arrancando uma risada das amigas. – É sério! – exclamou, rindo também.
– Agora deixa que eu rodo isso aqui. – disse Spencer, rodando a garrafa. – Aria, você pergunta para a Em. – bateu palmas, animada. Aria sempre havia sido boa em arrancar confissões.
– Em, as estatísticas apontam que garotas lésbicas tem o apetite sexual três vezes maior que o de uma mulher hetero. Essa informação procede? – perguntou Aria com um sorriso malicioso.
Emily, quase engasgou com a bebida que tomava na hora. Olhou para as amigas, que tinham os olhos fixados nela, na expectativa da resposta. Deu mais uma golada para se acalmar, já que sexo não era um assunto que a deixava confortável. Mas, a bebida lhe deu coragem suficiente para responder e devolver a provocação da amiga.
– Eu não sei, já que não tenho com o que comparar. Por que você não me diz qual o seu récord com o Ezra em um único dia e nós tiramos uma conclusão quanto a isso? – disse, com um sorriso de deboche.
Hanna e Spencer riram divertidas com a pequena disputa entre as amigas. Aria meditou por algum tempo, tentando contabilizar os números.
– Hmmm – disse a pequena enquanto mordia os lábios, tentando ativar sua memória. – Acho que foi quando ele voltou da viagem que fez à Europa para visitar a mãe. Depois de quase um mês longe um do outro nós fizemos... quatro vezes.
– Bom, nesse caso... – disse Emily com um sorriso malicioso. – Sim, é verdade.
– Nossa, você já fez mais do que quatro vezes em um único dia? – perguntou Spencer realmente surpresa.
– Meu Deus, Em, com essa carinha de anjo ninguém iria imaginar que você é uma ninfomaníaca. – disse Aria, abrindo bastante os olhos, em choque.
Hanna não poderia estar mais desconfortável com aquela situação. Não gostava de imaginar Emily tendo relações sexuais com ninguém que não fosse ela, mas não pôde evitar se perguntar com quem ela havia se aventurado tantas vezes. Sem que percebesse, murmurou a pergunta em voz alta.
– Com quem?
– Hã? – perguntou Emily, sem entender.
– Com quem? – agora que já havia feito a pergunta, teria que aguentar as consequências da resposta, ainda que aquilo a machucasse. – Com quem... você sabe... com quem foi esse seu récord? – murmurou com a voz fraca ao ver que a morena continuava sem entender.
– Foi com... a Paige. — respondeu Emily, com as bochechas coradas. Ela ainda se sentia desconfortável falando dessas coisas, ainda que houvesse provocado Aria com aquele assunto.
Apesar de já esperar aquilo, ouvir as palavras saírem da boca da amiga fizeram com que o coração de Hanna sentisse uma pontada. Tentou convencer a si mesma de que aquilo era uma estupidez, já que ela e a morena não tinham nada. Além disso, Paige e Emily namoraram por quase dois anos, era obvio que tivessem vivenciado experiências sexuais diversas, afinal eram duas garotas jovens, saudáveis e... apaixonadas. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz de Aria.
– Spence, você pergunta para a Han. – disse a pequena, ao ver que a garrafa havia parado com o fundo virado para Spencer e a boca para Hanna.
– Hmmm, Han, com quantos caras você ficou durante esse tempo em Nova York? E com “ficar” eu quero dizer “transar”.
Hanna tinha que admitir que era muito divertido ver como as amigas ficavam constrangidas com perguntas relacionadas a sexo, mas quando a situação era com ela, definitivamente não era engraçado.
– Eu não vou responder a essa pergunta, Spencer. – disse mal humorada.
– São tantos assim? – perguntou Spencer para provocar.
– Isso você nunca saberá. – cruzou os braços com rebeldia.
– Bom... você sabe o que acontece com quem não quer responder a uma pergunta, não é? – disse a morena com uma expressão diabólica.
– Eu não vou pagar porcaria de prenda nenhuma. Faça o favor de fazer outra pergunta. – Hanna quase chorava, era um péssimo costume seu. Quando estava com raiva sua primeira reação era chorar.
– Hanna, regras são regras. Você escolhe: ou responde a pergunta, ou então vai ter que pagar a prenda. – disse Aria, tentando segurar o riso.
– Han, é melhor você responder... Eu sei do que essas duas são capazes... – disse Emily, com um sorriso que parecia de compaixão.
A última frase relembrou às meninas uma ocasião em que jogaram esse mesmo jogo, e Emily, ao se recusar a responder se já havia se tocado pensando em Paige, teve que pagar uma prenda pior: se declarar para ela. Aquela lembrança fez com que Hanna se apavorasse, pois caso sua prenda fosse parecida, teria que se declarar para Emily e ela sabia que isso seria a pior coisa que poderia fazer com a sua amizade. Ao mesmo tempo, no caso de Emily e Paige aquela prenda foi responsável pelo relacionamento posterior. Talvez pagar uma prenda não fosse uma má ideia, no final das contas.
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