Notas iniciais
Oláááá, amores da minha vidinha! Não, eu não morri e nem fui abduzida por um extraterrestre! hahahaha Então, eu viajei, peguei um furacão, uma tormenta tropical, quase que não consigo voltar pra casa, mas estou aqui, viva. E meu sumiço, se deve à viagem, mas também -eu devo admitir- à um pequeno bloqueio que tive durante esse capítulo. Ele foi muito, muito, muito difícil de escrever. Tanto pela carga emocional, quanto pela indecisão que eu tinha em relação ao rumo que eu iria dar para a história a partir desse momento. Mas acho que ficou do jeito que eu imaginava, espero que vocês curtam. Ah, antes que eu esqueça, obrigada à Renata Zago pela recomendação! Adorei, lindona! Obrigada também à Pokemona que veio toda fofa me perguntar se estava tudo bem comigo e se preocupou com a minha ausência. ♥ E aaaahhhh, quero dar um beijo em cada um de vocês, porque ultrapassamos a marca de 200 comentários! ♥ Enfim, vamos ao que interessa, aí está o capítulo feito com muito amor pra vocês! Eu espero que vocês gostem! E se não gostarem, me digam em que eu posso melhorar! Críticas construtivas são sempre bem-vindas! :D

Por alguns segundos Hanna realmente chegou a acreditar que Emily pudesse corresponder a seus sentimentos. Ou que, no mínimo, sentisse por ela algo a mais que amizade, por menor que fosse esse “algo”. Porém, como por arte de magia, a morena havia fugido, deixando-a sozinha e confusa na pista de dança.

O que ela precisava naquele momento era uma boa dose de vodca para fazê-la superar esse momento. Dirigiu-se ao bar onde três barmans preparavam livremente os mais diversos drinks para os convidados. A loira pediu um Cosmopolitan, quando na verdade o que ela necessitava realmente era uma dose dupla de vodca pura. Decidiu pegar leve, pois não queria se embriagar na festa de casamento de uma das suas melhores amigas.

Aguardava sua bebida ficar pronta quando uma voz a sobressaltou.

- Cosmopolitan? Não faz muito o seu estilo... – comentou a voz aveludada.

Quando a loira levantou o olhar, quase caiu do banco alto em que estava sentada. A voz era de Mike, irmão de Aria. Não o havia visto durante a cerimônia, pois segundo Aria, o voo em que seu irmão viria fora cancelado devido ao mau tempo em Chicago, onde cursava sua faculdade de Engenharia Civil. Sendo assim, podia-se dizer que seu espanto devia-se em parte por estar surpresa em vê-lo ali, e principalmente por dar-se conta de como ele havia mudado e já nada tinha a ver com o adolescente rebelde de cinco anos atrás. Agora, o rapaz tinha traços muito mais masculinos. Seus olhos permaneciam tão verdes quanto antes, muito parecidos aos de sua irmã, mas fora isso, as mudanças em sua aparência lhe haviam garantido a capacidade de arrancar suspiros por onde passasse.

Ele exibia um sorriso cafajeste, enquanto a observava de cima a baixo. Ela também se permitiu observá-lo e notou que seu cabelo estava mais curto e um tanto mais escuro do que quando o havia visto pela última vez. Ele vestia um terno preto com uma camisa branca e gravata cinza com riscas azuis. Sua barba por fazer revelava que ele mantinha algo de seu lado rebelde, o que aumentava ainda mais seu encanto. No passado, Mike tinha cultivado uma queda pela loira, que sempre se esquivava por ele ser mais novo, e ainda por cima irmão de sua melhor amiga. Além, é claro, do fato de ele sempre estar metido em problemas.

- Você parece surpresa em me ver. Estou tão assustador assim? – disse o rapaz com um sorriso de canto. Mike sabia muito bem o porquê de sua reação, ele era consciente de seus encantos, e sua pergunta nada mais era do que uma provocação.

- Não, é só que a Aria tinha comentado que você tinha perdido seu voo e eu deduzi que não viria mais. – contestou firme, não se deixando levar pela provocar provocação do jovem.

- Eu não perderia o casamento da minha irmã por nada, nem que pra isso eu tivesse que pagar uma quantia absurda por um taxi aéreo. – explicou, depois da resposta dura de Hanna.

A loira estranhou o fato de o rapaz ter dinheiro suficiente para pagar um taxi aéreo sendo um universitário, mas decidiu não fazer questionamentos. Isso não era problema seu.

- Mas então... – disse a loira, enquanto provava o drink que o barman tinha acabado de colocar sobre a barra de bebidas. – Como está a universidade? – perguntou.

- Tão chata quanto à escola... – respondeu ele, fazendo uma expressão de tédio. – Mas vamos falar de coisas mais interessantes... – murmurou o rapaz adotando um tom de voz sedutor. Hanna já previa o rumo que a conversa tomaria. – Solteira?

A loira rodou os olhos e sorriu. Mike não havia perdido aquele jeito cafajeste e galanteador, sua marca registrada desde que era um adolescente quando já dava em cima de todo ser humano da espécie que usa saias, e isso incluía as amigas de sua irmã, Hanna especialmente.

- Isso realmente não é da sua conta, mas... Sim, eu estou solteira e isso não altera em nada as suas chances comigo. – murmurou, dando mais um gole em sua bebida com um sorriso de satisfação.

Quando o rapaz estava prestes a responder – provavelmente algo egocêntrico e atrevido – Hanna avistou Spencer, que caminhava a passos firmes em sua direção.

- Eu preciso falar com você. – disse à amiga, com uma seriedade na voz. – Urgente. – enfatizou quando a loira ia protestar.

E então, puxou Hanna pelo braço, não lhe dando tempo sequer de se despedir de Mike.

- Mas que falta de educação! – reclamou a loira, enquanto era arrastada pelo salão. – Você sequer cumprimentou ao Mike. A propósito, você se deu conta de que eu estava conversando com outra pessoa antes de interromper desta forma?

Spencer abriu a porta de dava para a recepção do salão, por onde os convidados haviam entrado, e posteriormente, sairiam. Lá havia uma mesa redonda bem ao centro, com um imponente arranjo de flores. Acima da mesa, estava localizado um enorme lustre que iluminava todo o ambiente de maneira aconchegante. Ao longo das paredes laterais do ambiente, havia diversos quadros com fotos que registravam momentos da vida do casal de noivos.

Hanna observava distraída às fotos, até que ouviu Spencer pigarrear irritada. Quando a loira voltou sua atenção à amiga, notou que esta tinha os braços cruzados e lhe dirigia um olhar de reprovação.

- O que foi? – perguntou Hanna, um tanto acuada com a atitude da amiga.

- Eu vi a Em saindo correndo e com uma expressão perturbada... Levando em consideração que a última vez que eu a vi antes disso, ela estava dançando com você, isso me leva a acreditar que você fez alguma burrada... – concluiu a morena, elevando uma de suas sobrancelhas como para demonstrar que isso não se tratava de uma pergunta, e sim uma constatação. -... Mesmo eu tendo te advertido que hoje era o dia da Aria e que não podíamos estragar essa noite. – disse essa última frase apontando o dedo para Hanna, como uma mãe faz com o filho que comete alguma travessura.

- E-eu... eu não fiz nada. – de repente, todos aqueles acontecimentos vieram à tona na mente de Hanna e ela, que por alguns minutos tinha deixado de lado toda a confusão que sentia, voltou a sentir aquela angústia e conteve as lágrimas que ameaçavam cair. – A Em e eu estávamos apenas dançando, e então ela fechou os olhos e começou a abaixar a cabeça. Ela iria me beijar! Você tem ideia de quanto eu esperei por esse momento, Spence? – perguntou com certo desespero. – Mas então, do nada, ela parece ter caído na real e se tocado do que ia fazer e saiu correndo, me deixando sozinha, confusa e chocada no meio da pista de dança! – e então, já não pôde segurar as lágrimas. – Foi ela quem começou, Spence, eu juro! – disse com um soluço.

Ouviram, então, que a porta se abria, deixando que as vozes e a música do ambiente ao lado invadisse aquele espaço, que para Hanna acabara de se tornar extremamente pequeno e sufocante. Observou a expressão de dor na face de Emily, que intercalava o olhar entre Spencer e ela.

- O Mike me disse que viu vocês vindo pra cá. – explicou Emily, ainda olhando de uma para a outra. – Eu queria conversar com você sobre... Bom, o que aconteceu na pista de dança... – dirigindo-se à Hanna. — Mas não imaginava presenciar uma DR entre o casal. – disse essas palavras com tom de desprezo.

Dito isso, a morena virou-se, deixando o ambiente. Um silêncio devastador tomou conta do local; Hanna tinha o rosto vermelho pelas lágrimas que desciam incessantemente, enquanto Spencer estava em choque com a cena que acabara de presenciar. Tudo o que ela queria era ajudar às amigas, e acabou fazendo com que as duas saíssem machucadas. Talvez seus conselhos não fossem tão bons e suas ideias não fossem tão geniais, no final das contas.

Mas algo tinha de ser feito. Emily não podia ficar com aquela impressão de Hanna e sua. Talvez tivesse chegado o momento; talvez depois de tantos anos, finalmente Hanna deveria confessar seus sentimentos, por mais que não estivesse segura de que estes fossem correspondidos. Pela primeira vez na vida, resolveu dar um conselho deixando a razão de lado e focando 100% no coração. Sabia que o coração de Hanna não suportava mais sofrer calado, que já era hora de que todos os sentimentos guardados durante todo este tempo fossem extravasados. Certamente na confusão em que se encontrava agora, a loira não seria capaz de enxergar dessa forma, e era ali que ela deveria entrar, como amiga, para fazê-la abrir os olhos.

- Vá atrás dela. – disse de repente, quebrando o silêncio insuportável e carregado de dor. – Hanna! – chamou a atenção da amiga, quando se deu conta de que esta permanecia em estado de transe. – Chegou o momento. Vá atrás dela. – repetiu com uma voz mais calma quando percebeu ter a atenção da loira.

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Emily andava desnorteada entre as pessoas que, alheias à grande bagunça em que se encontrava sua mente naquele momento, dançavam, bebiam e riam. No centro da pista de dança avistou Aria, que dançava com Ezra uma música agitada. Sua amiga irradiava felicidade e seu peito se contraiu com a culpa. Ela deveria estar curtindo e compartilhando esse momento com a pequena. Em vez disso, quase havia beijado uma de suas melhores amigas e agora tanto ela, quanto Hanna estavam transtornadas. Além, é claro, da briga que havia causado entre Hanna e Spencer.

Passeou seu olhar pelo salão, em busca de Sam. Porém, se deparou com um par de olhos azuis que estavam inchados e avermelhados, devido às lágrimas que por ali desceram. Hanna ainda tinha uma expressão perturbada, porém a olhava firme e decidida. Percebeu que a loira caminhava em sua direção, mantendo o olhar fixo ao seu. Por ato reflexo, Emily virou-se, e começou a andar a passos rápidos em direção oposta, seguindo para o jardim onde antes estivera.

Sem ao menos perceber, Emily já estava correndo. Ela já não sabia se queria conversar com Hanna agora. Ainda estava muito confusa em relação aos seus sentimentos. E também estava o fato de que provavelmente Spencer e Hanna tinham algo, e por mais que ela se sentisse desconfortável em relação a isso, jamais seria capaz de se colocar entre as duas.

Uma parte de si lhe dizia que deveria se afastar e deixar o caminho livre para Spencer e Hanna; outra parte, que lutasse pelo que estava começando a brotar em seu coração e que tentassem descobrir, Hanna e ela, juntas, do que se tratava. A verdade era que não era capaz de organizar seus pensamentos naquele momento, ainda estava tudo muito confuso.

Ao chegar à área externa do jardim, Emily deixou de correr e passou a caminhar. Respirou fundo e desfrutou da serenidade que o local oferecia. Talvez fosse um bom lugar para colocar seus pensamentos em ordem. Ou seria, se não tivesse sentido a presença de outra pessoa. Ela não precisou se virar para ter a certeza de que se tratava de Hanna. Apenas ficou imóvel, de costas para ela, esperando o que a loira tinha a dizer.

- Quantas vezes mais você vai fugir? – perguntou Hanna, com a voz rouca, provavelmente de tanto chorar.

Emily fechou os olhos, sentindo-se culpada pela dor causada à amiga. O sofrimento era quase palpável em sua voz.

- Han, eu... eu estou confusa... – disse ela, virando-se finalmente, e encarando a amiga, o que resultou ainda mais devastador. Hanna chorava silenciosamente e Emily não só sentiu, como pode ver todas as emoções afloradas naquele olhar. – O que aconteceu hoje na pista de dança...

Ela não conseguiu terminar a frase. Não podia colocar em palavras o que ela sequer tinha compreendido ainda em seu coração e sua mente.

- Não aconteceu nada naquela pista de dança, Em! – exclamou Hanna, secando suas lágrimas, sentindo-se estranhamente mais forte naquele momento. – Nada perto do que eu gostaria que tivesse acontecido. Você vem me dando sinais... Sinais esses que eu tento ignorar, com medo de me machucar ainda mais. Mas não é fugindo que vamos resolver essa situação. A nossa amizade está em jogo no meio disso tudo.

- E também tem a Spence... E-eu não quero estar entre vocês duas... – murmurou Emily tão baixo que Hanna mal pode ouvir.

- Não existe nada entre a Spence e eu, Em! Eu realmente não sei como ainda não percebeu que durante todos esses anos eu fui apaixonada por você, e só por você. Eu não consigo e não quero ter olhos pra mais ninguém. Se não tive nenhum relacionamento durante todos esses anos é porque não consigo sequer imaginar ninguém na minha vida se não for você. – Hanna dizia cada palavra com tanta paixão e fervor, que Emily não duvidou de uma vírgula sequer. Estava chocada, é verdade, mas também maravilhada.

- Han, eu não sei nem o que dize... – balbuciou.

- Não diga nada ainda, eu preciso dizer tudo antes que perca a coragem. – a loira suspirou. – Desde que estávamos na escola eu comecei a sentir por você coisas que supostamente amigas não devem sentir. No começo foi tudo confuso, por isso eu entendo o que você está sentindo agora, mas Em... O que nós temos é algo especial demais para ser desperdiçado. Eu sei que agora você precisa de um tempo pra absorver tudo isso, mas... Eu só quero que você saiba que independente da sua decisão, quero que a nossa amizade seja preservada. Nada seria mais doloroso pra mim que perder a sua amizade. Eu posso suportar o fato de não te ter da maneira que eu quero, posso suportar até... – sua voz vacilou um pouco nesse momento. – Posso até suportar te ver com outra pessoa, como fiz ao longo desses anos. Mas eu não posso imaginar a minha vida sem você. Eu te amo ao ponto de desejar a sua felicidade, e se ela não está comigo, eu aceitarei isso. Mas preciso ao menos da sua amizade, da sua companhia, do seu companheirismo... Sem você, eu não sou completa, Em. – Hanna finalizou o seu discurso tão carregado de emoções e sentimentos, segurando na mão de Emily e olhando profundamente em seus olhos.

A morena estava completamente sem palavras. Hanna descrevia seus sentimentos com tanta veracidade que ela estava simplesmente atordoada. Como era possível que ela não tenha percebido nada? Mas o que mais a apavorava era a possibilidade de não ser capaz de corresponder da mesma maneira, à altura de que um amor assim merecia. Ou melhor, à altura do que Hanna merecia. Ela sempre havia sido uma pessoa especial em sua vida, e tinha de admitir que ultimamente seu coração andava um pouco confuso em relação aos seus sentimentos por ela. Mas isso era algo que ainda não era capaz de discernir, e enquanto fosse assim, não poderia arriscar iludir Hanna e fazê-la sofrer, não seria justo com ela.

- Han, eu estou realmente... tocada pelas coisas que você me disse. Me desculpe por nunca ter percebido nada. E desculpe também se eu te machuquei, se eu soubesse... – a voz de Emily falhou, com a mera ideia de Hanna sofrendo por sua culpa. – Bom, você é a última pessoa no mundo que eu gostaria de magoar, e... Eu preciso te confessar que sinto algo por você, algo que vai além da amizade... – o coração de Hanna faltou pular para fora com essas palavras. – Mas... ainda não descobri muito bem do que se trata, é tudo muito novo pra mim e eu tenho medo de te machucar ainda mais. Por isso, eu... Te peço um tempo. Não muito, eu prometo. Mas preciso de um tempo para organizar meus pensamentos e decifrar tudo que estou sentindo agora. Eu só preciso que você saiba que você é e sempre será muito especial pra mim. – Emily se aproximou da loira, encostando suavemente seus lábios em sua testa, e afastou-se, voltando para o salão de festas.

Notas finais
E aííí, o que acharam? Tadinha, a Hanna foi enviada ao mundo para sofrer, né? Que dó... hahahaha Mas eu prometo que no próximo capítulo as coisas começam a melhorar pro lado dela. É só porque eu gosto de um drama, e se elas já ficassem juntas assim, facilmente, não ia mais ter história, ia sobrar só mimimi... hahahahaha Enfim, espero reviews! ;) E me desculpem pela demora, eu sei o quanto é horrível esperar por capítulo!