I Hate How Much I Love You
17 Capítulo 15
Notas iniciais
Hanna não podia acreditar no que acabara de ouvir. Emily estava mesmo convidando-a para dançar com ela? Tipo, juntas? Ela esperava de verdade não estar transparecendo toda sua surpresa, era bem capaz de ainda estar com a boca aberta, totalmente em choque.
— E então, vamos dançar? – voltou a perguntar a morena.
— E-eu e você? – perguntou, abismada.
— Sim, Han. – respondeu Emily, um tanto tensa. Será que havia sido invasiva demais? A verdade era que não tinha pensado muito ao fazer o pedido, agiu por um impulso. Agora se perguntava se Hanna acharia aquilo estranho. – Mas se não quiser, tudo b...
— Não! – interrompeu a loira, já se levantando. – Vamos dançar sim! – estendeu a mão para que Emily a tomasse e as duas seguiram juntas para a pista. Ambas sentiram uma pequena descarga elétrica ao contato das mãos, mas preferiram ignorá-la.
Emily caminhava nervosa em direção à pista de dança, se perguntando a que se devia esse seu impulso de pedir para dançar com Hanna. Sua única certeza era que não tinha gostado de vê-la dançando com Spencer. Aliás, tudo que envolvesse Hanna e Spencer juntas lhe incomodava, o que nos últimos dias a tinha deixado pensativa, tentando analisar o que estava sentindo.
Ao chegar à pista de dança, a morena virou-se, encarando a amiga, que a fitava com um olhar confuso. Bom, ela também estava na mesma situação. Desde que havia reencontrado Hanna seus sentimentos estavam bagunçados. A partir do momento em que viu a loira entrando pela porta de sua casa, com aquela aparência tão diferente de cinco anos atrás, Emily havia vivido em uma constante montanha russa de emoções.
Quando começou a tocar a música Kiss Me – Ed Sheeran, ambas ficaram sem saber muito bem como agir. Era uma canção extremamente tocante e cheia de significados. Hanna foi a primeira a reagir, pousou as duas mãos nos ombros da morena, deixando Emily surpresa a princípio, mas logo pôde notar um sorriso discreto e até um pouco tímido brotando no canto dos lábios da morena, que posicionou suas mãos em seus braços. E assim, nessa posição um tanto estranha, as duas relaxaram e se deixaram levar pela música.
Settle down with me
Cover me up, cuddle me in
Lie down with me, yeah
And hold me in your arms
Apesar da diferença de altura entre as duas, não deixaram de se olhar em nenhum momento, captando a essência da canção, transmitindo através de cada nota sentimentos que não conseguiam expressar através de palavras.
And your heart’s against my chest
Your lips pressed to my neck
I’m falling for your eyes but they don’t know me yet
And with a feeling I’ll forget, I’m in love now
Naquele momento só existiam elas duas, não perdiam um movimento sequer uma da outra. Agora seus corpos já estavam mais próximos e era possível sentir suas respirações descompassadas, assim como os corações batendo cada vez mais rápido. Os olhos, conectados como se pudessem adentrar suas almas. Hanna viu, então, que Emily fechou os olhos e lentamente, quase que em câmera lenta, passou a inclinar o rosto em sua direção. A loira prendeu a respiração, como temendo romper com ela a magia daquilo que ela previa que ia acontecer.
Kiss me like you wanna be loved
You wanna be loved, you wanna be loved
This feels like falling in love
Falling in love, we're falling in love
Foi então que sentiu que como em um conto de fadas, em que o feitiço se rompe, toda atmosfera se desfez com Emily abrindo os olhos e adotando uma expressão assustada, afastando-se abruptamente e correndo em direção oposta, deixando Hanna em choque e frustrada.
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Sam dançava com Spencer, em uma envolvente atmosfera. Desde que havia posto os olhos sobre ela, o rapaz vira algo diferente. Apesar do sexy vestido que a jovem usava, que emanava autoconfiança e sensualidade, ele podia perceber nela uma vulnerabilidade e até certa insegurança. A mulher de pele pálida e olhos cor de avelã o fitava com curiosidade, provavelmente tentando decifrar o que se passava em sua cabeça naquele momento. Ele apenas lhe dedicou seu melhor sorriso galanteador, que tinha o poder de fazer toda a população feminina se derreter, e o efeito não pôde ser outro: ela suspirou em rendição e apoiou a cabeça em seu ombro forte.
Enquanto desfrutava da dança com aquela bela mulher, Sam pode ver Emily atravessando apressadamente a pista de dança. Ela tinha um semblante de perturbação que imediatamente fez o corpo de Sam adotar uma postura rígida. Nada o alterava mais do que a ver Emily naquele estado, a simples ideia de que algo pudesse estar acontecendo com sua amiga o deixava nervoso.
Spencer pareceu notar a mudança na postura do rapaz e se afastou levemente para observá-lo. Percebeu que ele tinha uma expressão preocupada e olhava para determinada direção. Seguiu seu olhar e viu Emily correndo, aparentemente atordoada, o que lhe causou tanta estranheza e preocupação como nele.
— Eu sei que é muito grosseiro da minha parte fazer isso, mas... – o jovem parecia realmente constrangido por ter que deixa-la sozinha no meio da dança. – Eu... eu realmente preciso ver como a Em está... – disse, deixando à mostra uma ruga de preocupação em sua testa.
— Não se preocupe... Ela parece precisar de um ombro amigo, seja lá o que tenha acontecido... – respondeu, não podendo evitar o pequeno sorriso de tristeza que surgiu em seu rosto. – Acho que nesse primeiro momento não é bom muita gente em cima, sufocando, mas se precisar de reforços, me chame.
Sam compartilhou do mesmo sorriso de tristeza, tão frustrado quanto ela por ter que interromper o momento tão agradável em que estavam, mas sabendo que tinha que priorizar sua amizade com Emily. Após depositar um suave beijo na testa de Spencer, o rapaz foi atrás da amiga.
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Emily abria espaço entre o aglomerado de pessoas, sentindo-se sufocada e perdida, andando sem rumo até que avistou uma grande porta que dava acesso ao jardim da casa de festas. Sentiu o ar frio tocar seu rosto, aliviando um pouco a sensação de sufocamento que sentia com todas aquelas pessoas em sua volta alguns segundos atrás.
Só então sua ficha realmente caiu. Havia estado a ponto de beijar sua melhor amiga. Tudo bem que ela tinha uma amizade colorida com um de seus melhores amigos, mas com Sam era... era diferente. Hanna era sua amiga de infância, quase como uma irmã para ela, aquilo era simplesmente errado, muito errado. Andava de um lado para o outro tratando de organizar seus pensamentos, tentando, de alguma forma, entender o que tinha acontecido. Aliás, o que vinha acontecendo com ela desde que havia reencontrado Hanna.
Sentiu uns passos e virou-se para constatar que se tratava de Sam. Como em um ato reflexo correu para os seus braços, buscando algum tipo de apoio, ainda que soubesse que ele nada poderia fazer para solucionar o que sentia naquele momento, mas sentindo-se bem pelo simples fato de tê-lo ali. Sam passava as mãos delicadamente por suas costas, tentando acalmá-la.
— O que aconteceu, baby? – perguntou ele, preocupado.
— Eu... eu... – ela não sabia nem por onde começar. Enterrou novamente o rosto no pescoço de Sam, sentindo-se inesperadamente tímida, algo que nunca havia acontecido com ela. Ao menos não com Sam, para quem sempre havia contado os detalhes mais íntimos de sua vida.
— Se não quiser dizer agora, tudo bem... Mas me diga o que eu posso fazer por você... Quer ir embora?
— Não... – disse Emily, afastando-se delicadamente e procurando manter-se mais calma. – A festa mal começou... Eu não posso fazer isso com a Aria, ela queria muito a nossa presença aqui...
— Então vamos nos sentar ali naquele banco um pouco até você se sentir melhor para voltar...
O rapaz a guiou a um banco localizado em um belo local, todo iluminado, mas que Emily sequer prestou atenção. Estava absorta demais em seus pensamentos para notar a decoração do jardim. Sentaram no banco, Sam passou o braço pelos ombros da morena, que por sua vez, apoiou a cabeça em seu ombro. Permaneceram assim, em silêncio por longos minutos, até que Emily decidiu desabafar.
— Eu... eu quase... beijei a Hanna enquanto dançávamos. – explicou, finalmente, ao amigo. Sam moveu-se um pouco, surpreso pela confissão, e buscou o olhar da amiga para tentar encontrar ali as respostas que ela esperava receber ao compartilhar com ele esse acontecimento. Tudo o que viu foi uma Emily confusa e perdida. Voltou à posição em que estavam anteriormente e mais uma vez um silêncio de instalou.
— Você queria beijá-la? Queria que esse beijo tivesse acontecido? – perguntou Sam em voz calma, tentando, como sempre, com essas indagações clarear a mente da amiga para os seus próprios sentimentos.
Naquele momento, Emily não era capaz de organizar o que sentia. Ainda estava em choque, confusa e até um pouco chateada com ela própria por se permitir tais sentimentos que ainda não era capaz de definir. Buscava uma resposta que só ela era capaz de se dar. Levantou, decidida a uma uma decisão.
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