I Hate How Much I Love You
3 Capítulo 01 - O Reencontro - Parte 3
Notas iniciais
Depois de passarem toda a noite conversando e preparando as coisas para o dia seguinte, finalmente o cansaço as venceu, e Spencer resolveu que era hora de ir para casa.
– Bom, meninas... — disse, seguido por um bocejo. — Eu acho que já está na hora de irmos dormir. Amanhã Hanna chega e será um dia cheio. — calçou os sapatos de salto, que havia tirado ao sentar no piso de carpete do quarto de Aria.
– Sim, eu estou esgotada. — Emily, que também deixou escapar um bocejo.
– Passamos na sua casa amanhã às 08:00 para te buscar e de lá vamos para casa da Hanna, ok? — Aria se despediu de Spencer.
– Vocês tem certeza de que fazer essa surpresa para Hanna é uma boa ideia? — questionou Emily. — Ela foi quem mais se afastou depois que nos mudamos de Rosewood. Quase não comenta no nosso grupo do facebook e também não responde aos e-mails... E se ela simplesmente não quiser mais a nossa amizade? — aquilo realmente lhe doía, já que Hanna sempre foi com quem mais tivera afinidade.
– Em, se ela não quisesse a nossa amizade, não viria para o casamento da Aria. — racionalizou Spencer, o que demonstrou que apesar da mudança física, em sua essência, continuava a mesma.
– É verdade, Em, eu tenho certeza que ela vai adorar chegar em casa e nos ver. Sra. Marin foi quem deu a ideia, e ela conhece a filha, não? Se achasse que Hanna não iria gostar, não teria sugerido isso. — Aria concordou.
– Bom, se vocês dizem... — Emily se resignou.
– Até amanhã, meninas. Eu estava morrendo de saudades! Não vejo a hora de podermos estar as quatro juntas, isso vai ser tão divertido! — Spencer disse, se despedindo das amigas.
Depois de acompanhar Spencer até a porta, e pegar um copo de água para Emily tomar um medicamento, as duas colocaram seus pijamas, e após escovarem os dentes, deitaram-se na cama de casal de Aria. Em poucos minutos o cansaço tomou conta de seus corpos e ambas dormiram profundamente.
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Emily acordou com uma travesseirada em seu rosto. Ela demorou alguns segundos para perceber que se tratava de Aria tentando acordá-la.
–Ok, ok, já acordei, pode parar com a agressividade! — disse Emily mal humorada.
– Agressividade? Eu chamo isso de últimos recursos! Estou há 25 minutos tentando te acordar, Emily! — Aria puxou a coberta da amiga. — E ainda bem, pra você, que o travesseiro funcionou, porque a minha cartada final seria um balde de água fria! Levanta logo, estamos atrasadas! — falava rápido e um pouco irritada. A ansiedade pelo casamento a havia deixado irritável.
– Meu Deus, o seu mau humor consegue superar o meu! — disse Emily, genuinamente surpresa, pois o seu mau humor matinal era mundialmente conhecido.
– Você tem 15 segundos para levantar e ir tomar banho antes que eu pegue o balde e facilite essa parte para você. — Aria já estava no seu limite.
– Ok, Aria, relaxa! Eu já estou indo... — Emily se levanta e após escolher uma roupa, se dirige ao banheiro, onde já havia deixado seus pertences de higiene.
Após retirar o pijama e dobrá-lo, Emily entrou no box. Apesar de ser verão, o clima estava fresco, e ao entrar debaixo do chuveiro, do qual saía água quente, o corpo de Emily imediatamente relaxou e ela aproveitou para pensar em como seria esse dia. Finalmente veria Hanna. Ao mesmo tempo que estava ansiosa e feliz, tinha certo receio sobre como a amiga reagiria. O afastamento da loira e sua indiferença haviam machucado Emily de uma maneira que nem suas melhores amigas poderiam compreender. Hanna sempre havia sido sua outra metade, não romanticamente falando, mas ela lhe completava de uma maneira que nenhuma outra pessoa jamais pode fazer. Apesar de serem tão diferentes, uma tinha capacidade de entender o que a outra estava sentindo ou pensando, apenas com o olhar. E vice-versa. O maior medo de Emily era, com esse reencontro, dar-se conta de que essa conexão já não existia. Isso doeria mais do que a distância que as separou durante esses 5 anos.
A morena desligou o chuveiro e, enquanto se secava, pensava em como ela própria reagiria a esse encontro. E se ela mesma já não sentisse nada quando visse a amiga? Afinal, estava muito magoada com toda essa indiferença. A última vez que haviam se visto fora logo depois de terem se mudado de Rosewood. As duas marcaram de se encontrar em Nova Iorque, onde Hanna estava morando desde então. E havia sido, no mínimo, estranho. A loira estava com um amigo, que ela suspeitava ser algum caso seu, e o encontro foi marcado pela sensação de incômodo. Depois daquilo, Hanna se afastou de vez, e durante muito tempo sequer havia se comunicado por telefone ou internet. Aquilo era algo que Emily nunca conseguiu compreender.
Depois de pronta, Emily saiu do banheiro e encontrou uma Aria mais tranquila, que sorriu quando viu que a amiga havia se maquiado, coisa que raramente fazia.
– Desculpa por ter sido tão chata com você. Você sabe o quanto sou neurótica com horários, não gosto de me atrasar um minuto. — disse Aria, recebendo um sorriso de compreensão da amiga. — E se nos atrasarmos mais, a surpresa vai acabar indo por água abaixo, vamos logo. — puxando Emily.
Depois de passar na casa de Spencer para buscá-la, as três se dirigiram à casa dos Marin. A chave estava, como o combinado, escondida dentro do vasinho de planta pendurado ao lado da porta. As jovens entraram, carregando as coisas que haviam preparado na noite anterior, que incluíam cartazes de boas vindas, apitos, chapéus e óculos divertidos, além de confetis. Com tudo pronto, lhes restava apenas aguardar a chegada de Hanna.
As três ouviram o barulho que indicava que Hanna e sua mãe haviam chegado e se posicionaram alguns metros à frente da porta. Quando esta se abriu, gritaram, sopraram apitos e pularam em direção à Hanna, abraçando-a. Bom, Spencer e Aria a abraçaram, porque Emily ficara feito estátua, apenas olhando para a amiga. A loira havia mudado bastante sua maneira de vestir. Havia abandonado o visual de patricinha para adotar um look mais urbano. Hanna vestia uma calça jeans rasgada e surrada, uma camiseta branca com uma camisa xadrez vermelha por cima, tênis e um boné de aba reta. Definitivamente nada parecido com a Hanna de 5 anos atrás. O cabelo, que antes só vivia ordenado, agora tinha uma aparência mais despojada e bagunçada.
Enquanto abraçava Spencer e Aria, Hanna olhava fixamente para Emily. A amiga continuava exatamente como ela lembrava, exceto pelas curvas que seu corpo havia adquirido. Olhar para ela ainda era difícil; esconder seus sentimentos seria ainda mais. As duas amigas falavam coisas que Hanna não conseguiu compreender, ela se limitou a concordar com a cabeça. Toda sua mente estava concentrada na morena que se encontrava a alguns metros delas. Por que Emily não havia feito nenhum movimento para abraçá-la? Será que estava magoada por sua falta de notícias durante todo esse tempo? Bom, ela não a culparia... A morena jamais poderia entender seus motivos. Pelo visto, seria ela quem teria que dar o primeiro passo e abraçá-la. Só esperava que Emily não a rejeitasse, isso seria mais do que ela poderia suportar.
Hanna se separou das amigas e foi em direção à morena. Seu coração batia aceleradamente, suas mãos suavam e suas pernas tremiam. Ela esperava não estar transparecendo todo o nervosismo que sentia. Quando chegou até Emily, as duas ficaram se olhando durante alguns segundos. Hanna não se lembrava de haver estado tão nervosa em toda sua vida. O medo de uma possível rejeição a consumia por dentro. Mas, sabia que teria que partir dela a iniciativa, afinal, havia sido ela quem havia se afastado sem dar notícias durante mais de 4 anos. Respirou fundo, o que a fez embriagar-se com o perfume floral de sua amiga, e deu aquele abraço que havia guardado por 4 longos anos.
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