I Had the Craziest Dream
1 Capítulo 1
A Stark Tower, em New York, fora preparada especialmente para a celebração natalina. Todos os empregados foram convidados, juntamente com os membros da diretoria da empresa. Desde o mais baixo na pirâmide até o mais alto, naquele momento eles deixaram seus cargos de lado e eram apenas mais um em meio a tantos outros que se reuniriam para celebrar o Natal.
Mas não foram convidados apenas os empregados das Indústrias Stark. Jornalistas, fotógrafos e celebridades foram convidados também, estes por um motivo especial: abrir suas carteiras e doarem algum dinheiro para uma das instituições que Stark era benfeitor.
Todos os anos Stark organizava essa festa e o dinheiro arrecadado iria para alguma obra social que ele ajudava. Esse ano iria para um orfanato, no Brooklyn.
Pepper era quem organizava todos os anos a confraternização de Natal das Indústrias Stark.
— Sinceramente eu não sei o que faria se não a tivesse por perto. — Tony pegou uma taça de champagne servida por um dos garçons e a ergueu em direção a governanta.
— O Sr. poderia aumentar o meu salário. Seria um bom presente de Natal.
— Sabe que se eu estalar os dedos, encontro outra pessoa para ocupar o seu lugar num piscar de olhos, não sabe?
— Certamente. Porém lembre-se que eu sei manter a discrição em relação aos seus casos, excessos, brigas de rua, etc, etc, etc... coisas que talvez outras pessoas em minha posição não fariam da mesma forma.
— Também não precisa se gabar por ter a minha confiança, garota ruiva.
— É a única coisa que me resta fazer, Sr. Stark.
— Me diga Pepper — Stark pigarreou, mudando de assunto — todos os convidados chegaram?
A ruiva tirou rapidamente de dentro da bolsa seu Ipad e foi verificar a listagem. Sempre que chegava algum convidado, a listagem era atualizada ainda na portaria e os dados eram enviados no mesmo instante para Pepper.
— Sim, todos os convidados que o senhor queria que estivessem presentes já chegaram. — a ruiva frisou bem uma parte da sentença, pois sabia bem quem o chefe queria ver presente na festa.
— Muito obrigado, Srtª Potz.
— Estou aqui para servi-lo, Sr. Stark. — a ruiva girou os calcanhares e foi cuidar de outros assuntos, deixando Stark sozinho próximo ao bar.
A festa foi organizada no último andar do prédio. Fora um espaço que Stark, propositalmente, não ocupou com salas ou equipamentos. Deixou uma área aberta para realizar esse e outros tipos de evento.
Tudo corria maravilhosamente bem, as doações eram contabilizadas num telão instalado numa das paredes, e em outra, projeções com imagens das crianças que seriam beneficiadas com as doações eram vistas por todos os presentes.
Um detalhe interessante para incrementar os donativos.
Se as pessoas vissem quem estavam ajudando, seriam mais caridosas e menos egoístas, doariam mais, pois criam um vínculo; as crianças deixam de ser um número, deixam de ser um estranho. Passam a fazer parte de suas vidas.
O DJ AVICII animava a festa com suas músicas. Na pista tocava Wake me Up e todos os convidados pulavam e dançavam ao som da música.
Exceto um convidado.
Tony depositou sua taça de champagne vazia sobre o balcão do bar e caminhou em direção à única pessoa que não estava dançando na festa. Porém foi interceptado por uma famosa atriz hollywoodiana, que fez questão de puxar o bilionário filantropo pelo braço e dançar com ele aquela canção.
Somente quando a música terminou foi possível para Tony se desvencilhar da atriz, mas quando foi procurar pelo convidado, ele já não estava mais lá. Caminhou por toda a extensão do salão de festas, tanto procurando seu convidado quanto se distanciando da atriz, que não parecia satisfeita de ter sido deixada de lado pelo Homem de Ferro.
AVICII começou a performance de You Make Me e todos voltaram sua atenção para o palco e a mesa de som, cantando enquanto o DJ mexia nos discos e no mixer Behringer, tornando toda a experiência ainda mais tátil que sonora, se é que era possível.
Stark se aproximou da mesa e trocou meia dúzia de palavras com o DJ e aproveitou para ver as pessoas. Avistou Pepper mexendo em seu tablet e quando a ruiva o viu, levou o indicador em direção ao teto e falou três palavras, que Tony entendeu bem:
“Lá em cima.”
Tony desceu do palco e se dirigiu a escadaria que dava para o terraço da Stark Tower. Conversou com mais algumas pessoas que encontrou e fez questão de frisar que o apoio delas iria beneficiar várias crianças que não tinham um lar, tornando o Natal delas muito mais significativo.
Assim que conseguiu encerrar as conversas, pode finalmente subir as escadas e chegar ao terraço. Próximo ao parapeito, observando a cidade do alto, ele o avistou.
— Steve, finalmente eu encontrei você.
— Ah, oi Stark.
— Oi. O que está fazendo aqui em cima? Não gostou da festa? — Tony escorou os dois braços na murada do terraço, ficando curvado enquanto Steve permanecia de pé, com as mãos no bolso do terno preto que usava.
— A festa está ótima, só que esse tipo de música... ela não faz muito o meu estilo.
— Sei, seu estilo seria qual? Marcha fúnebre? — Tony riu enquanto observava a face não muito feliz do soldado ao seu lado.
— Certo, eu vou indo. Obrigado pelo convite, Tony. — o Capitão deu meia volta, se dirigindo para as escadas.
— Espera, não vai ainda, Steve — Tony o segurou pelo cotovelo — não leve as coisas tão a sério. É Natal, tempo de alegria, etc, amor, paz essas coisas que a gente vive lutando para que os outros tenham.
— Certo, então me diz, porque você me convidou? Eu não sou rico, não posso ajudar muito. Só posso ajudar salvando vidas e aqui eu ainda não vi ninguém em perigo.
— Você veio aqui me salvar, soldado. — Tony ainda segurava o braço de Steve e falava, olhando muito seriamente para ele — Não pense que é fácil lidar com todas aquelas pessoas lá embaixo.
— Eu percebi, todas querem um pedaço seu. — Steve pareceu mal humorado enquanto ouvia Stark falar.
— Está com ciúme? — Tony riu.
— Não seja besta. — Steve respondeu, sem paciência.
— Sabe, dançar ajuda a aliviar as tensões do corpo, Cap. Relaxa os ombros. Devia tentar. Eu o vi parado feito um dois de paus na pista. Sinceramente você é uma desgraça para todos os soldados desse país que certamente sabem dançar, mas estão servindo nesse momento.
Steve agora parecia apenas envergonhado, não mais mal humorado e impaciente. Olhou para os próprios pés e respirou fundo.
— Eu não sei dançar. — falou num tom baixo, apenas para Tony ouvir, caso tivesse mais alguém ali em cima.
Apenas os dois se encontravam no terraço naquele momento.
— Suspeitei disso assim que o vi pela primeira vez.
Tony puxou Steve pela mão até ficarem próximos da porta. Parou o mais perto que pode, num local onde pudesse ouvir a música que tocava lá embaixo.
— Espera, o que você pensa que está fazendo? — questionou o Capitão.
— Estou te ensinando a dançar — respondeu Stark, segurando a mão direita de Steve enquanto sua mão livre pousava na cintura do loiro — então faça silêncio, senão não conseguiremos ouvir a música.
— Tony, isso é uma péssima ideia.
— Não, não é. Apenas deixe que eu te guie. Faça exatamente o que eu fizer e não terá nenhum problema. — Tony olhou diretamente para os olhos azuis de Steve e viu que aquela situação estava deixando o loiro constrangido.
Ótimo.
No andar de baixo AVICII colocou um disco mais antigo para rodar e falou que foi um pedido especial do anfitrião da festa. Ao ouvirem os primeiros acordes de I Had the Craziest Dream, de Frank Sinatra, todos os convidados arrumaram um jeito de encontrar um par e agora o salão principal estava repleto de casais dançando ao som de Sinatra, também conhecido como A Voz.
Lentamente Tony foi guiando Steve, tendo como testemunha apenas as estrelas brilhantes no céu noturno.
O soldado, no começo, parecia totalmente desconcertado, mas Tony foi dizendo palavras de encorajamento e pouco tempo depois Steve conseguiu acompanhar Tony perfeitamente, seguindo o mesmo compasso do moreno, a mesma cadência de movimentos.
— Sabe Steve — Tony jogou a cabeça para trás, queria olhar a face do loiro naquele instante — eu tive um sonho louco esses dias.
— Sonho? — Steve perguntou meio incerto.
O loiro sentia a mão de Tony apertando sua cintura de maneira firme e o soldado não sabia mais o que estava se passando em sua mente.
Tudo o que ele queria era olhar nos olhos castanhos do moreno à sua frente e se perder deles.
— Sim, um sonho. — Tony fez um giro e Steve o seguiu, com perfeição — Sonhei que compartilhávamos um momento de intimidade e...
— Você sonhou comigo??? — Steve não queria parecer tão abismado, mas falhou.
Tony aproximou sua boca à orelha de Steve e respondeu “Sim” num sussurro, quase soletrando cada letra.
O hálito do moreno tocando a pele de Rogers causou no loiro um arrepio no corpo inteiro e instantaneamente o loiro tombou de leve a cabeça, deixando à mostra a pele do seu pescoço.
— Ah Steve, você não devia ter feito isso. — Tony subiu a mão que pousava na cintura e passou a ponta dos dedos sobre a pele do pescoço do loiro.
Steve enterrou o rosto entre a cabeça e o ombro de Tony, justamente naquela curva do pescoço. Agora foi a vez de o moreno sentir um arrepio em todo o seu corpo.
— Você... não devia fazer essas coisas, Tony. Não mexa com meus sentimentos. — Steve abraçou Stark com força.
— Eu quero que meu sonho louco se torne realidade, Steve. — Tony beijou o pescoço do loiro, retribuindo o abraço.
Ambos ficaram apenas abraçados por um tempo que pareceu infinito. Nenhum dos dois queria interromper aquele gesto.
— A música acabou há cinco minutos, Tony.
— Isso é melhor que a música.
— As pessoas estão gritando seu nome lá embaixo.
— Eu não quero ir — Tony apertou Steve — quero ficar aqui. Lá eu tenho que ser quem eles querem, mas aqui eu posso ser eu mesmo.
— Eu sempre estarei aqui — Steve tomou coragem e desfez o abraço — e você sabe disso. Você precisa ir. Pode usar sua máscara de bom moço para aquelas pessoas, rapaz riquinho.
— Não precisa ser abusado, vovô.
— Vá antes que eu te jogue escada abaixo.
— Acho bom você não ir embora, preciso acertar as contas com você. — Stark disse, descendo as escadas, sua voz sumindo em meio ao som da festa.
Steve voltou para a mureta de proteção e viu mais uma vez sua cidade natal, brilhando com as luzes da noite.
— ... I never dreamed it could be yet there you were — in love with me… — cantou para si mesmo Steve.
De fato, só em sonhos o loiro acreditava que algo assim pudesse acontecer. Mas lá estava Tony, apaixonado por ele, pedindo para ele ficar.
Steve não iria embora. Não tão cedo.
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