I Got You

1 Capítulo 1


Alguns dias deveriam ser chamados de amostra grátis do inferno, você pode até pensar que estou exagerando, mas eu não estou nem um pouco. Hoje foi um desses maravilhosos dias em que tudo dá errado desde o primeiro minuto.

Meu nome é Allyson Dawson, nesse exato momento eu estou na casa do meu melhor amigo, deitada em seu colo e chorando tudo o que há dentro de mim, por que?

Bem, pra explicar isso tudo eu vou ter que voltar até hoje de manhã.

***

Era uma manhã tipica de segunda feira, eu me levantei já atrasada para a aula, me arrumei em segundos e desci com esperança de meu pai ainda estar em casa para poder me levar até o colégio. Quando cheguei a cozinha , encontrei minha família em um clima de terceira guerra mundial.

- Eu tenho todo o direito de sair por ai com quem eu quiser na hora que eu quiser, eu já sou adulta!- Minha mãe gritava, pelo fato de ela ainda estar usando o mesmo vestido de ontem a noite cheguei a conclusão de que mais uma vez ela tinha saído pra festejar e voltara apenas essa manhã.

- Você é adulta, mas é uma mulher casada, você tem que me respeitar! Além do mais é esse exemplo que você quer dar aos seus filhos?! — Meu pai rebateu. Esse era o tipo de briga que me fazia querer correr para longe com meu irmãozinho Tyler e nunca mais voltar para aquela casa.

- Ally já é quase adulta e Tyler não é mais um bebê, eles entendem o que estou fazendo!

- Pelo amor de Deus, mãe! Tyler tem 8 anos, ele não merece ficar escutando essas discussões toda vez que você resolve sair de casa e passar a noite transando com um cara por ai!- Gritei. Eu não podia mais aturar aquelas brigas todas as semanas.

- O que você disse, garotinha? — Ela perguntou, seu tom era de ameça.

- Eu disse o que você escutou. Tyler e eu não merecemos ficar aturando essas brigas todas as semanas desde que você decidiu agir como uma puta. — Respondi.

Logo senti a mão de minha mãe acertar meu rosto e a dor pulsante se espalhando pelo meu rosto. Me virei e peguei Tyler, que estava escondido entre os armários da cozinha, peguei nossas mochilas e sai da casa.

- Você acha que a mamãe vai nos abandonar? — Perguntou Tyler enquanto caminhávamos para a escola.

- Eu não sei, Ty. Esquece isso, hoje você tem prova, se concentre nisso, okay?

-Okay. Você vai me buscar hoje?

-Claro que vou, garotão. Agora entra antes que você se atrase.

Dei um beijo em sua testa e Tyler correu para dentro da escola. Eu tinha 5 minutos para chegar a minha e ainda faltavam 11 quarteirões, eu iria me atrasar novamente e perder metade da minha nota de matemática, mas por sorte no meio do caminho encontrei meu melhor amigo e ele me deu uma carona.

- Seus pais brigaram de novo?- Austin perguntou.

- Uhum, isso já tá virando rotina.- Respondi. -Deuses! Eu não aturo mais aquela casa, eu vou acabar ficando louca, ugh.

- Como está o Tyler?

- Com medo de que a mamãe nos deixe de novo, eu não o culpo por querer ela por perto, mas eu queria que ele entendesse que ficaríamos melhor sem ela.

- Ele a ama, alguns filhos simplesmente amam as mães, mesmo que elas não mereçam esse amor. — O olhar triste denunciou que eu o havia lembrado de algo que era melhor manter esquecido.

- Ugh, desculpa por te lembrar dela.

- Tudo bem, como você disse estou melhor sem ela.

O sinal tocou avisando que era hora de entrar para a sala, me despedi de Austin e segui para minha aula de matemática. Como sempre me sentei escondida no fundo da sala, eu planejava dormir durante toda essa aula , mas a Sra. Monroe achou mais interessante nos passar trabalhos em grupo e como a amável professora que ela é, sim isso é uma baita ironia, ela montou as duplas e me colou ao lado da insuportável Chloe Hass, aquela garota me odiava desde o jardim de infância, e pode ter certeza que o sentimento é mutuo.

- Hello, Ally Ally. -Ela disse com um sorriso falso que me dava vontade de surra-la.

- Olá versão britânica insuportável da Barbie.

- Amável como sempre, Allyson.

- Claro, mas foda-se toda essa falsidade. Você faz as questões de 1 a 5 e eu respondo o resto, cada uma faz sua parte sem falar nada, simples assim.

- Você fala como se eu fosse fazer alguma coisa.

-Ótimo, não faça, mas também não espere seu nome nesse trabalho.

-Sra. Monroe!! Ally disse que não vai fazer nada, ela deixou tudo para que eu faça sozinha.

-Vadia... — Sussurei.

-Senhorita Dawson! Já para a diretoria.- Disse Sra. Monroe.

- Mas eu não fiz porra nenhuma!- Gritei com raiva.

- Olha essa boca, menina, já para a diretoria e não me deixe falara outra vez.

- Você me paga ,vadia. — Disse para Chloe.

- Srta. Dawson!

- Já tô indo!

Peguei minhas coisas e fui para a diretoria, Sr. Cole já me conhecia muito bem e graças a Deus não acreditava nas mentiras que a diabinha da Chloe contava.

- Chloe outra vez? — Ele perguntou assim que entrei em sua sala.

- Eu já disse, aquela garota nasceu pra infernizar minha vida. — Disse me sentando na cadeira em frente a sua mesa.

- Como você sabe, eu não posso te livrar dessa pelo fato de você ter dito um palavrão na sala de aula.

- Eu sei, mas se for detenção tem como ser em outro dia? Meus pais não estão em um bom modo e eu tenho que buscar o Ty hoje.

-Eu sei, falei com seu pai. Você vai ganhar uma advertência dessa vez.

- Obrigada, Jeff.

- Espero não te ver mais aqui essa semana.

- Não posso prometer isso. Jeff me faz um favor?

- Claro.

- Liga pra minha mãe e põe juízo na cabeça dela, ela não escuta ninguém, mas eu sei que ela vai escutar o melhor amigo.

- Tudo bem, Ally, vou fazer o possível.

- Obrigada.

Sai da diretoria em direção ao refertório, já era hora do intervalo e meu estomago reclamava, eu não havia comido nada desde o dia anterior.

- Segunda feira não é segunda feita se Allyson Dawson não for para diretoria. — Disse minha amiga Trish quando me sentei com ela no refeitório.

- Como você ficou sabendo disso? – Perguntei.

- Chloe contou pra escola inteira.

- Hey Ally, eles deviam fazer um passe vip da diretoria pra você- Disse Dez ao sentar conosco.

- Ha ha , muito engraçado Dez.

- Sorry Ally, mas eu concordo com ele, duvido alguém nesse colégio ir mais a diretoria do que você. – Disse Austin.

- Virou complô, é? De toda forma, eu só levei uma advertência mesmo, e foi por ter falado palavrão na sala.

- Essa é a razão mais ridícula pra se levar uma advertência.

- Na verdade não, Austin, uma vez eu levei uma por fazer barquinhos de papel na sala de aula. – Disse Trish.

- De toda forma, eu nem ligo pra isso, a Chloe é uma falsa idiota e eu tenho mais coisa pra me preocupar do que ela. – Eu disse.

- Claro, coisas como a sua mãe vadia que sai dormindo com meio mundo. – Escutei uma voz irritante atrás de mim.

- Olha aqui projeto de Barbie, acho melhor você calar a sua boca antes que eu quebre esse lindo e falso nariz que você tem. – Eu disse.

- Ui, a gatinha tem garras. Você nem ousaria tocar em mim. Alem do mais, no fim das contas você é só uma vadia igual a sua mãe.

Tarde de mais. Quando percebi Chloe já estava no chão segurando um nariz sangrando, minha mão doía pelo impacto e Austin tentava me tirar do meio da confusão.

- Você ficou doida? Vai ser expulsa no mínimo. – Disse Austin.

- Eu não ligo, eu não ia ficar parada escutando aquela vadia falar um monte de merda de mim.

“ Allyson Dawson compareça a diretoria” Escutei a voz de Jeff.

- Eu tenho que ir. — Disse para Austin.

- Tudo bem, me espere no estacionamento, eu te encontro lá depois.

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- Ally eu até posso te livrar de algumas detenções, mas agora você passou dos limites, mocinha! — Disse Jeff, ele estava extremamente irritado.

- Eu não tenho culpa! Ela tava me chamando de vadia, eu não ia ficar parada escutando! — Eu sabia que tinha passado dos limites, mas aquela garota mereceu.

- Olha Ally, eu falei com os pais da Chloe, eles assumem que a filha provocou o que aconteceu e por isso eu não vou te expulsar, porém você está suspensa durante a próxima semana e caso coisas como essas voltem a acontecer eu não terei escolhas a não ser te expulsar.

-Tudo bem, Jeff, não vai mais acontecer.

Sai da diretoria e me encontrei com Austin no estacionamento.

- Como foi? — Perguntou Austin.

- Uma semana de suspensão e uma ameaça de expulsão. — Disse. — De toda forma, eu preciso buscar o Ty hoje e já tô atrasada, tem como você me dar uma carona até lá?

- Claro.

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Após buscar Tyler, Austin nos deixou em casa. Entrei e a casa parecia abandonada, agradeci mentalmente, ao menos não haveriam brigas essa tarde. Tyler foi para seu quarto assistir alguns desenhos animados e eu fiquei no meu quarto lendo um pouco. Depois de uma hora de silencio escutei gritos no andar de baixo, logo minha casa se transformou em um inferno novamente.

Desci para tentar acalmar meus pais e acabei no meio da discussão. Houveram gritos e xingamentos e de repente eu estava correndo para fora de casa. O vento gélido do inverno bateu em meu rosto e meus braços nus, eu estava usando uma calça e uma blusa sem mangas, corri até a casa de Austin que era a apenas alguns quarteirões da minha.

***

E assim eu acabei na casa do meu melhor amigo chorando rios de lágrimas.

- Ei, vai ficar tudo bem.- Austin dizia enquanto passava a mão em meus cabelos.

- Eu não acho que vá, minha vida tá de cabeça para baixo, Aus. Hoje minha mãe disse que vai sair de casa, meu pai vive viajando, querem mandar Tyler para um colégio interno, todos estão me abandonando. Isso só piora.

- Olha, eu não posso prometer que eles não vão te abandonar, mas eu prometo que nunca vou sair do seu lado. Alem do mais , amanha é outro dia e as coisas vão melhorar.

- Eu espero.