Notas iniciais
Oi oiii!!

Super tarde mas aqui estamos nós!! Essa oneshot é um xodózinho e me fez entender bastante sobre o espectro da assexualidade, além disso eu já tava sedenta pra escrever uma fic theyna HÁ TEMPOS!!

Nessa fic a Reyna é demissexual e a Thalia é uma mulher trans lésbica, ok? Ambas são maiores de idade e vacinadas.

Oneshot dedicada ao desafio #2020daDiversidade. JUNHO: pessoas LGBTQIAP+, movimento, cultura e história.

Espero que gostem!

LEIAM AS NOTAS FINAIS!!

Tudo começou quando Reyna acabou a faculdade e percebeu que precisava de algum colega de quarto para dividir o aluguel de um apartamento.

É claro que ela poderia morar com a família, mas a questão era que para isso ela teria que voltar a morar na Pensilvânia, e ela já estava acostumada com o ritmo de Los Angeles. Além disso, em Los Angeles ela teria melhores oportunidades de carreira, porque ela ainda era designer em busca de experiência profissional. Los Angeles era a escolha certa, ela só precisava de uma pessoa para dividir o aluguel.

Duas semanas depois, seu amigo Jason Grace lhe apresentou à Thalia, irmã dele, e elas viraram colegas de apartamento.

Já nas primeiras semanas, Reyna percebeu que elas se dariam bem.

Assim como Reyna, Thalia era uma pessoa observadora e organizada, ela não tentava invadir a privacidade de Reyna como a antiga colega de quarto fazia e, vindo de uma família latina bem tradicional, ter esse tipo de privacidade era libertador. Thalia era instrutora de boxe pelas noites, trabalhava em livrarias pela tarde e pela manhã trabalhava em seu mais novo livro independente ou numa receita aleatória nova lançada pelo Buzzfeed.

E a melhor parte de ter Thalia como sua colega de quarto era que Thalia também era LGBT. Ter alguém que a entendia deixava Reyna confortável para falar sobre as coisas cotidianas sem sentir receio de ser invalidada ou retrucada da forma mais preconceituosa possível.

E mesmo com toda a convivência pacífica, Thalia e Reyna concordaram em ter pequenas regras de convivência. Regras simples como dia da louça e dia do lixo, talvez dia da faxina e dias que poderiam fazer festas no apartamento. A ideia era que as duas contribuíssem de certa forma na casa e toda a convivência fosse harmoniosa, e claro, poderia haver desentendimentos, mas a ideia era que isso não acontecesse com frequência.

Para Reyna, a melhor parte dessa lista foi quando Thalia perguntou se havia problema de colocar "trazer pessoas desconhecidas para motivos sexuais" como uma restrição. Reyna disse que não.

[...] 6 anos depois [...]

Era um pouco deprimente a forma como a vida de Reyna não havia mudado tanto em seus anos, quer dizer, ela chegou a namorar uma pessoa e ficou com essa pessoa por 2 anos, ela também subiu numa empresa de publicidade, mas tirando isso, nada havia realmente mudado. Ela permanecia solteira, trabalhadora e dividindo o apartamento com Thalia, que havia se tornado sua melhor amiga e confidente.

Reyna não era de se apaixonar, mas mesmo assim parecia um pouco errado ter que ver tantos casais fofos na internet e nem sequer poder viver aquele romantismo.

De qualquer forma, eram três da manhã e Reyna estava em uma balada, ela havia dado alguns beijos em duas pessoas em específicos com quem já tinha uma maior intimidade, mas o que estava em sua cabeça era a bebida alcóolica e toda a ideia de que sua vida não estava sendo bem aproveitada.

Reyna decidiu tomar um shot de tequila em homenagem a isso.

"O que você está fazendo?" Thalia surgiu perguntando ao voltar do banheiro da boate e vendo Reyna engolindo mais álcool do que o normal.

"Bebendo para fingir que eu não estou estragando a minha vida."

"Está funcionando?"

"Não."

"Então vamos embora."

"Mas ainda está cedo." Reyna teimou "Eu quero tentar aproveitar minha vida."

"Você vai querer dar um fim na sua vida amanhã, quando acordar repleta de ressaca." Thalia rebateu.

"Bom ponto, mas..." Reyna disse dando uma pausa para engolir mais uma dose de tequila "Só se vive uma vez."

Thalia então se aproximou de Reyna e disse em seu ouvido:

"Mas você tem que estar viva amanhã, lembra? Você vai ajudar na arrecadação de fundos da ONG da Piper. Pelo primeiro projeto grande que vocês duas montaram."

Isso fez Reyna engasgar com a bebida, buscar pela comanda dentro da bolsa de colo em busca de pagar tudo e ir embora.

Thalia riu da afobação da amiga, mas apenas entregou para Reyna a comanda que havia consumido e disse que a estava esperando do lado de fora.

Demorou quase trinta minutos para que Reyna se encontrasse com Thalia no lado de fora do estabelecimento, mas felizmente, elas não precisariam pegar táxi, o apartamento delas ficava dois prédios à frente. Reyna inspirou o ar frio da noite e sentiu todo o corpo ficar ligeiramente adormecido.

"Tudo bem?"

Reyna assentiu.

"Ótimo. Achei que ia sentir frio, esse seu casaco não parece muito quente para hoje."

"Não... Eu só estou sentindo ele meio pesado, como se fosse um pouco mais complicado de andar. Acho que o álcool está fazendo efeito."

"Vem aqui." Thalia disse puxando Reyna para debaixo de seu braço.

Thalia era mais alta que Reyna e quando situações como aquela aconteciam, geralmente era Thalia aconchegando Reyna debaixo de seu corpo se a latina estivesse se sentindo muito tonta ou com muito frio. Mesmo organizada, Reyna nunca sabia escolher seus casacos para ir na balada numa sexta-feira.

"Eu estou com fome."

"Acho que ainda temos comida lá em casa."

"Podemos parar naquela lanchonete 24 horas na esquina de casa." Reyna sugeriu.

"Temos comida em casa, Rey."

"Mas eu queria batatas fritas."

"Bom, então nesse caso, eu posso ou não estar com vontade tomar um milk-shake."

"Então nós vamos?"

"Só se me disser, de verdade, se curtiu ou não a noite."

"Foi boa, eu estava com algumas coisas na cabeça, foi bom pra dispersar, acho que só fiquei meio mal no final, porque o álcool me fez lembrar de algumas coisas."

"Tipo...?"

"Que eu vou morrer sozinha."

"Você não vai!" Thalia interrompeu "Posso te garantir que não vai."

"E como você sabe?"

"Você beijou duas pessoas hoje."

"Não é assim que funciona."

"Não?"

"Você sabe que não."

Silêncio.

"O que te deixou mal no fim da festa? O que você lembrou?" Thalia sussurrou.

"Dakota." Reyna respondeu.

"Aquele mané?"

"Ele não era um mané."

"Realmente, ele era um babaca acefóbico do caralho."

"Thals..."

"Rey, você sempre deixou claro que era demissexual, que não era poliamor e que fazer ménages te deixam desconfortável, e o cara não parava de insistir nisso. Ele quase te forçou a ficar com alguém só pra satisfazer o fetiche dele." Thalia rebateu e adicionou: "Eu deveria era ter dado um socão na cara daquele arrombado do caralho."

"Você não faria isso... Quebraria sua unha."

Thalia riu.

"Uma das vantagens de ser uma mulher trans é ter aprendido a como guardar navalha na gengiva." E isso fez Reyna rir.

"Você acha que eu ainda vou demorar muito para me apaixonar por alguém de novo?"

"Sei lá, mas você sabe que pode contar comigo sempre."

"Sei sim."

"Tá, agora entra na lanchonete e faz o pedido, eu vou te esperar na mesa."

Reyna riu, ela mal tinha percebido que já estavam na porta da lanchonete, talvez ela ainda estivesse meio aérea da bebida, felizmente tinha Thalia como seu anjo.

[...]

Como Thalia havia previsto, Reyna havia acordado com a pior ressaca de sua vida, ela nunca mais iria colocar uma gota de álcool na boca e queria morrer na sua cama em três segundos. Para piorar sua situação, Thalia estava fazendo um enorme barulho na cozinha com as panelas e as cortinas estavam abertas. Será que Reyna conseguiria se enforcar usando os lençóis da cama?

Talvez a morte fosse mais agradável do que aquela ressaca dos infernos.

Ela nem mesmo conseguia abrir os olhos sem sentir que sua alma e seu corpo estavam se separando do jeito mais doloroso.

Maldita tequila! Maldita tequila e suas promessas tentadoras com preços dolorosos! Reyna odiava quando aquela parte da diversão cobrava o preço e, ainda por cima, Thalia estava chamando o apocalipse com tanta bateção de panelas na cozinha.

"Thalia..." Reyna murmurou o mais alto que pôde "Por favor, tenha pena dessa pobre maribunda."

O som não parou. Sábados eram os dias em que Thalia fazia o café da manhã mais bem preparado de sua vida, com tantas opções de comida que geralmente as sobras serviam perfeitamente para o lanche da manhã, da tarde e da madrugada, sem exageros. O que fez Reyna lembrar de que sábados também eram os dias em que ela lavava uma pilha de louças que Thalia havia sujado, porque segundo a programação da casa, sábado era o dia de Reyna Ávila Ramírez-Arellano lavar a louça da casa.

O destino estava mesmo querendo que Reyna tirasse a própria vida.

Ou talvez fosse só drama e manha, sintomas comuns para uma Reyna de ressaca.

Aos poucos, ela levantou da cama e conseguiu tomar um banho quente e ligeiramente demorado e estar pronta para sair do quarto com no melhor estado que pudesse.

"A bela adormecida acordou, hm?"

"Alguém estava batendo panelas demais para que eu ficasse dormindo o sono dos justos."

"Bom, sua majestade, já vai dar duas horas da tarde."

Isso fez Reyna dar um pulo para trás.

"É o quê?" ela exclamou "Não, não, não, não."

"O que foi?"

"Eu tenho que estar na arrecadação de fundos às três da tarde e eu nem tenho tudo pronto ainda! Eu ia fazer essa manhã!"

"Ei, Rey, você só precisa estar lá às quatro da tarde, você me falou que era às quatro."

"Não! É às três da tarde, às quatro começa o evento, eu preciso estar lá uma hora antes para ajudar a arrumar tudo!"

Thalia olhou Reyna de cima à baixo.

"Bom, você já tomou banho e talvez só precise mudar de roupa, me diz o que você iria fazer hoje de manhã e enquanto você toma café, eu faço para você."

"Thals..."

"Ei, amiga é para isso! Vamos lá, você precisa de uma refeição bem reforçada para ficar em pé arrumando tudo, foi uma semana estressante, muito esforço nesse projeto e você ainda está de ressaca, eu posso ver na sua cara."

"Pode?" Reyna quase exclamou de aflição, ela precisava estar com a cara boa para conseguir fazer o evento dar certo.

"Posso, mas nada que uma maquiagem não dê jeito."

"Mas eu não sei me maquiar!"

"A gente vê um tutorial no YouTube, agora eu vou buscar seu notebook e quando eu voltar, espero que você já tenha comido pelo menos um torrada, mocinha."

Felizmente o plano de Thalia havia dado certo, Reyna comeu pelo menos três tipos de sanduíche e uma salada de frutas antes de ir escovar os dentes, ela também tinha deixado anotado com Thalia tudo o que precisava ser feito para hoje de manhã, e quando ela voltou para a sala de estar, Thalia estava terminando a última tarefa.

"Só falta enviar por e-mail!" Thalia disse contente "Já está pronta para ir?"

"Sim, e tem muita coisa para organizar por lá."

"Acho que os voluntários vão dar um jeito."

"Só conseguimos uns cinco, mas obrigada pelo entusiasmo, Thals!" Reyna disse rindo e saindo batendo a porta com as mãos carregadas de coisas.

[...]

A ideia de Piper era fazer um pequeno festival num parque no centro da cidade para arrecadar fundos para a ONG que ajudava crianças carentes dentro do sistema de adoção do estado da Califórnia, a ideia surgiu quando Piper percebeu que precisavam fazer eventos de arrecadação em que as crianças também pudesse se divertir e mostrar que mereciam aquele apoio. Reyna ajudou na divulgação e estava arrumando algumas placas de atrações também. Piper tentava montar as premiações e resolver assuntos no celular o tempo todo, os namorados de Piper, Leo e Jason, também estavam ajudando a montar tudo, mas Nico que havia se disponibilizado para ajudar ficara doente de repente e Frank e Hazel tiveram que viajar para Vancouver às presas por conta do estado de saúde da Vovó Zhang, os outros que podiam ajudar, tinham que auxiliar nas instituições parceiras da ONG com as crianças e tudo mais.

Então faltava menos de trinta minutos para tudo começar, mas ainda faltava algumas coisas a serem organizadas, Reyna não parava de pensar que deveria ter chegado mais cedo, tipo uma hora mais cedo, porque aí ela daria conta de todo o trabalho. Além disso, aquela porra de placa estava impressa errada e ela nem sequer podia sair dali. Ela teria que ligar para Thalia.

"Thalia? Você precisa me salvar só mais uma vez, por favor."

E em dez minutos, Thalia estava entregando a placa a Reyna e a ajudando a pendurar no local onde deveria ser a barraca do beijo para os adolescentes fingirem que está tudo certo, Reyna tinha pena de Lacy que teria que beijar algumas dezenas de garotos e garotas da sua idade para conseguir um dólar de cada, mas ela que se prontificou a isso dizendo que era o dever dela como uma garota de dezesseis anos estupidamente interessante. Piper só deixou a irmã mais nova fazer parte dessa palhaçada depois que os pais disseram "sim".

"Obrigada pela ajuda, Thals. Sério. Eu não tinha como imprimir a placa de novo, como pode ver, estamos com pouca gente."

"Eu posso ajudar."

"Sério?"

"Sim, acabei minhas coisas ontem e meu compromisso era fazer maratona de Supernatural, você sabe."

"Mas Thals, você ama essa série."

"E tenho o box dela, então posso reassistir quando eu quiser." Ela disse usando aquele olhar de azul elétrico com Reyna "Me mostre o caminho, cariño."

"Cuidado para não gastar todo o seu espanhol comigo, você acaba de conseguir alcançar a marca de conhecer cinco palavras em espanhol."

"Você está bancando a espertinha comigo, Rey?"

"O que você acha?"

"Mostre o caminho."

[...]

Felizmente o festival começou no momento certo e com tudo arrumado, os funcionários conseguiram chegar a tempo, então tudo estava mais do que perfeito. Reyna estava checando as barracas e auxiliando o grupo que fazia as fotos do evento e alguns vídeos, todo o seu esforço sendo aos poucos recompensados ao ver o feedback imediato. Ela parou um instante para beber uma água quando conseguiu um intervalo.

"Você precisa de uma bebida quente." Foi o que Thalia falou quando a viu descansar pela primeira vez naquela noite.

"Água é mais fácil de engolir quando se tem que voltar ao trabalho imediatamente."

"Rey, já deu tudo certo, ok? Você precisa de um chocolate quente, um cachorro-quente e uma volta na roda gigante."

"Você vai pagar por tudo isso?"

"Vou fazer melhor, eu vou com você!" Ela disse com um sorriso radiante.

Dez minutos depois, Reyna estava na roda gigante com um copo de chocolate sendo bebericado e o ar puro e frio entrando com força em seu nariz. Quando alcançaram o topo pela terceira vez, a roda parou com um pequeno solavanco que fez Reyna buscar pela mão de Thalia rapidamente.

"Calma, foi só um susto."

"Eu sei."

"Você ainda está segurando a minha mão, Rey." Thalia disse rindo. Ali de cima tudo era escuro, o que dava para notar as luzes brilhantes da cidade e iluminar o rosto sardento de Thalia.

"Eu sei." Reyna disse. "É por precaução só. No caso do brinquedo dar outro solavanco para voltar a girar."

"Eu gosto quando ele para aqui no topo."

Reyna a olhou.

"É interessante."

"O quê?"

"Parece até que você perde a sua pose quando está aqui em cima."

"São seus olhos." Thalia brincou.

"Deve ser um pouquinho... Aqui está um pouco escuro."

"Você está com medo do escuro?"

"Não." Reyna disse, mas apertou um pouco mais a mão de Thalia.

"Eu estou vendo."

"Desculpa, eu estou um pouco nervosa ainda."

"Eu te deixo nervosa?" o biquinho que Thalia fez demonstrava que ela não imaginava que algum dia ela pudesse deixar Reyna nervosa, mas não era isso.

"Você não me deixa nervosa, eu ainda estou um pouco ligada à adrenalina do evento."

"O evento está sendo um sucesso. Você deveria aproveitar um pouco." Thalia disse apertando um pouco a mão de Reyna. Thalia também falava mais baixo, mais suave.

"Eu estou aproveitando."

Os olhos azuis de Thalia brilharam em diversão e ela arqueou as sobrancelhas negras e bem feitas. Como uma deusa debochando de meros mortais.

"Eu tive que te carregar até aqui, Reyna."

"Eu só sou muito ligada com meu trabalho e esse projeto também significa muito para mim. Do tipo pessoal mesmo."

"Como assim?"

"Eu já fui uma criança com poucas condições de vida, sabe? Minha mãe teve depressão pós-parto depois de me dar a luz e teve que ficar numa clínica psiquiatra por alguns meses, meu pai trabalhava em bicos depois de servir o exército e tinha muitas crises de estresse pós-traumático. Muitos medicamentos e tratamento a fazer e em pouco tempo, a gente precisava da generosidade das pessoas para conseguir ter suprimentos para a semana." Reyna suspirou sem olhar para Thalia "A gente precisou de um ano inteiro para se reestabelecer, mas as coisas só melhoraram depois que minha mãe saiu da clínica."

"Você não precisava ter dito se te faz ficar desconfortável." Thalia sussurrou baixinho.

"Você saberia de alguma maneira, hm?"

"Quando eu me descobri trans, a primeira coisa que eu pensei era que eu nunca seria uma mulher de verdade, eu tive algumas crises de ansiedade e muita terapia até perceber que eu já era uma mulher de verdade. Transfobia internalizada acontece com muitas pessoas trans."

"Por que disse isso?"

"Um papo profundo seu e um papo profundo meu. Você..." a roda gigante voltou a rodar e houve um pequeno solavanco em que Reyna apertou novamente a mão de Thalia. "Que tal comer agora?"

"Parece bom."

Thalia sorriu para Reyna e algo quente bateu no peito dela, aquele sentimento que ela só sentia quando via generosidade ou quando chegava o fim do ano.

[...]

"Thalia!" Piper exclamou correndo até Thalia que estava dividindo um algodão doce com Reyna e com o reflexo da felicidade estampada em seus lábios "Thalia, por favor me diz que você toparia me ajudar sem condições impostas."

"Você é minha cunhada." Thalia disse como se isso dissesse sim automaticamente.

"Certo, eu preciso que você substitua Lacy agora na barraca do beijo, algumas pessoas maiores de idade querem participar e Lacy não vai fazer parte disso."

Thalia olhou para Reyna e depois para Piper.

"São muitas pessoas?"

A resposta era sim, havia muitas pessoas. Thalia havia dito que já voltava, mas ela estava há cinco minutos beijando vários pares de bocas diferentes e não parecia estar com pressa de acabar, e Reyna estava assistindo e esperando. Só que alguma coisa estava errada. Reyna não achava que ligava para com quem Thalia ficava ou deixava de ficar, mas olhar para aquilo fazia Reyna ficar pensando que algo estava errado, que Thalia não deveria estar beijando aquele turbilhão de pessoas. Demorou alguns minutos olhando a cena para Reyna perceber que ela queria estar beijando Thalia, que talvez ela estivesse extremamente apaixonada por Thalia há semanas e nem havia realmente se dado conta, porque havia achado que era só mais um nível de amizade.

Reyna queria comprar um bilhete da barraca do beijo e entrar na fila para beijar Thalia, como naqueles filmes de Hollywood, mas o que ela realmente fez foi avisar à Piper que precisava voltar para casa.

[...]

Deveria ser perto de três da manhã e como uma boa mulher que não consegue entender seus próprios sentimentos confusos por uma garota bonita, Reyna estava no terraço do prédio olhando as estrelas e tomando a terceira garrafa de cerveja para ajudá-la a pensar como ela sairia daquela merda de situação. Ela estava ali há pelo menos quatro horas e não tinha chegado à nenhuma solução, talvez a solução fosse voltar para casa e dormir. Dormir sempre era uma boa solução para fugir de seus problemas.

Então Reyna desceu pelas escadas do terraço até o último andar e pegou um elevador para o terceiro andar onde seu apartamento lhe aguardava no fim do corredor, ela buscou nos bolsos da calça e do casaco pelas chaves de casa, mas não estava ali. Tarde demais, ela lembrou que havia deixado suas coisas no quarto, quando tentou arrumar tudo para parecer que estava dormindo no quarto, e não parecendo uma idiota no terraço frio no meio da porra do inverno.

Só tinha um jeito. Ela tocou a campainha três vezes e estava indo para um quarta quando ouviu um barulho do lado de dentro e segundos depois uma Thalia com a cara amassada e pijamas abriam a porta.

"Reyna?" Thalia a olhava como se estivesse vendo um fantasma "Mas você estava no- Eu juro que vi você lá e agora você está aqui..."

Reyna entrou sem dar muitas satisfações para a colega de quarto.

"Onde você estava?" Thalia quis saber.

"Pensando."

"Você estava na sua cama."

"Eu meio que juntei alguns travesseiros para fingir que estava dormindo."

"Para quê? Por quê?"

"Pra você não se preocupar."

"Então porque tocou a campainha no meio da madrugada?"

"Esqueci a chave." Reyna explicou.

Thalia deu um passo à frente, um passo que imprensou Reyna contra a parede e Reyna sabia que não poderia fugir do veredito seguinte de Thalia.

"Você bebeu. Você está bêbada, não é?"

"Eu bebi, mas eu não estou bêbada."

"Então porque está assim?"

"Eu só me estressei com algo que aconteceu no parque, ok?"

"Tipo o quê?"

"Tipo você beijando uma centena de pessoas." Reyna deixou escapar, ela jura que iria responder isso só na sua mente, mas o álcool atrapalhou tudo.

"E o que isso tem a ver, pelo amor dos deuses!"

Foi só com essa exclamação que algo finalmente ficou sóbrio no cérebro de Reyna e ela pôde analisar a situação, as duas estavam imprensadas contra a parede do corredor e o rosto de Thalia estava tão perto que parecia que qualquer abrir de boca para rebater ocasionaria um beijo.

"Oh, meus deuses! Está acontecendo, não é? Finalmente acontecendo?" Thalia perguntou com o sussurro, Reyna pôde sentir o ar da ação da garota marcar a distância entre elas, era tão mínima que nem uma mosca conseguiria passar naquele intervalo.

"Thalia..."

"Porra. Se não quiser que eu te beije, bata no meu ombro agora." Thalia pediu.

Reyna não fez um movimento.

"Diga não, se você não quiser isso. Diz agora."

Reyna não falou nada.

"Porra." Foi o que Thalia disse antes de a beijar.

Um beijo confuso, molhada e sem fim que Reyna queria guardar cada detalhe na memória. Inferno, era gostoso demais e Reyna não podia acreditar que demorou tanto tempo para tê-lo. Tanto. Elas acabaram na cama de Thalia se beijando sem fim como duas adolescentes na puberdade, sem tirar nem uma meia do corpo.

"Isso significa que você está apaixonada por mim?" Thalia perguntou.

"Você está? Apaixonada por mim?" Reyna rebateu a pergunta.

"Porra, sim!"

"Então sim."

Notas finais
E aí? O que acharam? Comentem por fabor sjsjsjsj tô ansiosa para ver a reação de vocês sobre! Also- não esqueçam de favoritar e add na biblioteca!

Lembrando que a assexualidade é um espectro e que assexualidade e libido são coisas completamente diferentes, ok?

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twitter: @pipeynaallstark

Até a próxima!

Xx

Lah ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!