I Found My Fallen Angel

39 Capítulo 39 – Desolado.


Notas iniciais
Boa leitura...

Por nenhum segundo meus olhos se desviaram de Clarice que andava de um lado para o outro com um sorriso maléfico nos lábios. A arma preta em sua mão fazia meus pelos se arrepiarem e calafrios passarem por tudo meu corpo.

–Eu soube que sempre quis ser a presidente da empresa Owen – Ela soltou um riso e então me encarou – Deveria me agradecer, pelo menos vai morrer sentada na cadeira do presidente.

–Clarisse, por favor...

–Cala a sua boca sua vadia miserável! – Gritou apontando a arma para mim, o sorriso sumira e agora ela estava irritada – Você só fala quando eu te der permissão para falar – Avisou baixando o tom de voz.

Ela se sentou em uma das cadeiras e colocou a arma sobre a mesa, atenta a todos meus movimentos. Soltei um suspiro, sentindo meu pescoço suar, minhas mãos ficarem frias e o desespero tomar conta de mim por não saber como sair da situação.

–Oi querida – Levantei meus olhos e Ryan adentrou a sala, se aproximou de Clarice e beijou-lhe a testa – Hilary – Sorriu presunçoso para mim.

–Vocês estão juntos? – Perguntei não conseguindo me segurar.

–Acho que ela merece uma explicação – Ryan murmurou olhando para Clarice com amor? – Eu sou irmão das Smith’s – Falou se aproximando de mim e se sentando na beirada da mesa, a centímetros do meu corpo – Todos os atentados contra sua família e a dos Maxwell foram nós quem fizemos – Engoli em seco.

–Porque? – Sussurrei sentindo minhas mãos tremerem.

–Porque não era para vocês estarem juntos. Era para nos casarmos Hilary...

–Você ao menos me amou, eu nunca me casaria contigo – Ele virou minha poltrona com violência me fazendo encarar seus olhos.

–Se você não fosse uma puta intrometida teríamos nos casado e eu assumiria a Empresa Owen. Já que o boiola do seu irmão não prestou para dar esse presente para seu pai – Apertei o maxilar com raiva do que ele havia dito – Eu tenho nojo de vocês sabia?

–Que pena burlar seus planos – Revidei cínica.

–Você com esse rostinho de porcelana, deveria ser a filha que vai as compras, não a que quer a presidência. Mas não importa agora, depois que Clarice... bem você sabe – Ele soltou um riso sarcástico.

–Me matar?

–Se você prefere que eu seja direto, sim, depois que ela te matar – Deu de ombros – Ela se casa com John, Carolina faz com que Rayssa tenha uma decepção amorosa com Santiago. E nos Smtih’s ficamos com ambas fortunas.

–Meu irmão, jamais ficaria com uma vagabunda – Antes que eu pudesse perceber, sua mão veio de encontro ao meu rosto em um tapa estalado.

–Nunca fale assim da minha irmã – Falou furioso apontando o dedo para mim.

–Ryan, acho melhor você ir – Clarice se aproximou, engoli em seco sentindo meu rosto arder.

–Espero que sua morte seja digna de uma vadia como você – Ele murmurou antes de sair da sala.

–Viu o que acontece quando se mete com os Smith’s? – Clarice soltou um riso.

–Você me dá náusea – Falei antes de cuspir em seu rosto, isso me rendeu um tapa com sua arma e o sangue começando a escorrer por minha cabeça.

–É melhor eu acabar logo com isso, quero estar logo nos braços do meu John – Falou após limpar o rosto – Ele nunca mais vai tocar nesse seu corpo, nunca mais vai olhar para os seus olhos. Será eu e ele para sempre, vivendo nosso amor interrompido.

–Ele nunca vai ficar com você! – Gritei furiosa – Ele me ama!

–Cala a boca sua merdinha! – Gritou apontando a arma para mim – O John é meu! Sempre foi meu! Eu sou a mulher da vida dele!

–Não – Carolina adentrou a sala com uma arma em mãos e uma boneca – John é meu – Clarice se virou e encarou a irmã – Nenhuma das duas vai ficar com o meu John.

–Carolina o que você está fazendo aqui? – Clarice se aproximou, mas parou quando a arma de Carolina foi apontada para ela.

–Nenhuma das duas vai ficar com o John – Repetiu – Ele é meu.

–Larga essa arma, o John sempre foi meu.

As duas começaram a brigar e a atenção já não era mais minha, eu estava um tanto zonza, mas não estava disposta a ficar aqui, a porta estava a poucos passos e eu podia descer pelas escadas até conseguir um dos seguranças para me ajudar, daria certo sim.

–Hilary! – Pude ouvir a voz de Clarice me gritar antes de cair sentindo minha cabeça pesar e minha boca se encher de água, o chão veio logo e eu gemi sentindo uma dor imensa no meu peito.

Pude ouvir o segundo tiro e Clarice cair no chão, sangrando e parecendo morrer aos poucos. Enquanto isso minha visão ficava turva, meus olhos piscavam e eu pude identificar que não era agua em minha boca e sim sangue.

Eu não tinha mais forças para nada, então apenas fiquei ali esperando a ajuda de alguém. Ou o pior.

*John Maxwell*

Assim que o elevador se abriu eu pude ver Hilary caída na sala de reuniões. Ignorando os pedidos dos policiais eu corri para dentro da sala me ajoelhando e não sabendo o que fazer.

Hilary havia levado um tiro, sua roupa estava ensopada de sangue e ela me encarava com os olhos fracos, haviam lágrimas neles. Engoli em seco.

–Meu amor, fala comigo, por favor – Falei sentindo minhas mãos tremerem, enquanto eu tocava seu rosto gelado – Hilary, por favor.

–Eu amo você – Sussurrou com a voz fraca.

–Não, minha filha não – Isaac rapidamente se ajoelhou do outro lado, suas mãos seguraram a de Hilary.

–Precisamos de médicos aqui! – Gritou o policial.

Mas eu não conseguia desviar meus olhos de Hilary, os sons à nossa volta começavam a ficar abafados e meu coração batia forte em meu peito. Eu não queria perde-la.

–Por favor, fica comigo meu anjo – Isaac pedia enquanto tocava seu rosto – Não me deixe.

–Senhor eu preciso que se afastem – O médico pediu – Senhor, por favor – Isaac me puxou e eu olhei a nossa volta.

Carolina estava perto a vidraça com um bebe no colo, enquanto policiais tentavam se comunicar com ela, Clarice estava no chão. Morta.

–John! – Carolina sorriu ao me ver, começando a vir em minha direção – John meu amor, nosso filho – Eu dei um passo para trás, encarando o boneco em seus braços – É nosso filho, amor – Encarei seus olhos, podendo ver a loucura refletindo neles – Seremos felizes agora.

–Não me toque – Mandei me afastando – Você está louca – Falei antes de sair com Isaac atrás de Hilary que era levada pelos médicos.

No hospital, eu me sentei no banco após Hilary ser levada para a sala de cirurgia. Se ela morresse eu não saberia mais como viver, eu a amava tanto, que sem ela eu não existiria.

–Onde está minha irmã? – Levantei os olhos podendo ver Santiago adentrar a sala, os olhos assustados encarando a mim e a Isaac – Pai?

–Ela foi baleada, está em cirurgia – Pude ver quando seus ombros caíram ao ouvir as palavras do pai. O desespero refletir em seus olhos.

Eu não queria me comunicar com ninguém, apenas esperar notícias dela. E aparentemente todos respeitaram meu silêncio. Mamãe se sentou ao meu lado segurando minha mão e me demonstrando que estava comigo, para tudo. Mas, eu estava desolado.

FlashBack ON

Sorri enquanto a via correr a minha frente, as flores do outono caiam e eu me sentia leve por estar aqui com ela. Pude ouvir seu riso, a cada segundo ela ficava mais longe de mim, mesmo eu correndo para pegá-la.

–Não me obrigue a te castigar, Sra. Maxwell – Falei fazendo a virar.

O sorriso em seus lábios era lindo, me fazia feliz apenas por saber que eu era o motivo dele.

–Vai me castigar é? – Perguntou erguendo uma sobrancelha – Vai me prender na cama e me encher de beijinhos? – Pude perceber a malicia em sua voz.

–Não me provoque – Falei seriamente – Você não sabe do que eu sou capaz.

Hilary mordeu os lábios e se aproximou começando a arrumar meu casaco suavemente para então me encarar com seus belíssimos olhos verdes.

–Então é melhor eu ser uma garota muito boazinha, não é mesmo? – Eu aproximei meus lábios dos seus, roçando meu nariz ao seu – Não quero me machucar.

–Sim, então é melhor você ser muito boazinha – Sussurrei percebendo o pesar de sua respiração.

–Me beije – Pediu com a mão em minha nuca.

Nossos lábios se uniram e assim como ela, eu senti as ondas elétricas passarem por meu corpo. Sua boca macia se moveu contra a minha e eu agarrei seus cabelos a puxando pela cintura para se colar mais a mim.

Um gemido escapou dos seus lábios e eu escorreguei meus dentes até segurar seu lábio inferior e puxar em minha direção soltando em seguida para beijá-la.

–Eu te amo – Falei fazendo a sorrir.

–Eu te amo mais – Confessou com os olhos brilhando, seu corpo girou e eu a abracei por trás. Beijei seu pescoço sentindo seu perfume suave.

–Eu estou com fome – Hilary ergueu o rosto para me encarar.

–Não seja um ninfomaníaco, amor – Eu gargalhei e beijei sua pele fazendo a rir também.

–É de comida mesmo, preciso recuperar minhas forças para depois acabar com você.

–Massa? – Perguntou me encarando com os olhos brilhantes.

–Definitivamente – Falei fazendo a sorrir e me abraçar forte.

FlashBack OFF.

–Sr. Maxwell? – Me levantei rapidamente ao ver o médico se aproximar e me chamar.

–Sim, ela está bem? – Perguntei aflito, assim como todos.

–Eu sinto muito em ter que dar essa notícia – Meu coração falhou uma batida – Mas, estamos fazendo o possível. É uma cirurgia muito complicada. Não sabemos se conseguiremos salvar os dois – O encarei confuso.

–Dois? – Isaac falou igualmente confuso.

–Talvez ela tenha se confundido, amor – Elizabeth falou calma. O médico encarou a ficha e então a nos.

–Não, estou certo. É Hilary Owen e o bebe – Por um segundo o meu mundo parou – Não sabemos se vamos conseguir salvar os dois, preci... – Sua voz se tornou um ruído ao fundo.

Ela estava gravida, um filho meu.

–Senhor? – Pisquei algumas vezes. Eu sempre sonhei em ter filhos, ter uma família. Mas não, eu não poderia perde-la, Hilary viria em primeiro lugar acima de todos meus sonhos e desejos.

–Salve ela, não deixe que minha mulher morra – Falei convicto – Salve-a – Ordenei novamente fazendo-o assentir e se afastar.

–Meu filho...

–Mãe... – Murmurei então a olhando – Não – Abaixei a cabeça saindo dali. Eu apenas queria um minuto sozinho.

Oliver me levou de volta para o meu apartamento, assim que chegamos eu fui envolvido pelo silencio. Não havia sua voz para preencher meus ouvidos, seu riso, não havia ela para me fazer querer estar ali.

Toquei suas roupas no closet, querendo que eu pudesse me virar e a ver me perguntando qual dos vestidos ficaria melhor para o trabalho.

No escritório, imagens dela sobre a minha mesa vieram à minha mente. Seu sorriso enquanto me ajudava com a gravata, seus beijos, a forma como seus olhos brilhavam.

Sem me conter joguei tudo para o chão, os papeis, o abajur, os livros, os uísques sendo tacados na parede. Eu desejava uma maneira de acabar com o aperto em que eu sentia em meu peito.

Encostei-me na parede, começando a escorregar até o chão, um soluço que veio de dentro do meu peito saiu e as lágrimas escorregaram por minha face. Eu não tinha forças para viver sem ela.

O que eu sempre quis, sendo tirado de mim as forças, fazendo meu coração ser esmagado e a tristeza tomar conta do meu ser. Eu nunca conseguiria a felicidade plena, não era meu destino ter uma família e talvez eu tivesse que compreender isso. Estava fadado a me contentar com o pouco que o mundo estava disposto a me dar.

Peguei o porta-retratos quebrado em meio a toda destruição a minha volta e toquei nossa foto juntos na nossa lua de mel. Eu poderia nunca mais ver esse sorriso, nunca mais a ter em meus braços.

Segurei a foto junto a mim e deixei que minhas lágrimas escorregassem, enquanto minha alma se afundava em uma tristeza profunda.

Notas finais
Hey! Tudo bem com vocês? Então, eu sei que prometi na segunda, mas com a volta as aulas eu tive alguns contratempos. Desculpe-me. Mas está aqui agora. Então?? O que acharam? Curtiram? Gostei bastante dos comentários que recebi, mas muitos de vocês sumiram :'( Espero vê-los nos comentários. Grande beijos a todos Com amor Bkristene