I Found My Fallen Angel
40 Capitulo 40° - A assinatura de milhões de dólares
Notas iniciais
*POV Hilary Owen*
–Meu amor? – Pela voz calma e grave pude identificar quem estava ali e sentir sua mão segurando a minha.
–Santiago? – Murmurei meio grogue.
–Oh sim – Sua mão apertou a minha um pouco e eu pude perceber que ele sorria pelo tom de sua voz – Eu estou tão preocupado, vamos, me fale como você está? – Pediu aflito.
Respirei com dificuldade, então comecei a abrir os olhos, eles arderam ao ver a claridade e eu os fechei, tentando novamente com mais calma. Ainda um pouco turvo, eu consegui ver Santiago, então começar a identificar que usava uma camisa branca e tinha uma aparência cansada.
–Onde eu estou? – Perguntei começando a olhar a minha volta.
–No hospital – Respondeu – Depois do que aconteceu, bem, você levou um tiro e... – Eu fechei os olhos e ele parou.
Os flashes dos acontecimentos começando a vir em minha mente. Carolina. Arma. Boneca. Ryan. Clarice. John. Meu John.
–Onde está o John? – Perguntei aflita.
–Não, a pergunta é se você está bem?
–Não, eu quero saber do John...
–Ele está bem, Hilary – Falou calmo, seus olhos verdes encaravam os meus cheios de preocupação – Você sente alguma dor?
–Santiago, chama o John para mim, por favor – Pedi começando a me levantar.
–Não, você não pode se levantar – Revidou parecendo bravo – Você deve permanecer deitada- Falou me impedindo, logo eu gemi sentindo uma dor terrível abaixo do peito – Eu vou chamar o médico, fique aqui.
–Não Santiago! – O encarei furiosa – Onde está o meu marido?
–Hilary? – Encarei a porta e lá estava ele.
Barba, cabelos desgrenhados, camisa azul amassada, olhos tristes e cheios de preocupação. Senti os meus se encherem de lágrimas por saber que ele não era o John da Carolina ou da Clarice e sim ou meu John, ele estava aqui, comigo.
–Oh meu amor – Rapidamente ele veio em minha direção tomando o lugar de Santiago – Não chora, eu estou aqui – Falou preocupado – Você está bem? – Sua mão tocou minha pele e eu soltei um suspiro em meio a um soluço.
–Me abraça – Pedi baixinho, sem jeito ele o fez.
–Eu estava tão preocupado – Sussurrou em meu ouvido – Para de chorar, por favor, eu estou aqui, não vou a lugar algum.
–Eu fiquei com tanto medo – Falei baixinho.
–Não, ninguém vai tocar em você. Nunca mais – Prometeu se afastando e encarando meus olhos. Seu polegar tocou minha bochecha limpando as lágrimas, me fazendo fechar os olhos e sentir seu toque suave.
Meu coração se acalmou, as batidas foram se diminuindo e uma calma plena tomando conta de mim. Seus lábios tocaram os meus suavemente, acariciei seu rosto e então afundei meus dedos em seus cabelos apertando-os em minha mão.
Ele manteve os olhos fechados ao terminarmos o beijo, um sorriso se abriu em seus lábios e eu lhe dei um selinho antes de seus olhos se abrirem para mim.
–Quanto tempo eu...? – John sorriu tocando minha bochecha com o polegar.
–Três dias, os médicos disseram que era compreensível. Eu senti sua falta – Falou beijando-me os lábios novamente.
–Sra. Maxwell, que bom vê-la acordada – John se afastou e eu encarei a médica de cabelos escuros e pele igualmente, parecia bastante simpática e amável – Como se sente? – Perguntou sorrindo ao pegar minha prancheta.
–Bem, só com uma leve dor na cabeça – Murmurei tentando me sentar, no entanto logo ela me impediu.
–Por enquanto você deve permanecer deitada, irei prescrever um remédio para a dor – Avisou — Você sabe o que aconteceu? – Perguntou.
–Sim, eu levei um tiro – Respondi sentindo a mão de John a minha.
–Exatamente, houve uma cirurgia de risco a senhora correu risco de morte, mas agora está totalmente fora de perigo – Falou direta, escrevendo furiosamente em na prancheta.
–Meu bem... – Papai adentrou o quarto junto a minha mãe, impedindo o progresso da médica.
–Oi pai, mãe – Sorri fraco.
–Como você está? – Mamãe perguntou se aproximando para tocar-me o rosto – Está sentindo alguma coisa?
–Eu estou bem, mãe.
–Aham – A médica limpou a garganta e atenção foi lhe retornada – Como eu ia dizendo, se a sua recuperação continuar indo bem pode sair em menos de dois dias do hospital, claro que deverá permanecer em repouso alguns dias e agora com um cotidiano mais leve.
–Porque? Houve algum trauma? – Perguntei – Eu me sinto bem, apesar da dor – Pude notar os olhares a minha volta todos tensos – Algum problema que eu ainda não estou sabendo?
–Sra. Maxwell, durante a cirurgia identificamos algo – A médica começou.
–É grave? – Perguntei temendo por sua resposta.
–Devo ser direta com a senhora, você está gravida de gêmeos.
Por um minuto meu cérebro entrou em pane e eu não sabia bem o que dizer. Isso era impossível, eu sabia me cuidar, sempre havia tomado as injeções nas datas certas.
–O que? – Perguntei sentindo meu coração começar a acelerar – Isso é impossível, eu me cuido.
–Não, é totalmente possível – Ela afirmou – Sem bebidas e deve consultar um médico especialistas para começar a fazer pré-natal.
–Não, eu não estou gravida – Afirmei começando a me irritar – Deve ter sido um erro médico.
–E porque deve ser um erro médico e não um descuido seu? – Revidou me encarando séria.
–Hilary você vai ser uma mãe incrível – Papai falou em uma tentativa de amenizar a situação.
–Não, eu não vou ser mãe – Falei seriamente.
–Sra. Maxwell, mais tarde retornarei para ver seu estado. Até lá, comece a digerir a situação.
–Obrigada – Falei cinicamente para a médica – Espero poder sair logo dessa cama – Sorri.
–Tenho certeza que sim – Ela murmurou – Vamos deixá-los sozinhos – Falou para meus pais e Santiago que logo se retiraram junto a ela. Soltei um suspiro alto de olhos fechados. Isso era um pesadelo, só podia.
–Desculpe – Abri os olhos encarando John cheio de culpa – Eu devia ter me cuidado também, sabia que você não queria.
–John não, por favor – Pedi fechando os olhos – Não faça isso.
–Mas daremos um jeito de dar certo, amor. Sua carreira não vai ser afetada – Disparou – Eu serei o melhor pai e marido, vou te ajudar sempre.
–John para, por favor – Implorei encarando seus olhos desesperados.
–Vou fazer de tudo para te fazer feliz – Jurou, segurei sua mão beijando-a e então encarando seus olhos.
–Amor, eu só fui pega de surpresa, estou feliz por lhe dar esse presente – Dei o meu melhor sorriso, obtendo o mesmo dele.
–Mesmo? Não está com raiva de mim? – Neguei, não queria estragar a felicidade dele, mesmo que para mim as coisas não estivessem tão bem.
–Seremos felizes – Murmurei recebendo um beijo cheio de amor.
Mais tarde o delegado veio me ver e eu tive que lhe explicar tudo que havia acontecido no dia em que levei um tiro. Fiquei sabendo que Clarice estava morta e que Carolina havia sido enviada para um hospício depois de detectarem que ela sofria de bipolaridade e psicopatia.
Ryan havia sido capturado depois de tentar sair do país em um jatinho particular e sem mais alternativas confessou que todas as tentativas de assassinatos contra os Owen e Maxwell vieram dos Smith.
{...}
Encarei a televisão um tanto sem interesse, estava impedida de ir trabalhar por pelo menos uma semana ou mais. Provavelmente eu não aguentaria e antes mesmo de começar o primeiro dia eu já estava pensando em fugir.
–Amor, eu vou estar no celular. Me ligue qualquer coisa, cuidado, Oliver vai estar aqui a todo momento para ajudá-la e a Carmem também – Eu assenti encarando John arrumar a gravata apressadamente – Você está bem?
–Estou – Murmurei – Tenha um bom dia no trabalho.
–Obrigada, eu vou tentar vir almoçar com você – Se aproximou e beijou meus lábios rapidamente – Amo você, boneca.
–Amo você – Sorri, John pegou sua maleta e antes que eu pudesse perceber a porta do quarto já estava fechada e só podia-se escutar o volume da televisão.
Soltei um suspiro e desliguei a televisão começando a encarar o teto do quarto. Pela primeira vez em cinco dias em havia conseguido finalmente ficar sozinha com meus pensamentos.
Passei todo o tempo, ouvindo o quão feliz todos estavam com a minha gravidez e assistindo a euforia de John em montar os quartos dos bebes. Seus olhos brilhavam a cada vez que falava sobre nossos filhos, sempre carinhoso e chegamos ao ponto de ele falar com minha barriga.
No entanto, meu mundo desmoronava. Eu sabia que não devia agir assim, que ter uma criança era uma benção, mas esse não era meu plano, não agora. Eu havia começado a trabalhar a pouco tempo, minha carreira não estava tão bem para que eu começasse a responsabilizar por mais pessoas além de mim mesma.
As lágrimas surgiram em meus olhos e eu toquei meu ventre por cima da fina camisola. Tinha duas criaturinhas dentro de mim, eu não poderia ser egoísta pensando só nos meus interesses, mas não era a hora certa para mim. Eu tinha tantos sonhos a conquistar e agora eu teria que parar tudo por meus filhos.
Soltei um soluço longo, apesar da minha frustração eu já podia sentir os laços amorosos se apossarem de mim em relação aos pequenos dentro de mim.
–Bom dia Sra. Maxwell, precisa de alguma coisa? – Encarei Carmem ao descer a escada e sorri, o dia só estava começando.
*John Maxwell*
Arrumei o paletó e logo em seguida Isaac adentrou meu escritório, parecia preocupado e pude notar que a conversa era séria.
–Bom dia Isaac – Ele apertou mão.
–Bom dia John – Murmurou se sentando logo que lhe indiquei a cadeira – Como está minha filha? – Perguntou.
–Um pouco distante, mas sem dores e está se recuperando rápido. Aconteceu alguma coisa?
–O delegado esteve na empresa – Começou pacientemente – Ryan foi capturado como já estávamos informados e eles sabem o real motivo pelo sequestro da Hilary, além é claro da obsessão que as Smith’s tinha por você – Eu assenti – A empresa Smith queria o contrato com David Beckham, tanto que ele foi sequestrado junto com a Hilary e ficou no departamento abaixo da onde houve os tiros.
–Isso quer dizer que...
–Hilary corre perigo tanto quanto eu e você juntos. Foi algo normal, empresários morrem todo ano por causa de contratos super valiosos como esse e ela quase se foi por causa disso – Eu engoli em seco – Agora que ela está gravida, eu acho que a decisão certa seria afastá-la dos negócios e depois que as crianças nascerem, vai estar tão entretida e dar o carinho de mãe que vai se esquecer da empresa.
–Eu não quero ser o responsável de destruir o sonho dela, Isaac.
–E eu não quero que eu e você sejamos os responsáveis da morte dela – Revidou seriamente – Temos que afastá-la disso John, está comigo nisso ou eu terei que ser o ruim sozinho?
–Estou com você – Falei determinado, a proteção de Hilary viria sempre em primeiro lugar apesar de tudo.
–Acho melhor falarmos com ela sozinha, logo após sair daqui irei passar no apartamento de vocês e quando chegar pode continuar a conversar com ela sobre o assunto – Eu assenti – Obrigado John, por cuidar dela.
–Eu a amo, farei de tudo para tê-la protegida – Apertamos as mãos.
No final do dia voltei ansioso para a casa, queria ver como Hilary estava e saber como tinha sido a conversa com Isaac, se ela havia compreendido e aceitado. O que para mim era realmente improvável, por um lado eu estava com medo da fera que teria que enfrentar ao chegar.
–Boa noite, meu amor – Afrouxei a gravata encarando minha mulher usando apenas uma de minhas camisas e descalça – Que bom que chegou, eu estava com saudades – Se aproximou e beijou meus lábios me fazendo soltar um suspiro alto.
Suas mãos seguraram meus cabelos e eu passei o braço por sua cintura a puxando para cima. Nossos lábios se uniram ainda mais e ela gemeu contra minha boca movimentando sua língua junto com a minha, era um beijo cheio de paixão e eu podia perceber as segundas intenções dela ao sentir sua mão desabotoar o botão da minha camisa.
–Que beijo gostoso – Murmurei sorrindo para ela enquanto a colocava de volta para o chão – Eu senti saudades também, como você está? – Perguntei afastando uma mecha de seu cabelo do rosto.
–Maravilhosamente bem – Falou sorrindo para mim – Você está com fome? – Perguntou mordendo os lábios sorridente, seus olhos verdes me encaram brilhantes.
–Faminto – Afirmei estranhando seu bom humor, quando sai ela parecia que iria a um velório.
–Como foi o trabalho hoje? – Perguntou puxando-me para a sala de jantar.
–Foi normal, alguns problemas mas todos já resolvidos e você? Como passou o dia? – Ela deu de ombros.
–Não fiz muita coisa, assisti alguns seriados e meu pai esteve aqui e David também – Falou enquanto Carmem nos servia – Obrigada Carmem – Sorriu.
–E como foi a conversa de vocês? – Perguntei.
–Eu acho que vocês dois tem toda a razão, eu devo me afastar agora que tenho alguém além de mim – Falou tocando sua barriga e me fazendo sorrir.
–Estou muito feliz por você compreender meu amor, não queremos que algo de mau aconteça com você. Sabe disso não? – Ela assentiu – E o que disse ao David?
–Ele explicou que foi chantageado por Ryan e obrigado a cancelar o contrato comigo e eu falei que estava tudo bem e que ficaria para uma outra oportunidade assinar com ele, que eu estava saindo dos negócios e como ele só estava disposto a fechar negócio comigo, não seria possível.
–Foi a decisão certa meu amor – Toquei sua mão beijando-a em seguida.
–Vamos comer? – Perguntou me fazendo assentir e deixa-la atacar o camarão.
Mais tarde, sem conseguir evitar levei o trabalho para a cama e enquanto Hilary assistia a televisão eu revisava alguns relatórios. A hora passou e eu não percebi, só quando ela se virou adormecida para o meu lado agarrando meu braço que eu suspirei e fechei o notebook a tomando em meus braços em seguida e beijando seus cabelos.
Eu não queria que nada acontecesse com ela e meus filhos.
Os dias se passaram, Hilary parecia bastante receptiva e sorridente. Sempre me esperava após o trabalho e tagarelava sobre seu dia e o quanto sentia minha falta. Eu estava feliz, era isso que eu queria depois do que havia acontecido com ela.
Minha mulher protegida e fora de qualquer perigo.
Duas semanas depois Hilary ainda não tinha barriga, no entanto seus desejos de gravida estavam mais atiçados que nunca e por mais que eu estivesse muito feliz por poder satisfazê-lo, me sentia feliz por ter que viajar e ficar dois dias fora. Apesar de ela ter aceitado se afastar da empresa, quando eu chegava, ela sabia me cansar e me fazer pedidos inéditos.
Em toda a viagem mantive contato com ela e combinamos que assim que eu voltasse iriamos a empresa para eu voltar a ser presidente.
No jatinho de volta para a casa comecei a ler as ultimas noticias e logo comecei a sentir a raiva se apossar de mim. Ela havia mentido o tempo todo.
Hilary Owen tem a assinatura de milhões de dólares.
A empresaria depois de todos os acontecimentos e tragédias continua sua vida. Owen faz apostas loucas na bolsa de valores, fecha contrato com David Beckham e triplica sua fortuna.
Leiam as notas finais, babys!
Fale com o autor