I Doubt The Stars Are Fine
18 Dezessete
“Você é Harry Potter, não é?”
A bruxa era mais nova do que Harry ou Draco – não nova o suficiente para ainda estar em Hogwarts, mas por pouco. Era baixinha, balançando suas mãos ansiosamente na frente de seu corpo e mordendo seu lábio inferior. Havia algo bem jovem que mal deixou de ser uma adolescente no modo como ela estava agindo e Harry reconheceria aqueles maneirismos em qualquer lugar. Ele engoliu seu sorvete, suspirando.
Ele sabia o que ia acontecer e o deixava tão exausto, mas ele sorriu de qualquer maneira. “Oi,” disse, a lançando um aceno e balançando sua cabeça de tal maneira que seu cabelo saia da frente de sua testa e mostrava o raio. “É, eu sou. O que eu posso fazer por você?”
O rosto dela se iluminou.
“Eu sou Elise Han,” disse, indo apertar a mão de Harry animadamente. As mãos dela estavam um pouco suadas, Harry percebeu, mas ele tentou não ser muito malvado com a menina, mesmo que apenas em sua cabeça. Ela obviamente não sabia que estava o atrapalhando. Era apenas uma fã. “Você provavelmente não lembra, mas você e os seus amigos salvaram a vida da minha mãe durante a guerra. Obrigada por isso. Você pode me dar um autógrafo?”
Parecia tão impossível que alguém que Harry “salvou” durante a guerra tivesse filhos. Merlin, ele estava ficando velho. Quando a menina tirou um guardanapo e uma caneta de trás de suas costas e as estendeu para Harry, Harry encolheu os ombros, tentando manter seu sorriso o mais educado o possível.
“É claro,” disse.
“Ah, posso tirar uma foto também?”
Ele estava pensando em dizer não, mas aí ele se lembrou de outra pessoa mais nova e muito animada de seu passado que sempre gostou de tirar fotos com Harry e que sempre tinha o irritado, até ser tarde demais. De vez em quando, ele ainda pensava sobre o rosto de Colin do jeito que ele tinha estado, coberto de sujeira em sua morte. Com a garganta embrulhada, ele não pôde fazer nada a não ser concordar.
Ela tirou a foto dos dois com uma câmera que tinha em sua bolsa, um grande sorriso em seu rosto enquanto falava sobre como sua mãe iria adorar saber que ela tinha o encontrado. Harry concordou com a cabeça enquanto assinava o guardanapo – ele já tinha feito aquilo tantas vezes.
Na mesa, ainda comendo e o encarando com um pouco de escarnio, Draco bufou.
“Igualzinho quando a gente estava na escola, Potter.”
Harry sorriu – a menina, Elise, empalideceu, porém, encarando Draco com os olhos um pouco arregalados enquanto grudavam em seus tão reconhecíveis cabelos. Ela engoliu em seco.
“Draco Malfoy?” perguntou, a voz obviamente temerosa e ansiosa.
Era tão óbvia a diferença em como ela falava o nome dele e como ela tinha falado o de Harry antes que era doloroso. Harry engoliu em seco, voltando a se sentar porque ele não queria ficar em pé, não agora, não quando sua barriga estava se retorcendo daquele jeito.
“Eu sou bem reconhecível,” Draco sussurrou amargamente.
Ele tinha colocado uma blusa de Harry, antes deles saírem de casa hoje.
Uma blusa com as mangas curtas.
Dava para ver a Marca em seu pulso e a menina não parava de a encarar, seu lábio tremendo um pouco. Harry podia entender a reação, de certa maneira, porque era uma Marca Negra, mas, por outro lado, ele não entendia, porque era Draco.
“Ah.” Ela brincou com a sua câmera, o rosto ficando todo vermelho enquanto ela apontava entre os dois com a cabeça. “Vocês são amigos agora?”
Harry colocou sua mão em cima da mesa, pegando a mão de Draco e entrelaçando seus dedos, dando um aperto na mão dele. Ele arregalou os olhos, encarando Harry como se estivesse surpreso que ele fosse fazer isso na frente de alguém. Harry sorriu para ele, e então se voltou para a menina absolutamente chocada na frente deles.
“Ele é meu namorado,” disse Harry.
Os olhos dela ficaram tão grandes que nem pareciam caber em seu rosto mais, mas, para ser justo com ela, Draco não estava muito diferente. Scorpius só tinha franzido o rosto do outro lado da mesa, parecendo muito confuso.
“Ah,” a menina soltou. “Ah. Ok. Isso é ótimo. Legal. Obrigada por tudo. Tchau!”
Ela pegou o guardanapo com o autografo de Harry de cima da mesa e saiu correndo. Harry revirou os olhos, mas, quando ele se voltou para Draco, Draco estava balançando a cabeça.
“Você sabe que a gente vai estar na primeira página do Profeta amanhã, não é?”
Harry gargalhou, aliviado que ele não estava realmente irritado, e deu um último aperto na mão de Draco, ainda segura entre a sua própria mão. O outro homem sorriu para ele, um pouquinho, o que sempre fazia o coração de Harry se acelerar.
Do outro lado da mesa, Scorpius levou um pouco de sorvete até a sua boca, seu rosto retorcido numa careta de concentração.
“O que é um namorado?” ele perguntou.
Ambos Draco e Harry congelaram. Harry encarou Draco com os olhos arregalados, esperando que ele falasse algo, mas, com uma careta, Draco apenas deu de ombros como se estivesse dizendo “você que foi abriu a boca” e jogando a responsabilidade para ele. Que traidor. Harry se virou para Scorpius engolindo em seco.
“Bem, você sabe como eu amo você?” ele perguntou, e Scorpius concordou com a cabeça. “Basicamente, eu amo o seu pai também, mas de um jeito bem diferente. Acho que é difícil de explicar, você é uma criança, não vai precisar se preocupar com isso por um bom tempo. É o mesmo sentimento, sabe, só que as razões não são. Eu realmente gosto de beijar seu pai, por exemplo.”
O pai dele que, no caso, estava preso entre rir do quão desajeitado Harry era explicando as coisas para Scorpius e corar do que exatamente ele estava falando. No final, ele tirou sua mão de onde ela estava na de Harry, se virando para Scorpius.
“O que o Sr. Harry aqui está esquecendo, meu filho, é que você normalmente pede alguém para te namorar antes de anunciar que vocês estão namorando.” Ele lançou um olhar pelo canto do olho para Harry. “É a coisa educada a se fazer.”
Agora Harry sentiu a sua cara inteira queimando, assim como um pouco de vergonha e pânico se revirando em seu estômago. Ele se virou para Draco.
“Bem, Draco Malfoy,” ele disse lentamente, meio que ansiosamente também, “você quer me namorar?”
“Nós não somos um pouco velhos para isso?”
“Você nunca é velho demais para amor,” rebateu Harry ironicamente.
Draco revirou os olhos. Ao invés de o responder, porém, ele apenas deu um beijo em Harry – um pouco mais delicado e rápido e sem língua, por causa de Scorpius os olhando, mas ainda foi um beijo, e quando eles se separaram, Harry estava sorrindo como um abobado para Scorpius, arrumando seus óculos.
Scorpius franziu o rosto.
“O que vocês acabaram de fazer?” ele perguntou.
“Isso foi um beijo,” explicou Harry. “Seu pai é muito bom neles.”
Scorpius concordou com a cabeça.
“Quando eu vou poder beijar alguém?”
Os olhos de Harry se arregalaram, ele quase derrubando seus óculos.
“Não até você estar bem mais velho, mocinho!”
Draco gargalhou.
Harry estava preparando um café na cama para Draco, em parte porque ele achava que “você quer me namorar?” não tinha sido um gesto muito romântico, em parte porque ele nunca tinha tido alguém para quem ele pudesse fazer café da manhã na cama. Todos seus parceiros duradouros tinham sido durante a escola e, depois que ele se formou e teve sua casa própria, ele sempre estava tão ocupado por causa do trabalho que nenhuma das suas relações nunca sobreviveram mais de um encontro.
Ele já tinha feito o café e os ovos quando sua coruja – marrom, porque corujas brancas o lembravam de Edwiges e o faziam querer chorar – chegou com o Profeta e o correio Trouxa que ele sempre pedia para ela pegar de uma vez. Harry a deu um biscoito antes de se voltar para o que tinha recebido.
Ele estava absolutamente chocado ao ver a primeira carta de Duda. Não porque era do primo dele, os dois tinham trocados cartas e ligações várias vezes ao longo dos anos, às vezes até se visto ao vivo. Harry tinha conhecido a namorada dele, também, uma Trouxa muito educada e bem mais legal do que Petúnia e Valter jamais iriam ser.
Harry sabia que Duda amava a mulher completamente, tinha brigado com os pais dele por causa dela. Ele não esperava, porém, receber um convite de casamento do nada. Sorrindo e balançando sua cabeça, ele prendeu o convite na geladeira para prestar mais atenção depois. Haviam algumas contas, o que ele também preferia ignorar por enquanto, as jogando na bancada enquanto se virava para o Profeta.
Uma parte dele nem estava surpreso ao ver a foto que tinha tirado com a menina. Outra parte estava tão malditamente cansado que nem parecia que ele tinha acabado de acordar.
Ninguém podia o deixar em paz? A guerra foi tanto tempo atrás, quando o status de celebridade dele iria finalmente desaparecer?
E a manchete. A manchete era muito pior, fazendo ódio absoluto crescer no estômago de sua barriga, porque como eles ousavam? Quem eles achavam que eles eram? Ainda pior – nem tinha sido escrito por Skeeter! O que estava acontecendo com o mundo, meu Merlin?
Porque, na manchete, dizia: “Ex-Comensal Draco Malfoy deu uma poção do amor para o nosso Salvador? Dúvidas são levantadas.”
Harry reconheceu, também, o nome de quem tinha a escrito. Córmaco McLaggen. Harry sabia que a tentativa do menino de ser um jogador profissional tinha falhado, mas desde quando ele sequer era um repórter? E pro Profeta? Eles realmente não tinham nenhuma outra opção, não é?
Se bem que, agora que ele parava para pensar, Hermione meio que tinha assustado Skeeter, a mais famosa repórter que eles tinham. Sensacionalista, sim, sem dúvida, mas a mais famosa. Eles tinham que estar desesperados. Harry revirou os olhos, observando a foto. Não era uma boa foto dele, aliás. Nem para ser isso.
“O que você está lendo?”
Ele pulou ao ouvir a voz de Draco, escondendo o Profeta atrás de suas costas enquanto se virava na direção do homem. “Nada,” soltou, o lançando um sorrisinho amarelo. “Eu te fiz café da manhã. Você deveria voltar pra cama. Vai, vai, volta. Eu já tô indo.” Draco não se moveu. Harry, meio desesperado, continuou, piscando os olhos várias vezes: “Por favor.”
“Não.” Draco se aproximou. “Deixa eu ler, Potter.”
“Não.” Harry puxou o Profeta para cima.
Draco parou, levantando uma sobrancelha.
“Você está se aproveitando do fato que é mais alto do que eu?”
“Sim.” Harry o lançou um sorriso trêmulo. “Agora chispa.”
“Tudo bem,” falou Draco. “Mas antes eu quero um beijo.”
Harry sorriu enquanto o menino colocava as mãos em sua bochecha e o beijava delicadamente, todo o corpo de Harry ficando mais leve e feliz enquanto suas mãos se abaixavam de volta para o lado de seu corpo.
“Ahá!” exclamou Draco, tirando o Profeta dele e pulando para trás
Harry arregalou os olhos. “Você me traiu com beijos?” ele perguntou.
“Você está se esquecendo que eu sou um Sonserino, não está?” Ele abaixou seu rosto, lendo o Profeta e, lentamente, sua expressão foi se quebrando. Draco mordeu seu lábio inferior, engolindo em seco. “Ah. É claro. Eu esperava por isso.”
Harry se aproximou dele por trás, passando seus braços pela cintura de Draco e o apertando contra si. “Ei,” ele sussurrou no ouvido dele, “quem se importa com esses idiotas? Eles só estão desesperados porque nenhuma das crianças legais leem jornal mais e daqui a algumas gerações o emprego deles vai ser completamente desnecessário.”
Draco revirou os olhos, se virando para o encarar apesar de Harry ainda estar com os braços ao redor dele. “Eu tenho quase certeza que todo mundo ainda lê o Profeta.”
Harry balançou a cabeça.
“A gente lê,” corrigiu. “Mas a gente também tá ficando velho.”
Draco sorriu, voltando a beijar Harry apesar de que, dessa vez, Harry esperava que sem nenhuma segunda intenção. Os ombros dele ainda estavam um pouco tensos, o jornal ainda apertado entre seus dedos, então Harry levou uma mão até a sua bochecha, descendo com seus lábios pelo pescoço de Draco, o beijando com tanta delicadeza quanto ele conseguia, até que os músculos de Draco não estivessem tão rígidos.
Draco jogou o Profeta pro lado, passando as mãos pelo ombro de Harry.
“Você é bem grudento, não é Potter?”
Apesar de que, pelo sorriso em seu rosto, ele não parecia muito triste com isso. Harry sorriu de volta para ele. “Faz um longo tempo desde que eu tive alguém que me fazia querer ser grudento,” comentou.
Draco riu, apoiando sua cabeça no peito de Harry.
“Nem me diga,” ele sussurrou. “Nem me diga.”
Harry pousou um beijo em cima dos cabelos dele.
“Eu tenho uma ideia,” comentou, e Draco levantou os olhos em sua direção. Harry engoliu em seco. “Lembra que a gente estava tentando ensinar ao Scorpius como voar de vassoura?”
Draco concordou com a cabeça.
“Toda criança puro-sangue precisa saber Quadribol,” ele comentou. “É o melhor esporte do mundo.”
“Eu não poderia concordar mais,” disse Harry. “Mas eu estava pensando que, se a gente realmente quiser ensinar para ele, a gente precisava comprar uma vassoura para crianças de verdade. A gente deveria ir no Beco Diagonal juntos. Deixar ele esquecer.”
Draco revirou os olhos.
“Você tá falando sério?” ele perguntou.
Harry passou seu polegar pela bochecha dele.
“Parece que eu tô brincando?”
(eu quero te mostrar para todo mundo bruxo, ele pensou)
Draco suspirou, saindo dos braços de Harry e dando um passo para trás.
“Tudo bem, mas só porque uma vassoura para crianças seria mais segura. E,” ele pegou a bandeja de café da manhã que Harry estava preparando para ele, “eu ainda vou comer isso na cama, Potter.”
Harry estava revirando os olhos enquanto o seguia em direção ao quarto.
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