I Don't Want A Lot For Christmas
1 Único
Notas iniciais
Inspirada na música "All I Want For Christmas Is You".
"Ele está rindo."
"Por que está rindo?"
"Porque vocês são bonitinhos."
"Nós somos bonitinhos?"
Lucas Cruikshank sobre Sam e Freddie em iMeet Fred
Ah, Natal. Samantha Puckett costumava adorar essa época do ano, cheia de chocolate quente, biscoitos e... E algo que estava faltando.
Faz quase oito meses que saiu sem rumo em sua moto, arranjou sua colega de quarto, Catherine Valentine, e juntas haviam começado seu próprio negócio de baby-sitters. Estava feliz com o lucro que estavam tendo, afinal nunca pensou ser tão boa com crianças e bebês; e até que Cat não era tão ruim assim, lembrava-lhe um pouco de sua melhor amiga Carly.
Tudo parecia muito bem. Menos o fato de que algo ainda faltava.
Deixar Seattle para trás não fora nada fácil. Estava deixando todas as pessoas importantes para sua vida, na esperança de achar uma Sam Puckett melhor em outro lugar. A distância nunca seria um problema para ela e Carly, já que se falavam praticamente todos os dias por webcam e e-mails. Também matinha contanto com Spencer – que acabara por voltar à faculdade, mas na área artística -, e até com Gibby. Mas nunca voltara a falar com Freddie.
O nome dele se tornara algo proibido, ela havia deixado bem claro. Apesar disso, os amigos lhe contaram novidades sobre o nerd uma ou duas vezes, dizendo que desde que as duas melhores amigas foram embora, não havia mais sido o mesmo. Passava mais tempo na saída de incêndio do que em qualquer outro lugar, não falava com a mãe, não falava comninguém.
Sam mostrava-se indiferente quando ouvia tais coisas. Mas no profundo ser que poucas pessoas haviam conhecido, ela se destruía. Queria poder fazer algo para que Freddie voltasse a ser o garoto pelo qual ela se apaixonou, tão nerd e bobo.
Mas não podia; tamanha era a distância, tamanho era o medo. Inútil ser tão forte por fora e tão fraca por dentro. Por meses ela segurava uma foto deles no peito e chorava. Baixinho, abafando no travesseiro, com medo de acordar sua amiga na cama vizinha. Sentia saudades infinitas daquele tempo em que se amavam. Ela já nem tinha certeza se as coisas que havia jurado antes da meia-noite ainda valeriam depois que o alarme tocasse.
Não era tão importante para ela que deixasse de se preocupar com ele, comeles, pois sabia que era praticamente impossível esquecer alguém que havia a feito tão bem. Sua verdadeira preocupação era o que Freddie pensava e que se a vissedessejeito hoje, com certeza a acharia medrosa e idiota. E nem se lembraria da garota que falou que amava no elevador, uma hora e trinta minutos antes da meia-noite, aonde seus corpos se encontraram e eles tiveram a oportunidade de dividir a máxima demonstração física de amor pela primeira vez.
Mas afinal ele não havia se lembrado dela nem do que fizeram quando Carly o beijou, não é mesmo? O mínimo que Sam poderia fazer, e ela duvidava que também pudesse ser a única que coisa que poderia fazer, era deixá-lo se recuperar sozinho; com o tempo tudo se resolveria.
É Sam, pensou chateada,assim como se resolveu para você.
– Você não adora o Natal? – Cat tirou-a de seus pensamentos, enquanto as duas aproveitavam duas xícaras de chocolate quente em frente à TV. Na verdade ela não sabia responder, então só assentiu com os lábios curvados para cima em um meio sorriso. — Sam!Você não adora o Natal?
Era isso que irritava Sam sobre Cat. Ela, de algum modo, conseguia identificar tudo o que estava sentindo e não parava de responder com perguntas até que Sam lhe contasse tudo. Como se fosse preciso, já que a garota parecia ler seus pensamentos.
A loira suspirou sem tirar os olhos do comercial de leite.
– Sim. – Gemeu, prevendo perguntas intermináveis.
– O que foi?
– Nada... Só estou com um pouco de dor de cabeça, só isso. – Tentou desconversar, mas Cat não se desinteressava tão fácil assim.
– Ah, é? Tem certeza?
– Certeza de quê?
– De que... – Mordeu a língua, mas decidiu perguntar mesmo assim. – De que isso não tem nada a ver com o Freddie?
Sam não tinha certeza sobre nada. Sentia saudades de sua mãe, de sua irmã, de seupai. Queria colo, mas não havia ninguém ali, e Cat infelizmente não entenderia. Sua melhor amiga estava há quilômetros daquela poltrona, assim como o nerd que ela nunca havia deixado de amar.
Sentiu os olhos arderem de novo e pediu licença de Cat para chorar sozinha no quarto.
Há alguns dias as duas estavam ponderando sobre o que responderiam quando alguém lhes perguntasse sobre seu desejo de Natal – mas só se esses desejos realmente se realizassem. Cat revelara que pediria um unicórnio, mas Sam permaneceu calada.
Só para si mesma, quando soluçava sobre a foto que tantas vezes havia recolhido suas lágrimas, desejou que seu pedido se realizasse.
...
Fredward Benson costumava adorar o Natal. Suas melhores lembranças envolviam seu pai, que lhe dera o primeiro equipamento de filmagem. Mas a que ele gostava de lembrar era a que cantava na frente da árvore feita de objetos de metal, ao lado de suas melhores amigas. Na mesma noite, ele havia elogiado o cabelo de sua, até então inimiga, dizendo que gostava do movimento e que eles cheiravam muito bem. E dez dias depois, eles dividiram o primeiro beijo.
Era engraçado para ele,constrangedor, se pegar revivendo as sensações dos lábios dela. Freddie havia gostado de beijá-la.
Lembra-se que apenas três dias depois, parou em frente à residência Puckett, com o dedo quase tocando a campainha. Mas vacilou. Começou a respirar engraçado e se achou um completo idiota por estar ali, pensando que quando Sam abrisse a porta seria corajoso o suficiente para tascar-lhe mais um beijo.
Saiu dali correndo.
Faz quase oito meses que suas duas melhores amigas o deixaram para ter uma vida melhor, melhor que a dele. Antes de ir embora pelo menos Carly havia o beijado, o beijo que ele identificou como despedida, totalmente amigável. Aquele que ele havia pedido quando seu “namoro” terminara.
Mas a única lembrança recente que ele tem de Sam, foi quando ela lhe disse, quase friamente, sem olhar em seus olhos.Eu estou deixando Seattle.
E se foi. Não sabe para onde, mas foi longe o suficiente para que Freddie precisasse arrancar tais informações de Spencer e Gibby, os únicos com quem Sam quis conversar.
Sentia saudades dela, mais do que sentia de Carly, e achava isso totalmente errado. As duas eram garotas muito especiais. O problema era que Sam parecia ter deixado um buraco nele.
Sem ela, nada parecia suficientemente bom. Freddie chegara a se sentir culpado ao sorrir para qualquer coisa. Afinal sem Sam, em incríveis cinco segundos, tudo perdia sua cor.
Spencer lhe contara que a loira morava com alguém agora, e ele só se tranquilizou quando o artista disse que era com a garota que haviam conhecido na festa de Kenan Thompson, Cat. A mínima possibilidade de Sam estar com outro cara era como um pesadelo para Freddie.
A vaga memória de seu corpo embaixo do dele ainda o fazia sorrir. Na noite em que eles terminaram, na mesma noite onde seu beijo dos cem dias foi trocado, eles se entregaram um ao outro completamente. A melhor experiência da vida dele.
Que agora teria que esquecer, já que obviamente ela não queria mais saber dele.
A hipótese o levara a algo parecido com depressão. Agora ele só sentava na saída de incêndio, sozinho, porque estava muito chateado para ver qualquer pessoa. Ela tinha ido muito longe daquela vez, não só simbolicamente, como fisicamente. E nada poderia consertar aquilo.
Freddie terminara o último ano sem animação nenhuma, sem par para o baile. A maior preocupação de sua mãe foi que ele mal havia mandado inscrições para a faculdade.
As discussões entre eles eram constantes, mais um motivo para que ele passasse mais tempo com a janela fechada. Se fechasse os olhos poderia ouvir as quatro batidas. E naquela noite de Natal, ele ouviu exatamente aquilo.
– Sam?! – Levantou correndo da cadeira, mas a pessoa que viu do outro lado foi Spencer. Fez sinal para que ele entrasse.
– Eu ouvi vocêgritar“Sam”? – Ele perguntou assim que estendeu sua própria cadeira ao lado da de Freddie.
– Eu gritei? – O mais velho assentiu com um sorriso. – Desculpe.
– Todos nós sentimos muito o espaço que as duas deixaram. É estranho passar pelo quarto da Carly e saber que nem ela e nem a Sam estão lá.
– É... Aliás, feliz Natal. – Freddie estendeu a mão para cumprimentá-lo, mas ao invés disso recebeu um abraço fraternal.
– Pra você também, Freddo. – Spencer voltou a seu lugar, com as mãos no bolso, procurando algo. – E esse ano eu te comprei um presente!
– Ah, cara, foi mal! Eu não pude te comprar nada.
– O que é isso! Sei pelo que você está passando, por isso este presente. Eu acho que você vai gostar. – Spencer finalmente conseguiu encontrar, um envelope branco dobrado ao meio, que Freddie imaginou ser só um cartão feito por ele.
Abriu e se deparou com uma passagem. O destino era o estado da Califórnia, Los Angeles.
– Uh... Valeu, mas por quê?
– Porque é lá que certa baixinha loira mora agora. George, o sutiã, me disse que você gosta muito dela. E eu achei que você poderia adorar vê-la no Natal.
Freddie não conseguia acreditar. Há alguns dias, sua mãe o levara para ver o "Papai Noel" no shopping, e ele não reclamara, pois era algo que faziam desde que o pai havia morrido. O homem estranhou em ter um garoto daquela idade no colo, mas mesmo assim perguntou o que Freddie queria ganhar naquele Natal.
Freddie sussurrou em seu ouvido o pedido, como fazia quando tinha cinco anos, mas dessa vez sem muita convicção que ele se realizaria. Antigamente ele pedia carrinhos e lentes de câmera que apareciammagicamenteem baixo da cama dele (sua mãe não permitia árvores). Entretanto, daquela vez tinha certeza que sua amada não estaria embaixo do colchão quando ele acordasse.
Nunca imaginou que desejos poderiam ser realizados por um cara sem barba, que fazia esculturas de garrafa pet.
...
– Sam! Desculpa, eu sei que você não gosta de falar sobre ele! – Cat batia desesperada na porta do próprio quarto. A amiga não saía dali há horas e nem se incomodara de esconder que chorava. Os soluços eram altos e a ruiva havia recebido várias reclamações dos vizinhos.
– Cat, por favor, me deixa sozinha! – Sam pediu pela milésima vez. Não queria ver ninguém, nunca quis. A saudade toda se acumulara e ela finalmente havia a deixado sair. As batidas finalmente pararam. Cat havia desistido e se jogado no sofá, sentindo-se a pior pessoa do mundo. Como pôde ter permitido que sua nova melhor amiga se destruísse sozinha?
Sam também se sentia horrível. Estava fazendo Cat passar por aquele problema enorme que deveria ter deixado guardado. Que poderia ter deixado quieto. Mas foi tão fraca... Tão medrosa. E acreditara tanto que seus desejos pudessem se realizar.
Desde pequena, a única coisa que pedia do bom velhinho, sempre que o via no shopping, era que seu pai voltasse. Nunca quis bonecas como as outras garotas. De boneca bastava Melanie.
Ela sempre pedia que pessoas voltassem. Mas com o tempo parou de acreditar em toda aquela baboseira, já que seu pai nunca voltou pra casa depois da última vez que ela o vira; embora ele houvesse prometido. Prometido que quando estivesse defendendo o país na guerra, pensaria no sorriso doce da filhinha, e que o faria forte o suficiente. Invencível.
Mas o pai de Sam não fora tão forte assim, e acabara morrendo em batalha.
Depois que tinha certeza que nenhum desejo nunca se realizaria, Sam passou a odiar com todas as forças o Natal. Sua mãe também não ligava tanto, o que era ótimo. As raras vezes em que Melanie vinha para casa eram as que ela era obrigada a vestir vestidos vermelhos e ir à casa de Carly.
E lá ela encontrava os irmãos, sorridentes, mesmo com o fato de que o pai estava há milhões de quilômetros. Faziam-na se sentir um pouco melhor.
Foi quando ela também percebeu que Freddie era uma parte importante de seu Natal. Às vezes, a mãe dele iria visitar parentes e como o nerd não gostava de ir, acabava ficando com os vizinhos. Sam se sentia completa.
Havia sido o melhor Natal de todos quando Freddie lhe dera um presente, mesmo que dez dias depois. Na saída de incêndio. Um beijo.
Tudo o que ela queria e mais.
...
Mil quinhentos e quarenta e cinco quilômetros separava os dois amantes. As mãos de Freddie suavam e ele mal tivera tempo de trocar de roupa ou de dar explicações à mãe. Fugiu. Tomou o primeiro táxi e não se importou em pagar todo o dinheiro que economizara para seguir até o Aeroporto Internacional de Seattle.
Quase não conseguiu embarcar, mas algo lhe dizia que suas preces foram ouvidas ao chegar com apenas cinco minutos até a decolagem. Quem diria que Sam havia ido tão longe?
Mas não importava. Ele só conseguia pensar em quão linda ela estaria, e tentava até formar algumas frases que expressasse o quanto ele sentiu sua falta. Em vão, já que sabia que quando a visse, esqueceria o mundo.
Spencer havia sido muito generoso e ele com certeza seria convidado para ser seu padrinho de casamento. Conseguira até o endereço de Sam. Freddie não poderia estar mais agradecido.
Todos os seus desejos de Natal seriam realizados naquela noite.
...
Sam fungou enquanto destrancava a porta. Teria que se desculpar com Cat por ter estragado aquela data tão especial, que não tinha espaço para brigas. Encontrou a amiga distraída com um livro no sofá – os raros momentos em que Catherine não estava fazendo algo maluco.
– Oi, Cathy. – Sam chamou-a por seu apelido, em um tom de voz manhoso. Ao contrário do que pensava Cat só estava um pouco chateada por ela e não com ela.
– Não precisa me explicar nada. Eu sinto muito que eu tenha falado sobre ele. Sei que sente muitas saudades.
Sam sorriu e sentou ao lado dela, colocando as pernas em cima do sofá, já relaxada. – Você não sabe o quanto. – Baixou a cabeça e Cat quase teve um treco quando achou que ela voltaria a chorar.
– Ah, não, não. – Ela bateu algumas vezes nas coxas dela, rindo. Sam também riu, engolindo o choro e esfregando os dois olhos. – Vai dar tudo certo, Sam. Confia em mim. No Natal, o impossível acontece. Papai Noel usa pessoas especiais para realizar nosso desejo mais profundo, pessoas próximas de nós. Agora vê se relaxa e vamos comer alguma coisa. Que tal bolo de chocolate?
Sam recusou com um sorriso e Cat deu de ombros, se dirigindo à cozinha. Sabia que tinha feito a amiga se sentir melhor.
A loira realmente se sentiu bem, feliz em saber que Cat era mais profunda do que imaginava; apesar de sua amiga ter dito que o "Papai Noel" realizava desejos. Não era surpresa que ela ainda acreditasse em um cara barbudo de gorro.
Além do mais ela havia dito pessoas próximas. E que ela devia relaxar. O que Cat estava tramando?
...
– Obrigada por ter escolhido a America Airlines. – A aeromoça disse a Freddie, mas ele não teve tempo de responder. Saiu correndo pelo aeroporto, esbarrando em várias pessoas. Parecia que aquele lugar não tinha saída. Quando finalmente encontrou um escape, não encontrou táxis. Havia uma fila imensa.
Freddie sabia que não iria se arrepender de suas loucuras, e acabou dentro do táxi de uma Seddie shipper. Gaguejou ao dar o endereço. E se Sam não quisesse vê-lo?
...
– Pé direito no vermelho e não esquerdo! – Cat repreendeu Sam. – Você está roubando!
– Não estou não! Você que é fácil de ser enganada! – Ela brincou e colocou o bendito pé direito no vermelho mais próximo. Twister sempre era a solução para o tédio.
Sam e Cat não haviam recebido muitas visitas durante aquele ano, e não esperavam ninguém naquele Natal. Mas mesmo assim, a ruiva insistira que colocassem um visco embaixo da porta. Vai que o entregador de pizza é o maior gatinho?
E era essa pessoa que elas acharam estar subindo. Um garoto bonito segurando uma pizza. Sam se jogou no tapete do jogo, cansada. Cat atendeu a porta e sorriu de orelha a orelha, mesmo que não fosse sua pizza. Spencer havia conseguido a parte mais importante da surpresa para Sam. – Freddie?! O que está fazendo aqui? – Graças a Deus havia frequentado uma escola que a ajudou a melhorar sua atuação. Ambos Sam e Freddie não suspeitariam de nada.
Sam achou que os olhos pulariam das órbitas. O que ele estava fazendo ali?
– Eu... – Freddie travou, mas ao lembrar que sua garota estava do outro lado da porta, fez com que uma coragem sobre humana tomasse seu corpo. – Eu quero ver a Sam.
– Ah... – Cat olhou para trás e viu Sam fazer que não com a cabeça. Freddie não poderia vê-la daquele jeito: De pijama, com os olhos inchados, o cabelo bagunçado. – Pode me dar um segundinho?
Freddie estremeceu. Assentiu com a cabeça e deu um sorriso nervoso.
– Sam! – Cat chamou ao ver que ela havia deixado a sala. – Cadê você?
– Aqui! – Sam sussurrou de detrás da árvore de Natal. Cat não pôde deixar de rir.
– Mas o que você está fazendo aí?
– Cat, não é óbvio? Eu estou me escondendo! Diz pro garoto que eu viajei pra Guadalajara ou sei lá. – Ela sussurrou, com medo de sua voz a denunciasse.
– Não! Você vai lá, e vai agora. Não quer passar a vida toda pensando como poderia ter sido, né Sam? Por favor... Ele parece que correu uma maratona, sabia disso? Está todo ofegante, os cabelos bagunçados... Sam, ele veio de muito longe.
– Cat, eu não posso. Eu não pedi pra ele pegar um voo e vir me ver. Eu nem conversei com ele antes de ir embora, justamente pelo fato de que eu quero esquecê-lo!
Cat suspirou irritada. Não poderia ter trocado milhares de fraldas e ouvido o choro de crianças desconhecidas para conseguir o dinheiro e Sam ter recusado o presente. Ah, mas não mesmo!
– Sam, eu não queria fazer isso. Mas eu vou deixar o Freddie entrar e vou permitir que ele te procure aqui. Vocês vão conversar e vai ser hoje!
...
– O que você veio fazer aqui? – Sam perguntou à Freddie, e não pergunte como, mas eles acabaram presos dentro da casa.
– Vim descobrir porque você fugiu de mim. – Freddie suspirou, evitando o olhar dela. Não seguraria a vontade de beijá-la se a olhasse diretamente. Ela havia cortado o cabelo, quase na altura dos ombros; seus olhos nunca pareceram tão azuis. Estava ainda mais linda do que as fotos mostravam. E usava um pijama estampado com sugarcanes. Freddie queria dizer o quanto a amava.
– Eu nunca fugi de você. – Ela respondeu, tentando encontrar o olhar dele. Deus, como ele poderia ter ficado ainda mais bonito?
– Sim, você fugiu! Tipo umas novecentas vezes! – Freddie se exaltou, sem perceber que aquela parecia uma conversa de anos atrás.
– Por que diz tudo isso se nem me fez ficar? Eu nem ligo pra o que você está me dizendo, eu sei o que estou sentindo! – Ela também gritou, se aproximando e segurando Freddie pelos ombros.
– Ah é?! E o que está sentindo agora?! – As veias pularam em seu pescoço. Não haviam percebido que seus narizes quase se tocavam, tamanha a proximidade. Freddie ofegava e Sam olhava profundamente em seus olhos. Como poderiam sentir tanta raiva um do outro? Amavam-se tanto, mas aquele amor só os afastava. Era uma força destrutiva, que de algum modo os matinha juntos. – Sam... O que você está sentindo?
Ela soltou seus ombros, sem parar de olhar em seus olhos. – Não é melhor eu te dizer o que eu senti? Porque eu sofri, sofri demais. Eu senti sua falta todos os dias. Eu chorei quando vi almôndegas, nunca ficava acordada até tarde porque tinha medo de ver um filme que acabava à meia-noite, acho que nunca mais usei listras. Tudo me lembrava de você, seu idiota. – Freddie viu que os olhos dela estavam brilhando, e por mais que desejasse que fosse pela emoção de suas palavras, Sam iria chorar.
– Sam, me perdoa...
– Não, Freddie, eu é que te peço perdão. Fui fraca, não corri atrás de você. Não fui boa o suficiente e não me esforcei pra te deixar feliz. E eu aposto que você deve ter arranjado outra namorada... Melhor que eu. – Ela limpou rapidamente as lágrimas que desciam por seu pescoço.
– Sam, sua boba... – Freddie se aproximou e segurou o rosto dela com as duas mãos. Sam gravou a temperatura delas e também como Freddie parecia perfeito ali. – Eu venho morrendo todos os dias desde que você se foi. Ficava tentando me tornar corajoso para falar com você, mas achava que você nem queria saber de mim. Como eu poderia ter forças, como poderia continuar te amando se tinha medo de cair? Minhas dúvidas subitamente se foram de alguma maneira quando eu te vi aqui. – Mais um passo para frente, como se ainda houvesse algo que os separava. – Meu amor, não tenha medo. Eu te amo há tanto tempo... E vou ter amar para todo o sempre. Bom, não literalmente, mas isso soou romântico, não é?
Sam não sabia como Freddie fazia aquilo, mas ela riu.
– Eu também te amo. – Foi o que fez Freddie mais corajoso do que as palavras descreveram. Um sorriso bobo se formou em seus lábios, ele sentiu que não existia mais chão, não existia mais ninguém. – Para todo o sempre.
E eles fecharam os olhos juntos, sentindo a respiração um do outro, sentindo o quanto seus corpos pertenciam juntos. O tempo todo, Cat estava escutando. Não segurou as lágrimas e entrou correndo quando ouviu que o plano havia dado certo.
– Ah, Deus, eu acabei de testemunhar a volta Seddie! – Ela gritou chorando como uma louca. Apesar de ter atrapalhado as preliminares para o beijo, Sam e Freddie não se incomodaram. Estavam juntos de novo e era isso que importava. – Vocês são muito fofos juntos... Meu Deus, temos que comemorar! Eu vou trocar de roupa e vocês me esperam aqui! – Cat deixou a sala, mas não sem antes dar um abraço no casal. Sam riu e tomou uma nota mental de que teria que agradecer à Cat.
– Ela não lembra muito a Carly? — Eles riram juntos. — Aliás... Como você descobriu onde eu morava? Por acaso eu deixei um rastro de migalhas? – Sam brincou dando um beijo na bochecha esquerda dele.
– Digamos que o Papai Noel usa pessoas muito próximas de você para realizar seus desejos mais profundos. – Freddie repetiu as palavras de Spencer, enlouquecido por ter sentido os lábios dela em seu corpo novamente. Sam franziu o cenho.
– Sabia que a Cat me disse a mesma coisa?
– Sério? O Spencer que me disse isso... – Os dois pensaram por um instante.
– É isso que dá fazer amizade com Seddie shippers! – Ela gargalhou e Freddie não acreditou o quão sortudo poderia ser.
– Oh, eu quase esqueci! – Ele se tirou do abraço contra a própria vontade, lembrando-se da mochila que havia deixado do lado de fora. Abriu a porta para pegá-la, quando Sam percebeu o enfeite de Natal que Cat havia insistido que colocassem. Mais uma nota mental para que agradecesse sua colega de quarto tão tradicional.
– Freddie... – Ela se aproximou lentamente, sorrindo. Freddie mostrou um olhar confuso e Sam apontou para cima. Foi quando ele percebeu o visco. – Por favor, me beije embaixo do visco, me mostre que você me ama muito e faça a música do Bieber ter um sentido.
Freddie deu seu famoso sorriso e jogou a mochila de volta para o chão, olhando diretamente em seus olhos, firmemente caminhando. Sam teve um repentino déjà vu. Sentiu as mãos dele em sua cintura e seus lábios serem pressionados suavemente. Enlaçou o pescoço dele e se permitiu agradecer a quem que fosse. Aquele fora o melhor Natal de todos. Por mais cafona que aquilo parecesse... Ela havia ganhado tudo o que queria...
E mais, muito mais.
Fale com o autor