I Dont Hate You
1 Im Still Here
Acordei meio que assustada, a cabeça doía. Não reconheci o lugar onde eu estava deitada, praticamente era tudo branco.
- Onde eu es... – Senti as caricias no dorso da minha mão, avistei uma garota, os olhos vermelhos e inchados, ainda com lágrimas que teimavam cair – Ah... estou no céu – Sorri para aquela garota, que me retribuiu com um sorriso tímido.
- Ér... s-sua mãe acabou de sair – Tentava se recompor, observava ainda com minha cabeça latejando de uma dor fina que ela estava nervosa e havia parado com as carícias em minha mão – Sua mãe ainda se pergunta o por quê de você ter entrado em coma alcoólica...
- Claro – Pensei, tudo veio na mente como um flash back, foram várias bebidas, das mais diversas, tudo misturadas, não me importava mais com a minha vida. — Os médicos disseram que você poderia ter morrido, se continuasse com apenas mais um copo de vinho... Por Deus ! Por que você fez isso ? — Creio que você sabe o por quê – sussurrei secamente – Quando você disse “Eu te odeio”, não quis mais saber de nada... – Minha cabeça, antes com a dor fina, agora estava querendo explodir de raiva. Consegui me conter.
- É que... – Ela tentava segurar as lágrimas que agora teimavam em cair com mais força – Eu... eu... você não devia ter feito aquilo também !
- O desejo foi imenso... eu te pedi desculpas creio – Minha voz ainda era seca – Eu que me declarei pra você, assim, levar um fora, de boa... Mas um “Eu te odeio” dito com todas as palavras ? É demais pra qualquer ser apaixonado !
- Somos meninas ! – Ela abaixou o tom de voz, parecia ter vergonha do fato de eu ser lésbica, ou simplesmente não queria que ninguém a criticasse, por mim, dava na mesma.
- E... ? Amar é proibido ?
- Não mas...
- Então pronto! – Cruzei os braços, e notei que havia uma agulha em meu pulso esquerdo. Deveria ser glicose, pensei.
- Você não devia ter me beijado ! – Disse isso num sussurro quase inaudível – Sabia que eu não gostava de homossexuais ! – Deu ênfase no passado, mas eu não notei.
- Já disse que foi um desejo imenso ! – Passou um enfermeiro olhando feio pra gente.
- 5 minutos senhorita – Disse o mesmo com uma voz formal – Por favor, não discuta com ela. Está em estado grave, ainda no hospital, e na UTI. Silêncio então por favor.
- Desculpe – Respondemos em uníssono. Ele saiu, e ficamos apenas nós duas, com exceção dos pacientes que dormiam.
- UTI ?
- É... – Ela respondeu, tentando olhar para os próprios pés. Parecia querer dizer algo e ter vergonha do que iria dizer.
- Mas se você me odeia... o que faz aqui ? – Perguntei num tom de deboche. Mas no fundo eu sabia que estava feliz por ela estar ao meu lado.
- E-eu não sei... – Ela contorcia os dedos nervosamente – Pensei e achei que eu deveria estar errada, vim lhe pedir desculpas... – Olhou para mim, me encarando. Seus olhos eram castanhos, castanhos quase escuros, oscilava conforme a luz refletiam nos mesmos. Senti seus dedos tocarem a minha mão – Desculpa, eu não devia ter dito aquilo pra você... Foi uma raiva momentânea e... – Ela forçava a voz que não queria sair, ou pelo nervosismo, ou pela vergonha. Não sabia dizer.
- E... ? – Perguntei curiosa. Ela estava mais perto de mim, acariciando os meus cabelos, brincando com os mesmos. Enrolando-os com as pontas dos dedos.
- Acabou a visita – Disse uma enfermeira, com cara de buldogue. Sinceramente ?Me deu medo.
- Só mais um pouquinho – Perguntou, um pouco vermelha – Preciso dizer algo importante à ela.
- Não demore – Respondeu a Enfermeira-Buldogue.
- Fala logo Viviane! – O movimento foi rápido. Só percebi os lábios dela colados nos meus. Nos separamos, mesmo que tenha sido apenas um selinho, eu havia gostado. E meus lábios ansiavam por mais – Pensei... jurava que você não gostava disso !
- Disse certo, não gostava – Seu rosto ainda estava vermelho – Mas depois daquele dia... eu.. sei lá, gostei de você ter me beijado.
- Então por que disse que me odiava ? – Meus olhos pousaram em seus lábios.
- Acho que o preconceito – Começou a torcer seus dedos novamente – Sinceramente, não sei. – Olhou para o lado, e viu a Enfermeira-Buldogue quase matá-la só com o olhar – Bem, eu tenho que ir, avisar a todos que você está bem – Sorriu e deslizou a mão pela beirada do colchão. Segurei a mesma.
-E o meu beijo de despedida ? – Perguntei, a carinha mais inocente que eu já fiz na minha vida. Ela sorriu e novamente pousou os lábios nos meus, fora um pouco mais demorado que o primeiro e mais gostoso também. Senti um desejo de continuar aquele beijo, torná-lo mais ousado. Acompanhei-a com os olhos até a porta, onde ela virou-se e me mandou um beijo. Sorri. Talvez, se eu tivesse me matado, não ganharia aqueles dois beijos que me alegravam. Pendi a cabeça pro lado, me ajeitando na cama e o travisseiro. Adormeci com um sorriso no rosto e agredecendo por ainda estar viva naquele momento.
Notas finais
Bem... eu te amo
Fale com o autor