I Could Just Sleep All Day
7 Capítulo 7
Notas iniciais
POV Annabeth
— ANNABETH – Acordei com um grito.
Minha mãe estava na porta do meu quarto com os olhos cinza iguais aos meus arregalados de surpresa. Sim, já tinha amanhecido e quando conferi o horário no relógio na minha mesinha percebi que eram 10:30 a.m. Quando olhei de volta pra ela entendi o porque do espanto da dona Atena, Percy estava do meu lado, e ainda dormia (não sei como depois do grito da minha mãe)
— Oi mãe – Sorri amarelo – Não é o que você tá pensando – bochechas vermelhas ativadas – Ele é só um amigo.
— Espero vocês lá na cozinha – Antes que eu dissesse mais alguma coisa, a porta já estava fechada e minha mãe já havia desaparecido.
— Percy – Sacudi ele – Percy – Tentei mais uma vez. Resolvi apostar em outra forma de acordá-lo.
Sentei em seu colo e dei um beijo em seu pescoço. Fui subindo os beijos, um perto da orelha, outro na bochecha e quando cheguei a boca ele ficou por cima e disse:
— Bom dia, Sabidinha. Muito esperto o seu jeito de me acordar.
Não me pergunte como mas eu consegui ficar por cima e respondi:
— Aham, sei. Sou muito esperta mesmo! Espera só pra me ver na aula de aritmética – Dei um selinho nele – Agora levanta garotão, a dona Atena tá esperando a gente lá na cozinha.
...
— Bom dia, mãe – Eu disse quando cheguei à cozinha.
— Bom dia, senhora – Percy disse, super recatado e do lar.
— Bom dia meninos – Minha mãe respondeu com o tom totalmente diferente do que ela usara mais cedo.
Sentei do lado direito da minha mãe e sugeri que Percy sentasse ao meu lado apenas com o olhar. Ele o fez. Com a mesa toda colorida e repleta de coisas gostosas, eu concluí que certamente todos os nossos ajudantes estavam de volta, até porque nem eu e nem minha mãe possuíamos o dom de cozinhar.
— Mãe, eu vou logo ao ponto... – Comecei mais fui interrompida.
— Eu não me importo de vocês terem transado, desde que tenham se protegido – Percy engasgou com o suco que estava tomando – Só fico magoada por você não ter me contado Annie.
— Mãe, a gente não transou – Tentei não ficar vermelha com isso.
— Mas ela não deixou de tentar, senhora Atena – Percy abriu a boca só pra falar merda. Como ele ousava falar isso?! E além do mais com a cara séria, sem rir, usando aquele tom maduro?! – E ela não tentou só uma vez – Ele concluiu.
— Por favor, Percy, esqueça o senhora me chame apenas de Atena – Ela disse toda simpática – Fico feliz pela sua sinceridade, uma ótima qualidade para um genro.
— Mãe, somos SÓ AMIGOS, vocês não perceberam que eu tô cavando um buraco pra enfiar minha cabeça, não? Eu estou morrendo de vergonha – Eu desabafei, porque sou dessas, e eu não ia ficar ali que nem uma bocó vendo o carinha que eu gosto e a minha mãe falarem de sexo e se tornarem amigos. Isso é inimaginável, principalmente vindo da minha mãe. Percy só piscou pra mim discretamente e me ignorou, assim como minha mãe.
— Percy, você não sabe o quanto estou feliz por ver Annabeth namorando. Isso é ótimo! Que tal se realizarmos um jantar para vocês oficializarem? – Ela se empolgou muito.
Vi que Percy perdeu um pouco a confiança, mas foi muito rápido, então aquele sorriso petulante (e lindo) estava em seu rosto outra vez. Resolvi entrar na conversa de minha mãe.
— Mãe, ainda está tudo muito recente, né Percy? – Ele ficou com cara de paisagem e eu chutei a canela dele por baixo da mesa – Não é mesmo, Percy?
— AI! Aham, sim – Respondeu ele rabugento – Preferimos manter tudo mais secreto.
— Aaaah sim, aquele negócio dos jovens de hoje de “O que ninguém sabe, ninguém estraga” – Ela fez aspas com os dedos – Acertei?
Percy e eu trocamos olhares cúmplices.
— Sim – Falamos em uníssono.
Eu dei o assunto por encerrado já que ela começou a ler o jornal e tomar café. Peguei um bolo de chocolate e Percy parecia bem com seu suco e algumas torradas.
— Pensei que você fosse passar alguns dias fora mãe. Você saiu ontem e não avisou nada, pensei que tinha viajado – Falei de boca cheia.
— Não filha, ontem eu saí com um amigo – Isso é a minha mãe corando?! Ai meus deuses!
— E só voltou hoje? – Sorri o meu melhor sorriso malicioso.
— SIM Annabeth! – Ela se levantou e espalmou as mãos na mesa – Preciso ir, vou para o escritório, volto mais tarde. Tchau Annie, mamãe te ama. Foi um prazer Percy.
Ela pegou a bolsa e saiu.
— Sua mãe é um amor de pessoa – Percy sorriu – Vocês são parecidas.
— Isso significa que eu também sou um amor de pessoa? – Perguntei.
— Sim, você é uma gracinha.
— Que tipo de elogio é esse? Não gostei – Ele gargalhou.
— Só falei pra saber qual seria sua reação – Ele continuou a gargalhar.
— Tudo bem, eu supero isso – Me levantei – Vou trocar de roupa, porque acho que você já se cansou dessa coruja no meu pijama, certo? – Sorri.
— Não, você fica linda de qualquer jeito – Fala sério! Quantos sorrisos maravilhosos esse cafajeste tem?
— Tudo bem, agora sim você acertou no elogio – Comecei a rir e ele me acompanhou.
— Acho que eu já vou pra casa, meu pai já deve estar se perguntando que amiga é essa.
— Tudo bem – Não consegui esconder a tristeza da minha voz. Talvez eu estivesse criando expectativas de uma tarde incrível ao lado de Percy – Eu te acompanho até a porta.
Caminhamos em silêncio até a sala, e depois nos dirigimos à porta. Eu estava em dúvida se falava tudo que estava sentindo ou se me calava. Não sabia se ele sentia o mesmo, eu não tinha certeza de nada. Estava tão confusa.
— Olha eu... – Falamos em uníssono.
— Pode falar... – Mais uma vez.
— Tá, eu falo – Ele começou – Annabeth, essa foi a melhor madrugada da minha vida. E acho que em relação a nós...
— Eu sei, foi um erro. Nos conhecemos a pouco tempo, tenho certeza que você só queria que eu ficasse calada...
E ele, mais uma vez, me calou com outro beijo. Um beijo que sanou todas as minhas inseguranças, com gosto de laranja.
— Percy, eu...
— Deixa eu falar Annabeth – Ele segurou minhas mãos – Eu sei que é muito cedo pra dizer isso, mas eu realmente gosto de você, não como amiga, eu gosto de você de outro jeito. Um gostar desse tipo – Ele me deu um selinho – Então por favor, não me diga que foi um erro e nem que se arrepende, porque eu sei que não.
Suspirei. Soltei suas mãos e segurei seu rosto em minhas mãos.
— Eu também gosto muito de você, e gosto do mesmo jeito. Mas que tal se fizermos do jeito que falamos pra minha mãe? Vamos continuar sendo amigos, vamos nos conhecendo melhor, vamos deixar rolar. Pode ser?
— Eu concordo, contanto que eu não fique longe de você – Ele fechou os olhos enquanto eu acariciava sua bochecha direita.
— Espero que isso não aconteça, espero nunca ter que ficar longe de você – Eu investi contra seus lábios. Nos beijamos calmamente, selando nosso acordo através daquele toque.
— Agora eu preciso ir – Ele me soltou.
— Tudo bem – Eu sorri mais conformada após o nosso acordo.
— Só pra confirmar – Ele sorriu debochado – Aos olhos de sua mãe, somos namorados?
— Sim, e mais uma coisa, não conte a nossa conversa de agorinha pra ninguém – Você me ouviu?
— Tudo bem – Ele jogou as mãos para o alto em sinal de rendição.
— Tchau Annie – Ele me deu um selinho.
— Hey, quem me chama assim é só a minha mãe.
— E eu não posso te chamar assim? – Ele beijou o meu pescoço.
— Nãaaaao, assim não vale.
— Vale sim – Ele abriu a porta, se virou pra mim deu uma piscadela e se foi.
Passei o resto do dia parecendo uma boba apaixonada, sorrindo pra tudo e de tudo. Mas, sendo sincera, era o melhor sentimento que eu já havia sentido.
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