I Can't Make You Love Me
1 'Cuz I can't make you love me if you don't.
Notas iniciais
Apague as luzes
Abaixe a cama
Diminua essas vozes
Dentro da minha cabeça
Bo respirava tranquilamente em seu pescoço enquanto Dyson corria as mãos lentamente por suas costas ainda suadas depois do sexo, da alimentação, da cura. Pois era por isso que aquele corpo agora ressonava contra o seu; necessidade. Dyson sabia que a morena somente o procurava quando precisava se curar, não por amor.
Agora que ele o tinha de volta e o sentia pulsar em seu coração, machucando-o, Dyson quis que alguém rasgasse seu peito e arrancasse novamente aquele sentimento de dentro de si.
Bo se mexeu sobre ele, a mão direita parando sobre seu abdômen, o anel de compromisso reluzindo em seu dedo anelar. Ele se lembrava do dia em que Lauren havia lhe dado aquele anel e acima de tudo, ele se lembrava do brilho nos olhos das duas. Elas se amavam e por mais que doesse aceitar tal fato, ele sabia que nada podia fazer sobre isso.
Deite-se comigo
Não me conte mentiras
Apenas me segure firme
Não faça sermões
Ele desejou não amar. Quando seu amor fora roubado, ele ficou oco. Vazio. E a vida já não fazia sentido. Não havia porque vagar pela terra sem sentir o coração falhar uma batida quando a mulher que ele amava lhe sorria, aquele sorriso que iluminava-lhe os olhos e lhe corava as bochechas. Agora, Bo já não mais lhe sorria assim, agora, aquele sorriso que um dia ele chamou de dele, era de outra pessoa.
Não faça sermões para mim
Houvera um tempo em que lutara para reconquistá-la. Depois que recuperara seu amor, ele tentou, de todas as formas que pode, recuperar o dela. Ele tentou recuperar as manhãs em que dividiam o café, as tardes em que dividiam a pequena banheira e as noites em que dividiam a cama. Eles costumavam funcionar tão bem juntos.
Porque eu não posso fazer você me amar
Se você não me ama
Você não pode fazer seu coração sentir
Algo que ele não sente
Mas então tudo saiu de controle. Bo desapareceu e ele teve que ajudar Lauren a se esconder, quando o que mais queria era simplesmente deixar que ela morresse na mão dos fae. Mas seu senso de gratidão o guiara, pois ela o salvou quando podia tê-lo matado.
Sua relação com a doutora era tensa, como se ambos andassem em uma corda bamba e soubessem que o desequilíbrio de um poderia afetar o seu próprio, assim, apesar de lutarem pelo amor da mesma mulher, eles se ajudavam.
Dyson pensou que talvez eles se ajudassem pelo amor de Bo e não apesar do mesmo. Era Bo quem os mantinha unidos. Era Bo que fazia com eles interagissem pacificamente.
Então o Wanderer chegou e bagunçou um pouco mais a sua vida já complicada.
Aqui no escuro
Nestas últimas horas
Eu entregarei meu coração
Quando Dyson encontrou Bo e viu os olhos dela brilharem novamente, seu coração celebrou e a esperança o dominou, pois talvez, talvez, ele conseguisse fazê-la amá-lo de novo. Lauren havia desaparecido, nada o impediria.
Mas quando sentiu o corpo dela novamente em suas mãos, foi só isso. O corpo. Não houve alma. Claro, foi quente, sujo e excitante, mas puramente carnal. Enquanto ele entregava seu corpo, alma e coração naquela cama, ela não lhe entregava nada. Bo o absorvia completamente em si, mas ele não sentia nada além da sede de uma súcubo.
E novamente, ele desejou deixar de sentir. Deixar de amar.
E vou sentir o poder
Mas você não vai
Não, você não vai
Porque eu não posso fazer você me amar
Se você não me ama
Então Bo se aliou ao lado dark. Já não bastava toda dificuldade que os dois enfrentavam, o destino decidiu impor mais um empecilho. Uma relação entre um fae light e um dark era estritamente proibida. Eram as regras. Ele já vira vários e vários fae perderem a vida por um amor proibido e agora, ele corria o risco de ser mais um que morreria por amar, morreria por amor.
Fecharei meus olhos
Então não verei
O amor que você não sente
Quando está me abraçando
Em uma noite, enquanto o corpo dela subia sobre o seu e Dyson buscou seus olhos, não os reconheceu. Estavam azuis, brilhantes e famintos, mas por trás deles, não encontrou a mulher que buscava. E a cada vez que a mão dela corria por seu peito, ele via o singelo brilho do pequeno anel em seu dedo, e sentia seu coração e alma agonizarem enquanto seu corpo alcançava o prazer.
Amanhã vai chegar
E eu vou fazer o que é certo
Apenas me dê até lá
Para eu desistir desta luta
Perdido em seus pensamentos, Dyson não percebeu que Bo acordara e agora o encarava com os olhos azuis. Ele retribuiu o olhar e nenhum dos dois se atreveu a desviar os olhos, perder a batalha que travavam dentro de si. Ele não sabia dizer quanto tempo ficaram ali. Nus, pernas e braços entrelaçados sobre a cama, o corpo dela sobre o seu, o cabelo escuro caindo em seu rosto, os olhares se enfrentando.
E eu vou desistir dessa luta
Em algum momento, Dyson percebeu que o clima no quarto mudara. Não era mais pesado e sujo. Não havia mais aquela tensão entre os dois. Naquele momento, enquanto sentia o corpo dela relaxar sobre o seu, ele sentiu também seu coração. Ele sentiu o coração da mulher que ele sempre amou, ele sentiu a alma dela envolver a sua ternamente. Ele sentiu que ela retribuía, que ela era sua de novo, depois de tanto tempo...
Porque eu não posso fazer você me amar
Se você não me ama
Você não pode fazer seu coração sentir
Algo que ele não sente
E ele esqueceu tudo. Esqueceu que ambos cometiam um crime contra a lei de sua raça, esqueceu tudo que pensou e desejou, esqueceu que havia um mundo fora daquelas paredes. Esqueceu que Bo já não era mais sua, porque ali, naquele momento, ela era. Ali, naquele momento, ela era a Bo que ele conheceu anos atrás, que amou e que o amou de volta. E seu coração, que antes batia por necessidade, passou a bater por vontade, desejo. Amor.
Aqui no escuro
Nestas últimas horas
Eu entregarei meu coração
E vou sentir o poder
Mas um piscar de olhos destruiu tudo. Bo fechou os olhos, se entregando a guerra de olhares que haviam travado e quando os abriu novamente, não buscou os dele. Dyson observou os olhos dela, agora voltando a sua cor normal, tão escuros como a noite que passava lá fora, buscarem o anel em sua mão. Assim, ele sentiu a barreira que ela mantinha ser reerguida rapidamente, o corpo dela tencionar novamente contra o seu, o desconforto pesando no ar.
Mas você não vai
Não, você não vai
Porque eu não posso fazer você me amar
Dyson sabia que a culpa a corroeria agora, mas, não se importou. Ele sabia que aquele breve momento em que finalmente teve a Bo que amava em seus braços acabara e que talvez, não voltasse a ocorrer de novo. Dyson viu nos olhos dela o amor que ela sentia e que não era por ele. Enquanto ela se levantava e se vestia, ele observou a lua que aparecia por detrás da cortina que balançava contra sua janela e sentiu um nó se formar em sua garganta.
Agora Bo estava de costas para ele, já vestida, a mão apoiada na maçaneta da porta, pronta para partir. Dyson esperou que ela saísse, mas ela não o fez. Ficou parada alguns segundos, a cabeça abaixada, os cabelos caindo sobre seus ombros.
Ela se virou lentamente e buscou os olhos dele. E Dyson viu naqueles olhos um sentimento que não reconheceu. Mas ela sentia. Sentia algo que não sabia demonstrar.
Depois de alguns segundos, Bo desviou o olhar e finalmente saiu pela porta, agora sem olhar para trás.
Dyson voltou seu olhar para a lua solitária no céu. E novamente ele desejou não sentir. Ele desejou não amar.
Se você não me ama.
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