Acho que esqueci de me apresentar. Bom, eu me chamo Lara, tenho 22 anos e estudo Letras. Antes dei ênfase ao dia em que conheci minha primeira amiga verdadeira, sei que não expliquei muito, mas aos poucos você entenderá o que aconteceu, o que está acontecendo e até mesmo o que acontecerá.

Primeiramente, gostaria de falar um pouco sobre o que aconteceu três dias atrás, quando ela virou a costas para mim e me pediu para jamais procurá-la outra vez.

Já fazia mais ou menos cinco dias que não nos falávamos, o que era bastante estranho, pois nos últimos 5 anos de convivência, nos falávamos todos os dias, fosse por telefone, ao vivo ou por msn. E nos últimos quatro anos, dividimos um apartamento, pois decidimos, juntas, que iríamos para a mesma universidade e esta não ficava na nossa cidade natal, então nos mudaríamos. Acho que o nome da cidade é o que menos importa aqui, mas saiba que, comparada à nossa cidade, ela era gigantesca. Bem, há 5 dias atrás, eu cheguei em casa e notei que várias coisas estavam empacotadas, ela estava saindo do apartamento.

- Por que você está fazendo isso? — perguntei já com os olhos cheios de lágrimas. Vale ressaltar que sou o elo frágil de qualquer relação, hoje vejo que além de sempre ser a que mais ama, também sou a que mais chora. Isso não é algo de que eu goste, às vezes é bom conseguir esconder um pouco os sentimentos e isto é algo que tenho muita dificuldade de realizar.

- Acho que no momento não posso te fazer entender essa decisão, Láh. É algo muito pessoal... — Ela me falou e eu, por um instante, notei que seu olhar continha uma sombra triste, esta que desapareceu tão logo quanto surgiu. Mari é exatamente o oposto de mim com relação à demonstrações de sentimentos, muitas vezes cheguei a pensar que ela nunca teve muitos amigos por causa disso. Sem querer me gabar, acho que minha capacidade de amar mais sem se importar, tem lá suas vantagens.

Ela se mudou enquanto eu estava trancada no meu quarto, chorando feito uma criança. Desde então não tem atendido aos meus telefonemas, não tem entrado no msn e não consigo achá-la na universidade, pois ela estuda Ciência da Computação, apesar de estudarmos na mesma Universidade, mal conseguíamos nos esbarrar, a não ser que marcássemos, como às vezes fazíamos no horário do almoço ou entre as aulas. Eu já estava ficando louca de preocupação, sem falar que até então não tinha notado o quanto dependia dela para seguir em frente com a minha vida, o quanto dependia do seu sorriso e de suas palavras encorajadoras. Mais do que isso, necessitava saber como ela estava, pelo que estava passando. Precisava entender o que estava acontecendo e ajudar, se fosse preciso.

Movida por essa dependência que tinha dela, decidi gastar meu dia no bloco de Ciências Exatas, na esperança de achá-la por lá. Não seria uma tarefa assim tão fácil, ela poderia estar em qualquer sala daqueles prédios, mas eu não desistiria, precisava vê-la, precisava saber se estava tudo bem, era isso ou mais uma noite em claro. Não sei por quanto tempo fiquei por ali, vagando, dando voltas e mais voltas, esperando encontrá-la em cada corredor novo em que virava. Foi quando estava deitada num banco em frente a um dos prédios, descansando uns minutos para continuar a busca, que escutei um som familiar, era a sua voz. Levantei de um salto, ela estava a uns três metros de mim, saindo do prédio. Notou o meu movimento surpreso e me encarou, primeiramente surpresa e, pouco tempo depois, indiferente. Estava acompanhada de uma garota que já foi lá no apartamento algumas vezes para estudar. Trocou mais algumas palavras com a garota e se despediram. Ela veio caminhando até mim e eu tremia em expectativa.

- O que faz aqui? — foram as palavras que saíram de sua boca e atingiram meu coração como se fossem pedras. Não sabia mais se queria continuar com aquela conversa, o tom de voz usado por ela arrepiou-me e eu soube, naquele instante, que não dormiria bem aquela noite, nem as próximas...

Notas finais
sugestões? críticas? feedback? =~~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.