I Can Not Love You
3 Capítulo 2 - Minha Psicóloga
Notas iniciais
- Você está de brincadeira, não é Daniel? – perguntei, socando uma árvore.
- Não Cam, não estou. – respondeu ele, frustrado.
Nós tínhamos uma pista que dizia que havia algo na Shoreline, todavia, quando chagamos lá, não havia nada. Exatamente: nada. Só um bando nefilins, apressados para entrarem em suas salas de aula. Agora, graças à “maravilhosa” inteligência do Daniel, estávamos no meio da floresta atrás da Shoreline, como dois idiotas, sem saber o que fazer.
- Temos que nos separar. – disse Daniel, quebrando o silêncio e desencostando-se de uma árvore.
- O que? Qual o sentido de nos separar agora, Daniel? – perguntei, porque, realmente, não havia sentido.
- Cam, presta a atenção, um de nós tem que ficar de olho na Luce... – começou ele, mas eu o interrompi.
- E é obvio que vai ser você, não é mesmo? – falei
- ...E o outro caça os Párias e dos anciões. – continuou ele come se não tivesse sido interrompido.
- Hum. – falei apenas – E o trato para que nenhuns dos dois ficassem perto da Luce?
- Nos estamos protegendo-a, Cam. E, além do mais, ela não precisa saber que estamos aqui. E é você quem vai ficar aqui.
- Por que? – perguntou Cam, sem conseguir esconder o sorriso de satisfação.
- Se eu ficar aqui, não vou conseguir me conter em não ver a Luce, não conversar com ela, não abraça-la... Enfim, você entendeu.
“E o que te leva a pensar que eu farei algum esforço para manter-me afastado dela, irmãozinho”, pensei, porém sem pronunciar nenhuma palavra. Até que não seria má ideia, apesar de Daniel ficar com toda a diversão de caças os Párias e os Anciões, quando algum deles aparecesse por aqui, quem iria salvar a linda e indefesa Lucinda Price? Eu! Eu me tornaria seu herói.
- Tudo bem. – concordei, sem deixar transparecer a minha alegria – Até que não é má ideia. Porém, hoje não vai dar.
- Como assim? – perguntou ele, cruzando os braços.
- Todas as minhas coisas ficaram em Tybee, e já quem vou montar em “acampamento” aqui para cuidar da sua bonequinha de porcelana.
- Pode ser. Essa noite eu fico aqui. – disse ele, escalando uma árvore, e sentando-se em um galho.
Abri minhas asas, e parti em direção a Tybee.
***
Assim que meus pés tocaram o teto do refúgio para anjos, minhas asas instintivamente se esconderam atrás das minhas costas. Desci do telhado em um pulo, pulsando suavemente na grama em frente ao refúgio.
Quando passei pela porta de entrada, percebi um perfume familiar. Ariane. Só poderia ser ela. Mas naquele momento ela não estava lá, provavelmente só estava de passagem. Peguei uma mochila qualquer que estava dentro do armário em um dos quarto e comecei a enchê-la de coisas, desde roupas até pacotes de biscoito.
Sentei-me no sofá e liguei a televisão. Pretendia passar a noite ali, porém havia algo que me deixava inquieto. Me levantei e saí, caminhando em direção à praia. Eu não sabia ao certo onde estava indo, apenas caminhava.
Quando cheguei a uma razoável distância do refúgio, vi uma pequena figura sentada no meio da areia da praia. Eu a reconheci logo de início. Katherine.
- Oi. – cumprimentei-a, me aproximando.
- Ah, o-oi. – disse ela de volta, erguendo a cabeça em minha direção e sorrindo – Cam, não é?
- Exatamente. – respondi sentando-me ao seu lado – E você é Katherine, estou certo? – perguntou ele, apesar de ter certeza que sim.
- Aham.
- Fazendo o que no meio da praia sozinha durante a noite? – perguntei.
- O mesmo que você ontem à noite. – respondeu fitando o mar.
- Hm, pensando em como resolver os problemas? – perguntei, sem me lembrar da desculpa que eu tinha usado na noite anterior para estar sentado no meio da praia.
- Colocando a cabeça no lugar. – corrigiu-me ela, rindo.
- Ah, claro. Acho que eu deveria já ter desistido de tentar fazer isso, visto que quanto mais eu tento botar a cabeça no lugar, mais ela fica bagunçada.
- Por que?
- Sei lá. Acho que são tantos problemas que tentar achar a saída para eles é frustrante e impossível.
- Você não me parece um garoto problemático. – observou ela.
- Uau, — falei – Obrigado, acho que é a primeira vez que escuto isso. E também acho que estou passando uma imagem muito errada de mim mesmo.
- Ah, então o que você apronta? Quais os problemas que você se mete?
- Ah, todos e mais um pouco. – respondi, e, vendo que ela não estava satisfeita com a resposta, continuei – Eu sou a ovelha negra da turma, sabe? O pessimista, o que sempre que estragar um “belo romance”, a pessoa sem coração que não acredita em finais felizes.
- Ah, eu duvido que você realmente seja assim.
- Que parte? – perguntei.
- Todas, tipo, você não é pessimista, nem nada do resto que você falou. – ela dizia com tanto certeza e convecção que parecia me conhecer há milênios, parecia me conhecer até melhor do que Daniel, ou Ronald.
- Olha só, tenta só ver o mundo como eu vejo: se eu sou pessimista, não é por que eu quero que algo ruim aconteça, só não espero um milagre, mas é obvio que se algo da certo eu fico feliz, só não preciso demostrar; e a parte de estragar um belo romance é só com meu irmão, digamos que ele deseje o impossível, mas mesmo sabendo que é impossível, eu o ajudo, do meu jeito, mas ajudo; e não acreditar em finais felizes, bem, é complicado explicar, eu simplesmente já vi provas o suficiente de que o príncipe e a princesa não podem ficar juntos no final.
- Se você diz, né. Mas eu ainda não acredito que você é realmente assim, só age assim para não viver com as expectativas de ninguém, porque quando as pessoas veem bondade de mais, elas esperam por ela. – insistiu ela.
Ambos ficamos em silêncio, sem saber ao certo o que falar. Ou melhor, eu não sabia o que falar. Ela havia falado com uma convicção que chegou a me intrigar, como ela poderia ter essa convicção sobre mim sendo que ela me conhecia há dois dias.
- É, talvez o que você falou até tenha sentido. — respondi, sorrindo, mesmo não me convencendo que realmente houvesse sentido.
- Pois é, acho que já estou habilitada para me tornar psicóloga.
- Aham, então você se tornaria minha psicóloga particular. – falei, rindo – Olha, eu realmente gostaria de ficar mais, porém eu preciso ir.
- Hm, tudo bem então. – disse ela, abaixando a cabeça.
- Não fica triste, não, — falei brincando – Nós provavelmente nos veremos novamente – comentei, apesar de não ter muita certeza disso.
Eu me levantei, afastando-me de Katherine. Assim que cheguei ao refúgio, joguei-me no sofá, onde passei o resto da noite assistindo TV ou pensando se algum dia eu voltaria a ver o sorriso doce dela.
***
Olhei Cam se afastando lentamente, ele parecia flutuar em cima da areia, com passos leves e ao mesmo tempo fortes. Por algum motivo eu gostaria de pedir para que ele ficasse, inexplicavelmente eu me senti bem perto dele.
Abaixei os olhos para a areia e vi um celular ao meu lado. Era um Iphone, com certeza de Cam, o celular devia ter caído da sua bermuda quando ele estava sentado e nenhum dos dois havia percebido. Peguei o celular na mão e me levantei, esperando ver Cam para devolvê-lo, mas ele já estava fora da minha linha de visão.
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