Notas iniciais
Desculpem-me pela ausência. Não tenho tido vontade de escrever. Obrigada por esperarem ♥

Bryan e eu passamos a tarde inteira na praia. Um gritando com o outro, correndo, brincando, feito duas crianças, como era no passado.

— Idiota, eu vou sentir muito a sua falta... – sorri, enquanto Bryan estacionava o carro na frente da minha casa, às oito horas da noite.

— Eu também, princesa... Muito mesmo. E se não estivéssemos em um momento tocante, eu juro que iria te bater. – Bryan sorriu, saindo do carro, abrindo a porta para mim. Saí do carro e o encarei.

— É só um mês, né... – eu sorri, bagunçando os cabelos de Bryan.

— Passa rápido, não? – ele sorriu, arrumando novamente seus cabelos.

— Acho que sim... – abracei Bryan movida por um impulso impressionante, enquanto deixava algumas lágrimas escaparem.

Bryan retribuía o abraço, me apertando levemente, mexendo nos meus cabelos.

— Em breve nos veremos de novo, Gabi... Eu prometo.

Eu podia sentir a respiração lenta de Bryan. Eu sabia que o coração dele estava doendo tanto quanto o meu afinal, não era fácil dizer “adeus” para um amigo de anos.

— Eu te amo pra caralho, filho da mãe. – sorri, o olhando.

— Eu também te amo muito, feiosa. – ele sorriu, dando um beijo demorado na minha testa.

— Então... Me liga amanhã e depois, ok? – eu sorri, limpando minhas lágrimas.

— Pode deixar, pequena. – Bryan sorriu. Dei um último aceno e entrei em casa, com as lágrimas rolando pelo rosto.

De cara, senti o cheiro de comida. Sorri, indo até a cozinha. Dei um beijo no rosto da minha mãe, que estava fazendo o jantar.

— Conseguiu o passaporte, mãe? – perguntei, olhando-a enquanto eu lavava as mãos na pia.

— Quando é que eu não consigo as coisas? – ela me olhou, sorrindo, enquanto colocava a panela de macarrão em cima da mesa.

— Sem convencimento, por favor dona Sarah. – sorri, indo para a sala. Dei um beijo no rosto do meu pai, que estava vendo o jornal. – Oi papai.

— Isso é hora de se chegar em casa? – ele franziu o cenho, me olhando.

— Relaxa, Sr. Estressado. – sorri, enquanto ele erguia uma sobrancelha.

— Sr. Estressado não. Sr. Eduardo Ribeiro. E aposto que você estava com aquele viciado em carros.

— Não chama ele assim... O Bryan é legal, papai. – sorri, enquanto sentava ao lado do meu pai.

— Ah sim, claro... – ele ironizou. – Principalmente quando ele amassou a traseira do meu carro, semana passada, né.

— Você sabe que foi um acidente... – me sentei ao lado do meu pai, sorrindo. Semana passada Bryan havia amassado o carro do meu pai, acidentalmente. O garoto estava dirigindo o carro do meu pai e acabou batendo com a traseira em uma árvore. Meu pai ficou puto e quase me proibiu de andar com o Bryan.

— Claro, um acidente... – meu pai revirou os olhos. Ri baixinho, olhando para a TV. Passava as mesmas tragédias de sempre: assaltos a velhinhas inocentes, acidentes de ônibus, bueiros explodindo em Copacabana (sim, o incidente ocorreu perto de onde eu e Bryan estávamos minutos depois de sairmos de lá). Respirei fundo e me levantei, indo em direção às escadas, subindo as mesmas.

Entrei no meu quarto e, em seguida, me atirei na cama. Meus pais sabiam que eu não lidava muito bem com as tragédias alheias. Eu era traumatizada com essas coisas, porque quando eu era pequena, vi um acidente de perto. A lembrança de um homem sangrando não era agradável. Minha mãe procurou vários psicólogos quanto a isso, mas não resolveu. Eu ainda tinha alguns pesadelos com isso, mas não eram tão fortes quanto era quando eu era pequena.

Sentei-me na cama e respirei fundo. Decidi pegar meu notebook para tentar afastar os pensamentos que me atormentavam. Primeiramente, entrei no site de uma revista Teen da qual eu gostava bastante. Entre os destaques estava escrito, em letras rosas e chamativas: “Saiba como participar na promoção para conhecer a One Direction, em Londres!“ e, abaixo do enunciado, uma foto de cinco garotos: um loiro sorridente; um moreno de cabelos cacheados; um de cabelos castanhos, que não sei muito bem como descrever e um com os cabelos castanhos claros, parecendo ser o mais velho de todos, mas era mais baixo que os outros. Mas meus olhos fixaram-se no moreno de topete... Ele era lindo! Os cabelos lisos e pretos, com um topete. E um sorriso... O sorriso mais lindo que já vi na minha vida inteira. Apenas sorri para a tela do notebook.

Eu já havia ouvido falar sobre essa boyband, mas nunca me interessei em pesquisar algo sobre eles, ou ouvir alguma música. Eu era indiferente, pois já haviam garotas demais gostando deles. Para ser sincera, eu não ligava nem um pouco para eles. Eu tinha meu estilo musical próprio. Rock. Só ouvi rock, desde pequena, e não fazia questão de ouvir algo que acabara de lançar. Em minha humilde opinião, o que é mais velho é melhor. Quanto mais velha é a banda, melhor são as músicas. Nunca fui por modinha ou algo do tipo. Sou do grupo dos que não fazem parte da “nova juventude”.

Mas, para mim, tanto fazia se eles tocavam bem ou não. O fato era que tinha me “apaixonado” pelo tal menino (do qual eu não sabia o nome). Suspirei lentamente, olhando o rosto do garoto e só acordei dos meus devaneios quando meu celular começou a tocar. Atendi. Era a Lu.

— E aí, conseguiu o passaporte? – ela perguntou.

— Boa noite, como tu tá? Eu tô bem, obrigada. – respondi, ironicamente.

— Para de palhaçada, tribufu. – ela respondeu.

— É assim que se começa uma conversa civilizada. – sorri sarcástica. – Minha mãe conseguiu, claro. Ela sempre consegue...

— Isso é bom... Só liguei pra perguntar. Agora tô ocupada com as malas... Beijos e até depois de amanhã, preta. – Lu desligou o telefone na minha cara.

— Mal educada... – murmurei, guardando o celular. Voltei a pousar meu olhar no garoto de cabelos pretos, na tela do meu notebook. – Mas tu é gostoso... – disse para a tela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.