Notas iniciais
oi o/

"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho." -MahatmaGandhi

xXx

Após o dia em que deixara Kouyou em casa, a busca de Yuu limitou-se ao espaço perto de onde o outro trabalhava. Talvez no fundo possui-se a pequena esperança de vê-lo sorrir.

Não entendia qual era a sua necessidade de fazer com que aquele homem sorrisse, já que os seus reais objetivos era fazer sorrir a si mesmo.

Jogou-se na grama do pequeno parque perto do café, haviam pessoas o olhando, mas não se importou. As outras pessoas não trariam a sua felicidade.

Shiroyama sentia-se cansado, olhou um pouco para o céu, procurou o que lhe faltava. Perguntou-se o que fazia de errado desde a sua infância, para que agora, já na sua idade atual tivesse de passar por tais problemas, como descobrir algo que para os outros parecia tão óbvio... Não entendia a si mesmo. Estaria fazendo errado procurando nos outros o que ele, naturalmente deveria saber?

– Algum problema meu filho? – Uma senhora, de tamanho médio e cabelos grisalhos o perguntou.

– Não senhora, estou bem, só pensando mesmo.

– Não está feliz com os seus pensamentos presumo. – A mulher continha um sorriso sábio, e diferente do que pessoas normais fariam ela se sentou ao seu lado.

– É justamente a falta de felicidade que me faz pensar. – Yuu respondeu com uma fina esperança de que aquele sorriso sábio representasse resposta para si.

– Falta de felicidade querido? Mas isso não existe.

– Acredite, existe e sou a prova viva disso. – A mulher riu da resposta do outro, uma quase gargalhada.

– Você queria ser feliz meu caro?

– Sim. – Apenas isso respondeu Yuu.

– Pois saiba meu bem, que todos temos a capacidade de ser feliz se assim quisermos de verdade. Pode-se ser feliz fazendo aquilo que se tem vontade...

– Não há nada que tenha vontade de fazer.

– Não? E porque quando, afim de descobrir algo, foste atrás de satisfazer sua curiosidade através de papel, caneta e uma maquina? Não seria isso um desejo? Uma vontade? Como se sente quando congela os pequenos momentos bons dos outros? Não é satisfação?

Shiroyama estava de boca aberta, como ela poderia saber sobre algo assim? E como podia dizer aquilo com tanta certeza? Apesar disso, ele nada perguntou. Vendo que aquilo surtira efeito em Yuu, a senhora continuou.

– A felicidade é estar bem consigo mesmo, se sentir útil, saber que faz a diferença, ser solidário, tomar atitudes, pensar no mundo.

– Não creio que eu seja alguém assim...

– Não? E o que tem feito por sua família todos esses anos? O que você foi para o seu precioso pai... Todas as sua atitudes ate hoje. Saiba que o que fez por aquele garoto na rua, a alguns dias atrás, foi uma atitude única sua, e que fez bem a alguém.

A mulher falava como se conhecesse a vida do outro ali deitado. Yuu, não entendia o porque de não conseguir tomar nenhuma atitude referente ao porque da mulher saber tanto sobre ele.

Mas não parou ai, ela continuou.

– Mas ser feliz não é algo solitário. Ser feliz também é tentar fazer alguém feliz, para que isso reaja em nós mesmos também. É compartilhar. E sentir que alguém precisa de doses de felicidade que só você pode dar.

– Eu...

– Você só tem de perceber Yuu, pode ser feliz fazendo o que vem fazendo. Praticando tudo o que sempre foi. E não se fechando tanto a si mesmo. Nem todas as pessoas se aproximam de você por algum interesse particular, porem em todo este tempo você vem fazendo o que acha que as pessoas querem de você, você não as percebe querendo compartilhar nada.

Não se feche Yuu, não se entregue ao conformismo. Não diga que não tem, algo que sempre esteve com você, esperando para ser usado.

Shiroyama abriu os olhos assustado, sentiu uma lágrima que não era ruim cair de seus olhos. Ia perguntar algo aquela mulher, mas está não estava ali. Ele estivera dormindo? Aquilo não havia sido real?

Não entendia o que havia acontecido e acabou por conforma-se de que era um sonho. Puxou sua câmera para si, ligando-a. Tomou um susto com a última foto tirada, viu ali, a foto de uma bela senhora, igual á de seus sonhos, o sorriso também era o mesmo.

Procurou a última anotação de seu caderno.

"A felicidade está em todos nós e podemos usa-la quando quisermos se assim quisermos. A chance de ser feliz sempre está ao nosso alcance, tudo só depende de nós."

De acordo com Alexandrina — 60 anos.*

Shiroyama sentiu um calor forte em seu peito, algo bom. Mais uma lágrima desceu, mas não se sentia mal. Na verdade se sentia... Será?

{I can be your Happiness?}

Trabalhava sem parar, o lugar estava cheio, estava cansado, e preocupado. Seu irmão havia garantido estar bem, apesar disso não deixava de pensar que devia ter o levado ao medico.

Se algo acontecesse ao seu pequeno não poderia se perdoar, seu irmão era o última coisa que queria ver mal, só o pensamento do pequeno desmaiando na rua novamente o causava tristeza.

Suspirou cansado voltando com mais uma bandeja. Puxou o ar com força tentando manter a mente tranquila. Inalou o cheiro puro de café, sentiu se bem. Achou que pudesse passar alguns minutos assim, mas enganou-se, mais uma pessoa entrava no lugar.

Tentou não parecer cansado, tinha de atender seus clientes da melhor forma possível. Não faltava tanto assim para o horário de almoço afinal. Aquela senhora seria provavelmente um de seus últimos clientes.

– Em que posso ajuda-lá?

– Eu queria um sorriso por favor.

–A senhora quer um “latte art”**?

– Não meu bem, eu disse que quero um sorriso.

– Eu não estou entendendo.

– Um sorriso meu bem, de felicidade.

– Desculpe senhora, mas não tenho motivos para tal. Não entendo o porque de me pedires isso.

– Não tem motivos? Porque não tem motivos?

– Não sei o que a felicidade é.

– Mas é claro que sabe, só não descobriu que sabe ainda.

– Não sei como isso pode ser verdade minha senhora.

– Ma olhe só meu querido, como pode você não ser feliz se todos somos capazes de ser feliz.

– Não entendo como isso se aplica a mim.

– Pois saiba meu bem, que você está vivo e tem tudo o que é necessário para ser feliz, se você deixar e quiser ser feliz. Você pode querido, encontrar a felicidade em cada pequeno prazer de estar vivo.

– E quantas coisas de prazerosas eu tenho na vida?

– Você não vê? Todos os dias quando você levanta e vê a imagem do céu em todas as suas cores enquanto o sol nasce, e aquilo faz com que se sinta bem. A forma como mesmo o seu trabalho sendo cansativo, sempre que sente o cheiro do café aquilo o faz sonhar. A forma como você se sente orgulhoso sempre que as pessoas o elogiam, porque você faz o que faz da melhor forma possível. Não vê todos os motivos que tem para crer que a sua vida é o que tem de mais prazeroso?

– Minha vida? De que forma a minha vida pode ser dita como algo importante?

– E você não acha que é importante? Mesmo tendo alguém que está ao seu lado cuidando de ti. Você tem um pequeno que está ao seu lado não importa o que aconteça. Você tem amigos que não te abandonam não importa o quão afastado você pareça, pessoas que não desistiram de ver a sua felicidade, e se quer saber, existe ainda mais um motivo para o qual você devia sorrir.

– Qual? – Kouyou perguntou curioso, a expectativa de ouvir mais alguma coisa daquela senhora que fazia seu coração reagir tão bem.

Você pode sorrir, porque existe alguém que daria tudo para vê-lo assim. Alguém que não consegue parar de pensar, o quão bom seria vê-lo feliz.

– Como? – Takashima a olhava confuso.

– Ser feliz também é doar-se como felicidade para alguém. Seu sorriso pode transformar o dia de uma pessoa. De outras pessoas. Não as poupe disso.

Kouyou apesar de ainda não ter entendido bem o que a tal senhora tentava passar-lhe, sentiu uma estranha vontade de fazer valer-lhe as palavras ditas, queria poder explicar aquela sensação boa em seu peito. Fazia-o sentir vontade de... Sorrir.

Takashima-san... Você está bem?

Só então Kouyou percebeu que estava apoiado no balcão encarando de forma boba a pessoa sentada em sua frente. Que não era uma senhora, mas sim ShiroyamaYuu que acabara de adentrar o local e sentara-se ali.

Hoo me desculpe Shiroyama-san, estava perdido em pensamentos.

O outro não respondeu, pois antes disso o celular do loiro tocou e pela face de Kouyou, presumia-se que não podiam ser noticias boas.

Notas finais
*É o nome da minha avó. Ela faleceu tem pouco tempo então eu quis fazer uma "homenagem". Que ela esteja em um lugar melhor agora.
**É aquilo que as pessoas conhecem por café "desenhado" -q
Enfim, 3 de 6. Pretendo trazer o 4° na sexta, 5° no domingo e Epilogo na segunda. Quero terminar até ai porque segunda é um dia especial né Line?
E porque eu viajo na quarta que vem e não quero deixar a fic só pra agosto quando eu voltar. Já basta que vou fazer isso com "Ousada Conquista" =/
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.