I Can Be Ur Hero
6 VI. Tão bom que você teve que abusar
VI. \"Tão bom que você teve que abusar
Tão rápido que às vezes você perde o controle
Te mastiga quando você o alimenta
Mas todo mundo precisa comer
Eu sou demais para você?
Porque você é muito pra mim
Ainda quer ser corrompido?\"
Finalmente o domingo acabou e fui dormir, nem ligar meu computador eu havia ligado. E aquela segunda música que eles tocaram no ensaio não saia da minha cabeça.. \"Cause I\'ve got you, to make me feel stronger\". É, um hit que não sai da cabeça eles já tinham pelo menos.
Acordei indisposto para ir à escola, mesmo assim fui, era uma manhã fria e chuvosa. Sorte que minha mãe havia comprado uma capa de chuva para mim.. Nesses dias não vale muito a pena usar guarda-chuva, eles sempre deixam nossa roupa molhar mesmo.
Chegando lá avistei Harry totalmente molhado, as meninas estavam o zoando porque caiu em uma poça de água na hora que o sinal de entrada bateu. Senti um arrepio estranho tomar conta de meu corpo.. Parecido com o que me provocou medo no primeiro dia de aula.
Harry pediu outro uniforme na diretoria e foi ao vestiário se trocar, mesmo assim as zoações não pararam. Ana Paula e Skata exageravam na hora de zoar com alguém. Ele deve ter até se magoado, mas fingiu que nada havia acontecido até elas pararem.
O sinal do intervalo bateu, fui direto à cantina sozinho comprar meu folhado e depois de encontro das meninas e coincidentemente dos meninos também. A partir de agora, acho que andávamos todos juntos. Eles não eram mais tão estranhos depois de vê-los tocar e cantar, confesso que eles tinham talento apesar de serem esquisitos.
Estavam todos se beijando, as garotas da escola olhavam totalmente invejadas para as minhas amigas e alguns até tentaram virar minhas amigas para eu as apresentar para o Harry. Não sei por que, mas aquilo estava me dando raiva, passei a ignora-las.
- Olha pra minha cara de cúpido, garota. Se toca, se ele quiser ficar com alguém ele vai pedir, num acha? — Falei seco.
- Credo Lucas, pensei que você fosse mais legal! — A garota saiu andando.
Harry me perguntou o que havia acontecido e eu apenas o fitei e fui pra sala. Na hora da saída Harry saiu que nem um furacão, ninguém sabia o que havia acontecido e as garotas ficaram meio sem saber o que fazer.
Vi que seu caderno estava embaixo da mesa, peguei e saí correndo atrás dele para devolver mas ele já havia virado o portão e não dava mais tempo.
Cheguei em casa, peguei o telefone, disquei seu número visando avisar sobre o caderno.. Toda vez que dava um toque eu desligava e respirava fundo, estava nervoso. Até que decidi deixar tocar e seja o que Deus quiser, ele estava furioso na saida mas não era por minha culpa, que eu saiba.
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- Nossa Harry, calma cara, é o Lucas — Falei soltando um riso, mas meu coração havia acelerado.
- Ah, você.
- Sim.. É que você esqueceu seu caderno embaixo da mesa, liguei só pra avisar que está comigo, ok?
- Não.. Eu preciso estudar, a professora passou lição, você sabe, vou aí buscar ele, daqui a pouco eu chego, vou a pé mesmo já que meu pai está sem carro.
- Ok.
- Erm.. Você mora na casa bege do lado da casa da Bia, né?
- É, qualquer coisa eu fico na janela te esperando, sem problema.
- Tá, tchau.
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Vi Harry virar a esquina e fiquei o fitando passar pela calçada até a porta de casa.
- Sobe aí, tá aberto.
Ele olhou pra cima e sorriu. A poucos minutos ele estava nervoso, agora já está sorrindo? Isso só me comprova que ele é esquisito.
O caderno estava encima da mesa que fica no centro da sala, ele entrou e o segurou..
- Cheguei cara — Ele falou e foi caminhando até a janela onde eu estava.
- Tá melhor? — Perguntei.
- Tô.. Precisava andar e pensar melhor no que anda acontecendo comigo..
- Quiser desabafar, tô aqui — Falei olhando para ele.
- De boa.. Você nem acreditaria.
Ficamos em silêncio por algum tempo até que ele mesmo o quebrou.
- Lucas, deixa eu perguntar..
- Erm.. O que?
- Você já teve curiosidade de beijar outro cara? — Ele falou olhando para baixo.
- Por que essa pergunta?
- Nada cara, não que eu tenha curiosidade mas me veio isso na cabeça.. Do nada e tal.. — Ele falou, percebi pelas suas mãos encostadas na grade da janela que estava tremendo.
Fiquei tenso com a situação.
- Era só isso?
- Era sim Lucas.. Vou pra casa agora.
Ele andou até a porta e fez um sinal de tchau com a mão. O esperei descer as escadas e guiei meu olhar sobre ele até ele virar a esquina e seguir teu caminho.
Deitei no sofá confuso com o que estava acontecendo e tentando entender o por quê daquela pergunta.
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