I Can Be The One Tonight
2 Are You Okay?
Notas iniciais
Na manhã do dia seguinte, Kurt acordou com o rosto inchado de tanto que chorou. Ele teve sorte de seu celular ter sido a única coisa roubada de si, fora sua inocência, porque ele nunca mais olharia para grupos formados por apenas homens da mesma maneira.
O que teria acontecido se aquele garoto não tivesse o dito para correr? Kurt preferia nem imaginar, pois só de fazer isso seu estômago já se embrulhava todo.
Ele levantou no seu horário de costume e foi para o banheiro tomar um banho. Minutos depois seu pai gritou do andar debaixo que o café da manhã já estava pronto. Kurt saiu de dentro do banheiro e se arrumou para a escola.
Ele queria algo que não marcasse seu corpo, mas ele só tinha roupas extremamente justas. Tentando ignorar o ocorrido da noite passada, Kurt pegou uma calça jeans preta, um moletom – que era a coisa mais larga que ele tinha em seu guarda-roupa – vermelho escuro e colocou seu all star que também era preto.
Ele passou um pouco de perfume, arrumou seu cabelo e passou um pouco de maquiagem para disfarçar as olheiras e o rosto inchado.
O Hummel pegou sua mochila, desceu as escadas e deu um beijo de bom dia em seu pai, sentando-se para comer em seguida.
O pai de Kurt, Burt Hummel, perguntou inúmeras vezes se estava tudo bem com o filho, mas o mesmo apenas assentiu como resposta. Ele não queria preocupar seu pai.
Ele iria dizer que havia sido assaltado e que levaram seu celular, mas seu pai pensaria milhões de coisas e Kurt não queria isso. Ele lidaria sozinho com isso. Nem Quinn não precisava saber o que tinha acontecido.
Kurt terminou seu café, botou a mochila nas costas e se despediu de seu pai, que novamente perguntou se estava tudo bem. Ele apenas assentiu de novo e saiu para a escola.
Durante seu caminho para a escola, ele botou seus fones no ouvido e deixou qualquer música tocar. Ele fez um caminho completamente diferente e mais longo, apenas para poder evitar de passar por aquele beco. Só de lembrar daquilo, ele já sentia arrepios.
Kurt chegou e, antes que pudesse entrar na escola, ouviu o barulho de uma bicicleta freando bruscamente perto dele. Ele iria se virar para mandar a pessoa olhar por onde anda, mas apenas seguiu seu caminho.
— Hey, você! – Chamou a pessoa e aquela voz era muito parecida com a que Kurt havia escutado na noite anterior. Ele apenas balançou a cabeça e voltou a andar, até que sentiu a pessoa tocar em seu braço. – Você está bem?
Ao sentir aquele toque e aquela voz tão de perto, todo o corpo de Kurt se arrepiou e, internamente, ele desabou em lágrimas.
— O que você quer comigo? Abusar de mim sozinho? Sem seus amiguinhos para assistirem? – Kurt perguntou com certa acidez em sua voz. Ele queria sair logo de perto daquele garoto.
— Não. Se eu quisesse isso, eu tinha te seguido e feito isso em qualquer outro beco ou até mesmo eu teria invadido sua casa para isso. – Respondeu ele.
Agora que era dia, Kurt conseguia observar como o garoto realmente era, diferente da noite passada, onde conseguia ver poucos detalhes.
O garoto tinha a pele um pouco bronzeada, mas bem pouco; cabelos morenos e cacheados; aparentava ter idade próxima a vinte anos; andava com roupas comuns, como uma calça jeans preta e rasgada em algumas partes, uma camiseta branca e um casaco amarrado na cintura. Ele era realmente muito bonito. Era alguém de tirar o fôlego.
— Então o que você quer? – Foi a única coisa que Kurt conseguiu perguntar.
— Eu só queria saber se você está bem. – Afirmou ele. – Eu me chamo Blaine.
— Kurt. – O castanho respondeu seco. – Tirando o fato de que você e seus amiguinhos iriam abusar de mim e que vocês roubaram o meu celular, estou ótimo. Preciso estudar.
Kurt iria entrar na escola, mas Blaine o segurou. Kurt se virou, pronto para estapear a cara de Blaine, mas algo o impediu de fazer isso. Ele só não sabe o que.
— Eu resolvi tomar uma atitude para poder te tirar de lá. Eu posso fazer muita coisa errada, mas estupro não é algo do meu feitio. Se eles quiserem fazer isso com alguém, será bem longe de mim. – Blaine disse e então soltou o braço de Kurt. – Não sei quem pegou seu celular, sinto muito por isso.
— Eu preciso ir para a aula. – Kurt disse novamente, Blaine apenas assentiu e voltou para sua bicicleta, indo embora em seguida.
O Hummel entrou na escola olhando para tudo, mas pensando em nada. Na verdade, ele estava sim pensando em algo. Ou melhor, em alguém.
Blaine.
Kurt não conseguia tirar seus pensamentos daquele garoto. O que tinha de tão especial nele? O Hummel não sabia dizer. Ele só sabia que tinha algo no moreno que chamava – e muito – a sua atenção.
O castanho mal prestou atenção nas aulas, muito menos em Quinn. Quando chegou o turno da tarde, Quinn foi para o ensaio do coral e Kurt preferiu seguir para casa. Ao sair da escola, a primeira visão que o Hummel teve, foi Blaine todo atirado em cima de sua bicicleta. O moreno aparentava procurar por alguém e, quando viu Kurt, fixou seus olhos no castanho.
— Eu estava esperando por você. – Disse Blaine, olhando fixamente nos olhos de Kurt. O castanho tentava evitar o contato visual, pois era quase que impossível ficar tão próximo de alguém tão lindo sem perder o controle.
— É? Por que? – Kurt perguntou, cruzando seus braços e encarando o chão antes de voltar a olhar para Blaine.
— Você vai continuar sendo muito ignorante ainda? Aquilo que aconteceu não foi culpa minha, eu já disse. – Blaine botou a mão no bolso da calça e tirou de lá um celular. – De qualquer maneira, você não precisa mais falar comigo se não quiser. Eu só queria te entregar seu telefone.
— Obrigado. – Kurt disse e ia saindo, mas antes de ir embora ele se virou para Blaine e se aproximou novamente. – Esse obrigado não é só pelo meu telefone. Obrigado por ter me mandado correr.
— Não fiz nada demais. Você nem faz meu tipo mesmo. – Blaine resolveu ser ignorante, já que Kurt tinha feito isso anteriormente não havia problema algum ele agir da mesma forma, havia? – Além do mais, se algo te acontecesse, você que estava no lugar errado. Você não deveria estar por lá naquela hora.
— Nem você. – Rebateu Kurt. – Eu estava voltando da casa de uma amiga, quem estava fazendo coisa errada era você.
Blaine riu debochado e arrumou sua bicicleta para ir embora. Aquela conversa não o levaria a lugar nenhum.
— Desculpa, Kurt, mas você conheceu o demônio. – Kurt ficou pasmo ao ouvir aquelas palavras. – E, pelos seus olhos, aposto que você quer ir comigo conhecer o inferno.
Kurt continuou parado no mesmo lugar, mesmo com Blaine indo embora em sua bicicleta, pedalando lentamente, com uma das mãos no guidão e a outra segurando um cigarro.
Por que Kurt precisava se encantar por pessoas que eram verdadeiros problemas?
[...]
Blaine seguiu seu caminho tranquilamente até sua casa. Ele iria encontrar seus amigos em breve, então aproveitou para passar antes em casa e tomar um banho.
Cooper, irmão de Blaine, estava sempre viajando, então Blaine fazia o que bem entendesse. Mas, mesmo quando Cooper estava em casa, ele pouco ligava para Blaine. Para o Anderson mais velho, se Blaine morresse era capaz até de ele ficar feliz, pois seria uma pessoa a menos para ele bancar.
Blaine subiu as escadas, entrou no seu quarto e tirou sua roupa. Seu corpo estava cheio de roxos por conta da noite anterior.
*FLASHBACK ON*
— Apenas corra, ok? E não olhe para trás. – O garoto castanho assentiu lentamente e saiu correndo como se não houvesse amanhã.
— Cara, você é louco? Ele daria uma ótima noite para nós. – Disse Hunter, um dos amigos de Blaine.
— Você é bem burro mesmo, Blaine. – Reclamou Daniel.
— Ele não queria se divertir com nós. Apenas esperem por alguém que queira. – Blaine se defendeu a acendeu outro cigarro.
— Então quem deveria fazer nós nos divertirmos é você. E ele não vai escapar dessa tão fácil, outra hora nós vamos atrás dele. – Afirmou Hunter e Blaine sentiu que agora ele estava completamente ferrado.
— Deixem ele em paz. – Pediu Blaine, logo sendo empurrado contra a parede.
Por que ele tinha que ser burro e defender quem não conhecia, mesmo?
*FLASHBACK OFF*
Blaine se olhou no espelho por alguns minutos. Ele havia sido obrigado a transar com Hunter e Daniel e eles não tinham sido nem um pouco carinhosos. Eles praticamente espancaram Blaine enquanto se divertiam pela noite inteira, pelo menos não machucaram ele no rosto.
Mas o moreno, por mais que fosse uma pessoa que só se metia em confusão, era contra abuso sexual. Isso já era demais para ele e, por ser contra, ele praticamente havia sido abusado. Praticamente não, completamente.
O pior foi ter passado por algo assim por alguém que ele nem conhecia. Ele se prometeu que ficaria longe de Hunter e Daniel e se juntaria aos seus outros amigos, aqueles que o levaram para o mal caminho quando Blaine estudava na Dalton. Sebastian, Nick e Jeff poderiam ser loucos, poderiam encher a cara todas as noites e consumir altas quantidades de drogas, poderiam até ter influenciado Blaine a fazer o mesmo, mas os três não afetavam ninguém além deles mesmos — e os cabeças fracas como o Anderson.
E pensar que Blaine ainda foi atrás de Hunter e Daniel para pegar se volta o celular de Kurt. Como ele era burro. Bom, ele apenas não queria afetar ninguém além dele mesmo. Claro que ele não tinha sido burro a ponto de entregar o celular de Kurt totalmente intacto. Ele passou um bom tempo tentando encontrar a senha para poder salvar seu número. Ele escreveu uma mensagem de rascunho e deixou salva para Kurt. Assim o castanho tinha seu número. Não que ele realmente se importasse com Kurt e tivesse se metido em duas roubadas pelo castanho apenas por ter o achado bonito, mas seria legal falar novamente com ele.
Com uma vontade enorme de esquecer isso, Blaine se enfiou debaixo do chuveiro e foi tomar seu banho.
[...]
Kurt chegou em casa, pegou seu celular e se atirou em sua cama com seus fones para ouvir música.
Quando ele foi desbloquear o celular ele percebeu que algo estava diferente. Onde estava a senha?
Ele começou a fuçar por tudo no celular, foi em suas mensagens e viu que tinha um rascunho salvo:
"Você tem meu número salvo em sua agenda. Eu posso ser um demônio (não literalmente), mas se você precisar de um super-herói pode me chamar— Blaine".
Fale com o autor