I Bet My Soul
11 XI
Notas iniciais
Fiquei sentada no trono de Crowley, comendo batatas fritas aguardando ele ir atrás de Castiel e Dean para podermos ir até Abaddon. Eu sei que eu poderia trazer o anjo e o caçador até mim num piscar de olhos, mas ordenar o Rei do Inferno era bem mais divertido!
Terence entrou na sala trazendo refrigerante para mim, ele parecia nervoso e só piorava ainda mais quando se aproximava de mim, um patético.
— Sabe que essa expressão de pavor não combina nada com você. – falei pegando o copo de suas mãos – Gostava mais quando você exalava confiança, era bem mais excitante.
— É difícil mostrar confiança perante a criatura que me torturou e agora está sem alma. – ele deu um sorriso trêmulo.
— Por que todo mundo acha que só porque estou sem alma vou sair matando todos por aí? – me perguntei, tomando um gole de refrigerante depois – Eu não sou uma besta, ok?
— Sim. – Terence concordou prontamente – Claro que não, Ravenna.
— Vai agir como um cão agora? É isso mesmo? – o encarei.
— Eu... Er...
— Sai daqui, você é entediante. – abanei a mão para que ele saísse e o demônio foi o mais rápido que pôde.
Voltei a comer despreocupada, sabia que Crowley estava com medo o suficiente para não voltar ali sem os dois patetas ou ao menos para tentar algo contra mim, seria suicídio. Comecei a me perguntar se alguém no mundo se sentiu como eu algum dia, capaz de controlar qualquer pessoa e criatura, capaz de fazer qualquer coisa sem nem pensar nas consequências, apenas fazer, apenas com a consciência do ato, sem nenhum sentimento ou emoção envolvido...
Era magnífico.
Levantei do trono e comecei a andar pela sala, pensando em realmente tomar o Inferno do Crowley, não que eu tivesse interesse em administrar algo, seria apenas pelo poder, apenas porque eu podia fazer aquilo.
Meu celular começou a tocar e eu o peguei, era o número de Dean. No primeiro momento eu estranhei, mas logo atendi.
— Sim? – falei com uma falsa simpatia.
— Ravenna, nós estamos... Com o Crowley. — ele parecia incerto – Pode nos encontrar na estrada de Lebanon para Red Cloud?
— Por que vocês não vem para cá? Tem fritas.
— Apenas venha. — ele desligou.
Quanta ousadia... Dean Winchester acha que é quem para ter desligado na minha cara?
Bom, eu não tinha nada melhor para fazer, então fui encontra-lo na estrada, era um caminho curto, não seria difícil localizar o ponto em que estavam e aparecer lá, então, foi o que eu fiz.
O sol já estava nascendo, nem lembrava mais quanto tempo fazia que eu tinha ido dormir, porque inacreditavelmente o sono chato e humano tinha ido embora. Apareci no canto da estrada, na minha frente estavam Dean, Castiel e Crowley, lado a lado me encarando.
— Pronto, cheguei, onde é o incêndio?
— Olá, Ravenna. – a voz de Abaddon me chamou e eu virei rapidamente em sua direção.
Ela estava parada, me encarando com um meio sorriso, um pouco atrás dela estava Sam, jogado no chão com as roupas rasgadas e ensanguentadas, boa parte de seu pescoço parecia estar queimada e seu rosto estava desfigurado.
Quanta diversão essa mulher teve com ele?!
Dois demônios estavam o escoltando, talvez não para impedir que ele fugisse, o que me parecia bem impossível, mas sim para impedir que alguém o pegasse.
— Pronto, ela está aqui, agora já pode devolver meu irmão. – Dean falou friamente.
— COMO É QUE É? – me virei para ele, estava desacreditada – Você me chamou aqui para me trocar por aquilo? Ficou louco, Winchester?
Com um único movimento da minha mão, o joguei do outro lado da estrada como se fosse um saco de areia. Crowley deu um passo extremamente covarde para trás, diferente de Castiel que empunhou sua espada angelical e ameaçou vir até mim, no entanto, o parei no lugar.
— Ravenna, me solte. – ele grunhiu, paralisado.
— Que tal não? – fui até ele – Vocês acham que eu sou o quê? Acham que podem me trocar por um reles ser mortal e asqueroso? – soltei uma gargalhada – Quanta burrice, Castiel!
Virei-me para Abaddon novamente, ela não parecia ter medo do que eu era capaz, talvez não soubesse ainda, na verdade.
— Hum, talvez eu tenha me enganado sobre você. – a ruiva falou – Não parece mais humana, pelo contrário.
Larguei Castiel e o lancei para longe, fiz o mesmo com Crowley e fui até Abaddon.
— Você não sabe nada sobre mim, Abbie. – sorri para ela – Mas quero que saiba que será um prazer rasgar seu lindo rostinho.
— Oh, quanto a isso... – ela pendeu a cabeça para o lado despreocupadamente e olhou por cima do meu ombro – Você pode conversar com meu novo amiguinho antes.
Virei na direção que ela olhava e dei de cara com um... Garoto. Ele parecia aqueles idiotas que jogam futebol americano no colegial, mas andam com o cabelo loiro sempre arrumadinho, tinha sorriso de panaca e cara de otário... Pois então, aparentemente eu deveria me preocupar com uma coisa dessas.
— O que é isso? – questionei com desdenho.
— Esse é Jesse Turner, ele também é um Anticristo. – Abaddon falou calmamente.
— Ah... Certo. – assenti – E isso deveria me assustar, não é?
— Ouvi falar muito de você, Ravenna. – ele se aproximou de mim.
— Olha aqui, pirralho, nada contra você ou sua cara de comercial de gel para cabelo adolescente, mas... Eu não vou mentir que estava esperando coisa melhor, afinal...
Antes que eu terminasse a frase, o moleque ergueu uma sobrancelha e me lançou do outro lado da pista apenas com sua mente. Saí rolando pelo asfalto até parar bem longe, de fato teria quebrado muitos ossos se fosse uma pessoa normal, principalmente considerando que caí de costas.
Certo, talvez ele fosse forte como eu esperava.
Dean e Castiel já estavam de pé e juntos ao lado de Crowley, o loiro lançava olhares preocupados para Sam, que ainda era escoltado pelos dois demônios.
Levantei com um pouco de dificuldade, bati a poeira da roupa e encarei Jesse, ele continuava com sua feição arrogante de filhinho de papai. Dei um meio sorriso e o ergui no ar, o jogando com toda a força no chão duas vezes seguidas. Ele gemeu de dor no último impacto e Abaddon pareceu preocupada, ela deu um passo para trás e me olhou com temor.
Estiquei meu braço para frente e a levantei no ar, a enforcando. Notei que o anjo e o Winchester mais velho aproveitaram o momento de fraqueza da ruiva e começaram a lutar com os dois demônios, o que não durou mais que um minuto, eles os mataram e pegaram Sam, o erguendo do chão com dificuldade, já que ele mal estava respirando.
— Vamos dar o fora daqui, Cass. – Dean pediu.
— Nem pensar! – Joguei Abaddon para o lado como se fosse uma boneca de pano – Eu não esqueci o que fizeram comigo.
— Ravenna, você tem que entender que... – Dean tentou falar e eu o calei estalando os dedos.
Olhei para o lado e Crowley ainda estava ali, por incrível que pareça ele não fugiu como o maldito covarde que era. Então, juntei os quatro num canto e os deixei presos em seus próprios pés, como se estivessem plantados no asfalto, para cuidar deles em outro momento.
— Vamos voltar para...
Mais uma vez fui atingida. Jesse já estava de pé com o braço estirado na minha direção, dessa vez o impacto apenas me jogou para trás, levantei novamente e corri na direção dele, com as mãos diretamente em seu pescoço. Ele tentava se livrar do meu aperto, mas eu estava usando mais que minha força, tinha muito ódio empregado ali.
— Eu estou nisso há muito tempo, moça. – ele me encarou – Conheço mais truques do que você.
E dizendo isso, Jesse fez com que uma onda de energia emanasse ao redor dele, lançando tudo e todos para longe, até mesmo o quarteto que grudei no asfalto. Eu estava ficando verdadeiramente irritada com aquele garoto e por nada naquele mundo iria deixar que ele me vencesse.
Avistei um carro vindo na estrada e o lancei contra ele, quando o automóvel passou por cima da minha cabeça, pude ouvir os gritos das pessoas que estavam dentro. O carro acertou o garoto em cheio antes de capotar pela estrada e começar a pegar fogo, era óbvio que as pessoas dentro estavam mortas. Abaddon, que até então assistia a cena horrorizada, se levantou e tentou sumir.
Isso mesmo, ela tentou. Eu bloqueei não só sua fuga, mas a de Crowley e Castiel também. Ninguém iria escapar de mim. Caminhei lentamente até os irmãos Winchester, o anjo depenado e o Rei fajuto.
— Como puderam ver aqui, nem mesmo outro da minha espécie foi capaz de me deter. – apontei o corpo de Jesse no meio da estrada e depois me voltei para eles novamente – Vamos conversa sobre esfaquear os coleguinhas pelas costas, coisa que os três sabem fazer muito bem, principalmente comigo.
Puxei Sam pelo colarinho da camisa, mesmo com os protestos inúteis do loiro.
— Largue o meu irmão, criatura desalmada. – ele grunhiu para mim.
— Agradeço o elogio, mas não. – dei uma piscadela e comecei a enforcar o Alce sem desviar meu olhar de seu desespero.
Foi quando aconteceu. Sem que eu percebesse, Jesse pegou um enorme pedaço de vidro de uma das janelas do carro que lancei contra ele e enfiou nas minhas costas, atravessando meu corpo com ele. Larguei o Winchester no mesmo segundo que vi o vidro desregular surgir no meio do meu tronco poucos segundos antes do sangue subir pela minha garganta, me fazendo engasgar com ele e a dor que ia das minhas costas para dentro do meu corpo.
O garoto ficou de frente para mim, enquanto eu tossia e cuspia sangue no chão incansavelmente, ficando tonta e com a visão embaçada, claramente sendo rondada pela morte. Ele ria. Ele apenas estava rindo de mim, se sentindo vitorioso.
Abaddon correu até ele, me deu um sorriso maléfico e socou a cara de Crowley que estava atrás dela. Castiel fez menção de dar um passo em minha direção, mas voltou, ele parecia horrorizado com minha agonia e por um segundo achei que ele quis me salvar, talvez quisesse mesmo, o idiota era misericordioso. Mas o que diriam se ele curasse aquela que estava quase os matando com as próprias mãos?
Morrer estava sendo uma coisa muito irritante, todos me assistindo agonizar no chão começou a me incomodar seriamente e, se eu conseguisse falar, já teria mandado todos saírem para que eu pudesse morrer sossegada.
Fui surpreendida quando um a um foram desviando o olhar de mim para a estrada, eles abriram a boca chocados com o que quer que estivesse lá. Crowley parecia que ia ter um derrame e Sam finalmente demonstrou alguma reação. Castiel exibiu o brilho azul angelical em seus olhos e Dean engoliu em seco, Jesse era o único que não estava chocado, na verdade, parecia confuso. Então, Abaddon deu um passo a frente e sussurrou de tanto choque:
— Lúcifer?!
— Olá, meus queridos. – ouvi a voz do Diabo se aproximando, podia até visualizar seu andar despreocupado – Que festa vocês deram aqui, hein? O que é isso aí no chão? Ravenna? Se levante!
O ouvi estalar os dedos e no mesmo segundo o vidro, os ferimentos, o sangue e a dor sumiram. Levantei rapidamente, me virando na direção dele, realmente estava lá, olhando para cada um como se visse as coisas mais patéticas do mundo.
— O que está fazendo aqui? Como conseguiu escapar do Inferno? – Castiel esbravejou.
— Olá pra você também, irmão. – ele falou com deboche – Vejam bem, eu consegui isso com ajuda da pequena Ravenna e de uma velha amiga minha, Maya.
— Como é que é? – foi a vez de Crowley ficar chocado.
— Ah, você achou que a bruxa estava trabalhando com você quando foram pegar essa preciosidade aqui? – ele se aproximou de mim, agarrando meu rosto com força – Não, não... Ela estava cuidando de tudo para que um dia essa coisinha aqui, com sua alma linda, viesse a minha procura.
— Espera aí, foi tudo manipulado por você e por ela? Oi? – eu estava cada vez mais confusa.
— Sim, veja só, há anos eu trabalho para conseguir sair da jaula novamente, conseguiria fácil com aquele feitiço que Maya usou para te colocar lá dentro... Se eu tivesse um receptáculo, mas não foi o caso, por isso te pedi o Sam. Mas logo notei que você não seria capaz de leva-lo lá, conheço os dois patetas aí. – ele apontou os irmãos – Então eu fui para o plano B, usar a força de uma alma para me tornar capaz de sair.
— Por isso você arrancou minha alma inteira...
— Exato! – ele bateu palmas – E aqui estou eu, pronto para ver o circo pegar fogo, creio que perdi boa parte da briga entre os dois bastardos, mas posso pedir para ver algo melhor...
Lúcifer puxou Jesse para perto e segurou nos nossos ombros, ele fechou os olhos e uma luz amarelada forte começou a rodeá-lo, como se fosse uma aura, então ele a passou para nós, assim como recebemos uma energia extremamente poderosa, que me causou a melhor sensação que poderia existir.
— O que ele está fazendo? – ouvi Dean perguntar para Castiel.
— Eu não sei, mas não é bom... – o anjo puxou os dois irmãos para trás.
— Muito bem. – Lúcifer nos soltou – Fiz um upgrade em seus poderes, estão bem mais poderosos agora e não precisam me agradecer, apenas matem esses dois aí. – ele apontou Crowley e Abaddon.
Eu e Jesse nos entreolhamos e demos de ombros, não seria possível que conseguíssemos matar um ao outro mesmo, então, por que desperdiçar a chance?
— Pode deixar. – sorri abertamente, olhando para Crowley.
Fale com o autor