I Believe
8 Capítulo 8
Notas iniciais
PDV CALLIE
Desde o dia que vi Arizona sendo beija por aquela mulher, não conseguia tirar ela dos meus pensamentos, ao lembrar que senti sua pele encostar-se à minha durante a dança no bar e o que me deixava ainda mais mexida foi ter sentido seus lábios macios, sei que foi um beijo meia lua mas mesmo assim tive uma gostosa sensação ao lembrar.
Eu estava completamente fascinada por aquela mulher, ela parecia uma obra prima esculpida milimetricamente com perfeição,"meu deus essa mulher ainda vai ser minha morte." Digo pra mim mesma.
–TORRES!!- Mark grita me tirando do meu devaneio.
–Ai que susto Mark- respondo, colocando uma mão no peito.
–Onde você estava com a cabeça, posso saber?- ele pergunta arqueando uma sobrancelha e da um sorriso encantador, para que pudesse receber sua resposta.
–Não estava em lugar algum, estava apenas olhando para o tempo- minto.
–Tudo bem Callie. Já lhe falaram que você é uma péssima mentirosa?- pergunta, brincando e abrindo sorriso.- Mas quando quiser falar o que se passa na sua cabeça, pode contar comigo.
Desde do dia que conheci Mark no PS, não nos separamos mais, vi nele algo que me completava, o carinho que sentia por ele desde então era enorme e aumentava com o passar dos dias, nos tornando realmente amigos. Ele tinha sua fama de galinha, de pegador, não tinha uma enfermeira naquele hospital que o "McSteamy" não tivera levado para a cama.
Mark dava em cima das mulheres descaradamente, perdi as contas das vezes que se insinuava pra mim, mas sempre levei na brincadeira, e as vezes brigava com ele por passar um pouco dos limites.
Por mas que Mark me deixava confortável, ainda não me sentia a vontade de falar dos meus sentimentos assim abertamente com ele. Principalmente certa pessoa, que nos últimos dias rondava minha mente freneticamente.
–Você esta viajando de novo Torres? — pergunta me dando uma cotovelada no meu braço.
–Eu?- pergunto de volta me fazendo de desentendida.
–Não, a Arizona.- ele retruca brincando. Viro-me para trás para ver se a mulher que ele acabara de falar estava por perto.
– Estou apenas refazendo minha lista de compra mentalmente. — minto com um sorriso fraco nos lábios ao ver que a mulher não estava por ali.
A hora passou rápido depois do almoço, devido as três cirurgias que fiz, fazendo as horas passar voando. Faltavam alguns minutos para o termino do meu plantão. Caminho pelo corredor rumo ao vestiário, chego depois de algumas curvas.
– NUNCA IMAGINEI QUE SEU CIUME PODERIA CHEGAR A ESSE PONTO DE SER TÃO FRIA. ELE ESTA SOFRENDO, EU ESTOU SOFRENDO. — Essa voz era familiar. Ouço essa discutição antes mesmo de adentrar o lugar. E parecia que a coisa era seria, fiquei indecisa se entrava ou não ali.
–VOCE SEMPRE SOUBE QUE EU ERA DESSE JEITO. E SABE DE UMA COISA? NAO VOU FICAR AQUI COM VOCE E SEU PITI! Também conheço a dona dessa voz.
Logo a porta se abre e uma loira alta sai pisando forte no chão de raiva ou ódio que sentia. Respiro fundo e entro. Me deparo com uma cena completamente deprimente pra mim.
No canto da parede sentada encolhida, havia uma mulher chorando como um bebe completamente indefeso, seu cabelo dourado cobria boa parte de seu rosto, mas mesmo assim sabia quem era.
–Ei, esta tudo bem?- pergunto caminhando em sua direção. Mas o seu choro continua, e eu fico sem resposta.
Chego bem próximo a loira e não êxito em tocá-la pra chamar sua atenção, ela se assusta e arruma sua posição, mas continuou com a cabeça baixa para esconder seu rosto. Levanto seu rosto delicadamente com as pontas do meus dedos e olho em seus olhos perfeitamente azuis, que ficaram ainda mais azuis por conta do seu choro.
–Ei, o que você tem? Você esta com alguma dor?- pergunto com uma dor enorme no meu peito em ver aquela mulher chorando, sofrendo na minha frente.
–Na... Não foi nada, eu... Eu estou bem. — ela responde ainda soluçando.
Levanto-a do chão e a coloco no banco próximo. Pego uma água e dou para beber para se acalmar um pouco. Sento ao seu lado e faço um afago em suas costas para passar um pouco de tranqüilidade. Ficamos assim por um tempo sentadas ali na mesma posição, e aos poucos seu choro vai cessando. Não sabia mas o que fazer, e nem o que eu estava fazendo, mas foi uma coisa impulsiva.
–Ai meu deus tenho que buscar a Mel na creche. — ela fala olhando o relógio e dando um pulo do banco.
–Calma voce esta melhor?-digo com a mão no peito devido ao susto que acabara de levar com o pulo que ela deu. — Vamos te faço companhia, tenho que ir embora mesmo.
Trocamos-nos rapidamente, e caminhamos para fora sem se quer trocar uma palavra, apenas alguns olhares de canto. Sem perceber acabei indo ate a creche com ela buscar a menina. Em alguns segundos a menina apontou na porta com um sorriso lindo no rosto, seus olhos são a coisa mais linda assim como os da loira, a semelhança entre elas era bem nítida.
–Mamãe, estava com saudades.- a menina disse abraçando a cintura da mulher. — Quem é ela mamãe? -Ela pergunta com um olhar bem curioso.
–Ela é uma amiga nova do trabalho. — a loira fala sem jeito.
–Oi, meu nome é Callie. — comprimento a pequena que estava agarrada as pernas da mãe com vergonha.
Ela abriu um sorriso tímido pra mim e começamos a fazer o caminho de volta para chegarmos ao estacionamento, durante nosso caminho a menina andava brincando de passos sincronizado ao nosso, algumas curvas depois chegamos ao estacionamento, me despeço das duas e sigo para meu carro.
Ao passar por elas novamente já dentro do meu Corola vermelho vejo uma loira muito brava e uma menina assustada olhando para mãe. Paro o carro imediatamente e vou ver o que estava acontecendo, pois os olhos da menina estavam completamente amedrontados.
–Aconteceu alguma coisa?-pergunto tocando em seu braço, pois o nervosismo da mulher era tanto que nem percebeu minha presença.
–Você me assustou. — a loira fala colocando uma mão em seu peito.
–Desculpa não foi minha intenção.- sussurro tão baixo que ate eu mal posso ouvir.- Mas o que aconteceu? Posso te ajudar?
–A minha mulher deve ter furado os pneus do carro, ela sabia que hoje eu levaria Melody para ficar com o pai depois do meu plantão.
–Ok, vamos fazer o seguinte, eu dou uma carona pra vocês. — ofereço ajuda.
–Mas não precisa, eu dou um jeito.- ela nega a minha ajuda, com um receio em sua voz.
–Vamos Melody entre no carro da tia Callie, vou levar vocês pra casa.- digo gentilmente para a garota e arqueando um sobrancelha para loira, para ela não retrucar e apenas entrar no carro.
Ela entra um pouco envergonhada, me dando um sorriso simples, dou partida no carro novamente e seguimos o caminho a fora. O céu estava turvo com o inicio da noite que chegava, as estrelas começavam a aparecer. Melody olhava pela janela do carro a paisagem, ela parecia estar mergulhada em conto fadas pois seu sorriso era enorme conforme ela fechava os olhos sentindo o vento bater em seu pequeno rosto. Tento puxar assunto para quebrar aquele silencio, mas a blondie não estava muito afim de papo, então decido colocar uma musica para descontrair já que o transito me pegou de surpresa depois que virei para a avenida principal.
–Adoro essa música. -digo assim que uma nova musica começa a tocar na radio. Começo a cantar, Arizona olha para mim e abre um sorriso, mas entusiasmado, e começa a cantar também.
You're the light, you're the night
You're the color of my blood
You're the cure, you're the pain
You're the only thing I wanna touch
Never knew that it could mean so much, so much
You're the fear, I don't care
'Cause I've never been so high
Follow me to the dark
Let me take you past our satellites
You can see the world you brought to life, to life
So love me like you do, lo-lo-love me like you do
Love me like you do, lo-lo-love me like you do
Touch me like you do, to-to-touch me like you do
What are you waiting for?
Fading in, fading out
On the edge of paradise
Every inch of your skin is a holy grail I've got to find
Only you can set my heart on fire, on fire
Yeah, I'll let you set the pace
'Cause I'm not thinking straight
My head spinning around, I can't see clear no more
What are you waiting for?
Love me like you do, lo-lo-love me like you do
Love me like you do, lo-lo-love me like you do
Touch me like you do, to-to-touch me like you do
What are you waiting for?
Sinto um arrepio quando canto essa musica, parece que ela contava exatamente sobre os meus sentimentos e o que eu gostaria de fazer com a mulher ao meu lado. Depois dessa canção parece que a loira ficou mais descontraída, nem parecia que tinha chorado meia hora antes, pena que o trânsito fluiu me fazendo chegar a porta de sua casa cinco minutos depois.
Meu corpo gela quando vou dar um beijo em seu rosto e em um movimento atrapalhado ela se vira fazendo o beijo pegar em sua boca, me afasto rapidamente e olho para o banco de trás e vejo que a menina estava dormindo, dou graças a deus por isso, e volto minha posição anterior desviando o olhar da loira a minha frente com muita vergonha, sentia minhas bochechas queimarem, desço do carro para ajudar a pegar a menina que dormia.
–Me desculpe pelo o que acabou de acontecer. -peço
–Não foi nada, afinal a culpa foi minha, eu que virei o rosto. — ela fala dando de ombros.
Abro a porta do carro, para que ela pegue a pequena, ajudo com as bolsas colocando em seu braço e nos despedimos mais uma vez, mas agora eu que recebo um beijo em minha bochecha. Como essa mulher mexe comigo, achei que iria agarrar ela ali no carro hoje. Fico ali com meus pensamentos e a música que tocava na rádio até chegar em casa.
– Até que fim em casa, lar doce lar...
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