I Believe
20 Capítulo 17
Notas iniciais
PDV CALLIE
*3 dias depois*
Não aguento mais ficar aqui nesse quarto, não tem nada para fazer, e nenhum canal passa algo do meu agrado, nem sei por que tenho que ficar aqui? Estou me sentindo ótima e que eu saiba meus exames estão ótimos, só essa amnesia que ficou, mas tenho certeza que uma hora lembrarei-me de tudo.
–Callie essas flores são para você. — uma enfermeira entra no quarto com um vaso com de Amarílis.
–Pra mim?- pergunto
–Uhum, e tem um cartão também. — ela coloca em cima da mesinha que fica próxima da cama.
–Obrigada. — agradeço e a mulher sentiu com a cabeça me da um sorriso e sai do quarto.
Pego o cartão para saber quem havia me mandado as flores.
“Sei que não se lembra de mim, mas essas flores é símbolo da minha gratidão por ter salvado a vida das pessoas mais importantes da minha vida”. Desculpa não ter ido entregar pessoalmente, mas não sei se você aceitaria minha presença, já que não sabe quem sou.
Arizona Robbins.
Mesmo não fazendo a menor ideia de quem ela era pra mim, uma felicidade tomou conta do meu corpo me deixando mais animada. Resolvo dar uma volta pelo hospital para esticar um pouco as pernas e quem sabe me lembrar de algo. Caminhos pelos corredores observando cada detalhe e me sinto familiarizada com o ambiente, não sei se é por causa da minha profissão ou porque estava reconhecendo de alguma forma o lugar.
–Callie meu amor. — ouço uma voz masculina me chamar me viro e me deparo com um homem vindo em minha direção, ele era branco de cabelo castanho e estatura mediana.- Estava lhe procurando, fui no seu quarto e uma enfermeira me disse que você tinha ido dar uma volta pelo hospital.- ele me abraça e me da um selinho, fiquei confusa com a atitude do rapaz.
–Me procurando? Quem é você?- pergunto sem reconhece-lo.
–Sou eu meu amor George. — mesmo ele revelando seu nome fico com aquela cara de interrogação. — Seu marido Callie.
–Meu marido?- pergunto sarcástica junto com uma risada nervosa. — Desculpa, mas quanto tempo estamos casados?-pergunto ainda não acreditando nesse fato.
–Três anos, mas nos conhecemos já faz muito tempo. — ele entrelaça nossos braços e caminhamos para meu quarto.
–Mas como você só apareceu hoje aqui?-pergunto virando para olhar seu rosto. — Porque estou aqui ha três dias, e você não me parece estar preocupado comigo. — paro de andar solto meu braço do seu e cruzo na frente do corpo, arqueio minha sobrancelha e bato meu pé no chão balançando minha perna esperando sua resposta.
–Callie ocorreu alguns problemas na empresa. — continuo na mesma posição e cerro meus olhos, sua resposta não me convenceu. — Callie, por favor, vamos para seu quarto, precisamos conversar.- Ele pede, e sem entender direito por eu esta tão desconfiada dessa maneira, volto a trilhar o caminho para meu quarto.
PDV ARIZONA
Abro meus os olhos lentamente, me espreguiço ainda deitada e olho para o lado, vendo Melody dormindo serenamente, tiro uma mecha de cabelo que cobria seu rosto atrás de sua orelha e dou um beijo em sua bochecha. Desde o acidente das balsas Mel ficou um tanto traumatizada e tendo alguns pesadelos durante a noite, então preferir deixa-la dormi comigo, assim se sentiria mais segura e eu fico mais tranquila por ela esta ao meu lado, porque não iria consegui dormi sabendo que minha menininha teria pesadelos em seu quarto.
Levanto com cuidado da cama para não acordar Mel e sigo para o banheiro. Tiro minha camisola e entro no Box para um banho, abro o chuveiro e a agua morna começa a cair sobre meu corpo, me dando certo relaxamento, coloco minhas mãos sobre meus ombros e a perto minha musculatura que esta tensa, aperto algumas vezes para aliviar aquela tensão, começo ensaboar meu corpo e minha mente voa para certa latina, fazendo-me lembrar da noite maravilhosa que tivemos ao lembrar-me das sensações que tive ao seu toque meu corpo todo se arrepia mesmo com a aguar morna caindo sobre ele, pego meu shampoo de camomila pra lavar meu cabelo e fecho meus olhos para enxaguar, nesse momento vejo nitidamente a cena de Callie nua a minha frente, cruzo minhas pernas na tentativa de amenizar a excitação que surgia, abro meus olhos e balanço minha cabeça para me livra desses pensamentos, desligo o chuveiro me enrolo na toalha e enrolo outra no cabelo e saio do banheiro.
Entro no meu closet e pego uma calca jeans clara e uma blusa de manga comprida preta, procuro por alguns instantes minhas botas e lembro que tinha as deixados no quarto de hospede, saio do meu quarto e sigo em pontas dos pés ate o quarto para pegar as botas, abro a porta lentamente para não acordar Lauren, mas ao olhar pra cama ela já não estava mais, pego minhas botas e saio. Vou para a cozinha preparar meu café e o de Melody, ao entrar no local avisto Lauren sentada na mesa com um xicara na mão.
–Eu fiz café, esta na cafeteira e também preparei o café de Melody. — Diz a loira levando a xicara na boca. — Pode tomar eu não coloquei veneno. — ela me da um sorriso sádico
–Obrigada Lauren. — digo caminhando ate o armário para pegar uma xicara. — Você já achou uma casa?-pergunto, me servindo do liquido negro.
Há uns dois dias atrás tive uma conversa com Lauren avisando que não daria mais certo ficarmos na mesma casa, para evitar conflitos pedir para ela ir embora.
–Já Arizona, não se preocupe, ate semana que vem você não ira ver minha cara. — Retruca Lauren soltando faíscas pelos olhos.
–Pra falar a verdade ate estranhei você esta por aqui hoje. — digo dando um olhar de soslaio. — Porque ultimamente você não para em casa.
–Mas quem não dormiu em casa há três dias não foi eu e sim você. — Lauren cospe as palavras.
–Tenho o direito de me diverti também Lauren. — dou um sorriso e uma piscadela. — Se bem que eu vi... Você também estava se divertindo no mesmo dia. — sou sarcástica.
–Eu aproveito minha vida Robbins. — ela se levanta da mesa e vem em minha direção e me da um beijo na bochecha, reviro os olhos com tal atitude.
–E graças a você, acordei e resolvi curti a minha. — dou o ultimo gole no café. — Vou arrumar as coisas da Mel preciso ir trabalhar. — traço meu caminho para fora da cozinha.
–Vai arrumar por quê? Cadê a babá?-pergunta e eu paro na entrada do corredor.
–Esta com problemas na família e teve que viajar. -Respondo. — E também ela estava ficando com Nick. -Digo com tristeza ao me lembra de que ele ainda estava internado. — E também não tive tempo de procurar outra.
–A claro o Nick, ele é ótimo. — diz irônica- Ele cuida tão bem de Melody que ela esta ótima e sem traumas. -Ela da um sorriso forçado- E quando você pretende me contar o que aconteceu com a minha filha Arizona?- pergunta.
–Nick cuida muito bem de Melody, e ele não teve culpa do acidente. E acho que você conhece a palavra acidente?!- caminho em sua direção parando na sua frente.- Ela é nossa filha Lauren.- concluo.
–Tudo bem Arizona é nossa filha. — a loira fala erguendo suas mãos pra cima em sinal de rendição. — Por que você não me contou o que aconteceu no dia? Fiquei sabendo por alguns internos. E quando fui lhe procurar me disseram que você tinha ido para píer. E você também não me contou no dia que conversamos, sobre minha mudança de casa.
–Desculpa-peço. — Aquele dia foi cheio. — a imagem de Callie sendo ressuscitada a minha frente passa diante dos meus olhos. — E não disse depois, pois sabia que iria dar um chilique como agora... Preciso mesmo arrumar as coisas da Mel. — disfarço e saio.
Fui para o quarto de Melody e arrumei suas coisas dentro da bolsa e separei uma roupa para vesti-la, segui para meu quarto para acorda-la. Acordei minha boneca e coloquei no banheiro para tomar seu banho, lavei seus cabelos, ensaboei todo seu corpo e depois enxaguei, fechei o chuveiro e voltamos para o quarto de Melody para troca-la.
–Mamãe?-chama a menina.
–Oi?-pergunto.
–Quero ir de botas também. — ela diz apontando para meus pés.
–Ok, vou procurar as suas, mas antes deixa eu te trocar.
Troco à garotinha, colocando uma meia-calça branca e um vestido lilás com um, sobretudo da mesma cor, penteio seu cabelo e faço duas trancas, uma de cada lado e ajeito sua franja para o lado. Levo Melody para cozinha para que ela tome seu café. A menina conversa com Lauren enquanto saio à procura de suas botas, assim que as encontro vou para a cozinha e vejo que Mel já tinha terminado seu café, coloco as botas na minha filha nos despedimos de Lauren e saímos. Entramos no meu carro e seguimos para o hospital, olho no relógio digital do painel 07h20min e meu plantão só começaria as 08h00min, o percurso ate o hospital não demoraria muito. Decido para em uma floricultura e comprar algumas flores para Callie, sei que ela não se lembra de mim, mas gostaria muito de agradecer pelo que fez por Melody e Nick. Melody me ajuda escolher entre algumas opções que a vendedora me apresentava e optamos pelo vaso com Amarílis. Entramos no carro novamente, Melody entra no banco de trás e segura o vaso em suas mãos. Cerca de cinco minutos depois chegamos ao hospital, levo Melody para a creche do lugar, que logo quando viu Zola já se juntou para brincar.
Sigo para o quarto da morena a fim de lhe entregar as flores, mas ao chegar à porta vejo que ainda estava dormindo, fico sem jeito de entrar e colocar as flores ao seu lado na mesinha. “Se de repente ela acorda, com uma desconhecida ao seu lado e começa a gritar." Vou ate ao balcão onde ficam as enfermeiras e peço para entregar assim que ela acordar, pego o envelope com o cartão do meu bolso e escrevo algo para agradecer à morena e também me desculpar por não entrega-las pessoalmente.
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Assim que sai da cirurgia a interna Murph veio me avisar que Nick havia acordado e gostaria de me ver, depois de sua cirurgia o ortopedista que estava de plantão substituindo Callie no momento de sua ausência, resolveu deixa-lo sedado, para não sentir dores, porque a morfina já não estava adiantando, os tumores já havia se espalhado para alguns órgãos, inclusive o coração, dificultando a sua função de bombear sangue para o corpo inteiro, essa cirurgia demorou horas, Bailey e Yang tentaram de tudo para retirar o máximo de massas possíveis, mas já havia se espalhado o suficiente para a cirurgia ou quimioterapia dar jeito. “Como pode coisas assim acontecer? Nick sempre foi saudável e agora esta com câncer, mas o pior de tudo é que Nick não procurou ajuda quando descobriu e escondeu de todos agravando seu caso por estar em um estagio avançado."
Faço meu caminho pelos corredores ate dar de cara com uma cena nada agradável, um homem beija a boca de Callie, paro a poucos metros de distancia e observo a cena dos dois conversarem algo e em seguida saem de braços dados, meus olhos começa a lagrimejar e uma ponta de ciúme aparece dentro de mim, balanço minha cabeça para tirar tal imagem da minha mente e começo traçar passos rápidos ate o elevador, aperto o botão, mas parece que aquela caixa de metal nunca chega, decido ir pelas escadas, corro com a raiva correndo por meu corpo, em menos de um minuto já estava à porta do quarto de Nick.
–Hey Arizona. — Meu amigo me cumprimenta com um sorriso e eu retribuo com um sorriso fraco. — O que aconteceu Ari?-me pergunta e eu murmuro um "nada" como resposta. — Não tente me enganar Arizona, eu te conheço muito bem, pra você tentar me esconder algo com apenas esse sorriso forçado.
Aproximo-me da sua cama e sento na poltrona ao seu lado e conto tudo desde o começo do que havia acontecido entre eu e Callie ate o ocorrido de alguns instantes atrás.
–Eu quero que você me prometa uma coisa. — Nick segura minha mão e olha no fundo dos meus olhos, e apenas aceno que sim com a cabeça. — Se você ama alguém, diga. Mesmo se você está com medo de que não é a coisa certa, mesmo se você está com medo de que ele vai causar problemas, mesmo se você estiver com medo de que ele vai queimar sua vida e levar para o chão, você diz isso, e diga em voz alta. E então você deve ir. — ele acaricia minha e eu me aproximo com lagrimas nos olhos e dou um beijo em sua testa. — Agora cadê minha filha?- pergunta entusiasmado.
–Está na creche Nick. -Dou um sorriso mais animado.
–Eu quero vê-la Arizona, onde fica a creche? Porque eu vou ate lá ver minha princesa. — Nick fala tentando levantar da cama, mas impeço.
–Eu vou busca-la, e você fique ai quietinho Nick. — dou um beijo em seu rosto e saio.
Ao chegar à porta do quarto de Nick com Melody no colo me deparo com uma interna fazendo massagem cardíaca no seu peito e os monitores apitando freneticamente, tampo a visão de Melody para ela não presenciar aquela cena, mas foi tarde demais ela já tinha visto e começou a chorar de desespero, fico sem saber o que fazer por alguns segundos, perdida na minha dor de ver a minha filha chamando pelo pai e ele não poder atendê-la. Peço para uma das enfermeiras que estava passando por eu levar Melody de volta para creche, entro no quarto e assumo o lugar da interna fazendo massagem cardíaca, uso os desfibriladores três vezes e injeto adrenalina, mas ele não volta, vejo meu amigo e pai da minha filhar morrer em minhas mãos, me sinto completamente incompetente de não poder salva-lo.
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