I Believe
45 Capitulo 41
Notas iniciais
“O corpo humano é um mistério, por mais que os médicos venham estudando ele ao longo dos anos o corpo continua sendo um mistério pelo simples fato de que cada organismo reage de uma forma diferente. Por exemplo: duas mulheres com a mesma idade, tipo físico, aparência, entre outras características parecidas, resolvem fazer o mesmo tipo de cirurgia, no mesmo dia e horário, os médicos que fazem o procedimento levam praticamente o mesmo tempo para terminarem a cirurgia e em seguida elas vão para o quarto, trinta minutos depois apenas uma acorda da anestesia, apenas uma se recupera bem, apenas uma sai do hospital, sabe por quê? Porquê embora tudo nelas sejam parecidos seus organismos são diferentes e reagem de maneiras diferentes.”
Depois de encaminha Callie para outro hospital Arizona ficou ao lado da mulher amada por algumas horas enquanto tentava entrar em contato com sua família, ela não conseguiria largar a morena após aquela confusão toda. Ela ficou um bom tempo encarando o rosto pálido da latina por conta da grande quantidade de sangue que foi perdida durante a cirurgia, mesmo Maura e Miranda ter colocado bolsa de sangue durante o procedimento não foi o suficiente para suprir a quantidade de sangue que se perdeu. A loira ligou para sua casa para avisar que chegaria mais tarde que o costume, pois havia tido um imprevisto, pediu para conversar com a filha por alguns minutos e a babá prontamente esticou o telefone para a menina.
—Alô?
—Oi meu amor, tudo bem?
—Sim. Estou com saudades.
—Eu também meu anjo, mas prometo que mais tarde estou em casa, mas não me espera acordada, seja uma boa menina e vá para cama na hora que for mandada, okay?
—Pode deixar, estou apenas terminando de assistir “A Pequena Sereia” e vou pra cama.
—Tudo bem , te amo.
—Também te amo.
Assim que terminou a ligação olhou as horas no visor e suspirou pesadamente, ela se sentia fraca, impotente, lágrimas queimavam seus olhos querendo brotar, mesmo fazendo um esforço para que elas não caíssem, concluiu que foi uma tentativa em vão; elas rolaram por seu rosto em silêncio, em poucos segundos elas se tornaram uma enxurrada, os pingos que deslizavam em seu rosto morriam ao cair em seu uniforme azul. A loira olhou com pesar para a morena, acariciou seu rosto frio, ela estava viva, mas estava tão gelada que parecia morta, o barulho dos aparelhos que ela estava ligada à incomodava, mesmo acostumada com os barulhos, aquela situação estava bem perturbadora. Sem forças para ficar ali e ver Callie sofrendo ela se levantou e foi ao posto das enfermeiras, queria saber se alguém conseguiu entrar em contato com a família da latina. Uma das mulheres que estava a postos lhe informou que conseguiu falar com a irmã, que em breve a mesma chegaria ao hospital, Arizona pode respirar mais aliviada ao saber que Ária que viria, pois ela não saberia agir em frente dos pais de Callie. Como ela iria explicar o que aconteceu? Ela não queria mentir, mas também sabia que os pais da morena são bem rígidos e possui uma visão fechada para o amor entre pessoas do mesmo sexo. Como Arizona sabia disso? Callie havia lhe contado uma vez quando ela estava pensando em apresentar a morena para os pais, a ortopedista ficou feliz que poderia conhecer os sogros, mas também triste pois não poderia fazer o mesmo por conta de seus pais serem um tanto quanto mente fechada, por serem católicos fervorosos, que seguem a bíblia na risca. Portanto ela realmente não saberia como agir diante os pais dela, não depois de ter sido a namorada de Callie, não quando se possui sentimentos pela morena; da vez que se viram em Los Angeles era algo novo, a loira gostava de Callie, na verdade a amava, porem estar ali durante o jantar era uma aventura, esconder os sentimentos para os sogros era um jogo delicioso. Mas as coisas agora eram completamente diferentes, como ela iria contar para eles que a filha levou um tiro em seu lugar, colocou a própria vida em risco, perdeu um filho para poder salva-la, difícil, né? Arizona voltou para o quarto junto com uma das enfermeiras, pois era a hora da medicação de Callie, ela observou a mulher fazer seu trabalho, para tentar se distrair pegou o prontuário da morena para ler, assim também saberia o que realmente aconteceu com a morena. Lia cada linha atentamente. Callie estava em coma induzido, pois ela não suportaria a dor se estivesse acordada, sua situação era crítica, estava estável, mas ainda corria risco, ela ficou ali lendo por mais algum tempo, ate ouvir uma batida na porta ao olhar em direção de onde ouviu o barulho, pode ver Ária, ela estava com os olhos vermelhos e algumas lagrimas escorria pelo seu rosto, a morena sorriu fraco para a loira, Arizona se levantou para cumprimenta-la, Ária se jogou em seus braços e desabou, soltou aquele choro que estava preso em sua garganta, a pediatra massageou suas costas para tentar passar algum conforto para a Torres mais jovem. A jovem latina sentou na beirada da cama, acariciou e beijou o rosto da irmã, enquanto ela ficava ali Arizona contou o que havia acontecido, Ária entrou em choque.
—Callie estava gravida? – perguntou surpresa -Como ela pode esconder isso de mim? – olhou para o rosto pálido da irmã e voltou a acaricia-lo. – Poxa Callie, você sabe que pode contar comigo para tudo, por que não me contou que estava gravida daquele traste? – Ária mordeu a língua ao perceber que havia falado demais. Olhou para a loira que estava á sua frente e viu a mesma a fitar com as sobrancelhas erguidas. – Olha, eu não sei se devo lhe contar isso, sei que ela te ama, mas também sei que ela que deve contar para isso para você, e se ela não contou provavelmente ela teve algum motivo. – explicou.
—Tudo bem. – a loira disse tristonha.
*Duas semanas depois*
Callie ainda permanecia no hospital, Arizona a visitava todos os dias depois de seu plantão, chegou a revezar algumas noites com Ária, seus sogros ficavam durante a manhã com a morena no hospital, aos poucos tudo voltava ao normal, e eles se apegavam ainda mais na melhora da morena, ela se recuperava bem, os medicamentos estavam fazendo efeito. Porem nem tudo são flores, um dos médicos decidiu fazer uma reunião, pois havia algo errado com Callie, mesmo os remédios fazendo efeito ocorria algo que não a deixava se recuperar de uma vez. Por isso foi convocada uma reunião com os familiares da morena para poderem decidir o que fazer com a sua situação.
—Boa tarde. – cumprimentou o medico quando a família Torres entrou em sua sala.
—Boa tarde. – devolveram em uníssono.
—Bom, como vocês sabem, Callie teve um aborto espontâneo devido o trauma que teve, as medicas que a atendeu no momento fizeram de tudo para segurar a criança, mas infelizmente não pode salva-la, elas tiveram que optar: salva a senhorita Torres ou tentar salvar os dois, mas isso também poderia ter a levado à óbito. Então por conta desse aborto Callie sofreu um trauma muito grande em seu útero, ele não esta para uma nova gestação, nem agora, nem daqui alguns anos, fora que ele esta prejudicando sua melhora, por isso ainda estamos a mantendo em coma induzido, pois ela não suportaria as dores das contrações diárias para que seu útero volte ao tamanho normal, mesmo medicando para que isso aconteça ele fica cada vez maior, por isso fiz essa reunião, pois o mais sensato a fazer no momento é uma histerectomia, mas antes quero saber também se vocês pretendem guardar alguns óvulos dela congelado, para que se futuramente ela possa ter filhos por barriga de aluguel. – Todos ouviram as palavras do médico com lagrimas nos olhos. Ária que sabia de toda a verdade bufava de ódio de George, do atirador e ate de Arizona naquele momento.
—Eu quero que congele os óvulos dela. – Ária foi a primeira a falar. – Sei que um dia Callie vai querer ter filhos, então eu voto pelo congelamento.
—Eu também voto pelo congelamento. – Carlos concordou. Lucia foi a única que se manteve calada. Ária e Carlos olhou para a mulher que apenas acenou com a cabeça em sinal de sim.
—Muito bem, hoje eu já vou entra com os hormônios para que ela produza os óvulos e assim que colhemos faremos a cirurgia. – concluiu o médico.
—Tudo bem. – todos concordaram em uníssono.
Os pais de Callie chegou dois dias depois do ocorrido, Ária não estava conseguindo entrar em contato com eles, os dois estava em Londres resolvendo alguns problemas com a companhia da filial de seu hotel, por conta das inúmeras reuniões Carlos estava totalmente fora de contato, já Lucia estava passeando como sempre faz durante as viagens, ajuda com algumas poucas coisas, como arrumar a roupa do marido para as reuniões, reserva alguns restaurantes e aparece como a esposa modelo durante os jantares de gala que iam. Mas tudo mudou quando a caçula ligou para contar o que havia acontecido à Callie, imediatamente eles cancelaram todos os compromisso e pegaram o primeiro voo ate Seattle, a preocupação que Carlos sempre teve com as filhas triplicou depois que ouviu o que a filha mais nova contou, Ária resolveu não contar a historia toda, pois que deveria fazer isso era a própria Callie, ela não mentiu, apenas omitiu alguns fatos, como o estupro de Callie que resultou na gravidez e o namoro com a loira que sempre ia visitar sua filha no hospital, pra ele elas eram grandes amigas, e sentiu um certo orgulho ao saber que a filha se sacrificou para que uma criança não ficasse órfã. Embora seja uma loucura para ele admitir que a filha era uma heroína, pois ele tinha medo de perde-la, de nunca mais vê-la sorrindo, de vê-la espalhando alegria por onde passava, momentos da infância de sua filha passou por sua mente e lhe fez se sentir deprimido, pois não acompanhou seu crescimento, quando ele se deu conta perdeu a melhor parte da vida da filha, e hoje ela já era uma mulher formada, com personalidade forte, orgulhosa, pois ele sabia que acontecia algo de errado e por ter um orgulho tão grande quanto sua bondade não procurou ajuda, ele se sentiu culpado pelas vezes que á obrigou a fazer algo que ela não queria. Fez promessas diante do corpo inconsciente da filha, prometeu lhe apoiar, lhe dar mais atenção, prometeu ama-la acima de todas as coisas. Lucia por sua vez apenas queria que aquele inferno passasse, queria explicações, queria que sua filha acordasse e lhe contasse o que aconteceu pois ela queria saber por que a filha dela fez essa loucura, a matriarca da família era rígida e fria, mas seu coração de gelo derreteu ao ver a filha ligada a aparelhos, debilitada, pálida e fria, como já estivesse sem vida. Ela sentiu como o mundo desabasse diante de sua cabeça, não conseguiu ficar muito tempo no quarto, logo voltando para o hotel onde estava hospedada, se negou ficar no apartamento da filha alegando que não se sentiria bem, estar ali sem a mais velha. Ao passar dos dias ela ia mais no hospital, ficava o tempo da visita e depois voltava para o hotel, já Carlos só ia embora quando Ária chegava para assumir seu posto de acompanhante, para pegar o turno da noite.
Mais alguns dias se passaram e Callie já havia feito a cirurgia e hoje era o dia que ela sairia do coma, todos estavam animados para que a morena acordasse logo, Arizona estava a flor da pele pois a irmã da morena havia lhe ligado para contar a novidade, ela queria largar tudo e ir para o hospital, mas infelizmente não poderia, porque tinha três cirurgias importantes, mas prometeu que assim que saísse do seu plantão passaria no hospital para ver a amada. Os Torres estavam no quarto apenas aguardando o médico responsável chegar para poder acordar Callie, cinco minutos depois o homem com um jaleco branco, cabelos grisalhos e a barba bem-feita entrou no quarto cumprimentando todos presentes.
—Eu vou tirar o sedativo que a matem dormindo e aplicar outro para que ela possa acordar, ela vai ficar meio grogue e perdida, farei algumas perguntas e de acordo com suas respostas ela se manterá acordada e não precisaremos a induzir novamente. Seu corpo se recuperou bem depois da cirurgia, ela reagiu super bem aos medicamentos, como eu disse só a mantemos em coma, pois ela não suportaria as dores se estivesse acordada, hoje resolveremos sua situação, e daremos um pequeno prazo para ela voltar para casa assim que vemos como ela passara a noite. — todos sorriram satisfeitos com a notícia. Assim como havia dito ele fez o procedimento e Callie começou s despertar. – Oi senhorita Torres, sabe onde está? – perguntou. A morena olhou ao redor tentando identificar o local, viu sua família e acenou positivamente com a cabeça. – Você consegue falar?
—Sim. – sussurrou.
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