I Believe
38 Capitulo 34
Notas iniciais
PDV ARIZONA
Depois da cena que eu vi no apartamento de Callie eu fiquei super mal, não consegui pregar o olho a noite inteira, chorei a noite na maior parte do tempo, queria saber quem era aquele homem, por que ela fez isso comigo? Era essa a frase que mais rondava minha cabeça durante a madrugada toda e lembra-se do nosso passado não tão distante assim, pois fazia pouco tempo que havíamos começado um relacionamento. E durante esse tempo ficamos bem próximas, nos entregamos de corpo e alma, eu pelo menos me entreguei, mas acho que Callie também se entregou ao sentimento puro que fluía entre nós. Eu estava muito nervosa para conseguir dormir, levantei da minha cama e fui ate a cozinha e peguei uma garrafa de vinho, uma taça e sentei na sala, liguei a tv com o volume baixo, para que minha boneca não acordasse, se eu falar que prestei a atenção no que passava no canal estaria mentindo, pois não sei nem qual o assunto do programa que passava, a única coisa que fazia era chorar, chorar e chorar, era o momento de colocar toda aquela revolta pra fora, coloquei a taça de vinho na mesinha de centro junto da garrafa, coloquei minha cabeça entre minhas mãos e sem pensar duas vezes arranhei meu rosto a fim de libertar minha fúria, pois nesse momento Callie estava na cama com outra pessoa, não consegui enxergar direito aquele homem, mas ele não me era estranho. Os raios de sol começavam a entrar pela as cortinas da sala, me levantei e fui para cama, tentar descansar um pouco, pois daqui duas horas teria que levar Melody na escola e claro que ela perguntaria por Callie, ate agora acho incrível a conexão que elas tiveram Mel não era tão ligada assim com a Lauren que á criou desde que nasceu. Assim que cheguei ao meu quarto, meu celular toca, sem olhar quem era apenas atendi, era ela.
***Ligação on***
[-Alo? Arizona? – Callie me chama, sua voz estava estranha- Bom dia meu amor, eu estou ligando pra avisar que não vai dar pra gente fazer nosso passeio, surgiu uns imprevistos, problema de família. – a voz estranha deveria ser culpa, por ter feito o que fez e hoje não tinha coragem de olhar na minha cara.
—Okay, Callie. – disse seca. Quando ia desligar ela começa a falar.
—Fala pra minha boneca que eu sinto muito, que vou recompensar depois, amo vocês. Tchau. – a linha ficou muda.]
***Ligação off***
“Amo vocês... Amo vocês.” As palavras fizeram eco na minha cabeça, doeu profundamente ouvir isso assim, mas se amasse a gente de verdade não teria feito o que fez, e ligar pra dizer esse tipo de coisa assim? Como se nada tivesse acontecido, com essa cara de pau toda?!?!?! Essa mulher é pior que eu imaginava como me deixei levar por ela??? PIOR!!! Ter a deixado entrar na minha casa e chegar perto da minha filha, ela é a pior espécie de mulher que conheci, porque eu já tinha contado da traição do meu relacionamento com a Lauren. Pra falar a verdade eu estou toda perdida, não sei realmente o que estou sentindo, eu só quero apenas fugir disso tudo, espero que tudo isso seja apenas um pesadelo, que estou em um terrível pesadelo, que a qualquer momento eu vou acordar na minha cama, com a Callie nos meus braços. Minha vontade de gritar era enorme, minha cabeça estava uma completa bagunça, eu sentia raiva, sentia vontade de ir ate a casa dela e tirar toda essa historia a limpo, queria olha nos olhos dela e ouvir o que aconteceu da boca dela, mas o meu orgulho falava mais alto.
—Mamãe?- Mel me chama me tirando dos meus devaneios. Limpo meu rosto e me ajeito na cama.
—Oi meu amor. – dou um sorriso fraco, abro os braços e ela corre ao meu encontro se aninhando no meu abraço. –Bom dia, tudo bem?
—Aham.- murmurou. –Bom dia, mamãe, cadê a tia Callie? A gente não ia passear hoje? – ela se afasta um pouco e olha pra mim.
—Own meu amor, a Callie não pode vir... – sussurrei. – Quem sabe outro dia?! – tentei contornar da melhor maneira possível.
—Mas ela prometeu mamãe!!! – exclamou um pouco irritada.
—Eu sei meu bem, eu também fique chateada, muito chateada pra falar a verdade. – pausa- Mas agora vamos nos trocar se não vamos nos atrasar.
—Ah me deixa ficar em casa hoje? Juro que não faço bagunça mamãe, por favor? – ela se ajoelha na cama e junta às mãos como se fosse fazer uma reza.
—Infelizmente não posso meu amor, lembra que você esta tendo ensaio pra apresentação da sua peça no final desse semestre?- disse um pouco mais firme. Eu ate poderia deixa-la em casa comigo, mas não estava com cabeça, e não queria que ela me visse mal, pelo menos na escola iria se distrair um pouco e esquecer-se desse passeio idiota. Ela sai do quarto com os ombros encolhidos e cabisbaixa.
— A gente pode passar naquela lanchonete que tem aqueles cupcake’s? – ela se vira assim que chega à porta e faz aquela carinha de cachorrinho abandonado.
—Podemos, mas só se você for agora se arrumar rapidinho e não enrolar, okay? – digo com um tom mais animado. Afinal ela não tinha culpa dos meus problemas.
—Yuuuuuup!!! – grita animada. Ela sai correndo pelo corredor com os braços pra cima.
Entramos no carro e partimos em direção a lanchonete, o dia estava bem agradável, estava no começo do outono, nas ruas as pessoas já andavam bem agasalhadas, pois na rua o frio já estava dando sinal que chegaria intenso. Diferente dos dias anteriores hoje não estava chovendo, e nessa cidade um dia sem chuva era milagre, chegamos na lanchonete e Mel já correu pra dentro do local, “como ela ama esse lugar,” ao adentrar pude ver minha filha em frente a vitrine de doces, bem animada, quando ela olhou para trás pude ver seus olhos brilharem. Ela escolheu seu cupcake e eu peguei um café, sentamos em uma das mesas próxima a janela.
—Isso esta tão gostoso mamãe, pena que a tia Callie não veio, ela também gosta daqui igual a mim, né? – disse com a boca cheia. Ela tava tão animada, que nem percebeu minha dor quando ela citou o nome da morena.
—Não fale de boca cheia meu amor. – repreendi. – Sim, ela gosta daqui também. – concordei e dei um sorriso fraco, não queria estragar sua alegria com minhas decepções. – Mas não demore a comer, porque a senhorita ainda vai pra escola, se você acha que vai me enrolar, esta muito enganada mocinha. – me curvei e beijei seu nariz.
—Poxa mamãe, você poderia me dar uma folga hoje, a senhora não acha? – falou e bateu os cílios rapidamente, fazendo charme. Às vezes me pergunto aonde essa menina aprende essas coisas, mas ela é uma Robbins, nascemos com esse charme de persuadir as pessoas com nossos sorrisos, carisma e carinha encantadora.
—Desculpa meu amor, mas hoje não, okay?
—Okay, mas podemos negociar pra outro dia?- insistiu.
—Talvez, mas agora vamos. Já estamos atrasadas. – levantamos e fomos ate o lavatório, limpei seu rosto e suas mãos, passei no caixa e paguei a conta.
Deixei Mel na escola, mas ainda era bem cedo pra ir trabalhar, não queria ir pra casa, pois sabia que ficaria pensando nela e no que eu vi, resolvi dar uma volta pra espairecer um pouco, queria ficar um pouco quieta, mas também precisava desabafar, e a ideia de ligar para Teddy me veio à cabeça e assim fiz, liguei pra ela:
***Ligação on***
[Alô? Teddy?- chamei.
—Oi Ari, pode falar.- respondeu.
—Você esta trabalhando?- perguntei.
—Não, por quê?-disse.
—Queria... Preciso conversar...- disse com um nó na garganta.
—Pode falar Ari.- disse com tom preocupado.
—Pode ser pessoalmente?-pedi
—Aonde você esta? Quer que eu vá ate ai ou quer vir aqui em casa?-perguntou.
—Acho melhor eu ir ate ai. — respondi.
—Okay, vou ficar esperando. — concluiu.
—Chego em alguns minutos.- encerrei.]
***Ligação off***
Assim como tinha dito para Teddy, em poucos minutos eu estava na casa dela, assim que a loira abriu a porta me atirei em seus braços a abraçando fortemente. Não consegui segurar minhas lagrimas, chorei igual a uma criança. Caminhamos ate o sofá e sentamos ali, Teddy tentava me acalmar, passava a mão nas minhas costas, para tentar passar uma tranquilidade, consegui ficar mais calma depois de um tempo, então resolvi contar tudo que tinha acontecido, o que eu tinha visto na noite anterior, a ligação de Callie desmarcando, tudo ate o presente momento, Teddy ficou boquiaberta com tudo que ouviu, ela ficou sem palavras, ela abriu e fechou a boca pra tentar dizer algo algumas vezes, mas nada foi dito, ela parecia espantada, tanto quanto eu.
—Mas Ari, você não esta se precipitando? De repente aquilo que você viu, não é o que esta pensando. – tentou me acalmar.
—Teddy!!! Não tente amenizar a gravidade do que ela fez comigo, esta bem claro o que eu vi, eu não sou louca, eu sei o que eu vi!!! –retruquei sua teoria.
—Tenta falar com ela, eu sei que o que você viu foi horrível, mas você também precisa saber dela o que aconteceu, saber a versão dela. Desculpa, mas pelo que eu conheci dela e pelo o que você e o Mark me falava, ela não é esse tipo de mulher. – disse me relembrando o que eu dizia sobre a morena ser uma mulher simples humilde e com um bom caráter.
—Mas Teddy, PRESTA BEM A ATENÇÃO AQUI. — segurei seu rosto. — ELA ME TRAIU, EU A VI NA CAMA COM UM HOMEM, ELES ESTAVAM PELADOS. NÃO TEM NADA QUE JUSTIFIQUE ISSO, ENTNDEU? – disse exaltada, eu não gritava apenas elevei um pouco a voz, pois não me conformava que minha melhor amiga não enxergasse meu ponto de vista.
—Tudo bem Arizona, eu já entendi. – retirou minhas mãos do seu rosto e as beijou. – Mas mesmo assim, acho que você deveria ir atrás dessa historia e saber o que aconteceu.
—Ah eu desisto de você Teddy. – me afundei no sofá. – Você é a pior melhor amiga do mundo, te odeio. – fechei a cara. Mas sorri depois.
—Você me ama Arizona e não vive sem mim. – levantou do sofá e foi para a cozinha. – Vem, você tem que comer alguma coisa, eu sei que você não comeu nada. – disse arrumando a mesa com alguns pães, suco, café entre outras coisas. Ela realmente conhecia.
Comemos e tivemos uma conversa mais formal, deixamos o assunto anterior de lado, falamos mais sobre trabalho. Faltavam quinze minutos pra começar nosso plantão, dei uma carona pra Teddy, assim que chegamos cada uma foi para sua ala.
—Nos vemos mais tarde? – disse um pouco mais alto, pois ela já estava numa certa distancia.
—Nos vemos mais tarde. – elevou o tom, pois já estava no final do corredor.
Cheguei ao quiosque das enfermeiras e peguei meus prontuários, alguns internos me acompanharam nas rondas, passei em oito quartos, deixei cada interno responsável por cada caso. Meu pager toca e corro para o PS.
—Victor White, sete anos, acidente de carro, durante a colisão estava sem cinto e acabou atravessando o para-brisa, tem múltiplas fraturas, inclusive mandíbula. – April, me atualiza.
—Você. – aponto pra um interno logo afrente.
—Sim. – o rapaz se aproxima.
— Leve-o ate a CO e o prepare para cirurgia. – o rapaz ficou olhando pra mim sem se mexer. – AGORA!!!- grito e ele começa a fazer o que foi mandado. – April, por favor, chame o Derek, Mark... – respirei fundo, tinha que mostrar meu profissionalismo. – E a Dra: Torres também.
— Pode deixar.
Fui o mais rápido que pude, cheguei e segui para a sala de esterilização, me lavei e entrei na CO, Derek e Mark, já estavam na sala discutindo qual seria a melhor abordagem. Eles olhavam as radiografias e as ressonâncias feitas momentos antes do garoto entrar na sala de cirurgia, tínhamos que agir rápido, pois o pobre garoto tinha uma hemorragia interna no abdômen e outra em seu cérebro. Enquanto Sheppard mexia em seu cérebro, eu mexia em seu abdômen, Sloan fica monitorando o garoto junto com o anestesista e instrumentadora cirúrgica, esperando o amigo terminar para começar a sua parte. Derek depois de muito sacrifício conseguiu encontrar a fonte da hemorragia e conseguiu estancar o fluxo excessivo do sangue, mas a minha luta maior era conseguir salvar seu estomago que havia se rompido com o estilhaço de vidro devido o choque contra o para-brisa, essa era a causa da hemorragia. Depois de três horas diante aquela mesa tentando salvar o menino, percebi que Callie não havia chego ao centro cirúrgico para operar.
—Alguém pode me dizer, por que a Dra: Torres ainda não apareceu para operar? – pergunto irritada. As pessoas que estavam na sala se entrem olharam e respondem negativamente. Menos Mark, ele não olha pra ninguém e continua em sua posição, continua empurrando o maxilar do garoto para lugar certo. – Mark? – chamo.
—Sim. – ele reponde, e levanta o olhar na minha direção.
—Por acaso você sabe onde se encontra a Dra: Torres? – pergunto. Ele arregala seus olhos, e vejo ele ficar pálido atrás da mascara.
—Não, Robbins, eu não sei, não falo com a Torres desde ontem a noite... — ele gagueja. O homem parecia nervoso.
— Okay, Sloan. – volto a fazer minha atividade. – Alguém pode chamar outro ortopedista?
Alguns minutos depois outro ortopedista chegou ao centro cirúrgico Dr: Hernández. Mais algumas horas foram gasta, mas no final tudo saiu bem, hastes de platina foram colocadas em seu fêmur, tíbias e radio. Felizmente o garoto se saiu muito bem, não teve nenhuma parada, sua pressão teve pequenas quedas, mas nada grave foram longas horas, Victor pode se considerar um menino vitorioso, ele passou por tudo numa boa. Após a cirurgia, dei a noticia para os pais e os acompanhei ate o quarto.
A semana passou rápido, e notei Callie sumiu, acho que ela estava me evitando. Eu também a evitaria se eu tivesse feito o que ela fez, mas mesmo assim era pra eu ter visto ela pelo hospital, era pra gente ter se encontrado em algum canto, não é possível uma pessoa sumir assim do nada, cheguei a perguntar algumas vezes, por curiosidade mesmo, okay, eu sinto falta dela, mas o que ela fez não tem perdão. Mas eu queria encontra-la e perguntar por que ela fez isso comigo? Felizmente eu não a achei, pois não aguentaria ouvir o que ela ira falar. Pra falar a verdade a pior parte era ouvir toda hora Mel, perguntar sobre a morena, eu não tinha mais desculpas para inventar, isso já estava me matando. Minha vida estava uma correria, tanto no hospital como em casa, Melody estava estranha, me desobedecia, respondia, estava fazendo coisas que nunca foi de fazer.
Fazia uma semana que não parava em casa, tive que contratar uma pessoa pra me ajudar, tanto nas tarefas da casa e também pra tomar conta de Mel, tinha dia que nem conseguia vê-la, eu saia de casa ela ainda não tinha acordado, quando voltava ela já estava dormindo, essa necessidade de querer Callie comigo e não poder, pois ela havia sumido e o orgulho não deixa eu ir atrás dela, me afundei no trabalho. Queria esquece-la, e nada melhor do que se ocupar com serviço, novos casos para ocupar a mente, chegar tão cansa em casa e dormir, sem ter tempo pra pensar em nada. Acordo com meu celular tocando.
***Ligação on***
[-Alô? – digo ainda sonolenta.
—Arizona? Ate que fim consegui falar com você, faz alguns dias que ligo pra você e não consigo lhe encontrar, desculpa pela hora, mas é importante; você poderia me encontrar amanha? – a mulher dispara em um folego só.
—Claro. – foi tudo que eu consegui falar. Pois ela voltou a falar novamente.
— Me encontre no restaurante Ragazzo ao meio dia. Mais uma vez desculpa, mas é importante.
—Tudo bem. Ate amanha.
—Ate amanha.]
***Ligação off***
Depois da ligação não consegui mais pregar os olhos, minha curiosidade estava me matando, levantei e fui ate o quarto de Melody, a cobri, pois ela tinha jogado o edredom no chão, dei um beijo no topo de sua cabeça e a fiquei observando, fazer isso me trazia tanta paz, me lembro de quando ela era menor, que eu levantava varias vezes apenas para ver se ela estava respirando, ela cresceu, mas meus medos só aumentam em relação a ela. Confesso que ela não estava nos meus planos, porem foi a melhor coisa que me aconteceu. Meu pager toca e eu corro para me arrumar, ligo para dona Consuelo que chega em casa em menos de dez minutos.
— Obrigada por vir Consuelo, você é um anjo que entrou na minha vida. – dou um beijo em seu rosto. – As coisas da Mel já estão arrumas.
— Pode ficar tranquila Senhora Robbins. – ela me acompanha ate a porta.
—Já disse que pode me chamar só de Arizona, por favor, esquece esse senhora, okay? Tchau. – me despedi e entrei no carro.
Ao chegar no hospital corri para o PS, mas em uma curva acabo trombando em alguém, ao olha pra frente vejo que era a pessoa.
—Callie?
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