I Believe
15 Capitulo 12
Notas iniciais
PDV ARIZONA
Os raios finos do sol entram pelo o vão da cortina diretamente em meu rosto. A claridade me incomodava e viro para o outro lado, passando a mão pela cama ainda de olhos fechados, mas tudo o que sinto é o colchão gelado. Abro os olhos lentamente vendo a cama vazia. Um barulho fora do quarto me chama a atenção e deslizo para fora da cama. Procuro meu vestido, mas não o acho, me enrolo no lençol e caminho para fora do quarto. Assim que abro a porta o cheiro do café invade minhas narinas. Sigo o barulho que vinha da cozinha e me deparo com uma latina de toalha jogando um panqueca para o alto.
– Bom dia. — chamo sua atenção, encostada na porta da cozinha.
– Bom dia.- ela retribui. — Dormiu bem?- me pergunta colocando café em uma xícara.
– Sim. — respondo e sinto-me corar — Se não for pedir muito, poderia me mostrar o banheiro?
– Claro que lhe mostro e não é pedir demais. — ela sorri e caminha em minha direção.- É a segunda porta a sua direita. — aponta para a porta no corredor.
–Obrigada. — agradeço e sigo para o local.
Paro em frente a pia, jogo água em meu rosto e me olho no espelho, ainda não acreditando no que havia acontecido. Fico ali me encarando por algum tempo sem saber o que fazer ou o que dizer para a latina. Apesar do enorme desejo que sentia por ela, eu ainda estava machucada com a traição da Lauren e meus sentimentos estavam confusos. Não sei direito o que sinto pela morena, mas algo nela me atrai fortemente e só de pensar nela vejo um sorriso se formar no meu rosto através do meu reflexo. Uma batida na porta me tira dos meus pensamentos.
–Arizona? Você está bem?- a morena pergunta.
–Estou sim. Já estou saindo! — pego um roupão que estava pendurado visto-o, dou uma ultima olhada no espelho e saio.
Em uma mesa redonda no canto da cozinha estava posta um belo café da manhã, com ovos mexido com bacon, panquecas, torradas, uma jarra com suco e um bule com o café esfumaçando. Callie estava
pegando dois pratos no armário para nós, me sentei em um das cadeiras e a morena sentou logo em seguida na minha frente.
–Nossa, voce sabe dominar uma cozinha.- sorrio e arqueio minha sobrancelha.
–Tenho meus encantos e um deles é conquistar a pessoa pela barriga. — a morena solta um gargalhada no final de suas palavras.
–Acho que assim você pode me conquistar.- dou meu melhor sorriso.
–Acha? Pois a mim você já conquistou só com esse sorriso. — me devolve um maravilho sorriso e morde sua torrada.
Tomamos nosso café tranquilamente, mas algo me incomodava muito. Não sabia dizer direto o que era, mas parecia que meu coração estava sendo esmagado... como se algo estivesse acontecendo.
– Arizona? Você esta bem? — a latina me pergunta com tom de preocupação.
–Sim, só qu... nada. Estou bem. — minto. — Tenho que ir pra casa.
–Você tem certeza que está bem?
–Tenho certeza, Calliope. Mas tenho mesmo que ir. — forço um sorriso e começo caçar meu vestido e meus pertences.
Era um sábado tranquilo, as ruas estavam calmas com pouco movimento, o tempo estava propício para ser admirado, o sol estava presente dando um toque especial aquele começo de tarde. Callie dirige sem pressa e o silêncio reina dentro do veículo. Meu cabelo bagunça com o vento que entrava pela janela e um arrepio corre pelo meu corpo. Fecho a janela, encosto minha cabeça no vidro e meus pensamentos me dominam como fogo. Minha briga interna entre me entregar de vez ou tentar um reconciliação com Lauren me dominava. Callie é maravilhosa e me sinto bem em estar com ela, o brilho dos seus olhos me deixa fascinada, seu sorriso me hipnotiza, seu beijo é perfeito e se encaixa perfeitamente ao meu, seu toque me faz delirar, isso sem contar sua beleza exótica, sua pele bronzeada que se sobrepõe a minha e me completa de uma forma inexplicável, porém mesmo com tudo isso à favor de Callie, o melhor é ficar com Lauren.
Afinal pessoas boas também fazem coisas ruins e tenho uma vida com ela, construí uma família e tem Melody que é pequena e não vai entender. Eu... posso perdoá-la.
– Hoje vou operar a Ana, ela esta estavel então podemos entrar com nosso plano cirúrgico. — Callie fala, mas meus pensamentos não me deixam prestar atenção no que dizia.- Arizona? — diz a morena me tirando do transe.
– Callie... -respiro fundo e tomo coragem para dizer a minha decisão para a latina.- Não sei como te dizer, mas... poderia ficar entre a gente o que aconteceu?- forço um sorriso.
–Você acha que vou sair por ai espalhando que dormi com a loira mais quente que conheci? — ela diz em um só folego e abre um dos seus melhores sorrisos.
– Não... É que... — eu não sabia bem como trabalhar as palavras. — Eu sei que você não sairia dizendo nada sobre nós, mas você precisa lembrar que eu sou casada... — antes que pudesse continuar, ela me interrompe.
– Engraçado Arizona, ontem você não me parecia preocupada com isso. — diz a latina me fitando com um ar mais sério.
– Agi por impulso... — acabo admitindo sem pensar direito. — Ontem vi a Lauren com outra pessoa lá na boate, fiquei com raiva e para me vingar acabei dormindo com você. — após dizer aquelas palavras percebi que elas soaram mais duras do que eu gostaria e logo posso ver nascendo lágrimas no canto dos olhos da latina. — Calliope, me desculpe... — tento reverter a situação, mas já era tarde demais, eu já havia dito. — A verdade é que estou confusa, não sei o que devo fazer... — sem dizer mais nada e nem ao menos voltar a me olhar, ela diminui a velocidade e percebo que já estavamos próximas a minha casa.
– Chegamos...- sinto a magoa e até um certo tom de raiva em sua voz. Uma dor inesperada me invade por ser a causadora daquilo.
–Calli...- sou interrompida.
– Não precisa me dizer mais nada Arizona... — a fúria estava evidente e suas mãos apertam o volante.- Eu já entendi que você me usou... Que fui apenas vitima de seu acesso impulsivo de raiva... — o peso de suas palavras me torturavam. Não fiquei com ela apenas por estar com raiva. — Como você pode fazer isso?
– Eu não te usei! Eu realmente senti vontade de ficar com você. — explico, mesmo sabendo que naquele momento não conseguiria reverter minha falha com as palavras.
– Nossa como foi reconfortante pra mim ouvir isso. — a ironia estava clara no seu tom de voz.
– Realmente eu sinto muito... — me desculpo mais uma vez. — Espero que me desculpe. — abro a porta e saio do carro, pois não queria tocar mais no assunto.
Callie acelera o carro e sai ferozmente dali, em poucos segundos seu carro some do meu campo de visão. Tiro meus saltos e trilho meu caminho sobre a grama até a entrada da minha casa.
"Espero ter tomado a decisão certa".
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